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Dinheirofobia

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Autor: Francisney Liberato*

Só há medo quando damos importância.

Dentre as várias fobias que existem no mundo, podemos citar: astrofobia: medo de trovões e relâmpagos; claustrofobia: medo de lugares apertados; brontofobia: medo de tempestades; autofobia: medo de ficar sozinho; gamofobia: medo de casamento; demofobia: medo de multidões; aracnofobia: medo de aranhas; criofobia: medo de gelo ou frio etc.

Nesse rol exemplificativo de fobias, temos ainda uma chamada dinheirofobia, que é o medo de falar sobre dinheiro.

As fobias acontecem normalmente por: fatores genéticos, histórico familiar, algum trauma do passado, ou, quem sabe, até do presente. A fobia é o medo de alguma coisa ou circunstâncias.

No livro “Me poupe”, de Nathalia Arcuri, são mencionadas algumas situações dessa fobia:

[…] quando o indivíduo sente vergonha de falar sobre dinheiro, quando tem medo de pedir descontos na aquisição de alguma coisa, quando não consegue dividir a conta quando sai em um jantar, medo das pessoas pensarem que você é um ‘pão-duro’, tem temor de pedir aumento salarial para o seu chefe, pensa que os ricos são maus e corruptos e que os pobres são bons e certinhos. Costuma, ainda, pensar que investir só é possível para quem tem muito dinheiro sobrando, acreditar que Deus ajuda quem tem uma parcelinha para pagar, dentre outros sintomas encontrados nos seres humanos”.

Quanto mais eu falo sobre dinheiro e pesquiso sobre o assunto, é óbvio que terei mais qualidade para fazer bons negócios e saber gerenciar melhor os meus recursos.

Normalmente temos traumas e dificuldades daquilo que conhecemos pouco ou do que nos dispomos a fazer pela primeira vez. Devemos ter paciência para aprimorar a nossa capacidade financeira.

Quando a pessoa tem poucos recursos e ganha um salário mínimo, pode perceber, ela fala sobre dinheiro a todo instante, porém de forma negativa: como a vida tá difícil!”; “não aguento mais pagar contas”; “eu ganho muito pouco e quase não sobra nada”.

Conforme vai passando o tempo e você começa a evoluir, ganhando mais e ocupando cargos de alta patente, parece que o dinheiro sai do seu radar de conversa. Fale positivamente do dinheiro. É preciso falar mais sobre dinheiro para nos aperfeiçoar ainda mais no assunto. Fale sobre dinheiro principalmente quando se está ganhando melhor e realizando todos os seus sonhos e objetivos de vida.

Notícia do site “CNN”, de 12/6/2022, apontou:

Após o ‘sim’, é preciso também falar de boletos. Segundo uma pesquisa realizada pelo IBGE, em 57% dos divórcios realizados no Brasil na última década um dos motivos foi o de problemas financeiros. Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e com o Banco Central do Brasil (BCB), publicada em 2019, apontou que casais não têm o hábito de comentar ou pouco discutem o orçamento da casa: entre os participantes, 21% só tocam no assunto quando a situação financeira não está boa e 15% nem sequer falam sobre isso”.

Devemos ter vergonha, traumas, medos e fobias quando não temos dinheiro para pagar as nossas contas, do contrário, levante a cabeça e expulse esses traumas da sua vida.

Fale sobre dinheiro para buscar soluções para seus problemas. Fale de dinheiro para aprender a ganhar mais. Fale de dinheiro para aprender a gastar. Fale sobre dinheiro para saber lidar com investimentos. O dinheiro é uma bênção na vida das pessoas se for utilizado de forma sábia e inteligente.

Falar bem do dinheiro é importante, em todos os momentos e com todas as pessoas mais qualificadas do que você, até para aprender e absorver mais conhecimentos.

Para entender bem o processo do dinheiro há de ser aprendido desde criança. Mas, se hoje você não é mais uma criança, se quiser, ainda pode aprender sobre inteligência financeira.

