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AVENTURA COM MOMENTOS DE TERROR

Aventureiros mato-grossenses quase foram castrados e mortos no Peru

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O Jornal A gazeta deste fim de semana, trouxe uma matéria bastante interessante da jornalista Elayne Mendes, sobre uma viagem em duas rodas, planejada e sonhada por dois amigos mato-grossenses, que quase termina em tragédia, em um pequeno povoado de Oxapampa, na região de Pasco, no Peru.

A matéria conta a historia dos dois aventureiros mato-grossenses, que passaram momentos de terror, quando em sua viagem, foram cercados por indígenas Ubiriki, e agredidos com socos e chutes e ameaçados de morte. Por muito pouco, a dupla não foi castrada e morta. O momento de terror foi motivado pela disseminação de fake news nas redes sociais, que afirmavam que a região estava sendo atacada por seres intitulados de pelacara ou pishtacos.

Se trata de um mito andino (embora os nativos ainda estejam convencidos de sua existência até hoje), em que estes seres retiram a face das pessoas, as degolam, comem sua carne e retiram a gordura para vender.

“Desde a conquista espanhola do Peru até hoje, a sinistra figura de Pishtaco tem assombrado a psique dos índios andinos, a tal ponto que os etnógrafos que estudaram as lendas sobre ele as relacionaram a uma espécie de “trauma intergeracional” que durante séculos supostamente se alimentou, aterrorizando ainda hoje os descendentes dos povos da região”.

A figura de Pishtaco é sem dúvida um dos mais sinistros e perturbadores do folclore andino. Frequentemente comparado ao vampiro europeu oriental e continental, às vezes ao Wendigo do folclore ameríndio subártico, o Pishtaco ele é uma figura lendária (embora os nativos ainda estejam convencidos de sua existência hoje) que se caracteriza por suas ações extremamente macabras para com as vítimas pretendidas. Segundo o mito, do qual encontramos menção nos séculos seguintes à conquista espanhola, essa figura misteriosa faria os índios que vagam sozinhos após o pôr do sol nos planaltos da Cordilheira perderem o rumo, para depois decapitá-los e extrair a gordura de suas corpos“.

O advogado cuiabano, Sidney Barbosa, 57, e o amigo, o empresário Airton Cavalca, 62, que morou em Rondonópólis por mais de 40 anos, são conhecidos pelo espírito aventureiro. Os dois se consideram muito experientes na exploração de locais pouco ou nunca visitados e fazem os percursos, na maioria das vezes, de motocicleta.

Já fomos para o Alasca de moto, visitamos o Ushuaia, conhecido como Terra do Fogo, rodamos o Brasil inteiro, América Central e América do Norte. E esta viagem ao Peru já era a minha 11ª lá e a 8ª do Cavalca, frisa o advogado.

O plano da dupla era percorrer da nascente do Rio Amazonas à Cordilheira dos Andes, no Peru, seguindo até Manaus. Um trajeto inédito, segundo eles, e que, apesar do susto, foi concluído com sucesso.

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Para dar início à aventura, eles se encontraram em Porto Velho, de onde saíram de moto, enfrentando muitas dificuldades como areia, pedras e a altitude, até o Amazonas. Chegamos na Cordilheira dos Andes, passamos rapidamente em Cusco (Machu Picchu), para poder ir para Pucallpa (cidade peruana), onde ia começar a navegação.

A gente já tinha feito vários trajetos pelo asfalto e queríamos inovar, indo por terra. Seguimos pela selva central peruana. Sabíamos que se tratava de uma área de narcotráfico e terrorismo. Mas, temos experiência, e seguimos confiantes, lembra Sidney.

Os amigos enfrentaram 180 horas de barco, percorrendo cerca de 3.700 km de modo fluvial, resultando em mais de uma semana dentro de balsa. A viagem ocorria bem, eles já haviam, inclusive, passado da região considerada perigosa e estavam a 260 km de Pucallpa, quando foram vítimas de uma situação que, segundo eles, nem mesmo pode ser descrita.

Filme de terror

Era por volta das 14h30, do dia 4 de setembro, quando a dupla chegou em uma área de reserva, que era isolada com correntes. Eles compraram o passaporte exigido e tiveram as motocicletas fotografadas. Ali começava uma vivência, descrita pelos amigos, como digna de filme de terror.

Airton, que seguia na frente de Sidney, parou em um precipício para fazer fotos e foi abordado por um senhor indígena que estava com uma vara em uma mão e um facão na outra. A intenção era atacar o empresário, mas quando viu Sidney se aproximar, recuou. O empresário chegou a pegar o celular e pedir para o senhor tirar uma foto dele, mas, ao invés de atendê-lo, o indígena começou a gritar de forma descontrolada. A dupla, então, optou por deixar o local.

