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MPE ganha apoio nacional na discussão contra a decisão da AL e instaurar a CPI das “Cartas de Créditos”

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Esta questão das cartas de creditas pagas, de forma integral, aos procuradores e promotores do Ministério Público Estadual (MPE) continua gerando uma intensa discussão entre o legislativo mato-grossense e o judiciário por conta da decisão de abertura para instaurar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das “Cartas de Créditos”.

CREATOR: gd-jpeg v1.0 (using IJG JPEG v62), quality = 90E o Ministério Público Estadual de Mato Grosso já informou que terá todo o apoio do Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), uma instituição que congrega atualmente 16 mil procuradores. Ela explicou que as cartas de créditos já foram analisadas em 2014 e foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE/MT), que está tudo dentro da norma. Agora, a investigação pode ser considerada abusiva principalmente porque depois do trabalho de investigação terá de voltar para o próprio MP.

O presidente do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG), procurador-geral de Goiás, Lauro Machado Nogueira, esteve em Cuiabá recentemente apoiando o Ministério Público de Mato Grosso e endossou o coro de que a CPI das “Cartas de Créditos” só pode ser considerada “mesmo” uma tentativa de intimidação. Ele disse que estão analisando a situação jurídica, conforme ele, principalmente depois de surgir nesse contexto de denúncias.

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A denúncia que teria levado a Assembleia Legislativa de Mato Grosso a instaurar a CPI para investigar as "Cartas de Créditos" foi citada pelo ex-secretário Eder Moraes em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Obras da Copa. No mês início do mês de novembro, ele foi condenado pela Justiça Federal a 69 anos e 3 meses de reclusão, em regime fechado, por crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro; e ainda responde a outros processos criminais e civis.

O procurador-geral do Ministério Público Estadual de Mato Grosso, Paulo Prado, declarou a presença dos presidentes do Conamp e CNPG demonstram que o MPE não está sozinho e tem o apoio das instituições nacionais. Que concordam com a investigação desde que a CPI ocorra dentro dos princípios da impessoalidade e legalidade. “Não vamos permitir que seja membro dessa CPI, pessoas processadas, com inúmeras ações no MP e até fichas sujas".

Prado garantiu que não vai entrar em confronto com os deputados e quer agir de forma impessoal, porém fez um comparativo de situação de irregularidade lembrando a efetivação de cerca de 200 servidores sem concurso público na AL.

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TJMT rejeita recurso da CS Mobi e mantém CPI sobre concessão bilionária em funcionamento

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O Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT) rejeitou os embargos de declaração apresentados pela CS Mobi Cuiabá e manteve em funcionamento a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de Cuiabá, responsável por investigar o contrato de concessão firmado entre a empresa e a administração do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD). A decisão, proferida nesta quinta-feira (27), impede a paralisação integral dos trabalhos da comissão, embora preserve uma restrição específica determinada anteriormente pela Justiça.

A concessionária havia recorrido contra a decisão que permitiu a continuidade das atividades da CPI e buscava modificar pontos relacionados à tramitação do processo. Com a rejeição dos embargos, a comissão permanece autorizada a prosseguir com a investigação, mas continua impedida de realizar a oitiva da advogada da CS Mobi, conforme estabelecido na decisão judicial anterior. As demais atividades parlamentares, portanto, poderão ser mantidas enquanto o processo segue em tramitação.

A investigação foi instaurada para apurar possíveis irregularidades no Contrato de Concessão Administrativa nº 558/2022, celebrado durante a gestão municipal anterior. Conforme os levantamentos realizados pela CPI, o negócio poderá representar mais de R$ 700 milhões em possíveis prejuízos aos cofres públicos de Cuiabá. A comissão busca esclarecer as circunstâncias da contratação, a estrutura econômica do acordo e os impactos financeiros projetados para o Município ao longo de sua vigência.

O contrato reuniu, em uma única concessão, diferentes atividades comerciais e econômicas, incluindo a exploração do estacionamento rotativo, ações de marketing e todas as modalidades comerciais previstas para o novo Mercado Municipal. O empreendimento está localizado na região central da Capital e integra um modelo contratual de longo prazo, cujas obrigações financeiras poderão ser ampliadas conforme os aditivos e reajustes previstos durante a execução do acordo.

Considerados os mecanismos de atualização e as alterações contratuais admitidas ao longo do período de vigência, o valor total da concessão poderá alcançar R$ 1,226 bilhão em 30 anos. A dimensão financeira do contrato tornou-se um dos principais pontos de atenção da investigação parlamentar, que pretende examinar se as condições estabelecidas preservaram o interesse público e se houve eventual desequilíbrio capaz de produzir impactos negativos aos recursos municipais.

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Nos embargos de declaração, a CS Mobi alegou a existência de supostas omissões e obscuridades na decisão que permitiu a retomada dos trabalhos da CPI. Entre os questionamentos apresentados estavam a ausência de esclarecimentos sobre eventual risco de dano, a forma de contagem do prazo de funcionamento da comissão durante o recesso parlamentar e a validade da prorrogação de suas atividades. A empresa pretendia, assim, obter novo pronunciamento judicial sobre esses pontos.

O recurso foi analisado pelo juiz convocado Gilberto Lopes Bussiki, que concluiu não existir nenhuma das falhas apontadas pela concessionária. Segundo o magistrado, a decisão anterior examinou adequadamente as questões levantadas, mas reconheceu a inexistência de fundamento suficiente para manter a CPI completamente paralisada. A controvérsia sobre a validade da prorrogação da comissão, entretanto, permanece aberta e deverá ser submetida a uma análise mais aprofundada das normas previstas no Regimento Interno da Câmara de Cuiabá.

Bussiki também esclareceu que a referência ao período de recesso parlamentar não representou uma determinação para suspender automaticamente a contagem do prazo da CPI. De acordo com o magistrado, a questão foi mencionada apenas para registrar que será examinada oportunamente durante o julgamento do mérito do agravo. O juiz ainda avaliou a ata da reunião realizada em 8 de julho e entendeu que os documentos apresentados posteriormente demonstram apenas a continuidade da discussão, sem constituir uma decisão definitiva sobre o tema.

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Para o magistrado, os embargos de declaração foram utilizados pela CS Mobi como tentativa de reabrir a discussão sobre o mérito da tutela concedida anteriormente, finalidade que não corresponde à natureza desse recurso. Na decisão, Bussiki reafirmou que a medida judicial restabeleceu integralmente a primeira liminar proferida no processo, sem determinar a suspensão total das atividades da comissão. A única limitação específica mantida pela Justiça está relacionada ao depoimento da advogada da concessionária.

Ao rejeitar os embargos, o juiz afirmou que não havia omissão, contradição ou obscuridade na decisão questionada, mantendo-a integralmente. Com isso, a CPI da Câmara de Cuiabá seguirá em funcionamento e poderá dar continuidade à investigação sobre o contrato firmado com a CS Mobi, enquanto permanecem pendentes de julgamento a regularidade da prorrogação da comissão e a forma de contagem de seu prazo durante o recesso parlamentar.

O caso continuará sob análise judicial, tendo como pano de fundo uma concessão que poderá atingir R$ 1,226 bilhão ao longo das três décadas previstas para sua vigência.

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