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É HORA DE ACABAR COM AS SACOLAS PLÁSTICAS

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Autor: Juacy da Silva*

O Papa Francisco, há onze anos, quando da publicação da Encíclica Laudato Si já denunciava a poluição pelos plásticos e demais resíduos sólidos ao falar “o mundo, nosso Planeta, a nossa Casa Comum está se tornando uma grande lixeira” e, há poucos anos também o Secretário Geral da ONU, António Guterrez em uma solenidade pelo DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE, alertou o mundo dizendo “em alguns lugares do planeta os oceanos tem mais plásticos do que peixe.

De forma semelhante também o Papa Leão XIV tem insistido quanto `a necessidade de melhor cuidarmos do planeta, alertando-nos, exortando-nos sobre os males da poluição do ar, das águas e dos solos, criticando os lucros vertiginosos de empresas poluidoras e visitando em suas viagens vítimas de despejo ilegal de lixo tóxico e de afetados pelos horrores das guerras.

Em diversas cidades pequenas, médias ou mesmo megalópoles, principalmente na Europa, nos EUA, no Japão e em outros países ou mesmo no Brasil, o uso de sacolas plásticas e embalagens de plástico já foram abolidas, em parte pela mudança de hábitos e estilo de vida espontaneamente por parte da população, através de uma intensa campanha de educação ambiental crítica/libertadora e, também, pela aprovação de Leis locais, estaduais ou nacionais que proíbam ou restrinjam esta prática maléfica que gera uma imensa degradação ambiental.

A crise global dos resíduos plásticos tem movimentado debates internacionais. A produção de lixo plástico superou em 2025, a marca de 475 milhões de toneladas anuais recentemente. O acúmulo de lixo plástico nos solos atinge cerca de 13 milhões de toneladas, enquanto 23 milhões de toneladas acabam indo parar nos oceanos.

Entre 2000 e 2025, a produção mundial de plástico dobrou, saltando de aproximadamente 234 milhões de toneladas para mais de 490 milhões de toneladas anuais. Esse crescimento da produção de plásticos de cerca de 115% superou o crescimento do PIB mundial, que no mesmo período aumentou cerca de 75% em termos reais. Se esta tendência não for barrada com urgência, dentro de poucas décadas, realmente, o mundo vai se transformar em uma grande lixeira planetária, como nos alertou o Papa Francisco na Encíclica Laudato Si.

É importante esclarecer que o plástico é um subproduto do petróleo, um dos combustíveis fósseis que mais contribui para as emissões de gases de efeito estufa que contribuem com o aquecimento global e a crise climática.

Assim, o combate ao uso de sacolas plásticas e todas as embalagens plásticas insere-se na luta pelo fim do uso de combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão) tema central de um Encontro Internacional realizado recentemente na Cidade de Santa Marta, na Colômbia, do qual participaram representantes de diversos países, inclusive do Brasil.

Nosso país é o maior produtor de lixo plástico do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. O Brasil gera mais de 11 milhões de toneladas de lixo plástico por ano, mas a taxa de reciclagem é historicamente muito baixa, girando em torno de 1,2% a 4,5%.

Estima-se que cerca de 40% desse volume de lixo corresponda a plásticos de uso único e descartáveis em poucas horas de uso, como as garrafas pets, as sacolas e embalagens de plástico, perfeitamente aboláveis, substituindo-as por outros materiais reciclados/recicláveis e também pela logística reversa, como já acontece com as embalagens de agrotóxicos.

Um dos problemas mais sérios na atualidade é o LIXO PLÁSTICO que a cada dia aumenta e polui a natureza, entope as bocas de lobo e degrada tudo, principalmente os cursos d’água como os córregos, os rios, as lagoas, os lagos, os mares e oceanos.

Diante disso, a PASTORAL DA ECOLOGIA INTEGRAL, na dimensão de uma Conversão Ecológica, ou seja, mudança de hábitos, costumes e estilo de vida tem insistido na necessidade de ABOLIRMOS AS SACOLAS, as embalagens e os “utensílios” de plástico em todos os lugares, principalmente nas Igrejas e entidades religiosas, em uma demonstração de que cuidados corretamente das obras da criação.

Em nossas formações, treinamentos e reuniões temos insistido para não usarmos nada de plástico, na certeza de que aos poucos precisamos nos educar ambientalmente, nos convertermos ecológica e sócio ambientalmente em diversas frentes da caminhada, incluindo o combate ao consumismo, ao desperdício, adoção de práticas de economia circular, incluindo a separação de nosso lixo doméstico, o reúso do que for possível e a reciclagem, o uso de fontes renováveis de energia e, assim, por diante.

