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Norton Frehse Nicolazzi Junior: – Tirar os jogos das crianças ou ensinar os professores a jogar?

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Tirar os jogos das crianças ou ensinar os professores a jogar?

Por: Norton Frehse Nicolazzi Junior

“Meu aluno não sai do celular”.

“Meu filho passa o dia inteiro no videogame”.

“Essa criança só quer saber de brincar”.

Inúmeras são as reclamações e dúvidas a respeito da interação das crianças com os jogos – há quem acredite que o acesso deva ser limitado e que esse formato de entretenimento não ensina nada aos pequenos. Mas impedir o acesso ou limitá-lo é a melhor solução? As crianças realmente aprendem mais sentadas em uma cadeira por horas, enfileiras, ouvindo o professor falar, do que quando “põem a mão na massa” na frente do videogame? Acredito que não.

A geração de alunos de hoje não funciona desse modo. A proposta de metodologias ativas, que busca o protagonismo dos estudantes na apresentação dos conteúdos trabalhados em sala de aula, mostra-se altamente eficiente. E a ideia da gamificação, mais ainda. Quando trazemos a ideia de games para a sala de aula, a dinâmica de colaboração ou disputa, com metas e conquistas, fazemos com que o ensino seja profundo e conquistamos a atenção do aluno. E isso é o que estamos tentando ensinar aos professores de agora, que terão a oportunidade de aprender ainda mais no curso Ensino Gamificado: Se as crianças estão diferentes, se as necessidades e interesses mudaram, o professor também precisa se adaptar.

Quando vamos trabalhar com o conceito de gamificação e apresentamos a concepção para os professores, eles percebem que já têm feito isso em sala de aula e que podem aproveitar mais essa metodologia. Além disso, não são necessários recursos caros ou necessariamente os videogames para aplicar a gamificação. Apesar dos consoles apresentarem opções altamente qualificadas, como o ensino de História em Assassin’s Creed, por exemplo, o que importa na gamificação é a dinâmica presente nos jogos, independentemente da utilização de um tabuleiro, dados, regras verbais ou interações em grupo ou individuais.

A gamificação normalmente relaciona-se com algumas ideias muito simples. É fácil pensarmos, por exemplo, em um programa de fidelidade: você vai acumulando pontos, vai subindo de fase, de categoria, e isso gera um certo estímulo, um desafio, que é o que a gente busca despertar nos estudantes para que a aula possa transcorrer de uma forma mais divertida e significativa. Porque não é só o aspecto lúdico que nos interessa. Quando falamos dessa metodologia não queremos transformar a aula numa brincadeira. A brincadeira está sempre num plano muito mais livre. A criança brinca de faz de conta, não tem tempo para acabar e inventa o que deseja. Pode tudo. O jogo em sala de aula é diferente porque tem regras, tempo, espaço e tudo regulamentado para poder oferecer um desenvolvimento para os estudantes. Sendo assim, nós nos apropriamos de ideias e conceitos que estão presentes nos jogos, para oferecer novas possibilidades em sala de aula, de ensino e de aprendizagem.

O método de gamificação é uma possibilidade de trabalharmos levando o aluno a ser realmente um protagonista do seu aprendizado. Com isso, o professor auxilia-o a ser alguém crítico, que vai escolher seus próprios caminhos. A figura do professor, dentro dessas propostas de metodologias ativas, vai se tornando cada vez mais como um orientador, um tutor. A solução seria, então, em vez de tentarmos distanciar as crianças de seus jogos, nos apropriarmos deles para o aprendizado. Fazer com que o que as interessa, o que as chama a atenção, seja ferramenta na mão do educador.

Norton Frehse Nicolazzi Junior é professor de história, coordenador da assessoria de História, Filosofia e Sociologia do Sistema Positivo de Ensino.

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Qual o sentido da vida?

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Autora: Soraya Medeiros*

Assisti recentemente a uma palestra que trouxe uma pergunta antiga, aparentemente simples, mas capaz de atravessar gerações, religiões e filosofias: afinal, qual é o sentido da vida?

