OPINIÃO
Carlos Fávaro: – É tempo de fazer mais
É tempo de fazer mais
Autor: Carlos Fávaro –
Preciso me dirigir ao povo de Mato Grosso para, mais uma vez, expressar minha profunda e sincera gratidão pela confiança renovada. Agradeço especialmente a cada um dos 371.857 eleitores que votaram em mim e confirmaram minha permanência no Senado pelos próximos seis anos. Muito além da gratidão, no entanto, reafirmo aqui o meu compromisso: continuar sendo o senador de todos os mato-grossenses e de todo o estado de Mato Grosso. Sem distinção de região, de município, de setor econômico.
Mato Grosso já tem e continuará tendo em Carlos Fávaro um homem que trabalha muito, ouve muito, busca sempre o melhor e, se preciso, compra as brigas necessárias pelo desenvolvimento socioeconômico deste estado abençoado.
A eleição ficou para trás. Ficaram para trás as campanhas, os conflitos entre candidaturas. Mas os compromissos permanecem. A partir desta semana, meu foco volta a estar 100% nas atividades do Senado Federal que eu não deixei de lado durante o período eleitoral, diga-se de passagem. Compareci a todas as sessões e fiz questão de cumprir todas as minhas atribuições como parlamentar.
Agora, com a confirmação do meu mandato nas urnas, retomo os temas mais relevantes para construirmos juntos o Mato Grosso que queremos. Eu tive apenas sete meses no Senado até agora e, nesse meio tempo, cheguei a ir para a UTI, devido à Covid-19, doença cujo poder devastador tomou conta da pauta em quase todo o período e vai continuar tomando, até que realmente tenhamos mais certeza sobre o terreno que pisamos.
Mesmo assim, seguimos em busca das realizações necessárias para o desenvolvimento de Mato Grosso. Em primeiro lugar, a logística. Já estamos atuando para desenrolar as três ferrovias que vão mudar para sempre a nossa História: a extensão da Ferronorte, a construção da Fico e da Ferrogrão. E também vamos atuar na questão das rodovias, para a conclusão urgente das obras de duplicação da BR-163 e de pavimentação da BR-158, além da BR-174 e da BR-242.
Em segundo lugar, as reformas estruturantes: é necessário aprovar uma reforma administrativa que realmente garanta mas eficiência na prestação dos serviços públicos, sem prejuízo a direitos adquiridos e aos serviços essenciais. Também precisamos simplificar nosso sistema tributário, garantindo a estados como Mato Grosso o direito de continuar dispondo de ferramentas tributárias para redução dos gaps estruturais e atração de novos investimentos.
Precisamos viabilizar a industrialização da nossa produção. De um jeito novo, moderno, alinhado aos interesses dos mercados internacionais e do jeito que Mato Grosso sabe fazer: com foco na sustentabilidade. Temos tudo para transformar nosso estado no grande carro-chefe da economia verde, um exemplo para o Brasil e para o resto do mundo.
Temos pelo menos quatro fontes de energia renováveis em plena expansão em Mato Grosso: além da hídrica, a solar (fotovoltaica), a biomassa e os combustíveis de origem vegetal, biodiesel (feito da soja) e etanol (de cana ou de milho). Isso sem contar o uso do gás natural. E eu vou trabalhar para que a nossa matriz energética seja cada vez mais diversificada, reduzindo nossos custos e estimulando nossa produção local.
Continuarei tendo a agricultura familiar como prioridade, com especial atenção ao projeto que vai simplificar a regularização fundiária. Assim como a pauta municipalista, com destaque para a reformulação do pacto federativo, garantindo uma distribuição mais justa e bem equilibrada dos recursos, de modo a suprir de forma mais efetiva as carências dos municípios das regiões em desenvolvimento.
No mais, sigo aberto ao diálogo com todos os segmentos, partidos e regiões, sempre com foco no bem maior, que é, em última análise, fazer o melhor por Mato Grosso e pela qualidade de vida de cada morador deste Estado, tanto os mato-grossenses de nascimento quanto os que, como eu, são mato-grossenses de coração, por terem escolhido assim.
Agradeço à minha família, minha esposa Claudineia, minhas filhas Rafaela e Beatriz, pela força, perseverança e paciência para enfrentar tantos desafios comigo. Faço um agradecimento especial a Lucas do Rio Verde, cidade pujante que me acolheu quando não éramos nada – e que eu nunca vou abandonar, porque Lucas é parte da minha história e está gravada a fogo em meu coração.
