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Dr. Rosário Casalenuovo: – A pedofilia no celibato Católico
A pedofilia no celibato Católico
Por: Dr. Rosário Casalenuovo –
Porque a pedofilia acontece justamente onde seria o lugar mais isento de sexo?
Porque com crianças e jovens, principalmente homens?
Porque este crime bárbaro é tratado apenas com um “puxão de orelha” nos padres, bispos ou cardeais?
Faz quantos anos ou séculos, que isso acontece na história desta Igreja?
Quantos abusadores ou estupradores estão ainda encobertos?
Qual a porcentagem que veio à tona, 1, 10 ou 20%?
Celibato é a condição que a pessoa abdica do casamento e das relações sexuais.
Poderia nem prosseguir o texto, pois apenas as perguntas seriam o bastante. Mas vejo um ponto interessante sobre o celibato clerical católico, que em tese pode ser um refúgio para os autoexcluídos por traumas sexuais na infância. Imaginando uma criança que sofreu abuso sexual ou se depara aos 14 anos com a confusão emocional relacionada a opção sexual, ela oculta o fato dos pais e familiares com medo de revelar e ser condenado por um pai autoritário ou ausente, ou ainda se depara com uma tendência de se tornar um homossexual e ter que enfrentar a todo os conceitos sociais que estão dentro de sua consciência.
Não são todos que possuem a coragem de assumir, até mesmo hoje em dia, cuja sociedade está mais tolerante, imagine 50 ou 100 anos atrás. Exercendo a empatia, se você leitor colocar-se no lugar desta criança com o peso da sociedade hipócrita sanguinária nas costas, encurralado em um quarto escuro de sua mente, se julgando, se condenando, se sentindo culpado e causador de uma decepção ao pai. Sem saída alguma na sociedade e até mesmo na sua própria casa nos braços de sua família, aparece uma porta que o poderia salvar de todo este inferno, estou falando do seminário para a formação de padre.
Uma ilha fora do mundo, protegida, abençoada, onde se tem paz segurança, se fala de Deus, se pratica a bondade. Sexo lá não existe. Desta forma ele sairia ainda com a família se orgulhando de ter um filho na formação de um padre.
No particular tenho dois amigos um homem homossexual que seguiu este caminho, o seminário, procurando este abrigo exatamente pelos motivos descritos acima, mas por acabar se envolvendo com um padre ,segundo ele, pediram para que se afastasse de lá. Também uma uma amiga que foi estuprada aos 10 e depois aos 14 anos, e procurou o convento para fugir deste mundo, que também depois de um tempo optou por encarar a terra.
Alguns dos exilados no celibato acabam por seguir a profissão, mas depois de se tornar adulto e com nome respeitado, se permitem aos prazeres da carne. Acho natural no ser humano a busca do sexo e com ele o amor mais puro e lindo, ou seja, a união entre duas criaturas na vida. Mas até então em uma relação com pessoas adultas,pois com crianças é um crime dos mais sujos, horrendo, uma doença, é como um vampiro que para seu prazer sulga o sangue e mata a criança na sua inocência.
Aqueles que estão em outro extremo do sexo e o abominam devido aos traumas, acabam por definir o rumo de sua vida para fugir, se distanciar, encontrando prazer do ponto negro do círculo da vida.
Não imagino qual a porcentagem dessas crianças vítimas na sociedade que depois procuram o celibato, e ao se tornarem adultos, vestem a batina e revidam o que sofreram com crianças indefesas de abrigos de menores, ou nos seminários.
Acredito que a maioria vá ao seminário por missão e dom, se eximindo do corpo e focando na alma.
Embora frequente outras religiões com muito prazer e respeito, sinto que a igreja católica é minha casa, pois nasci nela e os padres são pais ao pé da palavra. Vejo os padres com muito respeito imaginando neles uma vida dedicada a fazer o bem à humanidade. Mas se eles fazem algum mal no seu particular, pelo menos eu fiz minha parte seguindo na minha inocência ao ver um homem de batina, e quero continuar assim.
Rosário Casalenuovo Júnior é diretor clínico do Instituto Machado de Odontologia; co-autor do livro Cirurgia Ortognática e Ortodôntica; presidente da ABOR-MT (Associação Brasileira de Ortodontia – SEC.MT) Especialista em: Ortondontia (Bioprogressiva e Arco reto); Ortopedia Funcional dos Maxilares Dor Orofacial e Disfunção de ATM Email: [email protected]
Artigos
Pioneiros da Cuiabá-Santarém
Autor: Onofre Ribeiro* –
No último dia 2 de setembro os pioneiros que construíram a rodovia Cuiabá-Santarém na década de 1970, inaugurada em 1976, reuniram-se para comemorar os 50 anos da rodovia. Recebi o convite do pioneiro Walmor Faé e do tenente Antonio Carlos, mas lamentei não poder ir. Tenho profunda admiração por essa rodovia. Especialmente pelo motivo de sua construção e pelo pioneirismo da aventura na floresta desconhecida de Mato Grosso com os meios que se tinha na época.
O encontro dos pioneiros foi na região de São Cristóvão, 40 quilômetros antes de Lucas do Rio Verde. Comemorou-se com uma placa os 50 anos do marco inicial do começo da obra. Depois teve uma homenagem da prefeitura de Lucas do Rio Verde. Visto assim, 50 anos depois, não parece que aquele pioneirismo seja reconhecido aos olhos dos atuais mato-grossenses com o valor estratégico que teve.
A rodovia nasceu da necessidade de se integrar a Amazônia até o porto fluvial de Santarém, dentro do propósito estratégico nacional de ocupar a Amazônia a partir de Cuiabá. O objetivo estava no lema “integrar pra não entregar”. Movimento internacional defendia a tese de que a Amazônia não era só brasileira. O governo militar da época, General Garrastazu Médici, decidiu pela integração da Amazônia.
A obra ficou a cargo do 9º. Batalhão de Engenharia de Construção, oriundo do 3º. Batalhão Ferroviário, de Carazinho-RS. O 9º. BEC levaria a obra até Cachimbo, em Mato Grosso, 793 km. Já o 8º. Batalhão de Engenharia e Construção, sediado em Santarém, no Pará, desceria com a obra do Norte para o Sul e se encontrariam em Cachimbo. Ali foi a inauguração.
Vieram militares do Rio Grande do Sul e uma grande frota de máquinas em cima dos recém-comprados caminhões FNM até Cuiabá. Nas condições inóspitas da obra, morreram 21 pessoas, entre militares e trabalhadores civis. Vi trecho em construção na região da atual Nova Mutum. Era a mais pura aventura.
Ao longo da BR-163 nasceram os municípios de Sinop, Alta Floresta Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Marcelândia, Sorriso, Novo Progresso e Trairão. Esses dois últimos no Pará.
O propósito da integração da Amazônia, acabou mesmo acontecendo. Hoje metade da produção de Mato Grosso escoa-se pelos portos de Miritituba e de Santarém, no Pará, desafogando as rodovias para portos do Sul e Sudeste.
Nos anos de 1970 a Amazônia foi tema europeu e se pretendia abrir uma discussão mundial liderada pela França pela ocupação internacional da Amazônia. Hoje o tema mudou de discurso, mas ainda não morreu. Caso venha a ser levado adiante, serão outros os argumentos e outras as ações internacionais.
Lá atrás um grupo de pioneiros garantiu a abertura da floresta com as máquinas disponíveis e deu à região a soberania que naquele momento corria risco.
Hoje, todos pioneiros de cabelos brancos. Muitos já partiram. Ficou uma história de vidas e de pioneirismo
*Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
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