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ENCONTRO NACIONAL DAS PASTORAIS DA ECOLOGIA INTEGRAL

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Autor: Juacy da Silva*

A crise climática não é uma ameaça distante, mas um desafio presente. Os efeitos da mudança climática são devastadores. Eventos climáticos extremos, como enchentes, secas e tempestades tropicais, estão aumentando em frequência e gravidade Os povos menos desenvolvidos, em particular, estão sofrendo os efeitos devastadores. Em um segundo discurso, apelo em favor dos povos indígenas: contra eles “formas de violência” que exigem ação urgente“. Pronunciamento do observador do Vaticano na Assembleia Geral da Onu em Nova York, 16/10/2024

Com o objetivo de refletir sobre a caminhada das Pastorais da Ecologia Integral do Brasil, a Articulação das referidas Pastorais estará promovendo um Encontro Nacional, no formato virtual/online, aberto tanto `as pessoas que já estejam engajadas em atividades pastorais sociais da Igreja Católica e outras Igrejas Evangélicas e, também, `as pessoas interessadas em participarem de uma forma mais ativa no cuidado com a Casa Comum, nosso Planeta Terra que sofre um processo intenso de degradação ambiental, que a todos e todas afeta.

A Pastoral da Ecologia Integral insere-se no contexto das Pastorais Sociais e das Ações sociotransformadoras que, para a CNBB (para a Igreja).

Entendemos por Pastoral Social, no singular, a solicitude de toda a Igreja para com as questões sociais. Trata-se de uma sensibilidade que deve estar presente em cada diocese, paróquia, comunidade; em cada dimensão, setor e pastoral; na catequese, na liturgia e nas iniciativas ecumênicas; enfim, deve estar presente nas comunidades eclesiais de base, nos movimentos. Em outras palavras, deve ser preocupação inerente a toda ação evangelizadora. Pastorais Sociais, no plural, são serviços específicos a categorias de pessoas e/ou situações também específicas da realidade social, econômica ou política. Constituem ações voltadas concretamente para os diferentes grupos ou diferentes facetas da exclusão social, tais como, por exemplo, a realidade do campo, da rua, do mundo do trabalho, da mobilidade humana, e assim por diante. O Setor Pastoral Social, por sua vez, integrado na dimensão sócio-transformadora, linha 6 da CNBB, tem duplo caráter: por um lado, representa uma referência para toda a ação social da Igreja, em termos de assessoria, elaboração de subsídios e reflexão teórica. Por outro lado, é um espaço de articulação das Pastorais Sociais e Organismos que desenvolvem ações específicas no campo sócio-político“.

É bom também relembrar que o Papa Francisco inclui o conteúdo da Encíclica Laudato Si, como parte da Doutrina Social da Igreja, sendo que, neste sentido, a Pastoral da Ecologia Integral não é mais uma pastoral, como muitos podem imaginar, mas uma pastoral integradora, de conjunto, pois as questões e desafios socioambientais perpassam todas as dimensões da vida humana e suas relações com as demais obras da criação.

Este será o III Encontro Nacional das Pastorais da Ecologia Integral que terá início no dia 25 de Novembro e vai até 01 de dezembro próximos e deverá abordar diversos temas super importantes e atuais para a compreensão dos desafios socioambientais que estamos enfrentando, principalmente, esta grave crise climática, cujas consequências são, a cada dia, mais sérias e desastrosas.

O primeiro Encontro das Pastorais Ambientais (esta era o denominação na época) aconteceu entre os dias 31 de Maio e 28 de Junho de 2020, em dez eventos sobre temas relacionados com as questões ambientais/ecológicas.

O Segundo Encontro, já com a denominação de Pastorais da Ecologia Integral aconteceu entre os dias 26 e 30 de Setembro de 2021, de forma virtual, em pleno período da pandemia da COVID-19 e, nem por isso, deixou de aprofundar as discussões e reflexões sobre os principais temas socioambientais que continuam nos desafiando há mais de meio século, desde a Primeira Conferência Mundial de Desenvolvimento e Meio Ambiente em 1972,

Finalmente estamos chegando a este IIII Encontro das Pastorais da Ecologia Integral que acontecerá a partir desta próxima segunda feira, 25 de Novembro até 01 de Dezembro próximos, todas as noites, com início `as 20h – horário de Brasília/Rio de Janeiro e término por volta das 21h30 min, totalmente gratuito e será transmitido pelo Canal das Pastorais da Ecologia Integral no YouTube e demais redes sociais das Pastorais, reforçando que será totalmente aberto `a todas as pessoas interessadas nas questões socioambientais, podendo ser acessado pelo “link” https://www.youtube.com/@pastoraisecologiaintegraldobr

Os temas a serem abordados, tanto na forma de Mesas de Reflexões e Diálogos, relatos de experiências e principais desafios que tem sido enfrentados, culminando com uma Assembleia Geral virtual, visando definir os rumos e principais passos da caminhada das Pastorais da Ecologia nas diversas Arquidioceses, Dioceses e Paróquias nas existentes nas diversas regiões do Brasil e, também, procurando estimular a organização de novas pastorais da ecologia integral nas localidades em que as mesmas ainda não existem.

