Artigo
Você conhece a BPW?
Autora: Sonia Mazetto*
Há 15 anos conheci a federação internacional de mulheres de negócios e profissionais, do inglês International Federation of Business and Professional Women, a BPW — a qual até hoje tem me oferecido muito aprendizado ao longo de todo esse tempo. Essa associação existe pelo mundo em cerca de 100 países, no qual é possível ser subsidiada em todo e qualquer município para oferecer um espaço seguro de suporte e empoderamento de negócios e experiências para mulheres.
Há inúmeras mobilizações realizadas desde a federação mundial e nacional até a local debatendo e estimulando o desenvolvimento pessoal e profissional da mulher, promovido de forma sazonal conforme cada calendário e também com ações pontuais. A forma como a BPW tem contribuído à sociedade rendeu lugar garantido em diversas instituições e entidades que são relevantes no mundo, como a ONU, UNICEF, OIT, dentre outras, mas principalmente para o empoderamento da mulher.
Todo o ano a BPW cria meios para abordar um tema diferente e contemplar os negócios de cada membro da associação por meio de feiras, palestras, orientação, treinamentos, assistência, educação e saúde. Dos projetos nacionais existe o ‘Trabalho igual. Salário igual’, por exemplo, que provoca a questão da igualdade salarial, o ‘Março Mulher’ é uma campanha relacionada a questões femininas, e muitas outras ações fazem parte dos trabalhos desenvolvidos para fortalecer o movimento BPW.
O meu primeiro contato foi com a associação em Cuiabá, onde fui presidente, e, há cinco anos tive o privilégio de fundar a BPW Várzea Grande, a qual também presidi, mas hoje atuo como coordenadora de saúde e na BPW Brasil como coordenadora da região Centro-Oeste. Uma questão que trabalhamos são as discussões de políticas públicas relacionadas às mulheres e também marcamos forte presença junto aos Conselhos Municipals e Estaduais dos Direitos da Mulher porque entendemos que quanto mais mulheres puderem ocupar esses lugares e espaços, nós vamos também contribuir para criação de políticas públicas que vão beneficiar as mulheres.
Uma de nossas atuações é fazer com que mulheres que ainda toleram violência doméstica, por não ser autossuficiente financeiramente, possam sair desse ciclo. A BPW trabalha para mudar o mindset dessas mulheres, levar formação, para poderem ter condição de, se precisar tomar uma decisão, de não mais sofrer violência.
Mulheres, empresárias, profissionais seja de qual ramo for podem fazer parte da associação, a partir de 18 anos de idade. Temos mulheres aposentadas com +80 que acolhem as empreendedoras jovens e dão suporte por meio de sua expertise e experiência, por isso a BPW jovem é muito importante nessa convivência de troca e empoderamento. E, o objetivo de protagonizar a mulher é de que em todos os ambientes de poder e decisão entendamos que devemos estar. Isso é conquistar espaço e posição de poder.
A BPW é inclusiva e qualquer mulher que se identifique com a atuação pode participar, como um processo de irmandade em que nos unimos para dar apoio as empresárias da BPW. É uma grande oportunidade de desenvolvimento pessoal, além de profissional, participar de uma rede mundial, nos traz muito aprendizado com as diversidade feminina.
Convido você mulher para ver, ouvir e sentir, depois decidir se há identificação ou não. Mulheres quando estão agregadas têm uma capacidade imensa, cada vez que participo de nossos encontros e rituais de acolhimento, fico muito emocionada. A mulher tem uma força que às vezes sozinha não consegue perceber, quando estão juntas a coisa flui, porque uma fortalece a outra. Hoje faço parte da BPW Vg e nosso lema é “uma por todas e todas por uma”. Nós entendemos que, o que eu faço vai refletir na vida de outras mulheres e quando unidas podemos salvar e ajudar mulheres que nem conhecemos. Vem ser BPW. Some conosco!
*Sonia Mazetto é Gestora de Potencial Humano, Terapeuta Integrativa, Fonoaudióloga e Palestrante
Artigos
Pedágio, investimentos e desenvolvimento: o que está por trás de uma concessão rodoviária
Autor: Luiz Sette* –
Transferência da gestão para a iniciativa privada não significa perda do patrimônio público, mas sim a garantia de investimentos contínuos
É preciso desmistificar algumas percepções já consolidadas quando o assunto são as concessões rodoviárias. Muitas pessoas acreditam que, ao conceder uma rodovia à iniciativa privada, o Estado está automaticamente “vendendo” aquele patrimônio público para uma empresa. Na prática, não é isso que acontece.
