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Horizonte

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Autora: Valéria del Cueto*

Se não for no tranco é barranco. Não estava nos planos uma carta na manga no meio do caminho que era para ter terminado ali atrás. Não sei aí, querida cronista, mas por aqui é hora de sair da inércia.

Há muito em jogo! No momento, na mão de poucos. Isso, se compararmos com o total impactado pela decisão das urnas no Brasil. Falo dos que agora escolherão seu presidente migrando de outras opções, dos candidatos derrotados, votos nulos, brancos, abstenções. E, quer saber? Amiga isolada do outro lado do túnel, introjetei o espírito desse eleitor e já tenho lado.

O que não faz do seu amigo Pluct Plact, esse extraterrestre extraviado, um ser incapaz de ouvir os opositores. Ouvir, tentar entender e, confesso, não compreender como tantos se revelam (e como o fazem) diante das opções disponíveis. Que os incautos caiam na ladainha da família ameaçada, da liberrrrdade sem reciprocidade, da fé sendo testada nas colinhas obrigatórias, até entendo. Mas tenho visto coisas que até Deus duvida quando o assunto é respeito e sensibilidade social.

Transformar a religião em arma de guerra é pecado. Quanta iniquidade é violentar a fé, armar o credo. Tirar de Jesus o manto do amor, da bondade, o estender as mãos aos desvalidos, senão vira… comunista! Como sabe quem, querida amiga? O pop Papa Francisco.

Os próximos dias serão de provação nessa terra, que ironia, abençoada por Deus. Enquanto alguns jejuam por um deus impiedoso da guerra, outros o fazem por necessidade, falta de opção. Não há trégua no avanço do obscurantismo, falsamente intitulado de conservadorismo, dessa extrema-direita com embalagem Nutella.

Eu, graças a vasta experiência no tempo sideral e espaço interplanetário, não coaduno com quem quer calar os oponentes, transformar os que discordam em inimigos. O que não deu certo em outras galáxias, também vai dar ruim aqui, lamento informá-la.

Isso não é política. É a semente maléfica da ditadura, daquele mesmo mal que volta e meia ameaça a evolução. Esse modelo nefasto de governo que você já viu quando era criança e sei, não quer ver nunca mais.

Entendo porque não faz parte do seu perfil ser a favor da tortura, do desrespeito os poderes constituídos. Justo você. Raiz, tronco, galho, folha, flor, fruto e semente da Constituição de 1988.

Os próximos dias, como tantos em outras eleições em que você participou, como me contou, serão de convencimento, conversa e disputa por cada voto a ser depositado nas urnas.

Em nossos encontros pelo raio de luar que invade a cela onde voluntariamente você está recolhida do mundo, convivi com seus sonhos. Ouvi desejos de paz, do equilíbrio e da harmonia por um país em que todos tenham oportunidades iguais e um governo que provenha e acolha a população. As vibrações que recebo, dessa massa de centenas de milhões de pessoas por onde me embrenho, traz o mesmo desejo de educação, saúde, segurança e uma vida digna.

Não é hora de esmorecer, nem se deixar vencer pelo cansaço de lidar com tantos ataques mentirosos, fake news calcadas em sandices histéricas. Que as diferenças sejam respeitadas, as religiões livres em seus direitos de manifestação. Todas!

Não acho que essas eleições sejam uma cruzada do bem contra o mal, nem que um lado deva aniquilar o oponente, como tentam maldosa e criminosamente insuflar. Sem uma ponte para o diálogo não há política. Prática que, para ser salutar, tem que ser plural.

Se você cronista, (como eu, Pluct Plact, imagino), está entre os votos que decidirão as eleições, pense, antes de tudo, em quem lhe dará o sagrado direito de discordar.

Prepare-se! Saia da toca e se jogue na cabine eleitoral, lugar de todos os brasileiros que (ainda) têm o direito de optar pelo que acham melhor para o país. Você tem duas semanas para se decidir. O horizonte lhe aguarda, pronto para ser vislumbrado.

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM… delcueto.wordpress.com

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Artigos

Pedágio, investimentos e desenvolvimento: o que está por trás de uma concessão rodoviária

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Autor: Luiz Sette*

Transferência da gestão para a iniciativa privada não significa perda do patrimônio público, mas sim a garantia de investimentos contínuos

É preciso desmistificar algumas percepções já consolidadas quando o assunto são as concessões rodoviárias. Muitas pessoas acreditam que, ao conceder uma rodovia à iniciativa privada, o Estado está automaticamente “vendendo” aquele patrimônio público para uma empresa. Na prática, não é isso que acontece.

