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Janeiro Branco: mês destinado a pensar como anda sua saúde mental

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Autor: Max Lima –

O Janeiro Branco é uma campanha brasileira iniciada em 2014 que busca chamar a atenção para o tema da saúde mental na vida das pessoas. O mês de janeiro foi escolhido porque é neste mês que as pessoas estão mais focadas em resoluções e metas para o ano. Aí começa o estresse das contas para pagar e das coisas que não foram feitas no ano que passou e a ansiedade em realizar no ano que começa. Tudo isso influencia no seu organismo e aumenta o risco de doenças cardíacas.

Por isso é necessário tomar medidas para apoiar a saúde mental pode potencialmente melhorar a saúde do coração também.

Pesquisadores descobriram cada vez mais ligações entre problemas de saúde mental e maior risco de doenças cardíacas, já que os transtornos mentais podem afetar seu comportamento.

Por exemplo, você pode ter menos probabilidade de fazer exercícios regularmente ou mais probabilidade de beber muito álcool se estiver se sentindo deprimido. Além disso, alguns problemas que afetam nossa saúde mental, e certos transtornos mentais, também podem desencadear mudanças físicas no corpo que podem elevar o risco cardíaco de várias maneiras.

Estresse

O estresse de longo prazo pode aumentar a pressão arterial, reduzir o fluxo sanguíneo para o coração, diminuir a capacidade de bombeamento do coração, desencadear ritmos de bombeamento anormais e ativar o sistema de coagulação do sangue e sua resposta inflamatória. Durante a pandemia, as pessoas desenvolveram a cardiomiopatia de estresse – um enfraquecimento do ventrículo esquerdo do coração acionado emocionalmente.

Experiências traumáticas de infância

Experiências traumáticas da infância, como ser negligenciado; sofrer abuso físico, sexual ou emocional; ou testemunhar violência em casa são conhecidos pelos profissionais de saúde como experiências adversas na infância.

Depressão

A depressão praticamente dobra o risco de desenvolver doença arterial coronariana, de acordo com um artigo de revisão. Outros estudos mostram que pessoas que já têm doenças cardíacas têm três vezes mais probabilidade de ficar deprimidas do que outras pessoas.

Hostilidade e raiva

Pessoas que costumam ficar zangadas têm duas a três vezes mais chances de ter um ataque cardíaco ou outro evento cardíaco do que outras pessoas.

Isolação social

As evidências mostram que homens e mulheres que vivem sozinhos têm uma probabilidade significativamente maior de ter um ataque cardíaco ou morrer repentinamente de um.

Mas o que fazer?

Se você está lutando com qualquer um desses problemas, existem coisas que você pode fazer para melhorar sua saúde mental e, potencialmente, sua saúde cardíaca também.

Primeiro passo procure um especialista em saúde mental para ajudá-lo a superar muitos desafios, incluindo traumas graves do passado. A psicoterapia, como a terapia cognitivo-comportamental (projetada para quebrar padrões de pensamento negativos) e a medicação são apenas algumas das opções que podem ajudar.

Mude o estilo de vida com pequenas mudanças como adicionar mais frutas e vegetais ao seu prato ou caminhar pela casa podem ajudar. Tente encontrar atividades físicas de que goste e que possam ajudá-lo a se manter motivado.

Mantenha seu cérebro ativo com um hobby

Controle o seu estresse. Faça meditação da atenção plena, que incentiva a autoconsciência e o foco no presente. Exercícios regulares, dieta saudável e sono de boa qualidade também podem ajudar a manter os níveis de estresse sob controle.

Lembre-se sempre há tempo de mudar seu estilo de vida e ser feliz.

Max Lima é médico especialista em cardiologia e terapia intensiva, conselheiro do CFM, médico do corpo clínico do hospital israelita Albert Einstein, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia de Mato Grosso(SBCMT), Médico Cardiologista do Heart Team Ecardio no Hospital Amecor e na Clínica Vida , Saúde e Diagnóstico. CRMT 6194

Email: [email protected]

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Artigos

Assédio moral e riscos psicossociais: o perigo de dirigir organizações sem freios

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Autor: Valdiney de Arruda*

Nas últimas semanas e meses, muitas pessoas viram vídeos, postagens, comentários e opiniões sobre riscos psicossociais nas organizações. O tema ganhou espaço no mundo corporativo e institucional diante da necessidade de tratar fatores capazes de contribuir para adoecimentos relacionados ao trabalho dentro da lógica do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e do Programa de Gerenciamento de Riscos.

Como ocorre com todo tema novo, surgiram dúvidas legítimas, mas também interpretações apressadas. Alguns passaram a dizer que agora “tudo será assédio”. Outros afirmaram que a norma é inaplicável. Há quem trate o assunto como mera burocracia. Há quem o veja apenas como ameaça. Há também quem diga que ninguém mais poderá cobrar metas, exigir desempenho ou exercer liderança.

