ENFRENTAMENTO A EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS
Cuiabá sedia Encontro Regional do Projeto Proteção – Região Centro-Oeste
No Brasil, o dia de 18 de maio foi instituído pela Lei nº 9.970 de maio do ano 2000 como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, rememorando o caso da Araceli, menina de 08 anos que foi estuprada e assassinada por jovens da sua cidade, no dia 18 de maio.
Portanto, é um dia importante para tirar o tema da invisibilidade, de modo a informar, sensibilizar, mobilizar e convocar toda a sociedade sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes em nosso país. Importante também que as ações desse dia sirvam como incentivo para qualificar as ações de prevenção e enfrentamento das violências durante todo o ano, de forma a proteger de forma mais efetiva as crianças e adolescentes.
Segundo informações do Disque 100, já foram mais de 250 mil denúncias, sendo mais de 1 milhão e 300 mil de violências e outras violações dos direitos de crianças e adolescentes. Mais de 86% dessas situações ocorreram na residência da vítima e, ou do agressor, ou de algum familiar, confirmando que a maior parte das violências contra crianças e adolescentes é praticada por pessoas de seu convívio e que detém alguma responsabilidade de cuidado sobre elas, o que torna ainda mais difícil para as vítimas reconhecerem a violência e buscarem ajuda.

Cuiabá sediará Encontro Regional do Projeto Proteção – Região Centro-Oeste
Uma iniciativa do SEST/SENAT e da Childhood Brasil, vai reunir representantes do setor público, da sociedade civil e do transporte para promover o diálogo e a articulação regional sobre o tema. E Cuiabá sediará no dia 8 de julho, o Encontro Regional do Projeto Proteção – Região Centro-Oeste.
O evento reunirá representantes do Ministério Público, Segurança Pública, Polícia Rodoviária Federal, Secretarias Estaduais e Municipais, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Conselhos Tutelares, organizações da sociedade civil e profissionais do setor de transportes, com o objetivo de debater, sensibilizar e fortalecer a rede de proteção à infância e adolescência na prevenção e no enfrentamento à exploração sexual.
A iniciativa faz parte de uma série de cinco encontros regionais que ocorrem em 2025. Já foram realizadas ações em Belém/PA (Região Norte) e Fortaleza/CE (Região Nordeste), e agora chega à Região Centro-Oeste, com o propósito de aprofundar o olhar sobre os desafios locais e fomentar soluções intersetoriais integradas.
“Os encontros regionais têm sido fundamentais para ampliar o alcance do Projeto Proteção e aproximar os diferentes atores da rede de proteção. Nosso compromisso é com uma atuação regionalizada, que responda às realidades específicas de cada região“, destaca Raissa Osório, analista da Gerência Executiva de Promoção Social do SEST SENAT.
A programação em Cuiabá inclui palestras e painéis colaborativos com apresentação de diferentes dados atualizados sobre esta grave violação de direitos, incluindo os do Projeto Mapear, iniciativa da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em parceria com a Childhood Brasil que identifica pontos vulneráveis à exploração sexual nas rodovias federais do país.
A partir do Mapear, a PRF aponta que a Região Centro-Oeste concentra 2.210 pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes, sendo 6,2% destes classificados como críticos. As BRs 163, 070 e 060 lideram o ranking das rodovias com maior número de pontos vulneráveis, destacando a urgência de intervenções coordenadas.
Dados do Disque 100, um serviço nacional gratuito e sigiloso da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), referentes a 2024, reforçam a gravidade e a urgência de debater o problema: foram mais de 16 mil denúncias de abuso sexual e 5 mil de exploração sexual de crianças e adolescentes em todo o país. Na Região Centro-Oeste, foram 1.231 denúncias de abuso e 307 de exploração sexual.
Destaques
Cidades assumem encargos da União e dos Estados diante da “asfixia fiscal” do Pacto Federativo
O crescimento de 66% nos gastos dos municípios brasileiros com segurança pública, na última década, consolidou uma transformação estrutural no financiamento da ordem urbana. A elevação orçamentária transferiu às administrações locais encargos financeiros tradicionalmente atribuídos às esferas federal e estadual, subvertendo a lógica de investimentos públicos no país.
Impacto nas Finanças Públicas: É associado à estagnação econômica, visto que altos encargos impedem o crescimento salarial real e sobrecarregam a classe média. Em esferas municipais, a falta de repasses justos de impostos (como o ICMS) também é tratada como uma forma de estrangulamento financeiro das gestões locais.
A Confederação Nacional de Municípios (CNM), sob a liderança de Paulo Ziulkoski, mapeou essa mutação fiscal por meio de um robusto estudo técnico. O diagnóstico aponta que os prefeitos e as guardas municipais converteram-se nos principais executores de uma política de contenção da violência que deveria contar com amparo dos governos estaduais e federais.
O levantamento abrange o interregno entre os anos de 2016 e 2025, período no qual o dispêndio das prefeituras saltou de R$ 7,5 bilhões para R$ 12,4 bilhões anuais. Essa evolução cronológica, que adicionou R$ 5 bilhões à fatia municipal, coincide com o agravamento das crises macroeconômicas brasileiras e com a necessidade de respostas imediatas nas cidades.
Este panorama nacional, que afeta a capilaridade de todo o território brasileiro, ganhará os holofotes do debate político institucional em Brasília durante a XXVII Marcha em Defesa dos Municípios. O evento congregará governantes locais e pré-candidatos à Presidência da República para discutir as graves assimetrias no direcionamento das verbas federais.

A materialização desse fenômeno ocorreu por meio do fortalecimento das guardas municipais, do investimento em videomonitoramento e da atuação em desastres ambientais. Dados do IBGE indicam que 1.322 municipalidades instituíram corporações próprias, registrando uma expansão de 33% na estrutura operacional, impulsionada pela necessidade de proteção ao cidadão.
As razões dessa escalada residem no enfraquecimento crônico da efetividade das diretrizes de segurança da União e dos Estados, vácuo preenchido compulsoriamente pelos prefeitos. Por estarem em contato direto com as demandas do tecido social, os governos locais absorvem pressões comunitárias e assumem papéis que extrapolam suas competências constitucionais.
A intensidade financeira da distorção revela que a alta orçamentária das prefeituras superou em quatro vezes e meia o avanço da União (12%) e triplicou o índice dos Estados (25%). Do montante de R$ 170 bilhões aplicados no setor em 2025, os municípios arcaram com R$ 12,4 bilhões, enquanto a União executou R$ 14,7 bilhões e os Estados, R$ 143,3 bilhões.
Os recursos injetados visam garantir a preservação do patrimônio e salvaguardar a integridade civil por meio de frentes específicas de atuação preventiva. O policiamento comunitário liderou os aportes com um acréscimo de R$ 2,4 bilhões, ao passo que as ações de defesa civil receberam incremento de R$ 400 milhões para mitigar o impacto de catástrofes climáticas.
A consequência imediata dessa reconfiguração manifesta-se na severa sobrecarga das finanças locais e no desequilíbrio fiscal do pacto federativo, exaurindo receitas preciosas. O esgotamento do caixa compromete a capacidade de investimento próprio das prefeituras em áreas sociais essenciais, uma vez que os municípios financiam estruturas sem a devida contrapartida.
Para o futuro imediato, o cenário gera alerta institucional face à tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2025, medida que oficializa as polícias municipais. A matéria causa profunda apreensão por não estipular fontes permanentes de financiamento para as prefeituras, o que exige articulação parlamentar urgente para evitar o colapso fiscal.
Relatório do Estudo da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Clique aqui.
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