Quando uma rodovia é concedida, o poder público continua sendo o proprietário da infraestrutura. O que ocorre é a transferência da responsabilidade pela operação, manutenção e realização de investimentos para uma empresa privada durante um período determinado, seguindo regras, metas e obrigações previamente estabelecidas em contrato.

E é impossível falar sobre concessões sem abordar um tema que costuma gerar debates: o pedágio. É importante esclarecer que a tarifa não representa uma fonte automática de lucro para a concessionária. Os recursos arrecadados são destinados à manutenção permanente da rodovia, recuperação do pavimento, conservação da sinalização, atendimento aos usuários, operação de ambulâncias e guinchos, monitoramento do tráfego, ampliação da capacidade da via e ao cumprimento de uma série de exigências ambientais e operacionais previstas contratualmente.

A experiência da MT-130 ajuda a ilustrar essa realidade. Desde o início da concessão, em 2021, a Rota dos Grãos já investiu mais de R$ 234,4 milhões em manutenção, recuperação e ampliação da capacidade da rodovia, além da implantação de sistemas operacionais e de gestão ambiental. São investimentos que contribuem diretamente para a segurança dos usuários, a eficiência logística e o desenvolvimento regional.

Também é importante lembrar que uma rodovia não funciona apenas quando há obras em andamento. Ela exige atenção permanente, 24 horas por dia, sete dias por semana. Isso significa manter equipes de conservação em campo, equipamentos disponíveis para emergências, monitoramento constante, atendimento médico, guinchos e uma estrutura operacional preparada para responder rapidamente a qualquer ocorrência. Tudo isso demanda planejamento e investimentos contínuos.

No caso da MT-130, os resultados vão além da própria infraestrutura. Uma rodovia em melhores condições reduz custos de transporte, aumenta a segurança viária, melhora a mobilidade da população e fortalece a competitividade de setores fundamentais para a economia mato-grossense, como o agronegócio. Trata-se de um investimento que gera reflexos positivos para produtores, transportadores, empresas e comunidades inteiras.

Não poderia deixar de destacar ainda que a segurança viária é uma construção coletiva. A concessionária tem o papel de garantir uma infraestrutura adequada, sinalização eficiente, atendimento aos usuários e uma operação preparada para diferentes situações, mas cada pessoa que utiliza a rodovia também contribui diretamente para um trânsito mais seguro. Atitudes conscientes, respeito às normas de circulação e a adoção de práticas responsáveis são fundamentais para preservar vidas e garantir que os investimentos realizados na infraestrutura cumpram seu principal objetivo: tornar as viagens mais seguras para todos.

Por fim, o futuro da segurança viária também passa pela adoção de novas tecnologias que já estão transformando a mobilidade em diferentes regiões do Brasil e do mundo. Soluções baseadas em Inteligência Artificial, Internet das Coisas (IoT), telemetria e sistemas inteligentes de monitoramento têm ampliado a capacidade de prevenção de acidentes, permitindo identificar comportamentos de risco, acompanhar sinais de fadiga dos condutores, aprimorar a fiscalização e tornar a gestão do tráfego mais eficiente. Recursos como câmeras inteligentes, videotelemetria, sistemas de assistência ao motorista e tecnologias de pesagem em movimento representam uma nova geração de ferramentas que podem contribuir para rodovias mais seguras.

Esse debate precisa avançar também em Mato Grosso, um estado com dimensões continentais e uma das maiores movimentações logísticas do país, onde investimentos em inovação devem ser tratados como prioridade para preservar vidas e melhorar a eficiência do transporte.

O debate sobre concessões é legítimo, necessário e saudável. Mas ele precisa estar fundamentado em informações, dados e transparência. Quando a sociedade compreende como esse modelo funciona, torna-se mais fácil avaliar seus desafios, fiscalizar sua execução e reconhecer os benefícios que ele pode proporcionar para a infraestrutura e para o desenvolvimento das regiões atendidas.

Mais do que administrar uma rodovia, uma concessionária tem a responsabilidade de garantir que ela continue cumprindo sua função de conectar pessoas, impulsionar a economia e contribuir para o crescimento sustentável das cidades que dependem dela.

*Luiz Sette é diretor-presidente da Rota dos Grãos, empresa responsável pela concessão da MT-130, que liga Primavera do Leste à Paranatinga

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