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A empresa precisa de mais funcionários!

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Autora: Cynthia Lemos*

Eu estava passando pela sala quando, ao lançar meu olhar à TV, vi uma cena que me chamou a atenção. Era um menino com seus oito ou nove anos de idade, em frente a um grande relógio, aberto, e naquela cena específica ele tirava suas peças, observava e separava.

Ao seu lado estava a amiga, também praticamente da mesma idade, ora distraída, ora observando o menino na sua ação concentrada em frente ao relógio.

Neste momento, resolvi me sentar em frente à TV e observar mais um pouco, achei interessante aquela cena de um menino, tão concentrado e envolvido naquela atividade tão adulta.

Depois entendi: o filme era de um menino apaixonado por relógios, vindo de uma família de relojoeiros, o que explicava aparentemente tamanha habilidade com tão pouca idade.

De repente, Hugo, o menino, retira mais uma peça, desta vez pequenininha, quando comparada ao porte do relógio, e ele vibra em tom alto:

— Achei! Achei a peça que estava travando!

A amiga, distraída, retoma o olhar ao amigo e um tanto confusa e curiosa, após tantas horas de dedicação ao relógio desmontado, fala de forma indignada:

— Não acredito! Não pode ser! Como? Uma pecinha desse “tamaninho” pode estar a travar um relógio desse “tamanhão”.

— Toda peça importa — ele responde.

Hugo posiciona a pequena peça no centro da palma da mão e, ao observar mais alguns segundos em silêncio, complementa:

— Agora minha missão é tentar reparar, se não tiver jeito, terei que trocar.

Ali fiquei pensativa e divaguei, já desconectada do filme que seguiu mais alguns minutos com o enredo da história.

E eu segui em pensamento com a minha. Ali estava a representação precisa do significado da palavra funcionário, que tem como objetivo fazer a empresa funcionar.

No sentido racional da palavra, ali havia a representação da importância de cada função na empresa, o motivo estrutural pelo qual você foi contratado para suprir.

A mesma cena poderia representar também essas funções com seus devidos processos a serem seguidos e que, com as mudanças do mercado, são modelos que precisamos repensar.

Se você hoje está contratado para exercer uma função, esteja atento em sua utilidade e entrega a fazer. Vejo vários profissionais e muitos gestores a colocar peixe para subir em árvore e macaco para nadar no mar, trazendo com o passar do tempo sérios problemas em relação a entregas, com falta de foco e produtividade. Esteja atento a quais funções sua empresa precisa, como deve ser o perfil e habilidade de cada profissional que irá exercê-la e, principalmente, qual ou quais resultados você deve ter.

Tudo que vier a mais, depois, em prol da proatividade, oportunidade de crescimento, motivação, só faz sentido depois da entrega da função principal ter sido realizada com bom resultado. O que vem depois só terá real valor se o básico e necessário da função for entregue bem-feito.

Pode até ser interessante o peixe subindo na árvore, o macaco nadando no mar, sendo atrativo, curioso, chamando atenção, mas isso nós já sabemos, com o passar do tempo, não vai além de uma boa surpresa que causou entretenimento, percebido depois como tal. Consegue ser bonito, legal e interessante no começo, porém não se sustenta no tempo. Não tem jeito, como empresa precisamos conectar talento com necessidade funcional e entrega com resultado.

*Cynthia Lemos é Psicóloga Empresarial e Coach na Grandy Desenvolvimento Humano. Especialista no Desenvolvimento de Líderes e Empresas tem a missão de: Expandir a Consciência e Gerar Ações Transformadoras – para pessoas e empresas que desejam evoluir em seus projetos e objetivos.

Email: [email protected]

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Artigos

O que pode estar por trás dos bloqueios emocionais

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Autora: Adriana Braz de Oliveira*

Você já sentiu uma tristeza que não sabia explicar? Uma angústia que parecia não ter origem? Ou talvez um padrão que se repete na sua vida, nos relacionamentos, no trabalho, nas escolhas, e que, por mais que você tente mudar, insiste em aparecer? Pois bem, pode ser que essa história tenha começado muito antes de você.

Partimos de uma premissa simples, mas profunda: não somos ilhas. Somos o resultado de tudo aquilo que vivemos, sim, mas também do que as gerações antes de nós viveram e não conseguiram elaborar completamente. Lutos que não foram chorados, segredos que ficaram guardados, pessoas que foram excluídas da família, traumas que ficaram sem amparo. Tudo isso não desaparece com o tempo, mas circula, de forma silenciosa, dentro do sistema familiar — e pode aparecer na vida dos descendentes como ansiedade sem nome, bloqueios inexplicáveis ou relacionamentos que nunca fluem.

Não se trata de culpar os nossos ancestrais. Muito pelo contrário. Trata-se de compreender que o que sentimos nem sempre começou em nós. E que ao trazer luz para essas dinâmicas, deixamos de repetir automaticamente e passamos a ter escolha.

Podemos pensar, por exemplo, no impacto da ausência paterna na vida de uma pessoa. E aqui é importante entender que ausência não significa apenas não estar presente fisicamente. Um pai pode estar em casa todos os dias e, ainda assim, ser emocionalmente distante, indisponível, desconectado.

Quando a paternidade não vem acompanhada de vínculo real, isso deixa marcas. O filho pode crescer com dificuldade de se sentir pertencente ao mundo, de confiar em si mesmo, de se realizar profissionalmente ou de construir relacionamentos saudáveis. Muitas vezes, passa a vida tentando preencher esse vazio em outros lugares: em parceiros, em conquistas, na busca por aprovação.

No entanto, a ideia não é forçar uma reconciliação artificial com esse pai. Mas algo ainda mais transformador: dar um lugar interno a essa figura, com todas as suas limitações humanas, para que o filho possa, finalmente, seguir em frente sem carregar esse peso. E é justamente aqui que surge um dos maiores equívocos sobre o processo de transformação: a crença de que, para se libertar, é preciso cortar os vínculos com o passado. Que para ser livre, é necessário esquecer, romper, rejeitar.

Quando tentamos fugir da nossa história com raiva ou repúdio, continuamos presos a ela, só que de outro jeito. A rejeição também é uma forma de emaranhamento. E a repetição continua, muitas vezes com polaridade invertida. A verdadeira liberdade começa quando paramos de fugir e passamos a olhar. Quando nos permitimos ver nossa origem como ela realmente foi, sem idealizações e sem condenações. Quando conseguimos dizer internamente: “você é meu pai, você é minha mãe, e eu recebo a vida que vocês me deram.” Não porque o passado foi perfeito, mas porque ele foi real. E porque, ao aceitá-lo, abrimos espaço para que a vida possa, finalmente, fluir.

Diferenciar-se não é apagar de onde viemos. É honrar as raízes com consciência, deixar com cada um o peso que lhe pertence, e assumir com coragem e leveza o próprio lugar no mundo. Esse é o caminho proposto: não o de quem foge, mas o de quem integra, escolhe e segue.

*Adriana Braz de Oliveira é psicóloga, doutora em Psicologia da Saúde, especialista em Psicologia Transpessoal e autora do livro PsiConstelação.

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