É relevante entendermos que há um sacrifício para ganhar dinheiro, por isso deve ser valorizado. Como também, tendo essa informação, devemos ter cautela e zelo ao gastar os nossos recursos já que nem sempre é fácil conseguir.

O medo vai se dissipando a partir do momento que você deseja ressignificar a sua vida. O aprendizado surge quando você está com a mente aberta para aprender sobre dinheiro. E, acima de tudo, estudar e praticar bastante. Fora disso, são apenas fantasminhas que surgem na nossa vida, e que podemos chutá-los para longe de nós.

Organize a sua vida financeira. Fale sobre dinheiro. Aprenda a gerenciar melhor a sua vida. No mais, seja feliz!

*Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas. Escritor. Palestrante e Professor há mais de 23 anos. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Graduado em Administração, Ciências Contábeis (CRC-MT), Direito (OAB-MT) e Economia. Membro da Academia Mundial de Letras.

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Como a redução da jornada e escala de trabalho pode pesar no bolso do cidadão

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Autor: Jorge Gonçalves Filho*

Enquanto os debates em torno da PEC 221/2019, que propõe a redução da jornada e escala de trabalho, concentram-se fortemente nas reações do varejo, da indústria e de suas grandes associações patronais, um impacto profundo e silencioso ameaça o cotidiano da população. Para além das grandes linhas de montagem, há uma vasta cadeia de prestação de serviços essenciais que sentirá o golpe de forma imediata, transferindo o custo diretamente para o bolso do cidadão comum.

O setor condominial é um dos termômetros mais claros desse cenário. De acordo com dados do mais recente Censo Condominial 2025/2026, o Brasil conta com cerca de 327 mil condomínios, que servem de lar para, aproximadamente, 39 milhões de moradores. Dentro dessa estrutura, a mão de obra, composta por vigilantes, porteiros, profissionais de limpeza e zeladores, representa a maior fatia das despesas ordinárias, alcançando cerca de 70% dos custos totais de manutenção.

Estudos setoriais indicam que a adaptação da escala de trabalho às novas exigências da PEC gerará um incremento de 20% a 23% no custo da mão de obra. O reflexo dessa conta é matemático e inevitável: estima-se um aumento médio de 14% na taxa de condomínio.

O impacto social da medida é que para uma parcela significativa dos 39 milhões de residentes, muitos dos quais já enfrentam o endividamento e a perda do poder de compra, esse reajuste pode ser o gatilho para a inadimplência, inviabilizando o pagamento dos boletos mensais de condomínio e desestabilizando a saúde financeira das comunidades.

O governo não poderá dizer que não haverá aumento do custo de vida, incluindo os serviços públicos, os quais, quem paga, são os contribuintes. O texto da proposta deixa explícito o seu alcance sobre os serviços públicos. Conforme estabelece o artigo 9º da PEC: nos contratos celebrados pela administração pública direta e indireta, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, vigentes na data de publicação desta Emenda Constitucional e cuja execução envolva emprego direto de mão de obra, as disposições relativas à redução da duração do trabalho normal serão aplicadas após aditamento contratual para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro.

Na prática a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro significa uma única coisa: as empresas terceirizadas que prestam serviços públicos para condomínios, hospitais, escolas, segurança e órgãos públicos repassarão o custo do aumento da mão de obra. Quem pagará a conta?

Como o Estado não gera riqueza própria, o fechamento dessa conta se dará por duas vias conhecidas: a piora na qualidade dos serviços prestados ou o aumento da carga tributária. No fim, o contribuinte é quem pagará uma conta para a qual não foi consultado, evidenciando que a reforma, se aprovada sem amortecedores econômicos, cobrará um preço alto de toda a sociedade. E o povo precisa saber disto.

*Jorge Gonçalves FilhoPresidente do IDV – Instituto para Desenvolvimento do Varejo

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