Cabe destacar também que ao longo das ultimas duas ou três décadas a CNBB tem selecionado determinados aspectos da ecologia integral, como as questões da água, da terra, dos povos indígenas, da Amazônia, a defesa dos biomas brasileiros, enfim, a defesa da vida e das obras da criação como temas da Campanha da Fraternidade.

A próxima Campanha da Fraternidade a ser realizada na Quaresma de 2025, ano em que estaremos celebrando DEZ ANOS da publicação da Encíclica LAUDATO SI, em que o Papa Francisco faz um alerta e, ao mesmo tempo, uma exortação quanto `a responsabilidade e o papel tanto dos Cristãos Católicos e evangélicos quanto fiéis das demais religiões em relação aos desafios socioambientais, enfatizando que “tudo está interligado nesta Casa Comum” e que o Grito da Terra é também o clamor e grito dos pobres e excluídos, o tema será FRATERNIDADE E ECOLOGIA INTEGRAL, que oferecerá uma ótima oportunidade para que no Brasil Inteiro essas questões sejam analisadas, debatidas, seguindo o Método da Igreja: Ver, Julgar e Agir.

Em todas as etapas do Método, principalmente no AGIR, a presença e as ações das Pastorais da Ecologia Integral, bem como outras pastorais, organismos e movimento são fundamentais, para que a Igreja, como Instituição e, também, como corpo de fiéis possa, de fato enfrentar os desafios socioambientais e também contribuir para o Magistério do Papa Francisco em relação ao Cuidado com a Casa Comum.

Além disso em 2025 estaremos comemorando os 800 anos do Cântico das Criaturas, de São Francisco de Assis e o Brasil vai sediar também, em Belém, Estado do Pará, a COP 30, Conferência do Clima da ONU e a Igreja Católica, estará participando desses eventos, reforçando a importância das questões socioambientais para o futuro de nosso País e de nosso Planeta, enfim, para o futuro de todas as formas de vida, inclusive da vida humana que estão seriamente sendo afetadas.

A programação deste IIII Encontro Nacional das Pastorais da Ecologia integral será a seguinte:

25/11 – Abertura e primeira Mesa de Reflexão e diálogo, a cargo da Região Sudeste tendo como tema A Igreja no Brasil e as mudanças climáticas; 26/11 segunda mesa de reflexão e diálogo e o tema será Os movimentos eclesiais na militância pela ecologia integral no Brasil, sob a responsabilidade da Região Sul; nos dias 27 e 28/11 serão apresentadas as Experiências da Igreja do Brasil no combate `as mudanças climáticas – nossas lutas diárias e a mobilização da sociedade, a cargo de todas as regiões; no dia 29/11 a mesa de reflexão e diálogo, estará sob a responsabilidade da Região Centro Oeste e o tema será Formação Eclesial e o Cuidado com a Casa Comum.

Nos dias 30/11 e 01/12 deverá ser realizada a Assembleia da Articulação das Pastorais da Ecologia Integral do Brasil e a solenidade de Encerramento deste III Encontro.

Para participar deste III Encontro da Articulação das Pastorais da Ecologia Integral, reforçando, totalmente gratuito, basta inscrever-se utilizando este “link” https://docs.google.com/forms/d/1PfHSbQcelfuFCE_bDv3w1tqq8bPGqUBp7Ff0fZg0D6E/edit?usp=drivesdk

O Cuidado efetivo com a Casa Comum está assentado sobre três fundamentos: Espiritualidade Ecológica; Ações Sociotransformadoras e a também necessária Mobilização Profética, uma trilogia que pode salvar o Planeta de uma destruição total.

É importante, fundamental, imprescindível que façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para despertar a consciência socioambiental entre todas as pessoas e também nas diversas organizações governamentais e não governamentais, insistindo que precisamos substituir os paradigmas de morte que embasem os atuais sistemas e modelos econômicos, sociais e políticos por novos paradigmas que representam uma economia da vida, fundamento para sociedades justas, solidárias e inclusive.

É neste contexto que surgem as Pastorais da Ecologia Integral, vale a pena participar!

*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, articulador da Pastoral da Ecologia Integral.

– E-mail: [email protected]
– Instagram @profjuacy
WhatsApp 65 9 9272 0052

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Canetas para emagrecimento podem ajudar a reduzir o risco de câncer?

