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Ações contra Roseli Barbosa ficam em segredo de Justiça
As ações do Ministério Público Estadual (MPE) contra a ex-primeira-dama de Mato Grosso, Roseli Barbosa, foram colocadas sob segredo de Justiça. A medida impede o acompanhamento processual de forma que não será possível, por exemplo, saber se as denúncias serão ou não aceitas pelo judiciário. No total, foram propostas 8 ações contra a esposa do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e dezenas de outros acusados entre empresas, empresários, servidores e ex-servidores públicos.
De acordo com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), foi a juíza Célia Regina Vidotti quem decretou o sigilo. Justificou que a decisão da magistrada foi tomada por causa de quebra de sigilo bancário e fiscal dos denunciados nas 3 ações civis. Dessa, forma segundo a assessoria da imprensa, as informações bancárias e fiscais existentes nos autos precisam ser protegidas.
Todas as denúncias estão relacionadas ao mesmo fato que é um esquema de desvio de R$ 8 milhões da Secretaria Estadual de Trabalho e Assistência Social (Setas), pasta que a ex-primeira dama comandou por 3 anos e 11 meses. As fraudes apontadas pelo MPE em contratos com institutos de fachada firmados por Roseli foram investigadas nas Operações Arqueiro (abril de 2014) e Ouro de Tolo (agosto de 2015). Porém, até o momento o segredo de Justiça só foi decretado em 3 das 8 ações.
Os processos foram protocolados entre os dias 18 e 25 de janeiro e tramitam na Vara Especializada de Ação Civil e Ação Popular de Cuiabá, sob responsabilidade do juiz Luis Aparecido Bertolucci Júnior. Conforme o andamento processual das 5 ações que não foram colocadas sob sigilo, ainda não houve o recebimento das denúncias.
Nas demais ações, não informações sobre os valores a serem devolvidos pelos acusados em caso de recebimento das denúncias e possíveis condenações ao final do andamento processual. Em todas as denúncias o MPE pede também a condenação dos acusados às sanções civis e políticas disciplinadas pela Lei de Improbidade Administrativa, que incluem o bloqueio de bens e contas, afastamento dos cargos (quando for servidor público na ativa), suspensão dos direitos políticos e proibição de firmar contrato com a administração pública.
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Ação de R$ 182 Milhões contra ex-governador completa 7 anos no Judiciário de Mato Grosso
Uma das principais denúncias de desvio de recursos públicos da história recente do Estado de Mato Grosso continua sem uma decisão de mérito definitiva. A Ação Civil Pública por improbidade administrativa, que tramita na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, busca a devida reparação aos cofres públicos diante de indícios robustos de fraudes no pagamento de precatórios.
O processo em questão aponta como réus o ex-governador Blairo Borges Maggi, o empresário Valdir Piran e outras oito pessoas físicas e jurídicas. Entre os demais acusados estão ex-secretários de Estado, procuradores estaduais e a Construtora Andrade Gutierrez, todos apontados como partícipes de um arranjo financeiro ilícito de caráter estruturado.
A controvérsia judicial, que se arrasta desde o ano de 2019, completou sete anos de tramitação sem que um desfecho definitivo tenha sido alcançado na Justiça de Mato Grosso. Os reiterados recursos processuais apresentados pelas defesas dos réus retardaram o andamento célere dos autos ao longo de quase uma década de controvérsias.
As supostas irregularidades processuais ocorreram no âmbito da administração pública direta do Estado de Mato Grosso, sediada na capital, Cuiabá. O epicentro das transações financeiras sob suspeita deu-se no âmbito da Secretaria de Estado de Fazenda (SEFAZ/MT) e envolveu créditos originados de autarquias estaduais já extintas.
De acordo com as investigações, o esquema criminoso operou-se mediante a triangulação fraudulenta de repasses financeiros bilionários à Empreiteira Andrade Gutierrez sob o pretexto de quitação de precatórios judiciais.
Posteriormente, parte expressiva desses recursos públicos federais e estaduais era direcionada ao empresário Valdir Piran para fins de compensação de créditos privados.
A motivação por trás da referida engenharia financeira ilícita residia na necessidade urgente de quitação de uma dívida de caráter estritamente político de R$ 40 milhões. O grupo governamental da época contraíra esse débito volumoso com a Factoring pertencente ao empresário Valdir Piran, conforme apontam as investigações ministeriais.
O objetivo principal da referida operação ilegal consistia na obtenção rápida de dinheiro em espécie para garantir e consolidar a sustentabilidade política do grupo governante no poder. O “retorno” financeiro ilegal extraído do pagamento dos precatórios judiciais viabilizava a manutenção de privilégios ilícitos e o suborno continuado de parlamentares estaduais da base governista.
O expressivo prejuízo financeiro causado ao erário público estadual totalizou o montante histórico de R$ 182,9 milhões. Além do desfalque material milionário, a lentidão no julgamento do processo penal e civil acarreta severo desgaste à imagem do Poder Judiciário e fomenta um nocivo sentimento de impunidade social.
A denúncia apresentada à Justiça baseia-se em auditorias técnicas minuciosas realizadas pela Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso e pelo Tribunal de Contas do Estado. As conclusões probatórias foram reforçadas de forma substancial pelos detalhados depoimentos prestados pelo ex-governador Silval Barbosa em seu acordo homologado de colaboração premiada.
Em manifestações recentes anexadas aos autos judiciais, a defesa do ex-governador Blairo Maggi alegou veementemente a inocência de seu cliente e a total regularidade técnica dos pagamentos efetuados. De igual modo, os representantes legais de Valdir Piran e das demais empresas envolvidas asseveram a plena licitude das negociações financeiras entabuladas à época.
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