CARTA DIRECIONADA AOS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
Entidades do Agro cobram ações estruturais para enfrentar crise do endividamento rural e garantir sustentabilidade da produção
O endividamento no campo tem se tornado uma preocupação crescente no agronegócio brasileiro. Nos últimos anos, diversos fatores passaram a pressionar financeiramente os produtores rurais, como o aumento dos custos de produção, oscilações nos preços das commodities e desafios climáticos nas safras.
Esse cenário tem levado muitas entidades do setor a alertarem que resolver o endividamento rural deve ser prioridade nas discussões do agro em 2026, especialmente antes do próximo Plano Safra.
Entre as propostas o Agro busca criar mecanismos para dar mais fôlego financeiro ao produtor, como:
• alongamento de dívidas rurais
• utilização de recursos de fundos públicos
• melhores condições de renegociação
Quando o endividamento aumenta, os impactos no campo podem ser significativos, como:
• dificuldade de acesso ao crédito
• redução de investimentos na produção
• maior insegurança no planejamento da safra

A Aprosoja Mato Grosso, em conjunto com a Aprosoja Brasil e demais entidades estaduais representativas do setor agrícola, encaminhou nesta sexta-feira (9) uma carta aos candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O documento cobra a adoção de medidas estruturantes voltadas à proteção dos produtores rurais e à redução dos impactos provocados pelo crescente endividamento no campo.
O principal motivo da mobilização das entidades é o agravamento da situação financeira enfrentada por parcela significativa dos produtores brasileiros. Apesar dos resultados expressivos alcançados pelo agronegócio nacional, muitos agricultores têm acumulado prejuízos consecutivos em razão do aumento dos custos de produção, das adversidades climáticas e da dificuldade de acesso ao crédito.
Segundo os dados apresentados na carta, a produção nacional de soja atingiu o recorde de 180,4 milhões de toneladas na safra 2025/2026, consolidando o Brasil como uma das maiores potências agrícolas do mundo. Além disso, o Agronegócio responde por 48,5% das exportações brasileiras, demonstrando sua relevância estratégica para a economia e para a geração de divisas ao país.
Entretanto, as entidades alertam que os números positivos da produção não refletem a realidade financeira enfrentada por milhares de propriedades rurais. Em diversas regiões, perdas provocadas por condições climáticas adversas e custos operacionais elevados comprometeram a rentabilidade das atividades agrícolas e ampliaram o grau de vulnerabilidade econômica dos produtores.
De acordo com o documento, a inadimplência no crédito rural alcançou 9,7% em agosto de 2026, enquanto o volume de operações classificadas como crédito problemático chegou a R$ 205 bilhões. Para as lideranças do setor, esses indicadores demonstram a necessidade urgente de ações governamentais capazes de restabelecer a capacidade financeira dos produtores e assegurar a continuidade das atividades no campo.

