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Emanuel Pinheiro diz que só fara avaliação de Pedro Taques em 2018
O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB) rema na contramão de seu partido e não pretende fazer uma “Oposição” sistemática ao governador Pedro Taques (PSDB). Em contato com o Blog do Valdemir, o prefeito foi incisivo ao afirmar que administrando a principal cidade de Mato Grosso, o melhor é continuar trabalhando pela cidade e deixar para avaliar o comportamento de Taques apenas em 2018 durante o período eleitoral, se ele foi candidato à reeleição. Enquanto mantém uma posição de não atacar, seu partido, o PMDB continua como principal oposição ao governador e não descarta nenhuma possibilidade de atacá-lo.
Na sua avaliação, o prefeito de Cuiaba disse que: “Ninguém foi eleito para cumprir compromissos em seis meses ou em dois anos e meio. Nós fomos eleitos para cumprir compromissos em quatro anos. É depois de quatro anos, nas eleições, que você vai ter seu nome e sua gestão avaliada”.
O prefeito diz que faltam 16 meses para o pleito eleitoral de 2018 e até lá muita coisa pode acontecer, inclusive com o governador Pedro Taques revertendo a baixa popularidade junto ao eleitorado estadual. Ele evita seguir a onda peemedebista de que a administração de Pedro Taques estaria na UTI e cita Dante de Oliveira que venceu as eleições de 1998 mesmo com o desgaste acarretado pelas privatizações promovidas no primeiro mandato.
“Uma coisa é certa, eu acho que ainda é muito cedo para dizer que o governador Pedro Taques não tem chance de se reeleger. Em 1998, Dante de Oliveira era candidato do PSDB a reeleição juntamente com seu vice Rogério Sales com a Coligação “Frente Cidadania e Desenvolvimento”, com o grupo politico formado pelo PSDB, PSB, PV e PNM, e tinha só 13% da intenção de votos. O senador Júlio Campos, da Coligação “Unidade Democrática” tinha 58% nas pesquisas daquela época. Todo mundo dava o Dante de Oliveira como morto, mas ganhou a eleição com a menor coligação da história, formada por PSDB, PSB e mais dois partidos pequenos”.
O prefeito cuiabano ainda fez um breve relato de como era a politica em 1998, e disse ainda que a coligação de Júlio Campos com todo o seu grupo juntou o PFL (hoje DEM), PMDB, PPB e diversas outras siglas e mesmo assim foi derrotada por Dante de Oliveira. Segundo ele, ter o maior tempo de TV não foi capaz de conter o avanço do candidato do PSDB.
“Naquela eleição de 1998, Dante liquidou com a nossa coligação. O tempo de Júlio na TV era 16 minutos enquanto Dante tinha três minutos e meio. Mesmo assim, ganhou no primeiro turno”, completa o prefeito.
O candidato a reeleição Dante de Oliveira, que tinha como vice Rogério Salles (PSDB), fez 53,95% dos votos. Júlio Campos e seu vice Rodrigues Palma (PTB) obtiveram 37,91%. Os demais candidatos, Carlos Abicalil (PT), Ivanildo Oliveira do antigo partido do Prona, que já não existe mais e Jacques Carvalho (PRTB), somaram juntos pouco mais de 8%.
Para Emanuel, a carreira política de Taques é exceção à regra. Isso porque o governador deixou o cargo de procurador da República, se elegeu senador ainda pelo PDT e em seguida foi eleito governador em primeiro turno e migrou para o PSDB.
“É uma carreira meteórica que merece o acompanhamento e o respeito de todos. Por isso, digo que tem que ter cautela. Oposição, críticas e cobranças são salutares para democracia. Agora, julgamento é só na eleição. Tem que dar tempo ao tempo”, afirma o peemedebista.
Pressão
Embora sua opinião destoe de correligionários como o deputado federal Carlos Bezerra que vem a ser o líder e presidente do partido no Estado e a deputada estadual Janaina Riva e até da própria atuação quando era deputado estadual, Emanuel nega que esteja sofrendo pressão do PMDB para fazer oposição ao governador Pedro Taques. Garante que a essência do partido é democrática e que sua postura conciliatória é respeitada nas instâncias internas.
“Eu respeito demais a atuação política de cada um deles, como eles respeitam demais minha atuação. Como prefeito, procuro fazer uma gestão articulada e compartilhada com o Governo do Estado porque Cuiabá precisa da união de todos para fazer frente aos problemas que afetam a vida da nossa gente”, afirmou.
