RETOMADA DA VACINAÇÃO
Campanha Vacina Cuiabá alerta para continuidade do processo de imunização
O Ministério da Saúde anunciou recentemente que planeja adiantar a campanha de vacinação contra a Covid-19. Segundo a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Ethel Maciel, a data ainda não foi definida, mas deve ocorrer antes de abril, por causa da nova variante do Coronavírus, a XBB.1.5, mais transmissível e já detectada no Brasil, da baixa cobertura vacinal, e do Carnaval.
Até o momento, a pasta pretende aplicar uma dose anual para grupos prioritários, como idosos, profissionais de saúde e pessoas com comorbidades, à semelhança da campanha contra a gripe. O objetivo é seguir a indicação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que ainda não recomenda mais de três doses para a população geral.
A estimativa é de 3,2 milhões de doses para faixa etária de 6 meses a 4 anos e mais 4,5 milhões para o público de 5 a 12 anos. Além da Pfizer, a CoronaVac também pode ser usada em crianças, com indicação a partir de 3 anos. A pasta planeja retomar o contrato com o Instituto Butantan como estratégia para alavancar a cobertura vacinal do grupo infantil, estagnada há meses.

Doses aplicadas em Cuiabá
Em Cuiabá, a maior parte da população já receberam a primeira dose da vacina contra a Covid-19, ou seja, 525.075 pessoas. Os dados são acompanhados pela Secretaria de Saúde de Cuiabá (SMS) e contabilizam ainda, que 485.682 tomaram também a segunda dose do imunizante.
Considerando todas as faixas etárias, já foram aplicadas 1.335.012 doses no município de Cuiabá até o momento.
Neste mês de janeiro, o ritmo de procura ainda é lento. Já em dezembro, o total de doses aplicadas era de 1.331.575. Destes, 524.508 referentes à primeira dose e 485.099 de segunda dose. Ou seja, 3.437 a mais que em 20 de dezembro no montante total.
“Na faixa etária de 18 anos acima, atingimos 97,1% do público vacinado com a primeira dose, sendo 446.043, Temos ainda 93,6%, 430.116 pessoas que receberam a segunda dose. Dos 12 anos aos 17 anos a porcentagem está boa no que se refere à primeira dose, sendo 85,3 %. Já a segunda dose para essa faixa de idade está em de 58,5%. É importante completar a vacinação com as doses recomendadas para frear a propagação de novos casos”, reforça a secretária adjunta de Atenção Secundária da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Flávia Guimarães.
Do público a partir dos 18 anos, 221.733 pessoas receberam também a primeira dose de reforço em Cuiabá. Já a segunda dose de reforço para esta idade, atingiu 75.566 indivíduos.
De 5 a 11 anos, 31.694 crianças, pontuando 52,2% e 19.635 (32,4%) a segunda dose.
De 3 a 4 anos apenas 6,7% foram vacinadas com a primeira dose, sendo 1.243 crianças. E destas, apenas 418 receberam a segunda dose do imunizante. E para os bebês de 6 meses a 2 anos, 182 foram vacinados com a primeira dose e 18 com a segunda.

Vacinas disponíveis
Pessoas a partir de 12 anos que ainda não tomaram a primeira dose ou segunda dose da vacina contra a Covid-19, e as acima de 18 anos que não tomaram o reforço, podem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da sua residência, pois as UBS dispõem do imunizante, com exceção da UBS Grande Terceiro, Ana Poupina e Novo Paraíso II.
As doses para crianças de 3 a 11 anos estão disponíveis na UBS Pico do Amor, UBS Altos da Serra I e II, UBS Pedra 90 I e II, UBS Parque Cuiabá, UBS Jardim Liberdade/Osmar Cabral, UBS Parque Ohara, UBS Ilza Terezinha Picolli, UBS Jardim Vitória I, UBS Cidade Verde, UBS Quilombo, UBS Nossa Senhora da Guia, UBS Aguaçu e UBS Rio dos Peixes.
Para as crianças de 6 meses a menores de três anos, as doses estão disponíveis nas unidades do Cidade Verde, Parque Ohara e Ilza Picolli.
Destaques
Povo Rikbaktsa se organiza para receber visitantes em seus territórios
Desde 2024, o povo Rikbaktsa tem avançado na estruturação do turismo de base comunitária nas Terras Indígenas (TIs) Japuíra e Escondido. Entre os dias 13 e 17 de setembro, vão receber visitantes pela primeira vez. A visita-teste representa uma nova etapa desse processo, permitindo colocar em prática os roteiros, avaliar a experiência e orientar os próximos passos para a implementação da atividade nas modalidades de etnoturismo e observação de aves.
Mais do que preparar os espaços, essa é uma oportunidade para a comunidade experimentar, refletir e aprimorar coletivamente os processos internos para seguir recebendo visitantes em seus territórios sem afetar a dinâmica de vida das aldeias.
Os Rikbaktsa têm dado um passo de cada vez na construção do seu turismo de base comunitária, passando pelo levantamento dos potenciais turísticos; oficinas e capacitações; elaboração de roteiros e cardápios; definição de protocolos e regras para a visitação; e planejamento operacional.
A expectativa é que a atividade seja estruturada para promover encontros e trocas respeitosas entre visitantes e indígenas, valorizando saberes, culturas e modos de vida por meio de experiências conduzidas pela comunidade. Sob essa perspectiva, foram definidas trilhas de observação de aves em áreas estratégicas para apoiar o monitoramento territorial e as mulheres Rikbaktsa trocaram ingredientes e receitas da culinária tradicional para criar cardápios para os visitantes.