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Autora: Mariana Ramos*

As chamadas “canetas para emagrecimento” vêm transformando o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Mas os benefícios desses medicamentos podem ir além da perda de peso. Estudos recentes sugerem que eles também podem estar associados à redução do risco de alguns tipos de câncer relacionados à obesidade, uma hipótese que tem despertado crescente interesse entre pesquisadores de todo o mundo.

Inicialmente desenvolvidos para o controle do diabetes tipo 2, fármacos como a semaglutida e a tirzepatida ganharam destaque mundial pela capacidade de promover perda de peso significativa e melhorar diversos indicadores metabólicos.

Agora, uma nova frente de pesquisas vem ganhando destaque: a possibilidade de que esses medicamentos também contribuam para reduzir o risco de alguns tipos de câncer relacionados à obesidade.

A relação entre obesidade e câncer já é amplamente conhecida pela medicina. O excesso de gordura corporal está associado a um estado de inflamação crônica de baixo grau, alterações hormonais e resistência à insulina, fatores que podem favorecer o desenvolvimento de diferentes tipos de tumores.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade está relacionada ao aumento do risco de pelo menos 13 tipos de câncer, incluindo câncer de mama pós-menopausa, intestino, fígado, rim, pâncreas e endométrio.

Nesse contexto, pesquisadores passaram a investigar se os medicamentos capazes de promover perda de peso expressiva também poderiam contribuir para reduzir esse risco.

Estudos observacionais publicados nos últimos anos apontaram que pacientes tratados com agonistas do receptor de GLP-1, grupo ao qual pertence a semaglutida, apresentaram menor incidência de alguns cânceres associados à obesidade quando comparados a indivíduos com características semelhantes que não utilizaram essas medicações. Em uma análise apresentada no congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO) em 2025, envolvendo mais de 170 mil adultos com obesidade e diabetes, pessoas que utilizaram essas medicações apresentaram menor risco de desenvolver cânceres relacionados à obesidade quando comparadas àquelas que utilizavam outros medicamentos para o diabetes.

Além da perda de peso, os pesquisadores avaliam a hipótese de que esses medicamentos possam exercer efeitos biológicos adicionais, como a redução de processos inflamatórios, melhora da sensibilidade à insulina e modulação de mecanismos metabólicos que influenciam o crescimento celular.

Entretanto, é importante destacar que ainda não existem evidências suficientes para afirmar que esses medicamentos previnem câncer de forma direta. A maior parte dos dados disponíveis é baseada em estudos observacionais, que demonstram associações, mas não estabelecem necessariamente uma relação de causa e efeito.

Especialistas ressaltam que serão necessários estudos clínicos de longo prazo para confirmar se a redução do risco observada está relacionada exclusivamente à perda de peso ou se existe algum mecanismo protetor específico proporcionado pelos medicamentos.

Outra área que desperta interesse científico é o possível impacto dessas terapias em pacientes já diagnosticados com câncer. Pesquisas preliminares investigam se a melhora do perfil metabólico e a redução da inflamação poderiam influenciar positivamente a resposta a determinados tratamentos oncológicos. No entanto, essa hipótese ainda está em fase inicial de investigação e não faz parte das recomendações clínicas atuais.

O que já se sabe com segurança é que combater a obesidade representa uma das estratégias mais importantes para a prevenção de doenças crônicas. Além de reduzir o risco cardiovascular, melhorar o controle glicêmico e aumentar a qualidade de vida, a perda de peso também está associada à diminuição de fatores que contribuem para o desenvolvimento de diversos tipos de câncer.

Por isso, o surgimento de tratamentos cada vez mais eficazes para a obesidade representa um avanço relevante para a saúde pública. À medida que a obesidade é reconhecida como uma doença crônica complexa e um importante fator de risco para diversas enfermidades, incluindo o câncer, torna-se ainda mais evidente a importância de ampliar o acesso a tratamentos eficazes e baseados em evidências.

Mais do que uma questão estética, o controle do peso corporal deve ser compreendido como parte fundamental da prevenção de doenças e da promoção da longevidade.

A ciência continua investigando os possíveis benefícios adicionais dessas medicações. Os resultados iniciais são promissores, mas ainda exigem cautela, acompanhamento e validação por novos estudos.

Embora ainda não possam ser considerados medicamentos para prevenção do câncer, os agonistas de GLP-1 vêm ampliando a compreensão sobre os impactos do tratamento da obesidade na saúde a longo prazo. Se os resultados observados até agora forem confirmados por estudos futuros, poderemos estar diante de mais um benefício relevante dessas terapias que já revolucionaram o tratamento da obesidade.

Até lá, a principal mensagem permanece a mesma: prevenir e tratar a obesidade é investir em mais saúde, qualidade de vida e proteção contra inúmeras doenças.

*Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT.

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