As entidades argumentam que a simples renegociação das dívidas não será suficiente para resolver o problema. Na avaliação apresentada aos candidatos, torna-se indispensável a criação de mecanismos permanentes de mitigação de riscos, capazes de evitar que agricultores abandonem a atividade produtiva em decorrência das dificuldades financeiras acumuladas nos últimos anos.
Entre as principais reivindicações apresentadas estão a garantia de recursos previsíveis e adequados para o seguro rural, a criação de um fundo garantidor de crédito, a revisão de aspectos tributários que impactam a produção agrícola e a adoção de medidas destinadas a ampliar a concorrência no mercado de insumos. As organizações defendem que essas iniciativas são essenciais para fortalecer a competitividade do setor.
Outro ponto destacado no documento refere-se à necessidade de investimentos em infraestrutura logística e capacidade de armazenagem. Segundo as entidades, a redução dos custos de transporte e a melhoria das condições de escoamento da safra são fatores fundamentais para elevar a eficiência da cadeia produtiva e preservar a rentabilidade dos produtores rurais.
A carta também manifesta apoio à execução de projetos estratégicos de infraestrutura, como a Ferrogrão e a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO). Na avaliação do setor, essas obras possuem papel decisivo para ampliar a competitividade da produção nacional, reduzir gargalos logísticos e fortalecer a integração das regiões produtoras aos principais corredores de exportação do país.
Em um dos trechos mais contundentes do documento, as entidades afirmam que:
“Juros elevados, compressão de margens, eventos climáticos sucessivos, custos logísticos, volatilidade de preços e restrição de crédito atingiram, ao mesmo tempo, parcela relevante do setor”.
O texto conclui destacando que, para muitas famílias rurais, o debate já não se limita à rentabilidade dos negócios, mas envolve a própria permanência na atividade agrícola, considerada essencial para a segurança alimentar e para o desenvolvimento econômico do Brasil.
Destaques
Possível saída de Conselheiro do TCE/MT intensifica disputa política e reabre debate sobre sucessão no Órgão de Controle
Uma possível mudança na composição do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) passou a ocupar o centro das articulações políticas e institucionais no Estado. O conselheiro Waldir Teis, de 73 anos, estaria avaliando a antecipação de sua aposentadoria ainda neste ano, em um movimento que poderá abrir uma das vagas mais cobiçadas do sistema de fiscalização pública mato-grossense.
A informação foi confirmada por interlocutores com trânsito entre a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) e o próprio Tribunal de Contas. Nos bastidores, a possibilidade é tratada como um cenário concreto, embora ainda não exista anúncio oficial sobre a eventual saída do conselheiro.
Caso a aposentadoria seja formalizada, a principal consequência será a abertura de uma vaga estratégica no colegiado responsável por analisar contas públicas, fiscalizar gastos governamentais e emitir pareceres técnicos sobre a gestão dos recursos estaduais.
A sucessão ganhou relevância por envolver interesses políticos e institucionais de grande alcance.

Entre os nomes apontados como potenciais sucessores estão os deputados estaduais Dilmar Dal Bosco (UB) e José Eduardo Botelho (MDB), além do ex-secretário de Estado de Fazenda, Rogério Gallo. Os três são citados em conversas de bastidores como possíveis candidatos com condições de disputar espaço na composição da Corte de Contas.
As articulações ocorrem principalmente nos círculos políticos de Cuiabá e nos ambientes institucionais ligados ao Poder Legislativo, ao Poder Executivo e ao próprio Tribunal de Contas. A movimentação também se estende a lideranças partidárias e grupos de influência que acompanham o processo de definição da futura vaga.
Segundo relatos obtidos junto a fontes ligadas ao meio político estadual, as discussões se intensificaram após o encerramento do ciclo eleitoral de 2026. Desde então, diferentes grupos passaram a avaliar cenários e estratégias diante da possibilidade de renovação parcial do quadro do TCE/MT.
O interesse em torno da vaga decorre da relevância institucional do cargo de conselheiro. Além de exercer funções de fiscalização e controle externo, os integrantes do Tribunal de Contas possuem papel decisivo na análise de contratos públicos, prestações de contas e atos administrativos que impactam diretamente a gestão estadual e municipal.
Embora as conversas estejam em andamento, ainda não há definição sobre qual caminho será adotado. A eventual escolha do futuro ocupante dependerá do cumprimento dos trâmites legais, das articulações políticas e dos entendimentos construídos entre os diversos atores envolvidos no processo sucessório.
A expectativa é que as negociações avancem gradualmente nos próximos meses, à medida que o cenário se torne mais claro. Nos bastidores, lideranças políticas observam atentamente cada movimento, uma vez que a composição da Corte poderá influenciar o ambiente institucional mato-grossense pelos próximos anos.
Diante desse contexto, a possível aposentadoria de Waldir Teis já produz reflexos significativos na dinâmica política estadual. Ainda que não haja confirmação oficial sobre sua saída, a mera perspectiva de abertura da vaga transformou o tema em um dos assuntos mais acompanhados nos corredores da Assembleia Legislativa, do Governo de Mato Grosso e do Tribunal de Contas, evidenciando a importância estratégica da sucessão para o equilíbrio institucional do Estado.
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