Search
Close this search box.

Artigos

Emanuel Pinheiro: Adeus, Jejé de Oyá

Publicados

em

                                Adeus, Jejé de Oyá

Por Emanuel Pinheiro
 

Esse artigo pretende homenagear um dos principais ícones da cuiabania dos últimos tempos. O nosso inesquecível José Jacinto de Arruda, o querido Jejé de Oyá. Nascido em Rosário Oeste, na cabeceira do Rio Cuiabá, foi acolhido ainda pequeno pela tradicional família cuiabana.

emanuel pinheiro 2 artigoTrata-se de um personagem que há poucos anos foi escolhido em uma eleição realizada pelo jornal Diário de Cuiabá como a figura mais expressiva da identidade cuiabana, simbolizando a cara de Cuiabá. Ele conseguiu retratar o que há de mais essencial do povo cuiabano através do gesto simples e carismático. 

Jejé é comparado a ícones da nossa cultura como Maria Taquara, Zaramela, Zé Bolo Flô, Ezequiel de Siqueira, Mãe Bonifácia, Candi, Maria Perna Grossa, entre tantos outros. Todos simbolizavam o que há de melhor da cuiabania, mas também grande parte da memória viva de uma Cuiabá, que vivia com plenitude a sua identidade.

Leia Também:  Elizeu Nascimento: - Coronavírus ou Covid-19

Desde criança me deparei com a figura bem humorada e alegre, que o acompanhava por meio de circunstâncias de bondade, amor, fé, humildade e carisma. As suas túnicas, os seus colares, o seu jeito afrodescendente fazia parte de uma sociedade conservadora que não se opunha tamanha autenticidade.

Jejé de Oyá foi verdadeiro no seu posicionamento cultural, racial, no gênero e na orientação sexual. Foi pioneiro no Colunismo Social da capital. Ele quebrou paradigmas dentro da sociedade conservadora por ser além de homem, negro e homossexual, ganhando destaque profissional.

Quando prestamos essa homenagem estamos reverenciando o comportamento social de uma geração. Ele era figura requisitada em casamentos, festas de aniversários e festividades dos tradicionais clubes Dom Bosco, Dom Bosco Feminino, Nâutico, entre outros, bem como as madrugadas do Sayonara e dos tradicionais bailes carnavalescos.

Com certeza as tardes cuiabanas aos arredores da Igreja da Boa Morte, no Centro de Cuiabá, sentirão saudades das caminhadas do irreverente Jejé de Oyá. Infelizmente, perdemos um pouco da nossa identidade, das nossas referências.

Leia Também:  O barulho em torno do criado-mudo

Talvez ele não soubesse a dimensão do seu prestígio e do seu talento. Ora, ele morreu com toda a certeza sem saber o quanto foi imprescindível para formação da cultura popular mato-grossense, em especial, de Cuiabá e firmar o Colunismo Social nos patamares dos dias atuais.

Adeus ícone da nossa cuiabania. Obrigado por tudo que representou para gerações de cuiabanos. Tive o privilégio de conhecê-lo e hoje tenho a alegria de homenageá-lo.  Que a sua característica ímpar inspire novos talentos culturais na Terra de Rondon.
 
Afinal, quem não conheceu Jejé e não teve o privilégio da sua convivência perdeu uma boa parte da história de Cuiabá e Mato Grosso. Vá em paz Jejé de Oyá um marco da cultura popular cuiabana e mato-grossense!

Emanuel Pinheiro é deputado estadual pelo Partido da República em Mato Grosso

Propaganda
Clique para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

Artigos

Pedágio, investimentos e desenvolvimento: o que está por trás de uma concessão rodoviária

Publicados

em

Autor: Luiz Sette*

Transferência da gestão para a iniciativa privada não significa perda do patrimônio público, mas sim a garantia de investimentos contínuos

É preciso desmistificar algumas percepções já consolidadas quando o assunto são as concessões rodoviárias. Muitas pessoas acreditam que, ao conceder uma rodovia à iniciativa privada, o Estado está automaticamente “vendendo” aquele patrimônio público para uma empresa. Na prática, não é isso que acontece.

Quando uma rodovia é concedida, o poder público continua sendo o proprietário da infraestrutura. O que ocorre é a transferência da responsabilidade pela operação, manutenção e realização de investimentos para uma empresa privada durante um período determinado, seguindo regras, metas e obrigações previamente estabelecidas em contrato.

