Artigo
HMC – Quatro anos da materialização de um sonho
Autor: Emanuel Pinheiro*
Acreditar e trabalhar para acontecer. Foi assim, que eu e minha equipe fizemos o sonho sair do papel e se materializar com a criação do Hospital Municipal e Pronto-Socorro “Dr Leony Palma de Carvalho”, em 28 de dezembro de 2018, com a entrega da estrutura física.
Foi a partir desta data, que a nossa gente recebeu o que tanto esperava: mais humanização da saúde pública, para pacientes de Cuiabá e de municípios do interior do estado de Mato Grosso, pois aqui todos são acolhidos.
O HMC não representa apenas o avanço na área da saúde, mas sim o respeito e a dignidade com a vida humana. Com a implantação de serviços nunca existentes no Sistema Único de Saúde (SUS), padrão hospital privado para as famílias baixa renda, que não dispõem de um plano particular de saúde.
O HMC é pioneiro no tratamento com oxigenoterapia hiperbárica, considerado o divisor de águas na medicina, porque evita amputações e sequelas em decorrência de queimaduras e traumas.
Além desse serviço, a unidade oferece muitos outros que são referências no estado de Mato Grosso. Como o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) e o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATOX), ambos funcionam dentro do HMC.
Com a criação do Hospital Municipal de Cuiabá, os setores evoluíram na qualidade dos serviços prestados, com incremento dos recursos humanos, melhoria estrutural, mobiliários, aumento no número de profissionais e melhoria das bases de informações.
Outro destaque do HMC é o heliponto, para receber com mais rapidez pacientes vítimas das mais diversas patologias, que estão distantes. Além de facilitar o transporte de órgãos para a realização de transplantes em outras localidades. Em Mato Grosso, somente o Hospital Municipal de Cuiabá tem heliponto.
Na parte tecnológica, a hemodinâmica é um equipamento raro nos hospitais públicos, mas é disponibilizado no HMC, e vem salvando vidas de pacientes provenientes de patologias neurológicas.
Além deste, todos os equipamentos do HMC são de última geração e servem para realizar vários outros exames como a tomografia computadorizada, raio x, ultrassonografia, eco doppler, endoscopia, colonoscopia, serviços laboratoriais de análises clínicas e modernos centros cirúrgicos.
Tenho muito orgulho de mudar o cenário da saúde pública com a ampliação de novos leitos hospitalares e o aumento da capacidade de atendimento. A estrutura do HMC compreende 315 leitos, sendo 225 leitos de enfermaria adulto, 30 leitos de enfermaria pediátrica, 50 leitos de UTIs adulto e 10 leitos de UTIs pediátricos.
Nesses quatro anos de existência, o HMC carrega consigo o título de mais novo e moderno hospital de Mato Grosso e um dos três melhores hospitais públicos do país, segundo o Ministério da Saúde, no quesito infraestrutura. A unidade hospitalar é referência em ortopedia, traumatologia, neurocirurgia e cirurgias em gerais. E são mais de 10 especialidades médicas no ambulatório para atender a nossa querida população.
Como gestor, sinto-me realizado, pois quando assumi a prefeitura de Cuiabá, em 2017, priorizei a saúde da nossa gente já que o antigo pronto-socorro não possuía estrutura adequada. E a construção de um novo hospital e pronto-socorro foi necessária para humanizar o atendimento das pessoas.
Estou feliz, por deixar o meu legado para a minha querida Cuiabá, com a ampliação da oferta dos serviços, que resultou na redução da fila de espera por consultas e cirurgias eletivas.
Dedico o HMC a toda a nossa gente, e divido o aniversário do Hospital Municipal de Cuiabá, parabenizando toda a gestão municipal, a diretoria da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, que gere o hospital, bem como os servidores da unidade que tanto se dedicam em prol dos usuários do SUS.
Esses quatro anos de entrega da obra física do HMC é a celebração da minha gestão, e a conquista é de todos nós.
*Emanuel Pinheiro, prefeito de Cuiabá.
Artigos
O legado da ingratidão
Autora: Kamila Garcia* –
Caminhar pelo mundo tem se tornado, cada vez mais, uma experiência estranhamente árida de gentileza. O que antes era regra — o bom senso, a educação, a cordialidade — hoje parece ter sido relegado a um passado distante, como um hábito antigo que já não encontra espaço na pressa dos dias atuais. Fica a sensação de que valores essenciais deixaram de ser transmitidos de geração em geração, substituídos por um vazio crônico de reconhecimento e reciprocidade.
Expressões simples como “bom dia”, “como você tem passado?” e “obrigado” perderam sua naturalidade. Tornaram-se raras, quase protocolares. A empatia, por sua vez, deixou de ser uma prática cotidiana e passou a ser celebrada como exceção, quando deveria ser o mínimo nas relações humanas. Essa desconexão pavimenta o caminho para que o esquecimento do outro se torne a norma.
Vivemos tempos de aparências. Sorrisos são distribuídos com facilidade em encontros sociais, mas nem sempre carregam verdade. Dentro das famílias, multiplicam-se os silêncios incômodos, as ironias veladas, os julgamentos não ditos — ou, pior, ditos apenas na ausência de quem deveria ouvi-los. Falta coragem para o diálogo honesto, mas também falta sensibilidade para dizer a verdade sem ferir.
Falar exige responsabilidade. Há quem se expresse por impulso, sem medir consequências, e há quem se cale por medo do desconforto. No entanto, entre o excesso e a omissão, existe um ponto de equilíbrio: o da consciência emocional. Como afirmou o psicólogo Carl Rogers, “o curioso paradoxo é que, quando me aceito como sou, então posso mudar“. Antes de apontar o outro, é preciso olhar para si e compreender o que nossas palavras revelam sobre nós.
A palavra tem força. Ela pode acolher ou ferir, construir ou destruir, aproximar ou afastar. Por isso, é inevitável a reflexão: até onde vai a sua fala? Que marcas você deixa nas pessoas com aquilo que diz — ou com aquilo que escolhe não dizer?
Há quem se comunique por cansaço, quem o faça por carência, quem transborde por amor e quem ecoe pela ausência dele. Existem os que cultivam a gratidão como prática diária — e estes não precisam de discurso, pois sua atitude já comunica tudo. Mas há também aqueles que carregam na língua o peso da ingratidão.
A ingratidão é corrosiva. Ela desvaloriza gestos, rompe vínculos e esvazia relações. Diferente dos conflitos — que, quando bem conduzidos, podem fortalecer laços —, a ingratidão destrói de forma silenciosa e contínua.
Afastar-se de quem age assim não é fraqueza, é autocuidado. Porque não há solidão em quem escolhe a paz em vez de permanecer onde há desrespeito. Ingratidão não é cultura, tampouco traço inevitável de personalidade. É uma escolha. E o bom senso, ao contrário do que muitos pensam, não deveria ser negociável.
No fim, o verdadeiro legado que deixamos não está apenas nas palavras que pronunciamos, mas nas marcas emocionais que construímos ao longo da vida. E essas, inevitavelmente, permanecem.
*Kamila Garcia é bacharel em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, com pós-graduação em Psicanálise. Atualmente é estudante de Psicologia.
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