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COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO

Desde 1995 em MT, Inspeção do Trabalho resgatou 6.177 trabalhadores de condições análogas à escravidão

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O número de trabalhadores e trabalhadoras encontrados e resgatados pelos Auditores-Fiscais do Trabalho em condições análogas às de escravo chegou 6.177 à escravidão no Estado de Mato Grosso desde 1995, quando foi criado o Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM). Os dados estão sendo divulgados por ocasião do Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo e Dia do Auditor-Fiscal do Trabalho, celebrado nesta sexta (28).

A data foi instituída em homenagem aos auditores Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva e ao motorista Aílton Pereira de Oliveira. Eles foram mortos no dia 28 de janeiro de 2004 quando investigavam denúncias de trabalho escravo em fazendas na cidade mineira de Unaí, no episódio que ficou conhecido como a Chacina de Unaí.

No Brasil, em 2019, o número de denúncias de trabalho análogo ao de escravo, aliciamento e tráfico de trabalhadores para a escravidão aumentou.

Os dados foram divulgados pela Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Previdência (MTP) por ocasião do Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo e Dia do Auditor-Fiscal do Trabalho, celebrado nesta sexta-feira, 28 de janeiro.

Em nível nacional são mais de 57 mil trabalhadores e trabalhadoras resgatadas dessa condição nesse mesmo período e mais de R$ 122 milhões de reais recebidos pelos trabalhadores a título de verbas salariais e rescisórias durante as operações.

Já em 2021 foram 1.937 resgatados no país, resultado de 443 ações de combate ao trabalho realizadas pelos AFTs, o maior número desde o início da política pública relacionada ao tema; mais de R$ 10 milhões de reais em direitos trabalhistas foram pagos a trabalhadores resgatados durante as ações; mais de R$ 3,7 milhões de reais foram recolhidos a título de FGTS.

Em Mato Grosso, foram resgatados 18 trabalhadores em 2021, resultado da fiscalização de 21 estabelecimentos. Os oito municípios com maior número de autos de infração lavrados foram: Diamantino, Salto do Céu, Juína, Cáceres, Cuiabá, Itaúba, Nossa Senhora do Livramento e Alta Floresta.

Todos esses resultados se devem à atuação da Auditoria Fiscal do Trabalho, que coordena ações do GEFM em todo território nacional e através de equipes de Auditores-Fiscais das Superintendências Regionais do Trabalho (SRTb). Também participam de operações a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Polícia Federal (PF), o Ministério Público do Trabalho (MPT), o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU), entre outros órgãos.

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Os dados completos podem ser consultados no RADAR SIT, painel de Informações e Estatísticas da Inspeção do Trabalho no Brasil, pelo link https://sit.trabalho.gov.br/radar.

Evolução da fiscalização

No início, as ações do GEFM eram baseada apenas em denúncias e hoje a Fiscalização do Trabalho dispõe de sistemas para aprimorar as denúncias e permitir que elas sejam melhor definidas, melhor apuradas, para que as ações possam ocorrer de forma mais célere, mais rápida dependendo da situação, da gravidade, e que ela possa ser alcançada.

Uma das ferramentas é o Sistema IPÊ, lançado há pouco mais de um ano e que tem ajudado muito na identificação das denúncias.

Outra evolução foi o aprimoramento das ações, sendo que Mato Grosso é vanguarda na apuração de denúncias nos últimos três anos e vem atuando de uma forma muito assertiva em parceria com os demais órgãos envolvidos.

Também houve uma ampliação das parcerias, que no início envolvia apenas o MPT e a Polícia Federal e hoje conta inclusive com a própria Polícia Civil, tendo inclusive qualificações dos agentes e delegados, e com a Defensoria Pública da União, que tem garantindo também o direito individual (dano moral) desse trabalhador na justiça, além do direito trabalhista com importante atuação do MPT.

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Pós-resgate

Desde a criação do Programa Ação Integrada (PAI), que nasceu em Mato Grosso e hoje é referência internacional, houve um aprimoramento para que as vítimas do trabalho escravo tivessem uma assistência pós-resgate.

O PAI reúne diversos órgãos e setores da sociedade, como a própria Superintendência Regional do Trabalho, MPT, UFMT, Sistema S, Governo do Estado, entidades da sociedade civil, entre outros, e juntos garantem a qualificação dos trabalhadores resgatados e o seu ingresso no mercado de trabalho legal.

Denúncias

Denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma remota e sigilosa no Sistema IPÊ, sistema lançado em 2020 pela Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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Destaques

TJMT rejeita recurso da CS Mobi e mantém CPI sobre concessão bilionária em funcionamento

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O Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT) rejeitou os embargos de declaração apresentados pela CS Mobi Cuiabá e manteve em funcionamento a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de Cuiabá, responsável por investigar o contrato de concessão firmado entre a empresa e a administração do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD). A decisão, proferida nesta quinta-feira (27), impede a paralisação integral dos trabalhos da comissão, embora preserve uma restrição específica determinada anteriormente pela Justiça.