E é impossível falar sobre concessões sem abordar um tema que costuma gerar debates: o pedágio. É importante esclarecer que a tarifa não representa uma fonte automática de lucro para a concessionária. Os recursos arrecadados são destinados à manutenção permanente da rodovia, recuperação do pavimento, conservação da sinalização, atendimento aos usuários, operação de ambulâncias e guinchos, monitoramento do tráfego, ampliação da capacidade da via e ao cumprimento de uma série de exigências ambientais e operacionais previstas contratualmente.

A experiência da MT-130 ajuda a ilustrar essa realidade. Desde o início da concessão, em 2021, a Rota dos Grãos já investiu mais de R$ 234,4 milhões em manutenção, recuperação e ampliação da capacidade da rodovia, além da implantação de sistemas operacionais e de gestão ambiental. São investimentos que contribuem diretamente para a segurança dos usuários, a eficiência logística e o desenvolvimento regional.

Também é importante lembrar que uma rodovia não funciona apenas quando há obras em andamento. Ela exige atenção permanente, 24 horas por dia, sete dias por semana. Isso significa manter equipes de conservação em campo, equipamentos disponíveis para emergências, monitoramento constante, atendimento médico, guinchos e uma estrutura operacional preparada para responder rapidamente a qualquer ocorrência. Tudo isso demanda planejamento e investimentos contínuos.

No caso da MT-130, os resultados vão além da própria infraestrutura. Uma rodovia em melhores condições reduz custos de transporte, aumenta a segurança viária, melhora a mobilidade da população e fortalece a competitividade de setores fundamentais para a economia mato-grossense, como o agronegócio. Trata-se de um investimento que gera reflexos positivos para produtores, transportadores, empresas e comunidades inteiras.

Não poderia deixar de destacar ainda que a segurança viária é uma construção coletiva. A concessionária tem o papel de garantir uma infraestrutura adequada, sinalização eficiente, atendimento aos usuários e uma operação preparada para diferentes situações, mas cada pessoa que utiliza a rodovia também contribui diretamente para um trânsito mais seguro. Atitudes conscientes, respeito às normas de circulação e a adoção de práticas responsáveis são fundamentais para preservar vidas e garantir que os investimentos realizados na infraestrutura cumpram seu principal objetivo: tornar as viagens mais seguras para todos.

Por fim, o futuro da segurança viária também passa pela adoção de novas tecnologias que já estão transformando a mobilidade em diferentes regiões do Brasil e do mundo. Soluções baseadas em Inteligência Artificial, Internet das Coisas (IoT), telemetria e sistemas inteligentes de monitoramento têm ampliado a capacidade de prevenção de acidentes, permitindo identificar comportamentos de risco, acompanhar sinais de fadiga dos condutores, aprimorar a fiscalização e tornar a gestão do tráfego mais eficiente. Recursos como câmeras inteligentes, videotelemetria, sistemas de assistência ao motorista e tecnologias de pesagem em movimento representam uma nova geração de ferramentas que podem contribuir para rodovias mais seguras.

Esse debate precisa avançar também em Mato Grosso, um estado com dimensões continentais e uma das maiores movimentações logísticas do país, onde investimentos em inovação devem ser tratados como prioridade para preservar vidas e melhorar a eficiência do transporte.

O debate sobre concessões é legítimo, necessário e saudável. Mas ele precisa estar fundamentado em informações, dados e transparência. Quando a sociedade compreende como esse modelo funciona, torna-se mais fácil avaliar seus desafios, fiscalizar sua execução e reconhecer os benefícios que ele pode proporcionar para a infraestrutura e para o desenvolvimento das regiões atendidas.

Mais do que administrar uma rodovia, uma concessionária tem a responsabilidade de garantir que ela continue cumprindo sua função de conectar pessoas, impulsionar a economia e contribuir para o crescimento sustentável das cidades que dependem dela.

*Luiz Sette é diretor-presidente da Rota dos Grãos, empresa responsável pela concessão da MT-130, que liga Primavera do Leste à Paranatinga

Leia Também:  Antônio Carlos Paz: - Regularizar para avançar
Continue lendo

MAIS LIDAS DA SEMANA