O objetivo da visita-teste é colocar em prática todo esse planejamento.
“Para que tudo aconteça de uma maneira organizada e para o turismo dar certo dentro do território, a gente resolveu fazer um teste para ver se realmente a comunidade está pronta. É a primeira vez que a gente vai trabalhar com turismo aqui no território, então pra gente é uma ferramenta nova. Foram divididas as responsabilidades e agora estamos fazendo um mutirão“, comentou Rogederson Natsitsabui, jovem liderança da TI Japuíra.
Esse mutirão envolve diferentes frentes de trabalho. Estão sendo realizadas pequenas reformas em banheiros e cozinhas comunitárias, construção de algumas casas tradicionais para acomodar os visitantes e preparação de trilhas que integram os roteiros de visitação. Também foi definida uma equipe administrativa para cuidar da logística e do levantamento de custos, enquanto a coordenação organiza os mutirões nas aldeias e o trabalho de guias, cozinheiras, pescadores e demais pessoas envolvidas na atividade.
“Estamos preparando um lugarzinho onde vamos contar as histórias. A gente está bem adiantado nessa questão de turismo, várias coisas a gente já se organizou. Eu, por exemplo, vou atender o pessoal na balsa e trazer até aqui na aldeia [Pé de Mutum]. E os outros vão estar fazendo outras coisas, cada um sabe das suas responsabilidades“, explicou Márcio Wauria Rikbakta, outra jovem liderança que acompanha desde o início o processo de estruturação da atividade.
O turismo de base comunitária, quando construído de forma coletiva e alinhado aos modos de vida dos povos indígenas, é um instrumento que contribui com a geração de renda, a governança, a valorização dos saberes tradicionais e a qualidade de vida, mas é importante que seja adaptado ao calendário tradicional Rikbaktsa, que inclui festas, rituais, afazeres cotidianos, caça, coleta, enfim, tudo que compõe seu modo de vida.
“Turismo numa perspectiva de ferramenta de gestão territorial. Além da geração de renda sustentável, pode ser uma atividade que os leve a atingir outros resultados, como a valorização da cultura, o fortalecimento da língua, a aproximação dos jovens e uma perspectiva de futuro por meio da ancestralidade“, destacou Camila Barra, consultora para negócios comunitários e gestão territorial, que conduziu algumas formações e tem acompanhado de perto esse processo de estruturação.
A estruturação do turismo de base comunitária está prevista no Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) do povo Rikbaktsa e sua implementação é um dos eixos do projeto Berço das Águas, realizado pela Operação Amazônia Nativa (OPAN) junto aos povos Rikbaktsa e Apiaká, com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Esta é a quarta edição do projeto, que tem apoiado, desde 2011, a gestão territorial de diferentes povos na bacia do rio Juruena.
Composto por pactuações e acordos internos, o PGTA é um documento elaborado pelo povo que pensa a gestão das terras indígenas em aspectos sociais e ambientais.
É um instrumento de luta política e autonomia que reúne as principais diretrizes no que diz respeito à história, organização social e política, cultura, educação, saúde, geração de renda, vigilância, monitoramento e soberania alimentar.
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