Opinião
TSE será intolerante com as Fake News
Autor: Francis Ricken*
Repercutiu com grande intensidade na imprensa a manifestação dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Edson Fachin no maior congresso de Direito Eleitoral realizado no final da semana passada, em Curitiba. Os ministros que compõem o Tribunal Superior Eleitoral demonstraram a visão enfática da corte sobre a utilização de fake news no processo eleitoral de 2022, tese já manifestada com a condenação do deputado estadual Fernando Francischini, por disseminação de fake news na Eleição 2018. A fala dos ministros foi uma reafirmação sobre o tema às vésperas de um dos pleitos eleitorais mais acirrados dos últimos tempos.
O ministro Alexandre de Moraes, futuro presidente do TSE durante o pleito de 2022, foi enfático em afirmar que a Corte não será tolerante com a disseminação das fake news e com grupos que utilizam a internet para propagar notícias fraudulentas com objetivo de interferir no processo eleitoral. Ele afirmou que identifica nesses grupos, chamados por ele de “milícias digitais”, ações coordenadas que visam deslegitimar as instituições democráticas. Além disso, o ministro repetiu que as grandes plataformas de internet podem ser responsabilizadas por disseminação de notícias falsas, assim como já acontece com os veículos tradicionais de imprensa, e que isso poderá impactar nas decisões do TSE sobre abuso do poder econômico e político, que são causas para cassação de mandatos e inelegibilidade de candidatos por oito anos. A fala do ministro deixa clara qual será sua postura durante o processo eleitoral e o quanto ele identifica a utilização de fake news como um problema significativo na democracia brasileira.
O ministro Edson Fachin, atual presidente do TSE, tratou sobre o processo de votação e a segurança das urnas eletrônicas, dizendo que a democracia brasileira sofre ataques constantes, sem uma justificativa plausível que demonstre por meio de dados, fraudes nos processos eleitorais. Fachin disse que a desconfiança no processo de votação acaba sendo “solo fértil para o caos”, e que o papel da Justiça Eleitoral é combater a desconfiança com informação. Outro ponto que chamou a atenção na fala do ministro foi a afirmação de que a Justiça Eleitoral não tem receio de demonstrar seus dados e que o processo eleitoral já trabalha com foco na transparência, inclusive se dispondo a ser auditada e fiscalizada por qualquer órgão público, privado, internacional ou partido político que tenha interesse em fazê-la. A opinião do ministro tem uma ligação direta com as afirmações do presidente da República sobre pretensa contratação de empresa privada de auditoria para verificação do processo eleitoral, situação que, segundo Fachin, pode ser realizada pelo presidente sem qualquer receio por parte da Justiça Eleitoral.
A posição dos ministros sobre as Eleições 2022 me parece uma resposta coordenada e direta da Justiça Eleitoral para aqueles que se dizem não crentes na transparência das eleições no Brasil. O debate sobre a transparência e a lisura dos processos eleitorais, que no passado esses aspectos não chamavam muito a atenção da população em geral, hoje têm se tornado pontos importantes diante do ataque constante às instituições, e cabe à Justiça Eleitoral continuar atenta e capaz de responder de forma direta e enfática com o trabalho que desenvolve há décadas. A fala dos ministros colabora para dar ainda mais amparo ao processo eleitoral que se avizinha.
*Francis Ricken é advogado, mestre em Ciência Política e professor da Escola de Direito e Ciências Sociais da Universidade Positivo (UP).
Artigos
Transplante de microbiota fecal e mais um importante avanço da medicina
Autor: Fernando Bray* –
Parece papo de ficção científica: transplantar fezes de uma pessoa saudável para tratar uma doença. Porém, esse procedimento, chamado de Transplante de Microbiota Fecal (TMF) ou, simplesmente, transplante fecal, já é realidade na medicina — e vem ajudando pacientes que não respondiam a nenhum outro tratamento a recuperar a saúde intestinal e a qualidade de vida.
Para entender como funciona e para quem é indicado esse tipo de tratamento, é preciso explicar como funciona o nosso intestino. Ele abriga trilhões de micro-organismos, entre bactérias, vírus, fungos e outros seres microscópicos que formam a chamada microbiota intestinal, além de arqueas e substâncias produzidas por esse ecossistema, como ácidos graxos de cadeia curta e metabólitos que conversam diretamente com o nosso sistema imunológico.
Quando essa comunidade microbiana está equilibrada, ela ajuda a digerir alimentos, produzir vitaminas, regular a imunidade e até proteger contra infecções.
