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MALÁRIA EM MATO GROSSO

Estudo revela regiões críticas e alerta para populações vulneráveis

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A Malária é uma das doenças parasitárias mais prevalentes e mortais no mundo, causada por protozoários do gênero Plasmodium. Ela afeta milhões de pessoas anualmente e representa um desafio significativo para a saúde pública global.

Transmissão da Malária

A Malária é causada quando a fêmea do mosquito do gênero Anopheles pica um indivíduo e o infecta com um ou mais tipos de protozoários do gênero Plasmodium. Além disso, o mosquito Anopheles é conhecido por diversos nomes, como carapanã, muriçoca, sovela, mosquito-prego e bicuda, e costuma ser mais ativo no entardecer e ao amanhecer. Importante destacar que somente as fêmeas do mosquito Anopheles têm a capacidade de transmitir a Malária. Além disso, em casos mais raros, a doença pode ser transmitida de outras maneiras, como por transfusão sanguínea, uso de seringas contaminadas, acidentes de laboratório e transmissão de mãe para filho durante a gestação.

Estudo mostra áreas de maior risco para a doença no Estado de Mato Grosso

Uma pesquisa recente trouxe à tona uma realidade preocupante sobre a malária em Mato Grosso. O estudo, conduzido pela farmacêutica e vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso (CRF-MT), Dra. Valéria Gardiano, revelou as áreas de maior risco para a doença no Estado de Mato Grosso. O trabalho foi orientado pelo Dr. Victor Vitorino Lima, com coorientação da Dra. Josilene, do Campus Araguaia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

A pesquisa analisou dados de uma década (2011 a 2021) e revelou que as regiões norte, oeste e noroeste do estado apresentam os índices mais alarmantes de infecção. Entre as cidades mais afetadas estão: Colniza, Aripuanã, Pontes e Lacerda, Apiacás e Nova Bandeirantes.

O estudo foi publicado na revista científica Lium Concilium e reforça que populações indígenas correm o dobro do risco de contrair a doença em relação aos não indígenas.

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A pesquisa aponta que, ao todo, foram identificados 20.819 casos de Malária no período de 10 anos, com as maiores taxas de incidência entre homens e pessoas com baixos níveis educacionais. As informações foram retiradas dos bancos de dados públicos fornecidos pelo Governo do Estado de Mato Grosso, Sistema Único de Saúde (SUS), Sistema de Informação de Agravos de Notificação e do Formulário de Notificação do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Malária (SIVEP-Malária, Ministério da Saúde do Brasil).

A Malária está diretamente relacionada às condições socioeconômicas. O estudo aponta que as regiões mais afetadas possuem baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e sofrem com a falta de saneamento básico, pavimentação e sistemas de drenagem adequados.

A doença impacta desproporcionalmente populações vulneráveis, com menores níveis de educação e acesso limitado a serviços de saúde“, destaca a Dra. Valéria Gardiano.

A Malária é transmitida pela picada da fêmea do mosquito-prego (Anopheles), infectada pelo protozoário Plasmodium. Os sintomas incluem febre alta, calafrios, suor excessivo e dor de cabeça. Caso não seja tratada rapidamente, pode levar a complicações graves e óbito.

O coordenador da pesquisa, Dr. Victor Vitorino Lima, enfatiza que esse levantamento pode ser usado como base para a destinação de recursos públicos e elaboração de estratégias de combate à malária.

A prevenção começa com a identificação do problema. Este é um exemplo claro de uma doença negligenciada que precisa de mais atenção por parte das autoridades“, alerta.

O governo federal já deu os primeiros passos com o Plano Nacional de Eliminação da Malária, lançado em 2022. O objetivo é reduzir os casos para menos de 68 mil por ano até 2025, zerar os óbitos até 2030 e eliminar a doença do Brasil até 2035. No entanto, o estudo mostrou que, em Mato Grosso, o número de casos se manteve estagnado no período analisado, sem avanços significativos na redução da doença.

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Outro ponto de atenção levantado pela pesquisa é a influência das atividades humanas na incidência da Malária. Práticas como ecoturismo, pesca esportiva, criação de gado ao ar livre e desmatamento intensificam o contato entre humanos e os mosquitos vetores.

O mosquito transmissor tem hábitos exofágicos, ou seja, pica fora das habitações. Isso significa que as pessoas estão sendo infectadas enquanto trabalham em áreas abertas, antes do nascer do sol ou ao entardecer, períodos de maior atividade do vetor, explica o professor Victor Vitorino Lima.