Mas talvez o primeiro cuidado que precisamos ter seja este: não decidir sobre um tema complexo a partir de uma leitura simples demais.

Daniel Kahneman, ao lado de Amos Tversky, demonstrou que grande parte das nossas decisões não nasce de uma análise profunda, lenta e cuidadosa. Muitas vezes, decidimos por atalhos. Usamos aquilo que já conhecemos. Repetimos interpretações familiares. Procuramos respostas rápidas porque pensar com profundidade exige energia.

Diante de um tema novo, o cérebro humano tende a perguntar: “com o que isso se parece?“. E, a partir daí, tenta encaixar o novo dentro de uma gaveta antiga.

O problema é que nem todo fenômeno novo cabe bem em gavetas antigas.

Durante muito tempo, aprendemos a olhar para o adoecimento mental no trabalho quase sempre como problema individual. A conclusão rápida era: “a pessoa não aguentou a pressão. Em outras situações, olhamos apenas pela lente do conflito pessoal: “isso é problema entre chefe e subordinado“. Pela lente jurídica, reduzimos tudo a reparação individual e responsabilização do agressor. Pela lente administrativa, surgem respostas como: “isso é exagero“, “isso não se aplica aqui“, “é mais uma obrigação” ou “agora ninguém pode cobrar nada“.

Todas essas leituras podem enxergar uma parte do problema. Mas nenhuma delas, sozinha, enxerga o fenômeno inteiro.

Os riscos psicossociais relacionados ao trabalho exigem uma mudança de pergunta. Não se trata de negar a responsabilidade individual, nem de transformar toda cobrança em assédio moral. Trata-se de compreender que a forma como o trabalho é organizado, liderado, comunicado, cobrado e controlado pode aumentar ou reduzir riscos de sofrimento, conflito, adoecimento, afastamento e perda de desempenho.

A evolução da proteção no trabalho sempre exigiu essa mudança de olhar. Durante muito tempo, quando acontecia um acidente, a pergunta mais comum era: “o trabalhador errou?. Depois, aprendemos a fazer perguntas melhores: o equipamento era seguro? Havia treinamento? Havia manutenção? A meta era compatível com o tempo disponível? A equipe era suficiente? A liderança pressionou de modo inadequado? O ambiente permitia uma decisão segura?

Com os riscos psicossociais acontece algo semelhante.

Pensemos nos carros.

Hoje, um motorista pode ser excelente. Pode ter experiência, atenção, responsabilidade e domínio da direção. Mesmo assim, ninguém diria que, por ele ser bom motorista, o carro não precisa de freios eficientes, cinto de segurança, airbag, controle de estabilidade, pneus adequados, revisão periódica e sinalização no painel.

A indústria automobilística evoluiu porque entendeu uma coisa essencial: segurança não pode depender apenas da habilidade do motorista. O sistema precisa ser desenhado para reduzir danos, prevenir falhas e proteger vidas, inclusive quando o ser humano está cansado, pressionado, distraído ou diante de uma situação inesperada.

A organização do trabalho se parece muito com esse carro.

O trabalhador pode ser competente. O servidor pode ser comprometido. O gestor pode ser experiente. O RH pode ser responsável. A equipe pode ter vocação pública, senso de entrega e compromisso com resultados. Mas, se o sistema organizacional opera com metas incompatíveis com os recursos disponíveis, comunicação hostil, liderança baseada no medo, ausência de escuta, jornadas excessivas, conflitos ignorados, assédio moral normalizado, insegurança sobre papéis, falta de apoio ou retorno ao trabalho mal conduzido, a organização está circulando sem dispositivos adequados de proteção.

Quando algo acontece, não basta perguntar apenas: “por que esse trabalhador adoeceu?“.

A pergunta mais estratégica é outra: o que no modo de organizar, liderar, cobrar, comunicar e responder aos sinais de sofrimento está aumentando o risco de adoecimento?

Uma organização madura não espera o acidente para revisar o carro. Não espera o afastamento para olhar a carga de trabalho. Não espera a denúncia para discutir assédio moral. Não espera a perícia para perceber que a cultura está adoecendo pessoas. Não espera a ruptura para construir canais de escuta.

E talvez esta seja a pergunta que deve acompanhar gestores, lideranças, RH, órgãos de controle, sindicatos, instituições públicas e empresas privadas nos próximos anos: que tipo de sistema de trabalho estamos colocando as pessoas para dirigir todos os dias?

*Valdiney A. de Arruda é administrador, especialista em Políticas Públicas e Questão Ambiental, MBA em ESG. Atua com Direito do Trabalho, Saúde e Segurança Ocupacional, e desenvolve estudos em Neurociência, Desenvolvimento Humano e Comunicação Não Violenta

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