A toda a militância dos partidos da nossa coligação: PSD, PP, MDB, PV e PTB; às nossas equipes, aos profissionais, aos voluntários, a cada cabo eleitoral, meu reconhecimento e gratidão. Aos meus suplentes, Margareth Buzetti e José Lacerda, que se agigantaram nesse período eleitoral e certamente dividirão comigo a responsabilidade pelo mandato: não há palavras para descrever minha admiração e respeito pela dedicação, comprometimento e seriedade dessas pessoas.
Gratidão é pouco: temos uns com os outros uma dívida de vida.
Nosso maior apoiador, o governador Mauro Mendes, por ter acreditado em nossa atuação, juntamente com a primeira-dama Virgínia Mendes, que empenhou seu nome e sua imagem para nos apoiar, nossa profunda gratidão. Assim com tantos colegas e amigos, deputados federais, deputados estaduais, prefeitos, vereadores, candidatos, lideranças, representantes de instituições… foram tantos apoios que seria impossível citar nominalmente cada um em um texto tão curto.
E agradeço sobretudo a Deus, pelas oportunidades que sempre colocou em meu caminho e pelos desafios que me deu forças para superar. Sem Deus, não seríamos absolutamente nada. Vamos juntos, seguir pelos próximos seis anos de acordo com o ensinamento do meu pai, João Eden: levantar muito cedo, falar o mínimo necessário, trabalhar muito e fazer sempre o melhor. E fazer sempre mais. Por Mato Grosso!
Carlos Henrique Baqueta Fávaro, Senador da República por Mato Grosso
Artigos
Como a redução da jornada e escala de trabalho pode pesar no bolso do cidadão
Autor: Jorge Gonçalves Filho* –
Enquanto os debates em torno da PEC 221/2019, que propõe a redução da jornada e escala de trabalho, concentram-se fortemente nas reações do varejo, da indústria e de suas grandes associações patronais, um impacto profundo e silencioso ameaça o cotidiano da população. Para além das grandes linhas de montagem, há uma vasta cadeia de prestação de serviços essenciais que sentirá o golpe de forma imediata, transferindo o custo diretamente para o bolso do cidadão comum.
O setor condominial é um dos termômetros mais claros desse cenário. De acordo com dados do mais recente Censo Condominial 2025/2026, o Brasil conta com cerca de 327 mil condomínios, que servem de lar para, aproximadamente, 39 milhões de moradores. Dentro dessa estrutura, a mão de obra, composta por vigilantes, porteiros, profissionais de limpeza e zeladores, representa a maior fatia das despesas ordinárias, alcançando cerca de 70% dos custos totais de manutenção.
Estudos setoriais indicam que a adaptação da escala de trabalho às novas exigências da PEC gerará um incremento de 20% a 23% no custo da mão de obra. O reflexo dessa conta é matemático e inevitável: estima-se um aumento médio de 14% na taxa de condomínio.
O impacto social da medida é que para uma parcela significativa dos 39 milhões de residentes, muitos dos quais já enfrentam o endividamento e a perda do poder de compra, esse reajuste pode ser o gatilho para a inadimplência, inviabilizando o pagamento dos boletos mensais de condomínio e desestabilizando a saúde financeira das comunidades.
O governo não poderá dizer que não haverá aumento do custo de vida, incluindo os serviços públicos, os quais, quem paga, são os contribuintes. O texto da proposta deixa explícito o seu alcance sobre os serviços públicos. Conforme estabelece o artigo 9º da PEC: nos contratos celebrados pela administração pública direta e indireta, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, vigentes na data de publicação desta Emenda Constitucional e cuja execução envolva emprego direto de mão de obra, as disposições relativas à redução da duração do trabalho normal serão aplicadas após aditamento contratual para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro.
Na prática a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro significa uma única coisa: as empresas terceirizadas que prestam serviços públicos para condomínios, hospitais, escolas, segurança e órgãos públicos repassarão o custo do aumento da mão de obra. Quem pagará a conta?
Como o Estado não gera riqueza própria, o fechamento dessa conta se dará por duas vias conhecidas: a piora na qualidade dos serviços prestados ou o aumento da carga tributária. No fim, o contribuinte é quem pagará uma conta para a qual não foi consultado, evidenciando que a reforma, se aprovada sem amortecedores econômicos, cobrará um preço alto de toda a sociedade. E o povo precisa saber disto.
*Jorge Gonçalves Filho – Presidente do IDV – Instituto para Desenvolvimento do Varejo
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