Se todas as pessoas e também todas as organizações públicas e também não governamentais, incluindo empresas privadas, instituições de ensino, IGREJAS e entidades comunitárias despertarem para a necessidade de PRÁTICAS ECOLÓGICAS, que contribuam para uma SUSTENTABILIDADE plena, abrangente, estaremos contribuindo para reduzir a degradação ambiental , a nossa “pegada ecológica“, para reduzirmos os impactos da CRISE CLIMÁTICA, que a cada dia se torna mais insidiosa e grave.

Outro aspecto importante é a necessidade das Câmaras Municipais, das Assembleias Legislativas e do Congresso Nacional aprovarem Leis que proíbam o uso de embalagens, inclusive sacolas de plásticos, e outras medidas que combatam a degradação ambiental.

A Pastoral da Ecologia Integral da Arquidiocese de Cuiabá, tendo em vista sua caminhada e práticas sustentáveis, tem estimulado a substituição de sacolas plásticas por sacolas de algodão ou outros materiais recicláveis/reciclados, da mesma forma que diversas outras Entidades e Coletivos ambientalistas pelo Brasil afora.

Oxalá, as questões e desafios socioambientais possam fazer parte da pauta, das discussões que normalmente acontecem em períodos eleitorais. É muito importante que os candidatos, tanto a cargos eletivos estaduais quanto federais incluam entre suas propostas temas relacionados com o meio ambiente.

Só assim, poderemos construir as bases de políticas públicas voltadas para um melhor cuidado com a ecologia integral, reduzindo os impactos da degradação e destruição do meio ambiente, enquanto é tempo.

Reclamar, gritar, protestar contra o descaso como nossos governantes tratam as questões e problemas socioambientais são formas importantes de mobilização profética, mas, é preciso, é imperioso que os governantes despertem de suas letargias e omissões para esta realidade cruel que está tornando a vida no planeta quase impossível, todas as formas de vida, mas, principalmente, a vida humana!

As eleições estão chegando, mais importantes do que ficarmos “discutindo” nomes, o que realmente importa são as propostas de ação política, principalmente daqueles que serão eleitos

O cuidado com o planeta, nossa Casa Comum, com o meio ambiente, transcende as ideologias, aos partidos políticos, ‘as picuinhas eleitorais e a todas as demais peculiaridades, ao nos omitir diante da destruição ambiental estamos inviabilizando nosso futuro, a partir de nossos territórios. Aqui e agora!

*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.

E-mail [email protected]
Instagram @profjuacy
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A ilusão da escolha

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Autor: Humberto Pimentel*

O debate entre fatalismo e livre-arbítrio é bastante antigo. Rendeu e ainda rende muito material de estudo para a filosofia. Do ponto de vista religioso, há diversas interpretações, a partir do que se acredita ter sido revelado. A psicologia, em diversas abordagens, ocupa-se do tema. Por fim, a neurociência moderna também investiga alguns aspectos dessa dicotomia.

Passemos ao largo desses inesgotáveis mananciais de conhecimento. Tudo pode ser objeto de estudo aprofundado por especialistas e cada uma dessas áreas traz visões contraditórias. A pergunta que nos propomos a fazer é: como pode pensar o ser humano médio, que apenas olha ao redor de si e recebe informações soltas e fragmentadas?

Cada pessoa parte de uma realidade diferente, mas todos estão diante da incerteza do futuro e da provisoriedade do agora. De um lado, o fatalismo sugere que os eventos são inevitáveis; de outro, o livre-arbítrio propõe que o indivíduo é o arquiteto de sua própria história. A forma como se decide viver define desde a resiliência diante de tragédias até a disposição para o planejamento da vida.

Quem abraça o fatalismo tende a adotar uma postura de aceitação, na linha de: “o que tiver de ser, será”. Por outro lado, a crença no livre-arbítrio alimenta a ideia da proatividade, muito em voga hoje, pois as decisões moldariam o futuro. Em um primeiro momento, o fatalismo pode parecer uma visão arcaica e supersticiosa. Não obstante, há evidências científicas de que as ações humanas são determinadas por processos cerebrais inconscientes, a partir de fatores como genética, ambiente e experiências.

Há notícias de profecias autorrealizadas, como no caso de alunos que são levados a acreditar que são mais inteligentes do que a média, que passam a ter melhores resultados do que o grupo de controle. Por outro lado, existe um sem-número de casos em que uma receita pronta de sucesso, testada de modo exaustivo, simplesmente falha diante de um detalhe.

Em suma, para uma pessoa comum, a resposta para esse dilema é sim e não. Pode-se intuir que a vida se passa numa zona cinzenta, fronteiriça, em que estão presentes leis naturais de causa e efeito, mas que pequenos fatores, como o bater das asas de uma borboleta, podem desencadear mudanças significativas em um futuro distante.

*Humberto Pimentel é profissional do Direito, escritor e autor do romance policial “Morte na fronteira”

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