POR TRÁFICO INTERNACIONAL DE COCAÍNA
“Operação Descobrimento” da PF prende Rowles e Borgatto
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (19), a “Operação Descobrimento”, com o objetivo de desarticular organização criminosa especializada no tráfico internacional de cocaína.
Estão sendo cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão preventiva nos estados da Bahia, São Paulo, Mato Grosso, Rondônia e Pernambuco. Em Portugal, com o acompanhamento de policiais federais, a polícia portuguesa cumpre três mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva nas cidades do Porto e Braga.
No Estado de Mato Grosso foram presos o ex-assessor da vice-governadoria na gestão do então governador na época, Silval da Cunha Barbosa, Rowles Magalhães Pereira da Silva, conhecido como “lobista do VLT“, é um dos alvos da “Operação Descobrimento“, e o ex-secretário de Ciência e Tecnologia do atual governo, Nilton Borgatto (PSD), desbaratada hoje (19) pela Polícia Federal.
Rowles Magalhães denunciou ao Saite UOL a propina de R$ 80 milhões para as obras do Veiculo Leve sobre Trilhos (VLT), que estava sendo construido entre as cidades de Cuiabá e Várzea Grande. Em sua casa, a Policia Federal (PF) encontrou joias, produtos de grife e vários euros em espécie.
Rowles Magalhães, que era assessor do vice-governador Chico Daltro (PSD) gerou alvoroço em Mato Grosso como pivô da da matéria do site UOL.
Em 17 de outubro, a denúncia gerou alvoroço no Estado, com a divulgação da matéria contendo as “revelações” de Rowles. Ele foi exonerado no dia seguinte e o Ministério Público Federal (MPF), e do Ministério Público do Estado (MPE) instauraram procedimento para investigar a denúncia.
Dizia o UOL que o vencedor da licitação para construir o VLT, obra orçada em R$ 1,47 bilhão, era conhecido pelo menos um mês antes da entrega das propostas dos consórcios concorrentes e da abertura dos envelopes.
“No dia 18 de abril deste ano, uma mensagem cifrada publicada no jornal Diário de Cuiabá revelou que o Consórcio VLT Cuiabá, formado pelas empresas Santa Bárbara, CR Almeida, CAF Brasil Indústria e Comércio, Magna Engenharia Ltda e Astep Engenharia Ltda, sairia vencedor do certame. O MP-MT (Ministério Público de Mato Grosso) foi informado sobre a mensagem e como decifrá-la. A abertura dos envelopes foi realizada no dia 15 de maio, confirmando o resultado”, diz trecho da matéria.
O anúncio do jornal informava:
“Vende-se terreno. Na avenida da FEB, entre as ruas Carlos Roberto Almeida e Santa Bárbara. Em frente ao local vai passar o VLT. CAF. (65) 9001-2012”.
“A avenida da FEB é uma das principais vias por onde passará o VLT, na cidade de Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. Já as ruas Carlos Roberto Almeida e Santa Bárbara não existem, e seriam uma indicação das duas empreiteiras que integram o consórcio vencedor (CR Almeida e Santa Bárbara). A palavra CAF, que não tem função nenhuma no anúncio publicado, é o nome da empresa construtora de trens que integra o consórcio vencedor. Por fim, o número de celular, que também não existe, é um indicativo do número da licitação, sem o algarismo nove: 001-2012”, apontou a matéria do UOL.
Semanas antes da abertura dos envelopes, o UOL Esporte foi procurado por Rowles. Ele adiantou o consórcio VLT Cuiabá como vencedor da licitação e que integrantes do governo estadual receberam uma propina da ordem de R$ 80 milhões para viabilizar o negócio. O acerto para determinar o vencedor, conforme a matéria, fora articulado entre os três consórcios primeiros colocados na concorrência.
Rowles estava descontente com o Governo do Estado. Antes da nomeação na vice-governadoria, ele representava o fundo de investimentos Infinity, que doou o estudo de viabilidade do VLT, orçado em R$ 14 milhões, usado no edital de licitação da obra. Com isto, o Infinity, que representava a empresa estatal portuguesa Ferconsult, responsável por projetar e executar obras de transporte sobre trilhos, não pôde participar do certame.
