TUDO CERTO ENTRE OS CACIQUES
O “cachimbo da paz” entre Mendes e Pinheiro
Como tudo na vida é movimento a política também é. Salomão, o Rei Hebreu, considerado um homem muito inteligente, teorizou sobre o tema quando disse que há tempo para todo propósito.
Tempo de estar perto, tempo de ficar longe; tempo de guerra e tempo de paz; tempo de amar e tempo de odiar. É parte de nós sentir ódio e amor. Perceber preto e branco, luz e escuridão. Na natureza e na vida.
O governador mato-grossense, Mauro Mendes Ferreira (DEM) e o Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB) começaram a fumar o cachimbo da paz para o bem de todos. Era o certo a fazer, principalmente numa crise bicuda como essa. Foram eleitos para solucionar juntos os problemas do povo cuiabano.
Por isso mesmo os mais antigos criaram um ditado que também servia de conselho:
“Não se meta em briga de político, depois eles acabam se entendendo”.
Não sei exatamente a origem, mas funciona. A questão parece complicada porque toda briga é sempre passional. No caso, paixão política pura. Cada qual defende o que entende que é melhor para si.

E nesta manha de segunda-feira (15), em reunião realizada por meio de videoconferência, a Prefeitura de Cuiabá e o Governo do Estado de Mato Grosso definiram que irão abrir pelo menos mais 30 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) para atendimento exclusivo de pacientes diagnosticados com o novo “Coronavírus”, a “Covid-19”, nas próximas semanas, e destinará 10 respiradores para essas unidades, que se somarão a outros 20 garantido pelo deputado federal Emanuel Pinheiro Neto (PTB), o “Emanuelzinho”.
A reunião teve o acompanhamento do presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL-MT), deputado estadual José Eduardo Botelho (DEM), pelo deputado federal Emanuel Pinheiro Neto, e pelo secretário municipal de Saúde, Luiz Antônio Pôssas de Carvalho, o vice-governador Otaviano Pivetta, os secretários de Estado Mauro Carvalho (Casa Civil), Gilberto Figueiredo (Saúde), Alberto Machado (Gabinete de Governo), o deputado estadual Dilmar Dal Bosco.
Cuiabá já conta com 55 leitos de UTIs no Hospital (antigo PS) e outros 40 no Hospital São Benedito.
“Já adquirimos 20 respiradores na última sexta-feira (12), por intermédio do deputado federal Emanuel Pinheiro Neto e iremos corrigir problemas em alguns aparelhos e vamos garantir a abertura de mais dez. Com essa parceria, vamos aumentar a capacidade, conscientes de que há uma grande demanda do interior que é atendida na Capital”, explicou o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro.
“No quesito testagem, o Município tem avançado com esse trabalho, utilizando-se de equipamentos adquiridos. Fizemos uma parceria com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) e, muito em breve, estaremos realizando cerca de 300 testes por dia. Isso nos ajudar a confirmar ou descartar os casos suspeitos e com isso melhorar a nossa linha de defesa e proteção”, pontua Pinheiro.
A reunião foi intermediada pelo deputado federal Emanuel Pinheiro Neto, que se colocou à disposição para continuar ajudando Mato Grosso no enfrentamento à pandemia.
“Espero sempre contribuir com a Prefeitura de Cuiabá, com as prefeituras dos demais municípios, e também com o Governo de Estado. Assim poderemos, em unidade, sair dessa situação grave”, disse o deputado.
“O Governo do Estado vai garantir o pagamento de 30 UTIs em Cuiabá, ao preço de R$ 2 mil por leito, por meio da parceria com o Governo Federal. Se por algum motivo, a prefeitura não conseguir a habilitação desses leitos, nós vamos garantir que o valor seja pago com recursos do próprio Estado”, afirmou o governador Mauro Mendes, acrescentando que isso é possível, em decorrência do novo decreto editado pelo governo com regras para as prefeituras conseguirem habilitar novos leitos para o “Coronavírus”.
Pelas novas regras, cada UTI habilitada receberá diária para custeio de R$ 1,6 mil do Ministério da Saúde e R$ 400 do Estado, um total de R$ 2 mil ao dia por UTI.
O governador explicou que é preciso ampliar a rede de atendimento na Grande Cuiabá, que é a referência para o tratamento de “Covid-19“ em Mato Grosso, não só pela concentração populacional, mas por dispor de maior número de profissionais da saúde para atuar.
“No Hospital Estadual Santa Casa, abrimos mais 40 UTIs e outras 10 estão sendo finalizadas. No Metropolitano já tínhamos 10 e criamos mais 30. Estamos ampliando outras 30 no Metropolitano, então se a Prefeitura conseguir abrir mais 30, a baixada cuiabana ficará bem atendida”, ressaltou.