Mas, certas condições, como o uso repetido de antibióticos, podem destruir esse equilíbrio, abrindo espaço para bactérias agressivas dominarem o intestino.
O transplante de microbiota fecal consiste em transferir fezes de um doador saudável, previamente tirado e testado, para o intestino de um paciente, com o objetivo de restaurar essa comunidade microbiana benéfica. Mais do que uma “reposição de bactérias”, o procedimento pode ser traduzido também como uma verdadeira transferência de informação para o sistema imunológico.
Atualmente, a indicação para o TMF com aprovação formal e comprovação científica sólida é o tratamento da infecção recorrente ou refratária por Clostridioides difficile (C. difficile), uma bactéria que pode causar diarreia grave e recorrente, especialmente após o uso prolongado de antibióticos.
Estudos mostram taxas de cura entre 65% e 80% já na primeira infusão, chegando a até 95% com tratamentos repetidos — números muito superiores aos obtidos apenas com antibióticos nesses casos difíceis.
Outras aplicações do transplante têm sido pesquisadas, ainda sem aprovação para uso rotineiro, como na Doença de Crohn e retocolite ulcerativa, síndrome do intestino irritável e constipação crônica, além de doenças metabólicas, como obesidade, diabetes tipo 2 e resistência à insulina; doenças autoimunes; e condições neurológicas, como Parkinson e esclerose múltipla, e até o espectro autista. Para essas condições, vale reforçar, o transplante fecal ainda é experimental. Os resultados são promissores em alguns estudos, mas insuficientes para recomendação de rotina fora de protocolos de pesquisa.
O processo passa por etapas bem definidas, pensadas para garantir segurança e eficácia, desde a seleção rigorosa do doador, com investigação de doenças crônicas, infecciosas e intestinais, histórico de viagens, uso de medicamentos, tatuagens recentes e outros fatores de risco, o preparo do material fecal em laboratório, seguindo protocolos específicos, até chegar na administração ao paciente, por uma das vias possíveis: endoscopia digestiva alta, sonda nasoentérica, cápsulas orais (congeladas ou liofilizadas), colonoscopia ou enema, a depender da doença e da região do intestino que precisa ser tratada.
Essa flexibilidade de vias é, justamente, uma das razões pelas quais o transplante fecal tem sido adaptado para diferentes indicações clínicas.
Agora, como qualquer procedimento médico, o transplante fecal exige critérios rigorosos de segurança. O principal risco é a transmissão de patógenos presentes nas fezes do doador, incluindo bactérias multirresistentes, vírus ou outros micro-organismos indesejados. Por isso, a triagem do doador é extensa e inclui exames de sangue e fezes, questionários de saúde detalhados e reavaliações periódicas. Há um grande rigor e esse é um dos motivos que torna encontrar um doador uma tarefa complexa.
Com um profissional especializado e a busca certa de doadores, o transplante de microbiota acompanha a evolução da medicina e se transforma em recurso diferenciado na qualidade de vida do paciente. A saúde do intestino influencia muito mais do que a digestão, ela está ligada à imunidade, ao metabolismo e até ao bem-estar geral. Quem convive com infecções intestinais recorrentes, doença inflamatória intestinal, constipação persistente ou outros sintomas digestivos que atrapalham sua rotina, o primeiro passo é buscar uma avaliação especializada.
*Fernando Bray é médico, especialista em gastroenterologia cirúrgica e coloproctologia em São Paulo. Doutor e Mestre em Ciências da Saúde
-
Artigos6 dias atrásO alto padrão acompanha a nova realidade de Mato Grosso
-
Artigos3 dias atrásDIA MUNICIPAL DO PLANTIO DE ÁRVORES EM CUIABÁ
-
Destaques6 dias atrásSalto patrimonial de R$ 196,8 milhões posiciona candidato de Mato Grosso no topo do “Ranking Nacional de Bens Declarados”
-
Política3 dias atrásO que agentes públicos não podem fazer durante a campanha eleitoral?
-
Política5 dias atrásJanaína Riva reformula chapa ao Senado e amplia incertezas sobre composição das suplências em Mato Grosso
-
Artigos4 dias atrásMisoginia não pode calar a liberdade de imprensa
-
Artigos4 dias atrásSoroterapia: entre a indicação médica e as promessas de saúde sem comprovação
-
Política6 dias atrásMarqueteiro deixa Pivetta em meio à semana de turbulências no grupo governista