Sentindo-se traído, Rowles resolveu procurar o portal UOL, controlado pela Folha de SP.
“De acordo com o assessor especial do vice-governador o combinado era que a obra fosse executada por meio de uma PPP (parceria público-privada), em que a estatal portuguesa faria parte do grupo construtor. O que ocorreu, porém, foi um processo de licitação, cujo edital fora publicado no dia 6 de março deste ano, em que a Ferconsult não participou”, apontava a matéria do UOL.
O secretário extraordinário da Copa do Mundo de 2014 (Secopa), Maurício Guimarães, negou com veemência o pagamento de propina, assim como o então governador Silval da Cunha Barbosa. Barbosa acreditava que a matéria do UOL foi “plantada” por pessoas interessadas em denegrir a imagem do Estado e inviabilizar a obra do VLT, como a chamada “máfia dos combustíveis”.
AVIÃO DE LOBISTA
A “Operação Descobrimento“ é um desdobramento depois que uma grande quantidade de drogas foi encontrada em um avião de Rowles Magalhães há algumas meses.
As investigações da Policia Federal tiveram início em fevereiro de 2021, quando um jato executivo Dassault Falcon 900, pertencente a uma empresa portuguesa de táxi aéreo, pousou no Aeroporto Internacional de Salvador/BA para abastecimento. Após ser inspecionado, foram encontrados cerca de 595 kg de cocaína escondidos na fuselagem da aeronave.
A droga era transporta no avião de uma empresa privada ligada ao lobista Rowles Magalhães Pereira da Silva, que ficou conhecido por denunciar um esquema de propinas nas obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).
Na época, a defesa do lobista afirmou que a empresa de Portugal ainda não pertencia a Rowles. Segundo a defesa, a negociação ainda estava com contrato de intenções.

A partir desta apreensão, lê-se no comunicado divulgado pela Polícia Federal (PF), foi possível “identificar a estrutura da organização criminosa atuante nos dois países, composta por fornecedores de cocaína, mecânicos de aviação e auxiliares (responsáveis pela abertura da fuselagem da aeronave para acondicionar o entorpecente), transportadores (responsáveis pelo voo) e doleiros (responsáveis pela movimentação financeira do grupo)”.
Já Nilton Borgatto foi preso num prédio de luxo na região central de Cuiabá, foi titular da Seciteci entre 2019 e março deste ano. Deixou a pasta para ser candidato a deputado federal nas eleições de outubro.
O ex-secretário foi Prefeito da Cidade de Glória D’Oeste, cidade que está localizada na faixa de fronteira com a Bolívia.
As medidas judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Federal de Salvador/BA e pela Justiça portuguesa. A Justiça brasileira também decretou medidas patrimoniais de apreensão, sequestro de imóveis e bloqueios de valores em contas bancárias usadas pelos investigados.
No curso das investigações, a Policia Federal (PF) contou com a colaboração da DEA (Drug Enforcement Administration – Agência norte-americana de combate às drogas), da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Polícia Judiciária Portuguesa e do Ministério Público Federal (MPF).
Destaques
Governo prevê conclusão do “BRT Metropolitano” para dezembro de 2026
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística (SINFRA/MT), Marcelo Oliveira, juntamente com a equipe técnica da pasta, anunciou formalmente que as obras do sistema de trânsito rápido por ônibus (Bus Rapid Transit – BRT), no trecho que interliga a Avenida do CPA, em Cuiabá, ao Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, serão integralmente concluídas até o fim de dezembro de 2026. A declaração solene ocorreu na tarde desta segunda-feira (13), durante uma concorrida Audiência Pública realizada no auditório principal da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT).
O pronunciamento governamental detalhou as profundas alterações estruturais planejadas para as 77 estações de passageiros, o cronograma atualizado de execução física das frentes de trabalho e as estratégias para a futura implantação do corredor viário da Avenida Fernando Corrêa da Costa. Diante de parlamentares, lideranças comunitárias e jornalistas, os gestores estaduais também expuseram o planejamento para a aquisição imediata da frota de ônibus elétricos, além de justificar as medidas administrativas severas adotadas pelo Poder Executivo após a rescisão unilateral do contrato com o consórcio construtor originalmente contratado para a execução do empreendimento metropolitano.