Quando uma rodovia é concedida, o poder público continua sendo o proprietário da infraestrutura. O que ocorre é a transferência da responsabilidade pela operação, manutenção e realização de investimentos para uma empresa privada durante um período determinado, seguindo regras, metas e obrigações previamente estabelecidas em contrato.
E é impossível falar sobre concessões sem abordar um tema que costuma gerar debates: o pedágio. É importante esclarecer que a tarifa não representa uma fonte automática de lucro para a concessionária. Os recursos arrecadados são destinados à manutenção permanente da rodovia, recuperação do pavimento, conservação da sinalização, atendimento aos usuários, operação de ambulâncias e guinchos, monitoramento do tráfego, ampliação da capacidade da via e ao cumprimento de uma série de exigências ambientais e operacionais previstas contratualmente.
A experiência da MT-130 ajuda a ilustrar essa realidade. Desde o início da concessão, em 2021, a Rota dos Grãos já investiu mais de R$ 234,4 milhões em manutenção, recuperação e ampliação da capacidade da rodovia, além da implantação de sistemas operacionais e de gestão ambiental. São investimentos que contribuem diretamente para a segurança dos usuários, a eficiência logística e o desenvolvimento regional.
Também é importante lembrar que uma rodovia não funciona apenas quando há obras em andamento. Ela exige atenção permanente, 24 horas por dia, sete dias por semana. Isso significa manter equipes de conservação em campo, equipamentos disponíveis para emergências, monitoramento constante, atendimento médico, guinchos e uma estrutura operacional preparada para responder rapidamente a qualquer ocorrência. Tudo isso demanda planejamento e investimentos contínuos.
No caso da MT-130, os resultados vão além da própria infraestrutura. Uma rodovia em melhores condições reduz custos de transporte, aumenta a segurança viária, melhora a mobilidade da população e fortalece a competitividade de setores fundamentais para a economia mato-grossense, como o agronegócio. Trata-se de um investimento que gera reflexos positivos para produtores, transportadores, empresas e comunidades inteiras.
Não poderia deixar de destacar ainda que a segurança viária é uma construção coletiva. A concessionária tem o papel de garantir uma infraestrutura adequada, sinalização eficiente, atendimento aos usuários e uma operação preparada para diferentes situações, mas cada pessoa que utiliza a rodovia também contribui diretamente para um trânsito mais seguro. Atitudes conscientes, respeito às normas de circulação e a adoção de práticas responsáveis são fundamentais para preservar vidas e garantir que os investimentos realizados na infraestrutura cumpram seu principal objetivo: tornar as viagens mais seguras para todos.
Por fim, o futuro da segurança viária também passa pela adoção de novas tecnologias que já estão transformando a mobilidade em diferentes regiões do Brasil e do mundo. Soluções baseadas em Inteligência Artificial, Internet das Coisas (IoT), telemetria e sistemas inteligentes de monitoramento têm ampliado a capacidade de prevenção de acidentes, permitindo identificar comportamentos de risco, acompanhar sinais de fadiga dos condutores, aprimorar a fiscalização e tornar a gestão do tráfego mais eficiente. Recursos como câmeras inteligentes, videotelemetria, sistemas de assistência ao motorista e tecnologias de pesagem em movimento representam uma nova geração de ferramentas que podem contribuir para rodovias mais seguras.
Esse debate precisa avançar também em Mato Grosso, um estado com dimensões continentais e uma das maiores movimentações logísticas do país, onde investimentos em inovação devem ser tratados como prioridade para preservar vidas e melhorar a eficiência do transporte.
O debate sobre concessões é legítimo, necessário e saudável. Mas ele precisa estar fundamentado em informações, dados e transparência. Quando a sociedade compreende como esse modelo funciona, torna-se mais fácil avaliar seus desafios, fiscalizar sua execução e reconhecer os benefícios que ele pode proporcionar para a infraestrutura e para o desenvolvimento das regiões atendidas.
Mais do que administrar uma rodovia, uma concessionária tem a responsabilidade de garantir que ela continue cumprindo sua função de conectar pessoas, impulsionar a economia e contribuir para o crescimento sustentável das cidades que dependem dela.
*Luiz Sette é diretor-presidente da Rota dos Grãos, empresa responsável pela concessão da MT-130, que liga Primavera do Leste à Paranatinga
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