A concessionária havia recorrido contra a decisão que permitiu a continuidade das atividades da CPI e buscava modificar pontos relacionados à tramitação do processo. Com a rejeição dos embargos, a comissão permanece autorizada a prosseguir com a investigação, mas continua impedida de realizar a oitiva da advogada da CS Mobi, conforme estabelecido na decisão judicial anterior. As demais atividades parlamentares, portanto, poderão ser mantidas enquanto o processo segue em tramitação.

A investigação foi instaurada para apurar possíveis irregularidades no Contrato de Concessão Administrativa nº 558/2022, celebrado durante a gestão municipal anterior. Conforme os levantamentos realizados pela CPI, o negócio poderá representar mais de R$ 700 milhões em possíveis prejuízos aos cofres públicos de Cuiabá. A comissão busca esclarecer as circunstâncias da contratação, a estrutura econômica do acordo e os impactos financeiros projetados para o Município ao longo de sua vigência.

O contrato reuniu, em uma única concessão, diferentes atividades comerciais e econômicas, incluindo a exploração do estacionamento rotativo, ações de marketing e todas as modalidades comerciais previstas para o novo Mercado Municipal. O empreendimento está localizado na região central da Capital e integra um modelo contratual de longo prazo, cujas obrigações financeiras poderão ser ampliadas conforme os aditivos e reajustes previstos durante a execução do acordo.

Considerados os mecanismos de atualização e as alterações contratuais admitidas ao longo do período de vigência, o valor total da concessão poderá alcançar R$ 1,226 bilhão em 30 anos. A dimensão financeira do contrato tornou-se um dos principais pontos de atenção da investigação parlamentar, que pretende examinar se as condições estabelecidas preservaram o interesse público e se houve eventual desequilíbrio capaz de produzir impactos negativos aos recursos municipais.

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Nos embargos de declaração, a CS Mobi alegou a existência de supostas omissões e obscuridades na decisão que permitiu a retomada dos trabalhos da CPI. Entre os questionamentos apresentados estavam a ausência de esclarecimentos sobre eventual risco de dano, a forma de contagem do prazo de funcionamento da comissão durante o recesso parlamentar e a validade da prorrogação de suas atividades. A empresa pretendia, assim, obter novo pronunciamento judicial sobre esses pontos.

O recurso foi analisado pelo juiz convocado Gilberto Lopes Bussiki, que concluiu não existir nenhuma das falhas apontadas pela concessionária. Segundo o magistrado, a decisão anterior examinou adequadamente as questões levantadas, mas reconheceu a inexistência de fundamento suficiente para manter a CPI completamente paralisada. A controvérsia sobre a validade da prorrogação da comissão, entretanto, permanece aberta e deverá ser submetida a uma análise mais aprofundada das normas previstas no Regimento Interno da Câmara de Cuiabá.

Bussiki também esclareceu que a referência ao período de recesso parlamentar não representou uma determinação para suspender automaticamente a contagem do prazo da CPI. De acordo com o magistrado, a questão foi mencionada apenas para registrar que será examinada oportunamente durante o julgamento do mérito do agravo. O juiz ainda avaliou a ata da reunião realizada em 8 de julho e entendeu que os documentos apresentados posteriormente demonstram apenas a continuidade da discussão, sem constituir uma decisão definitiva sobre o tema.

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Para o magistrado, os embargos de declaração foram utilizados pela CS Mobi como tentativa de reabrir a discussão sobre o mérito da tutela concedida anteriormente, finalidade que não corresponde à natureza desse recurso. Na decisão, Bussiki reafirmou que a medida judicial restabeleceu integralmente a primeira liminar proferida no processo, sem determinar a suspensão total das atividades da comissão. A única limitação específica mantida pela Justiça está relacionada ao depoimento da advogada da concessionária.

Ao rejeitar os embargos, o juiz afirmou que não havia omissão, contradição ou obscuridade na decisão questionada, mantendo-a integralmente. Com isso, a CPI da Câmara de Cuiabá seguirá em funcionamento e poderá dar continuidade à investigação sobre o contrato firmado com a CS Mobi, enquanto permanecem pendentes de julgamento a regularidade da prorrogação da comissão e a forma de contagem de seu prazo durante o recesso parlamentar.

O caso continuará sob análise judicial, tendo como pano de fundo uma concessão que poderá atingir R$ 1,226 bilhão ao longo das três décadas previstas para sua vigência.

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