A consolidação financeira do novo modal de transporte coletivo urbano recebeu um importante incremento com a confirmação de que a venda dos antigos trens e o leilão dos trilhos e materiais remanescentes do extinto projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) reverterão mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos do Estado. Ao defender a viabilidade econômica da transição tecnológica, o secretário Marcelo Oliveira rebateu as críticas recorrentes acerca dos atrasos no cronograma e enfatizou que as equipes de engenharia enfrentaram um cenário complexo de expansão urbana e de adensamento populacional acelerado na Grande Cuiabá entre os anos de 2012 e 2024.

O principal fator que determinou a paralisação temporária das obras e a consequente dilação do prazo de entrega foi o reiterado descumprimento de cláusulas editalícias por parte da primeira concessionária licitada, situação que forçou o Estado a aplicar multas contratuais e a reformular integralmente o modelo operacional. O gestor da pasta de infraestrutura revelou ainda que a ingerência política e os entraves burocráticos criados pela administração municipal anterior de Várzea Grande prejudicaram sensivelmente o andamento dos serviços de pavimentação rígida na região limítrofe, prolongando o desgaste logístico sofrido pelos comerciantes e motoristas locais.
Paralelamente às intervenções em andamento no primeiro eixo de mobilidade, a implantação do corredor estrutural da Avenida Fernando Corrêa da Costa encontra-se em fase de planejamento, com o processo licitatório ainda pendente de publicação oficial no Diário Oficial do Estado. O secretário-adjunto de Obras da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), Isac Nascimento, esclareceu que não há dotação orçamentária empenhada para este trecho específico no presente exercício financeiro, estimando o início efetivo das obras de terraplenagem e drenagem profunda apenas para o primeiro semestre do próximo ano.
O traçado completo do sistema de transporte rápido abrangerá uma extensão linear de 15 quilômetros no trecho principal que conecta as duas maiores cidades do estado, somando-se a outros sete quilômetros projetados para o futuro ramal da região sul de Cuiabá. Para garantir o atendimento eficiente de milhares de usuários diários que dependem do transporte público interestadual, a administração estadual confirmou a aquisição de uma frota inicial composta por 25 modernos ônibus elétricos de alta capacidade, cujos processos de compra direta encontram-se em fase de instrução documental e análise jurídica nos órgãos de controle interno da Sinfra.

As modificações técnicas implementadas no projeto básico das estações visam aumentar a durabilidade do patrimônio público e garantir o conforto térmico dos passageiros em uma região de clima caracteristicamente quente. Nascimento pontuou que o aprimoramento estrutural consistiu na substituição dos aparelhos de ar-condicionado domésticos por eficientes sistemas de climatização industrial, além da instalação de painéis de vidro temperado com tecnologia antivandalismo e de estruturas metálicas de alta resistência contra intempéries climáticas.
O planejamento logístico inicial concebido para o Lote 1, que compreende a ligação expressa entre os terminais de Várzea Grande e do CPA, previa originalmente uma execução célere de apenas seis meses, baseada na abertura simultânea de sete frentes de trabalho intensivo ao longo do leito viário. A estratégia de engenharia englobava intervenções complexas no subsolo e na superfície das principais vias expressas, concentrando o maquinário pesado no quadrante situado entre o Viaduto da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) e a histórica Ponte Júlio Müller.
No entanto, a viabilidade prática desse modelo de intervenção simultânea mostrou-se inviável logo após o início das primeiras escavações, quando o estrangulamento do fluxo de veículos gerou severos congestionamentos e forte descontentamento popular. A equipe técnica da Sinfra avaliou que a manutenção do cronograma agressivo original resultaria em um colapso completo da mobilidade urbana intermunicipal, forçando a adoção de um modelo operacional mais flexível e seguro para os cidadãos.
A execução das obras de engenharia civil passou a ocorrer de forma cadenciada e gradual, sob constante monitoramento e em estreito alinhamento operacional com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) de Cuiabá. De acordo com o secretário-adjunto, essa sinergia administrativa permite o planejamento detalhado de desvios no tráfego e de interdições parciais de faixas de rolamento, mitigando os impactos cotidianos e harmonizando o avanço do BRT com as demais obras de saneamento básico conduzidas pelas concessionárias de serviços públicos na capital.
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