O prefeito Emanuel Pinheiro afirmou que irá tomar as providências para habilitar os 30 novos leitos. Segundo ele, 10 já estão em andamento.
“É muito importante ampliar esse diálogo. Vamos correr para efetivar tudo o que foi decidido”, comentou.
Para o chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, a reunião trará bons frutos para a saúde da população de todo o estado.
“A reunião foi respeitosa, harmoniosa e profissional. O principal propósito foi salvar vidas. E esse tipo de reunião o governador Mauro Mendes tem feito com os prefeitos. Estamos com mais de 90 UTIs sendo abertas no interior de Mato Grosso”.
De igual maneira, o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, apontou a necessidade de dialogar com os representantes municipais para encontrar soluções conjuntas.
“O Governo do Estado tem sido sensível e conversado com todos os prefeitos para que possamos montar essa estrutura e definir todas as medidas necessárias contra a “Covid-19“. Foi uma reunião convergente e harmônica, pensando na população. A reunião foi para aprendermos e promovermos melhorias”.
Ainda na videoconferência, ficou definida a criação de um comitê técnico para elaborar um protocolo de tratamento voltado aos pacientes na fase inicial da doença. O comitê será integrado por médicos do Estado, da Assembleia Legislativa e das Prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande.
“Vamos participar desse comitê para contribuir, pois a Assembleia tem desempenhado um papel fundamental por meio da Comissão de Saúde”, destacou o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, Eduardo Botelho.
Destaques
Ação de R$ 182 Milhões contra ex-governador completa 7 anos no Judiciário de Mato Grosso
Uma das principais denúncias de desvio de recursos públicos da história recente do Estado de Mato Grosso continua sem uma decisão de mérito definitiva. A Ação Civil Pública por improbidade administrativa, que tramita na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, busca a devida reparação aos cofres públicos diante de indícios robustos de fraudes no pagamento de precatórios.
O processo em questão aponta como réus o ex-governador Blairo Borges Maggi, o empresário Valdir Piran e outras oito pessoas físicas e jurídicas. Entre os demais acusados estão ex-secretários de Estado, procuradores estaduais e a Construtora Andrade Gutierrez, todos apontados como partícipes de um arranjo financeiro ilícito de caráter estruturado.
A controvérsia judicial, que se arrasta desde o ano de 2019, completou sete anos de tramitação sem que um desfecho definitivo tenha sido alcançado na Justiça de Mato Grosso. Os reiterados recursos processuais apresentados pelas defesas dos réus retardaram o andamento célere dos autos ao longo de quase uma década de controvérsias.
As supostas irregularidades processuais ocorreram no âmbito da administração pública direta do Estado de Mato Grosso, sediada na capital, Cuiabá. O epicentro das transações financeiras sob suspeita deu-se no âmbito da Secretaria de Estado de Fazenda (SEFAZ/MT) e envolveu créditos originados de autarquias estaduais já extintas.
De acordo com as investigações, o esquema criminoso operou-se mediante a triangulação fraudulenta de repasses financeiros bilionários à Empreiteira Andrade Gutierrez sob o pretexto de quitação de precatórios judiciais.
Posteriormente, parte expressiva desses recursos públicos federais e estaduais era direcionada ao empresário Valdir Piran para fins de compensação de créditos privados.
A motivação por trás da referida engenharia financeira ilícita residia na necessidade urgente de quitação de uma dívida de caráter estritamente político de R$ 40 milhões. O grupo governamental da época contraíra esse débito volumoso com a Factoring pertencente ao empresário Valdir Piran, conforme apontam as investigações ministeriais.
O objetivo principal da referida operação ilegal consistia na obtenção rápida de dinheiro em espécie para garantir e consolidar a sustentabilidade política do grupo governante no poder. O “retorno” financeiro ilegal extraído do pagamento dos precatórios judiciais viabilizava a manutenção de privilégios ilícitos e o suborno continuado de parlamentares estaduais da base governista.
O expressivo prejuízo financeiro causado ao erário público estadual totalizou o montante histórico de R$ 182,9 milhões. Além do desfalque material milionário, a lentidão no julgamento do processo penal e civil acarreta severo desgaste à imagem do Poder Judiciário e fomenta um nocivo sentimento de impunidade social.
A denúncia apresentada à Justiça baseia-se em auditorias técnicas minuciosas realizadas pela Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso e pelo Tribunal de Contas do Estado. As conclusões probatórias foram reforçadas de forma substancial pelos detalhados depoimentos prestados pelo ex-governador Silval Barbosa em seu acordo homologado de colaboração premiada.
Em manifestações recentes anexadas aos autos judiciais, a defesa do ex-governador Blairo Maggi alegou veementemente a inocência de seu cliente e a total regularidade técnica dos pagamentos efetuados. De igual modo, os representantes legais de Valdir Piran e das demais empresas envolvidas asseveram a plena licitude das negociações financeiras entabuladas à época.
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