Destaques
TJMT rejeita recurso da CS Mobi e mantém CPI sobre concessão bilionária em funcionamento
O Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT) rejeitou os embargos de declaração apresentados pela CS Mobi Cuiabá e manteve em funcionamento a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de Cuiabá, responsável por investigar o contrato de concessão firmado entre a empresa e a administração do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD). A decisão, proferida nesta quinta-feira (27), impede a paralisação integral dos trabalhos da comissão, embora preserve uma restrição específica determinada anteriormente pela Justiça.
A concessionária havia recorrido contra a decisão que permitiu a continuidade das atividades da CPI e buscava modificar pontos relacionados à tramitação do processo. Com a rejeição dos embargos, a comissão permanece autorizada a prosseguir com a investigação, mas continua impedida de realizar a oitiva da advogada da CS Mobi, conforme estabelecido na decisão judicial anterior. As demais atividades parlamentares, portanto, poderão ser mantidas enquanto o processo segue em tramitação.
A investigação foi instaurada para apurar possíveis irregularidades no Contrato de Concessão Administrativa nº 558/2022, celebrado durante a gestão municipal anterior. Conforme os levantamentos realizados pela CPI, o negócio poderá representar mais de R$ 700 milhões em possíveis prejuízos aos cofres públicos de Cuiabá. A comissão busca esclarecer as circunstâncias da contratação, a estrutura econômica do acordo e os impactos financeiros projetados para o Município ao longo de sua vigência.
O contrato reuniu, em uma única concessão, diferentes atividades comerciais e econômicas, incluindo a exploração do estacionamento rotativo, ações de marketing e todas as modalidades comerciais previstas para o novo Mercado Municipal. O empreendimento está localizado na região central da Capital e integra um modelo contratual de longo prazo, cujas obrigações financeiras poderão ser ampliadas conforme os aditivos e reajustes previstos durante a execução do acordo.

Considerados os mecanismos de atualização e as alterações contratuais admitidas ao longo do período de vigência, o valor total da concessão poderá alcançar R$ 1,226 bilhão em 30 anos. A dimensão financeira do contrato tornou-se um dos principais pontos de atenção da investigação parlamentar, que pretende examinar se as condições estabelecidas preservaram o interesse público e se houve eventual desequilíbrio capaz de produzir impactos negativos aos recursos municipais.
Nos embargos de declaração, a CS Mobi alegou a existência de supostas omissões e obscuridades na decisão que permitiu a retomada dos trabalhos da CPI. Entre os questionamentos apresentados estavam a ausência de esclarecimentos sobre eventual risco de dano, a forma de contagem do prazo de funcionamento da comissão durante o recesso parlamentar e a validade da prorrogação de suas atividades. A empresa pretendia, assim, obter novo pronunciamento judicial sobre esses pontos.
O recurso foi analisado pelo juiz convocado Gilberto Lopes Bussiki, que concluiu não existir nenhuma das falhas apontadas pela concessionária. Segundo o magistrado, a decisão anterior examinou adequadamente as questões levantadas, mas reconheceu a inexistência de fundamento suficiente para manter a CPI completamente paralisada. A controvérsia sobre a validade da prorrogação da comissão, entretanto, permanece aberta e deverá ser submetida a uma análise mais aprofundada das normas previstas no Regimento Interno da Câmara de Cuiabá.
Bussiki também esclareceu que a referência ao período de recesso parlamentar não representou uma determinação para suspender automaticamente a contagem do prazo da CPI. De acordo com o magistrado, a questão foi mencionada apenas para registrar que será examinada oportunamente durante o julgamento do mérito do agravo. O juiz ainda avaliou a ata da reunião realizada em 8 de julho e entendeu que os documentos apresentados posteriormente demonstram apenas a continuidade da discussão, sem constituir uma decisão definitiva sobre o tema.

Para o magistrado, os embargos de declaração foram utilizados pela CS Mobi como tentativa de reabrir a discussão sobre o mérito da tutela concedida anteriormente, finalidade que não corresponde à natureza desse recurso. Na decisão, Bussiki reafirmou que a medida judicial restabeleceu integralmente a primeira liminar proferida no processo, sem determinar a suspensão total das atividades da comissão. A única limitação específica mantida pela Justiça está relacionada ao depoimento da advogada da concessionária.
Ao rejeitar os embargos, o juiz afirmou que não havia omissão, contradição ou obscuridade na decisão questionada, mantendo-a integralmente. Com isso, a CPI da Câmara de Cuiabá seguirá em funcionamento e poderá dar continuidade à investigação sobre o contrato firmado com a CS Mobi, enquanto permanecem pendentes de julgamento a regularidade da prorrogação da comissão e a forma de contagem de seu prazo durante o recesso parlamentar.
O caso continuará sob análise judicial, tendo como pano de fundo uma concessão que poderá atingir R$ 1,226 bilhão ao longo das três décadas previstas para sua vigência.
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