A erradicação da malária passa por investimentos em infraestrutura, campanhas de conscientização e estratégias de prevenção, como distribuição de mosquiteiros impregnados com inseticida e monitoramento constante das áreas de alto risco.

Com um estudo detalhado e uma base científica robusta, o trabalho da Dra. Valéria Gardiano e sua equipe oferecem uma ferramenta essencial para gestores públicos e autoridades de saúde no combate à Malária. A esperança é que essas informações sejam aproveitadas para mudar o curso da doença e proteger as comunidades mais vulneráveis do estado.

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Cidades assumem encargos da União e dos Estados diante da “asfixia fiscal” do Pacto Federativo

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O crescimento de 66% nos gastos dos municípios brasileiros com segurança pública, na última década, consolidou uma transformação estrutural no financiamento da ordem urbana. A elevação orçamentária transferiu às administrações locais encargos financeiros tradicionalmente atribuídos às esferas federal e estadual, subvertendo a lógica de investimentos públicos no país.

Impacto nas Finanças Públicas: É associado à estagnação econômica, visto que altos encargos impedem o crescimento salarial real e sobrecarregam a classe média. Em esferas municipais, a falta de repasses justos de impostos (como o ICMS) também é tratada como uma forma de estrangulamento financeiro das gestões locais.

A Confederação Nacional de Municípios (CNM), sob a liderança de Paulo Ziulkoski, mapeou essa mutação fiscal por meio de um robusto estudo técnico. O diagnóstico aponta que os prefeitos e as guardas municipais converteram-se nos principais executores de uma política de contenção da violência que deveria contar com amparo dos governos estaduais e federais.

O levantamento abrange o interregno entre os anos de 2016 e 2025, período no qual o dispêndio das prefeituras saltou de R$ 7,5 bilhões para R$ 12,4 bilhões anuais. Essa evolução cronológica, que adicionou R$ 5 bilhões à fatia municipal, coincide com o agravamento das crises macroeconômicas brasileiras e com a necessidade de respostas imediatas nas cidades.

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Este panorama nacional, que afeta a capilaridade de todo o território brasileiro, ganhará os holofotes do debate político institucional em Brasília durante a XXVII Marcha em Defesa dos Municípios. O evento congregará governantes locais e pré-candidatos à Presidência da República para discutir as graves assimetrias no direcionamento das verbas federais.

A materialização desse fenômeno ocorreu por meio do fortalecimento das guardas municipais, do investimento em videomonitoramento e da atuação em desastres ambientais. Dados do IBGE indicam que 1.322 municipalidades instituíram corporações próprias, registrando uma expansão de 33% na estrutura operacional, impulsionada pela necessidade de proteção ao cidadão.

As razões dessa escalada residem no enfraquecimento crônico da efetividade das diretrizes de segurança da União e dos Estados, vácuo preenchido compulsoriamente pelos prefeitos. Por estarem em contato direto com as demandas do tecido social, os governos locais absorvem pressões comunitárias e assumem papéis que extrapolam suas competências constitucionais.

A intensidade financeira da distorção revela que a alta orçamentária das prefeituras superou em quatro vezes e meia o avanço da União (12%) e triplicou o índice dos Estados (25%). Do montante de R$ 170 bilhões aplicados no setor em 2025, os municípios arcaram com R$ 12,4 bilhões, enquanto a União executou R$ 14,7 bilhões e os Estados, R$ 143,3 bilhões.

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Os recursos injetados visam garantir a preservação do patrimônio e salvaguardar a integridade civil por meio de frentes específicas de atuação preventiva. O policiamento comunitário liderou os aportes com um acréscimo de R$ 2,4 bilhões, ao passo que as ações de defesa civil receberam incremento de R$ 400 milhões para mitigar o impacto de catástrofes climáticas.

A consequência imediata dessa reconfiguração manifesta-se na severa sobrecarga das finanças locais e no desequilíbrio fiscal do pacto federativo, exaurindo receitas preciosas. O esgotamento do caixa compromete a capacidade de investimento próprio das prefeituras em áreas sociais essenciais, uma vez que os municípios financiam estruturas sem a devida contrapartida.

Para o futuro imediato, o cenário gera alerta institucional face à tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2025, medida que oficializa as polícias municipais. A matéria causa profunda apreensão por não estipular fontes permanentes de financiamento para as prefeituras, o que exige articulação parlamentar urgente para evitar o colapso fiscal.

Relatório do Estudo da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Clique aqui.

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