Saí de lá pensando sobre as diferentes respostas que damos a essa pergunta. Para alguns, viver é conquistar uma casa bonita, um carro novo, viajar, ganhar dinheiro e ter conforto. Para outros, é alcançar sucesso profissional, reconhecimento e prestígio. Há quem encontre sentido na família, no amor, na fé, nos amigos ou no cuidado com o próximo. E há também quem ainda esteja tentando descobrir por que está aqui.

Talvez esse seja um dos grandes dilemas do nosso tempo. Somos ensinados desde cedo a conquistar, produzir, acumular e vencer, mas pouco estimulados a perguntar por que queremos tudo isso.

Vivemos em uma sociedade que frequentemente mede felicidade pelo que pode ser mostrado. O sucesso ganhou endereço, marca, preço e até número de seguidores. Parece que precisamos provar o tempo inteiro que estamos felizes, realizados e vivendo uma vida extraordinária.

Nada há de errado em desejar conforto, crescer profissionalmente ou realizar sonhos. O problema surge quando acreditamos que essas conquistas serão suficientes para preencher todos os nossos vazios.

O psiquiatra austríaco Viktor Frankl, criador da Logoterapia e autor de Em Busca de Sentido, dedicou parte de sua obra à necessidade humana de encontrar significado para a existência. Para ele, esse sentido não é uma fórmula pronta. Pode ser encontrado no trabalho, no amor, nas relações e até na maneira como enfrentamos situações que não podemos mudar.

E foi justamente aí que a palestra me provocou uma pergunta diferente: passamos tanto tempo pensando “o que eu quero ter?”, mas quantas vezes paramos para perguntar “que vida eu quero viver?”

Porque ter não significa ser.

Podemos conquistar dinheiro e continuar pobres de afeto. Podemos estar cercados de pessoas e nos sentir sozinhos. Podemos receber aplausos e, quando o silêncio chega, não reconhecer quem somos. Podemos acumular bens e descobrir que algumas das coisas mais importantes da vida simplesmente não podem ser compradas.

Talvez estejamos procurando longe demais aquilo que sempre esteve perto.

O sentido pode estar em sentar-se à mesa com quem amamos, abraçar nossos pais enquanto podemos, rir com os amigos, cuidar de um animal, ajudar alguém sem esperar reconhecimento, contemplar um pôr do sol ou simplesmente agradecer por mais um dia.

O problema é que frequentemente adiamos a vida. Quando eu tiver dinheiro.” “Quando conseguir aquele emprego.” “Quando comprar minha casa.” “Quando encontrar alguém.” “Quando puder viajar.” “Quando as coisas melhorarem.

E, de tanto esperar pelo momento ideal, corremos o risco de transformar a existência em uma grande sala de espera.

Mas a vida não espera.

Também acredito que não exista um único sentido para toda a nossa trajetória. Aquilo que parecia essencial aos 20 anos talvez já não seja aos 40 ou aos 60. Nós mudamos. Perdemos pessoas, encontramos outras, acertamos, erramos, amadurecemos e recomeçamos. E cada experiência reorganiza nossas prioridades.

Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja apenas “qual é o sentido da vida?“, mas “qual sentido estou dando à vida que tenho hoje?

A vida não começa quando conquistarmos tudo aquilo que desejamos. Ela já está acontecendo enquanto trabalhamos, fazemos planos, amamos, choramos, sorrimos, perdoamos, perdemos e encontramos forças para começar novamente.

Talvez não seja necessário descobrir um propósito grandioso para justificar nossa existência. Talvez o verdadeiro sentido esteja nas pequenas coisas que fazemos, nos afetos que construímos e nas marcas que deixamos nas pessoas que passam pelo nosso caminho.

E, no final das contas, talvez baste poder olhar para a própria história e sentir que, apesar de tudo, valeu a pena estar aqui.

*Soraya Medeiros é jornalista.

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