Ao passarem por dois barzinhos instalados à beira da estrada, Sidney notou que haviam mulheres falando ao celular, enquanto olhavam para as motos. Em uma baixada, a dupla foi obrigada a interromper o percurso. Os indígenas haviam fechado a estrada com dois troncos e uma caminhonete Hilux antiga.

Ambos foram cercados por um grupo de homens com pedaços de pau na mão e foram forçados a descerem das motos. Rapidamente, inúmeras pessoas chegaram ao local e, dentre elas, a líder comunitária do povoado.

Ela alisava dois pedaços de cordas nas mãos o tempo todo, olhando para nós, e fazia sinais para nos amarrar e cortar nossas cabeças”, lembra o advogado.

Cercados por aproximadamente 200 pessoas que os ameaçavam de morte o tempo todo, os aventureiros sentiram alívio ao verem dois agentes da Polícia Nacional Peruana chegarem. Quase que de forma instantânea, também apareceu no local o senhor que viram no precipício.

Ele apontou para o Airton e disse: foi ele! É ele!”.

Os amigos não sabiam, mas os indígenas acreditavam que eles eram Pishtacos, descritos como homens brancos, altos, geralmente barbudos, às vezes com cabelos grisalhos perceptíveis, características que os amigos possuem.

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Todos os presentes passaram a agredir Airton com socos e chutes por todo o corpo. Na tentativa de defender o amigo, Sidney também foi alvo da violência. Houve intervenção dos policiais, que conseguiram cessar as agressões. Eles pediram para abrirmos os maleiros das motos. Tanto os policiais, quanto os índios, revistaram tudo que tínhamos nesses compartimentos. Acho que eles nunca tinham visto homens vestidos e equipados como nós, opina o advogado.

O poder da fé

Um dos objetos tirados do maleiro por Sidney foi uma bíblia de bolso. Conta que, nesta hora, ele sentiu uma reação imediata da população, e uma senhora gritou:

Ele é cristão!”. Foi o início da retomada da calmaria.

Duas viaturas, com mais oito policiais, chegaram para dar reforço e optaram por levar os dois amigos e as pessoas envolvidas nas acusações e agressões para uma espécie de salão. Lá, a polícia decidiu que faria uma simulação e deixou o senhor indígena falar e Airton dar sua versão.

Mesmo diante de resistências, Sidney também falou e acabou emocionando a todos que estavam ali. Relatou que sempre defendeu o Peru por onde foi. Informou que, no dia seguinte, era seu aniversário e havia planejado comemorar naquela região, longe de sua família, como prova de sua paixão pelo país.

Todos me aplaudiram de pé. Fomos de vilões a heróis. Perdemos as contas de quantas fotos tiramos”.

A dupla se dirigiu à cidade de Villa Rica, onde Airton passou por avaliação médica, pois estava muito machucado. Enquanto Sidney foi até à delegacia pegar uma cópia do Boletim de Ocorrência.

Quero agradecer de coração os dois policiais que apareceram lá. Se não fossem eles, não estaríamos vivos para contar essa história”.

Após os momentos de tensão, o advogado decidiu que não queria mais seguir com o projeto, mas Cavalca o convenceu a não desistir. Propôs um novo trajeto, em que tiveram que percorrer 400 km a mais para concluir a viagem.

Valeu a pena, pois era um percurso muito bonito. Mas não pretendo mais voltar. Agora já conheço todo o país”.

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Destaques

Governo prevê conclusão do “BRT Metropolitano” para dezembro de 2026

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O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística (SINFRA/MT), Marcelo Oliveira, juntamente com a equipe técnica da pasta, anunciou formalmente que as obras do sistema de trânsito rápido por ônibus (Bus Rapid Transit – BRT), no trecho que interliga a Avenida do CPA, em Cuiabá, ao Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, serão integralmente concluídas até o fim de dezembro de 2026. A declaração solene ocorreu na tarde desta segunda-feira (13), durante uma concorrida Audiência Pública realizada no auditório principal da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT).

O pronunciamento governamental detalhou as profundas alterações estruturais planejadas para as 77 estações de passageiros, o cronograma atualizado de execução física das frentes de trabalho e as estratégias para a futura implantação do corredor viário da Avenida Fernando Corrêa da Costa. Diante de parlamentares, lideranças comunitárias e jornalistas, os gestores estaduais também expuseram o planejamento para a aquisição imediata da frota de ônibus elétricos, além de justificar as medidas administrativas severas adotadas pelo Poder Executivo após a rescisão unilateral do contrato com o consórcio construtor originalmente contratado para a execução do empreendimento metropolitano.

