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Compromisso com a sustentabilidade ambiental hoje pode mudar o amanhã

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Autor: Adriana Giacomin*

A preocupação com o impacto das mudanças climáticas na vida humana e em todo o meio ambiente não é apenas uma tendência, mas uma necessidade urgente que afeta todos os atores da sociedade. Nesse cenário, um dos maiores desafios é o impacto do plástico convencional, presente em diversas etapas do setor produtivo: da indústria ao varejo, das prateleiras do supermercado às nossas casas. A boa notícia é que existem alternativas que podem substituir a utilidade deste material e mitigar o impacto negativo causado. Mas para dar certo, essas mudanças precisam começar agora.

O plástico convencional é amplamente utilizado devido ao seu baixo custo e versatilidade e atende a diversas necessidades. No entanto, seu impacto ambiental é devastador. Ele leva centenas de anos para se degradar, polui oceanos, solos e afeta a vida selvagem. De acordo com as Nações Unidas, apenas 9% de todo plástico produzido é reciclado a nível global e oito milhões de toneladas por ano vão parar nos oceanos. Dados da Fundação Ellen Arthur indicam que, até 2050, haverá mais plástico que peixes nos oceanos, se a produção e o descarte inadequado continuarem no ritmo atual.

Além disso, a produção de plástico convencional é responsável por uma quantidade significativa de emissões de gases de efeito estufa, contribuindo para as mudanças climáticas. Em diversos setores da cadeia produtiva, embalagens plásticas de uso único são o calcanhar de Aquiles quando o assunto é sustentabilidade.

Diante disso, é crucial adotar alternativas mais sustentáveis ao plástico convencional. Os plásticos biodegradáveis mantêm a mesma funcionalidade e usabilidade, mas, dependendo da formulação, podem se biodegradar em até 20 meses. Assim, eles se reintegram à natureza e servem de alimentos para fungos e microorganismos – sem deixar resíduos tóxicos ou fragmentar-se em microplásticos. Além disso, reduzem as emissões de CO2 do plástico convencional em diferentes fases do seu ciclo de vida. Por isso, companhias em todo o mundo já estão adotando esses materiais em suas operações.

As mudanças que desejamos ver no futuro precisam começar hoje. Os sistemas de gestão de resíduos não são suficientes para fornecer respostas urgentes, por isso governos, empresas e consumidores devem unir esforços para promover a adoção de alternativas sustentáveis. Políticas públicas que incentivem a pesquisa e o desenvolvimento de bioplásticos e plásticos biodegradáveis são essenciais. Além disso, empresas precisam investir em inovação e reformular suas cadeias de produção para incorporar esses materiais.

Os consumidores também desempenham um papel crucial nessa transformação. Em uma pesquisa realizada pela La Vulca e Netquest, encomendada pela Bioelements, 60% dos consumidores entrevistados no Brasil têm um sentimento de culpa pela presença de plástico nos produtos, 72% gostariam de saber mais sobre o material utilizado nas embalagens e 85% gostariam de fazer mais. Mas, para isso, eles precisam ter acesso aos produtos biodegradáveis. Sendo assim, marcas que adotam práticas sustentáveis podem ter destaque e gerar um impacto significativo nessa mudança.

Existem alternativas viáveis que podem mitigar esse problema e promover a sustentabilidade. Adotar bioplásticos e plásticos biodegradáveis é uma das maneiras mais eficazes de reduzir a pegada ecológica e proteger o meio ambiente. A hora de agir é agora.

*Adriana Giacomin é Country Manager Brasil na Bioelements, empresa especializada no desenvolvimento e produção de embalagens bioplásticas e biodegradáveis

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Artigos

Na era da IA, o diferencial será humano

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Autora: Silmara Casadei*

Transformações tecnológicas sempre alteraram a forma como trabalhamos. A diferença é que, desta vez, estamos diante de sistemas capazes de produzir textos, imagens, análises e respostas em poucos segundos. Isso provoca uma sensação inédita de concorrência com algo que se aproxima de processos antes considerados exclusivamente humanos.

A discussão sobre inteligência artificial costuma girar em torno das profissões que desaparecerão e das novas exigências do mercado de trabalho. Embora esse debate seja importante, ele deixa em segundo plano quais capacidades humanas precisarão ser fortalecidas desde a infância para que as próximas gerações possam viver de forma autônoma em um mundo cada vez mais mediado por sistemas inteligentes.

Curiosamente, à medida que as máquinas se tornam mais eficientes, características antes consideradas subjetivas passam a ganhar valor estratégico. Pensamento crítico, criatividade, flexibilidade cognitiva, capacidade de colaboração e inteligência socioemocional deixaram de ser apenas habilidades desejáveis e tornaram-se competências essenciais.

Isso ajuda a explicar um dado interessante: embora sejam os principais usuários dessas ferramentas, 66% dos jovens afirmam não confiar totalmente nas respostas geradas pela inteligência artificial (Ipsos, 2026). Mesmo entre aqueles que cresceram cercados pela tecnologia, permanece a percepção de que informação não é sinônimo de discernimento.

Discernimento não nasce do acúmulo de respostas prontas, porque ele se desenvolve por meio da experiência, da reflexão, do contato com diferentes perspectivas e da capacidade de duvidar antes de chegar a conclusões. Trata-se de um processo que envolve maturação intelectual e emocional, algo que não pode ser terceirizado a uma ferramenta.

Por essa razão, preparar crianças para o futuro não significa expô-las cada vez mais cedo às telas ou treiná-las para competir com algoritmos. Significa ajudá-las a desenvolver aquilo que os algoritmos não conseguem reproduzir. A criatividade, por exemplo, não surge apenas da produção de ideias. Ela depende de repertório, imaginação, experimentação e contato com situações reais.

Sob a perspectiva do desenvolvimento emocional, existe ainda outro desafio. Crianças que crescem recebendo respostas instantâneas podem ter menos oportunidades de exercitar a espera e a elaboração do pensamento. A educação do futuro tem menos relação com o domínio das tecnologias e mais com a preservação de experiências humanas que favorecem a autonomia. Quanto mais avançados forem esses sistemas, mais necessário será formar pessoas capazes de construir critérios próprios diante de respostas vazias tão acessíveis.

Nenhuma sociedade se sustenta apenas por velocidade ou acesso à informação. Ela depende também da responsabilidade em projetar futuros possíveis. São essas dimensões que conferem sentido ao conhecimento e que tornam a educação ainda mais decisiva em tempos de transformação tecnológica

*Silmara Casadei é doutora em Educação, psicanalista e autora de O Pequeno Mundo Criativo.

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