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Denis Milanello: – Atividade física: o melhor remédio para um envelhecimento ativo
Atividade física: o melhor remédio para um envelhecimento ativo
Por: Denis Milanello –
O envelhecimento é um processo heterogêneo e complexo, caracterizado por perda progressiva da funcionalidade. O aumento da expectativa de vida tem levado ao crescimento da prevalência das doenças crônico-degenerativas, como o diabetes, a osteoartrite e as síndromes demenciais, entre elas o Alzheimer.
Entretanto, cada pessoa envelhece de uma forma, algumas se mantendo independentes por mais tempo, e outras já acometidas por doenças que acabam por comprometer sua autonomia e a capacidade de realizar suas tarefas sem ajuda.
Duas condições estão diretamente envolvidas nesse processo de envelhecer, a genética e os fatores ambientais. A primeira não pode ser modificada, mas a segunda felizmente sim.
A adoção de um estilo de vida saudável geralmente contribui para uma longevidade com mais qualidade, e minimiza as alterações e doenças comuns da velhice.
Adotar uma dieta balanceada, não fumar, evitar o excesso de álcool, e praticar atividade física regularmente contribuem para redução da mortalidade geral, assim como da mortalidade cardiovascular por reduzir níveis da pressão arterial, do colesterol e do diabetes.
O combate ao sedentarismo, através da prática regular e sistemática de exercícios, favorece ainda o aumento da capacidade aeróbica, traz ganho de massas muscular e óssea e reduz a gordura corporal. Favorece ainda a melhora do humor, da qualidade do sono, da autoestima, e até reduz a prevalência de depressão e das demências.
Idealmente, principalmente após os 60 anos, recomenda-se associar a atividade aeróbica, como a caminhada, bicicleta, esteira ergométrica, ao chamado exercício resistido, caracterizado esse por trabalhar com a musculatura do corpo. Obviamente, desde que não haja contraindicação médica para tal.
O fortalecimento muscular diminui dor, câimbras, reduz ainda o risco de quedas, e aumenta a força e a flexibilidade. Com isso, além da melhora da saúde, as tarefas do dia a dia, como carregar sacolas, subir escadas, amarrar o sapato ou agachar no chão podem ser realizadas mais facilmente.
Sabe-se também que o trabalho muscular continuado estimula a formação de massa óssea, e pode ser indicado hoje para pessoas que possuem osteoporose, osteoartrite de joelhos, ou dor crônica lombar, por exemplo.
Pilates, ginástica no solo ou na água, e musculação são algumas dessas atividades que, com indicação médica precisa e individualizada caso a caso, e através de supervisão por profissional capacitado, podem melhorar muito a qualidade de vida do idoso e retardar as alterações e doenças próprias do envelhecimento.
Afinal, não basta só chegar lá. Mas sim chegar bem!
Denis Milanello – médico geriatra, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de Mato Grosso(SBGG-MT) e diretor do complexo de saúde ESPAÇO PIÙ VITA
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Canetas para emagrecimento podem ajudar a reduzir o risco de câncer?
Autora: Mariana Ramos* –
As chamadas “canetas para emagrecimento” vêm transformando o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Mas os benefícios desses medicamentos podem ir além da perda de peso. Estudos recentes sugerem que eles também podem estar associados à redução do risco de alguns tipos de câncer relacionados à obesidade, uma hipótese que tem despertado crescente interesse entre pesquisadores de todo o mundo.
Inicialmente desenvolvidos para o controle do diabetes tipo 2, fármacos como a semaglutida e a tirzepatida ganharam destaque mundial pela capacidade de promover perda de peso significativa e melhorar diversos indicadores metabólicos.
Agora, uma nova frente de pesquisas vem ganhando destaque: a possibilidade de que esses medicamentos também contribuam para reduzir o risco de alguns tipos de câncer relacionados à obesidade.