A consolidação financeira do novo modal de transporte coletivo urbano recebeu um importante incremento com a confirmação de que a venda dos antigos trens e o leilão dos trilhos e materiais remanescentes do extinto projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) reverterão mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos do Estado. Ao defender a viabilidade econômica da transição tecnológica, o secretário Marcelo Oliveira rebateu as críticas recorrentes acerca dos atrasos no cronograma e enfatizou que as equipes de engenharia enfrentaram um cenário complexo de expansão urbana e de adensamento populacional acelerado na Grande Cuiabá entre os anos de 2012 e 2024.

O principal fator que determinou a paralisação temporária das obras e a consequente dilação do prazo de entrega foi o reiterado descumprimento de cláusulas editalícias por parte da primeira concessionária licitada, situação que forçou o Estado a aplicar multas contratuais e a reformular integralmente o modelo operacional. O gestor da pasta de infraestrutura revelou ainda que a ingerência política e os entraves burocráticos criados pela administração municipal anterior de Várzea Grande prejudicaram sensivelmente o andamento dos serviços de pavimentação rígida na região limítrofe, prolongando o desgaste logístico sofrido pelos comerciantes e motoristas locais.

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Paralelamente às intervenções em andamento no primeiro eixo de mobilidade, a implantação do corredor estrutural da Avenida Fernando Corrêa da Costa encontra-se em fase de planejamento, com o processo licitatório ainda pendente de publicação oficial no Diário Oficial do Estado. O secretário-adjunto de Obras da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), Isac Nascimento, esclareceu que não há dotação orçamentária empenhada para este trecho específico no presente exercício financeiro, estimando o início efetivo das obras de terraplenagem e drenagem profunda apenas para o primeiro semestre do próximo ano.

O traçado completo do sistema de transporte rápido abrangerá uma extensão linear de 15 quilômetros no trecho principal que conecta as duas maiores cidades do estado, somando-se a outros sete quilômetros projetados para o futuro ramal da região sul de Cuiabá. Para garantir o atendimento eficiente de milhares de usuários diários que dependem do transporte público interestadual, a administração estadual confirmou a aquisição de uma frota inicial composta por 25 modernos ônibus elétricos de alta capacidade, cujos processos de compra direta encontram-se em fase de instrução documental e análise jurídica nos órgãos de controle interno da Sinfra.

As modificações técnicas implementadas no projeto básico das estações visam aumentar a durabilidade do patrimônio público e garantir o conforto térmico dos passageiros em uma região de clima caracteristicamente quente. Nascimento pontuou que o aprimoramento estrutural consistiu na substituição dos aparelhos de ar-condicionado domésticos por eficientes sistemas de climatização industrial, além da instalação de painéis de vidro temperado com tecnologia antivandalismo e de estruturas metálicas de alta resistência contra intempéries climáticas.

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O planejamento logístico inicial concebido para o Lote 1, que compreende a ligação expressa entre os terminais de Várzea Grande e do CPA, previa originalmente uma execução célere de apenas seis meses, baseada na abertura simultânea de sete frentes de trabalho intensivo ao longo do leito viário. A estratégia de engenharia englobava intervenções complexas no subsolo e na superfície das principais vias expressas, concentrando o maquinário pesado no quadrante situado entre o Viaduto da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) e a histórica Ponte Júlio Müller.

No entanto, a viabilidade prática desse modelo de intervenção simultânea mostrou-se inviável logo após o início das primeiras escavações, quando o estrangulamento do fluxo de veículos gerou severos congestionamentos e forte descontentamento popular. A equipe técnica da Sinfra avaliou que a manutenção do cronograma agressivo original resultaria em um colapso completo da mobilidade urbana intermunicipal, forçando a adoção de um modelo operacional mais flexível e seguro para os cidadãos.

A execução das obras de engenharia civil passou a ocorrer de forma cadenciada e gradual, sob constante monitoramento e em estreito alinhamento operacional com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) de Cuiabá. De acordo com o secretário-adjunto, essa sinergia administrativa permite o planejamento detalhado de desvios no tráfego e de interdições parciais de faixas de rolamento, mitigando os impactos cotidianos e harmonizando o avanço do BRT com as demais obras de saneamento básico conduzidas pelas concessionárias de serviços públicos na capital.

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