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Fritado em fogo lento no PMDB, ex-juiz federal pode migrar para o PDT, sonhando em ser prefeito
Se arrependimento matasse, certamente o ex-juiz federal Julier Sebastião da Silva (PMDB) não teria deixado o cargo, conquistado através de um concurso público, para entrar na carreira política e se ver na roda de políticos experientes, acostumados a fritar oponentes.
Quando resolveu que era a hora de deixar a carreira judiciária para tentar a sorte na área política como fizera o governador Pedro Taques (PSDB), Julier tinha duas opções: PT, aonde chegou a ser militante na juventude ou o PMDB, onde o principal cacique do partido é o deputado federal Carlos Bezerra, que chegou a ser seu desafeto em investigações judiciais. Optou pelo PMDB. Hoje, esta opção parece ter sido o maior erro da vida do ex-juiz federal.
Julier Sebastião da Silva deixou a carreira jurídica certa de que seria o indicado do PMDB, com o apoio do PR e partidos coligados à época para disputar o Governo do Estado. Após promessa do seu novo partido acabou sendo preterido da disputa e vendo o apoio peemedebista ao petista Lúdio Cabral.
Agora, sonhando com o pleito de 2016, para disputar a prefeitura de Cuiabá, Julier Sebastião da Silva começa a sentir o calor de uma fritura política. Chegou a ter seu nome colocado na disputa pelo presidente do partido, Carlos Bezerra, que agora nos últimos dias, sonhando com um acordo político junto ao governador Pedro Taques (PSDB) e possíveis cargos no governo, já diz que o partido vai de corpo, alma e o que puder na campanha à reeleição do prefeito Mauro Mendes (PSB), que tem o apoio irrestrito de Taques.
Desprestigiado no partido e queimado em fogo lento, Julier começa a sentir que é preciso mudar de ares. Recebeu um convite do PDT, partido que elegeu Pedro Taques ao gocerno do estado. Em fase de articulações, o ex-juiz deverá ser o principal oposicionista a Mauro Mendes nas próximas eleições de 2016.
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Ação de R$ 182 Milhões contra ex-governador completa 7 anos no Judiciário de Mato Grosso
Uma das principais denúncias de desvio de recursos públicos da história recente do Estado de Mato Grosso continua sem uma decisão de mérito definitiva. A Ação Civil Pública por improbidade administrativa, que tramita na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, busca a devida reparação aos cofres públicos diante de indícios robustos de fraudes no pagamento de precatórios.
O processo em questão aponta como réus o ex-governador Blairo Borges Maggi, o empresário Valdir Piran e outras oito pessoas físicas e jurídicas. Entre os demais acusados estão ex-secretários de Estado, procuradores estaduais e a Construtora Andrade Gutierrez, todos apontados como partícipes de um arranjo financeiro ilícito de caráter estruturado.
A controvérsia judicial, que se arrasta desde o ano de 2019, completou sete anos de tramitação sem que um desfecho definitivo tenha sido alcançado na Justiça de Mato Grosso. Os reiterados recursos processuais apresentados pelas defesas dos réus retardaram o andamento célere dos autos ao longo de quase uma década de controvérsias.
As supostas irregularidades processuais ocorreram no âmbito da administração pública direta do Estado de Mato Grosso, sediada na capital, Cuiabá. O epicentro das transações financeiras sob suspeita deu-se no âmbito da Secretaria de Estado de Fazenda (SEFAZ/MT) e envolveu créditos originados de autarquias estaduais já extintas.
De acordo com as investigações, o esquema criminoso operou-se mediante a triangulação fraudulenta de repasses financeiros bilionários à Empreiteira Andrade Gutierrez sob o pretexto de quitação de precatórios judiciais.
Posteriormente, parte expressiva desses recursos públicos federais e estaduais era direcionada ao empresário Valdir Piran para fins de compensação de créditos privados.
A motivação por trás da referida engenharia financeira ilícita residia na necessidade urgente de quitação de uma dívida de caráter estritamente político de R$ 40 milhões. O grupo governamental da época contraíra esse débito volumoso com a Factoring pertencente ao empresário Valdir Piran, conforme apontam as investigações ministeriais.
O objetivo principal da referida operação ilegal consistia na obtenção rápida de dinheiro em espécie para garantir e consolidar a sustentabilidade política do grupo governante no poder. O “retorno” financeiro ilegal extraído do pagamento dos precatórios judiciais viabilizava a manutenção de privilégios ilícitos e o suborno continuado de parlamentares estaduais da base governista.
O expressivo prejuízo financeiro causado ao erário público estadual totalizou o montante histórico de R$ 182,9 milhões. Além do desfalque material milionário, a lentidão no julgamento do processo penal e civil acarreta severo desgaste à imagem do Poder Judiciário e fomenta um nocivo sentimento de impunidade social.
A denúncia apresentada à Justiça baseia-se em auditorias técnicas minuciosas realizadas pela Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso e pelo Tribunal de Contas do Estado. As conclusões probatórias foram reforçadas de forma substancial pelos detalhados depoimentos prestados pelo ex-governador Silval Barbosa em seu acordo homologado de colaboração premiada.
Em manifestações recentes anexadas aos autos judiciais, a defesa do ex-governador Blairo Maggi alegou veementemente a inocência de seu cliente e a total regularidade técnica dos pagamentos efetuados. De igual modo, os representantes legais de Valdir Piran e das demais empresas envolvidas asseveram a plena licitude das negociações financeiras entabuladas à época.
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