A relação entre obesidade e câncer já é amplamente conhecida pela medicina. O excesso de gordura corporal está associado a um estado de inflamação crônica de baixo grau, alterações hormonais e resistência à insulina, fatores que podem favorecer o desenvolvimento de diferentes tipos de tumores.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade está relacionada ao aumento do risco de pelo menos 13 tipos de câncer, incluindo câncer de mama pós-menopausa, intestino, fígado, rim, pâncreas e endométrio.
Nesse contexto, pesquisadores passaram a investigar se os medicamentos capazes de promover perda de peso expressiva também poderiam contribuir para reduzir esse risco.
Estudos observacionais publicados nos últimos anos apontaram que pacientes tratados com agonistas do receptor de GLP-1, grupo ao qual pertence a semaglutida, apresentaram menor incidência de alguns cânceres associados à obesidade quando comparados a indivíduos com características semelhantes que não utilizaram essas medicações. Em uma análise apresentada no congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO) em 2025, envolvendo mais de 170 mil adultos com obesidade e diabetes, pessoas que utilizaram essas medicações apresentaram menor risco de desenvolver cânceres relacionados à obesidade quando comparadas àquelas que utilizavam outros medicamentos para o diabetes.
Além da perda de peso, os pesquisadores avaliam a hipótese de que esses medicamentos possam exercer efeitos biológicos adicionais, como a redução de processos inflamatórios, melhora da sensibilidade à insulina e modulação de mecanismos metabólicos que influenciam o crescimento celular.
Entretanto, é importante destacar que ainda não existem evidências suficientes para afirmar que esses medicamentos previnem câncer de forma direta. A maior parte dos dados disponíveis é baseada em estudos observacionais, que demonstram associações, mas não estabelecem necessariamente uma relação de causa e efeito.
Especialistas ressaltam que serão necessários estudos clínicos de longo prazo para confirmar se a redução do risco observada está relacionada exclusivamente à perda de peso ou se existe algum mecanismo protetor específico proporcionado pelos medicamentos.
Outra área que desperta interesse científico é o possível impacto dessas terapias em pacientes já diagnosticados com câncer. Pesquisas preliminares investigam se a melhora do perfil metabólico e a redução da inflamação poderiam influenciar positivamente a resposta a determinados tratamentos oncológicos. No entanto, essa hipótese ainda está em fase inicial de investigação e não faz parte das recomendações clínicas atuais.
O que já se sabe com segurança é que combater a obesidade representa uma das estratégias mais importantes para a prevenção de doenças crônicas. Além de reduzir o risco cardiovascular, melhorar o controle glicêmico e aumentar a qualidade de vida, a perda de peso também está associada à diminuição de fatores que contribuem para o desenvolvimento de diversos tipos de câncer.
Por isso, o surgimento de tratamentos cada vez mais eficazes para a obesidade representa um avanço relevante para a saúde pública. À medida que a obesidade é reconhecida como uma doença crônica complexa e um importante fator de risco para diversas enfermidades, incluindo o câncer, torna-se ainda mais evidente a importância de ampliar o acesso a tratamentos eficazes e baseados em evidências.
Mais do que uma questão estética, o controle do peso corporal deve ser compreendido como parte fundamental da prevenção de doenças e da promoção da longevidade.
A ciência continua investigando os possíveis benefícios adicionais dessas medicações. Os resultados iniciais são promissores, mas ainda exigem cautela, acompanhamento e validação por novos estudos.
Embora ainda não possam ser considerados medicamentos para prevenção do câncer, os agonistas de GLP-1 vêm ampliando a compreensão sobre os impactos do tratamento da obesidade na saúde a longo prazo. Se os resultados observados até agora forem confirmados por estudos futuros, poderemos estar diante de mais um benefício relevante dessas terapias que já revolucionaram o tratamento da obesidade.
Até lá, a principal mensagem permanece a mesma: prevenir e tratar a obesidade é investir em mais saúde, qualidade de vida e proteção contra inúmeras doenças.
*Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT.
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