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Avanços na gestão de pessoas na UFMT: contra fatos não há argumentos

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Autor: Evandro Soares*

Antes de falarmos objetivamente sobre a gestão de pessoas na UFMT nos últimos anos, e aqui queremos destacar os técnicos-administrativos como uma de nossas prioridades, importante fazer a seguinte contextualização:

A gestão de pessoas no contexto universitário, particularmente em grandes instituições, abrange uma complexidade operacional e estratégica notável. Para ilustrar a magnitude desse desafio, consideremos o panorama na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde a gestão de pessoas engloba a administração de mais de 97 processos mapeados, a conformidade com mais de 500 legislações, decretos, normativas e orientações de órgãos de controle, além da tramitação anual de mais de 40 mil processos em suas unidades. Administrar mais de 3.800 trabalhadores e gerenciar um dos maiores orçamentos do centro-oeste, que se aproxima de R$ 900 milhões de reais anuais apenas para a folha de pagamento, ressalta o peso da responsabilidade e a complexidade da tarefa.

Agora, vamos aos fatos:

Demos um salto ao criarmos a Pró-reitoria de Gestão de Pessoas, um avanço nunca visto nos últimos 50 anos e que veio ao encontro de uma luta dos servidores.

Apesar das dificuldades impostas pelo contexto econômico e pela limitação de recursos, houve avanços significativos e um diálogo constante em diversos fóruns. Iniciativas como a oferta de programas de mestrado para técnicos, capacitações focadas em desenvolvimento, liderança, saúde e qualidade de vida demonstram o compromisso da universidade com a melhoria contínua. Essas ações refletem um investimento substancial em recursos humanos e infraestrutura:

– Investimento em programas de mestrado ultrapassando 1,5 milhão;
– Aquisição de equipamentos de segurança por quase 300 mil;
– Capacitação da equipe para revisão de laudos médicos e visitas aos campi, totalizando quase 30 mil;
– Ações de capacitação aproximando-se de 400 mil;
– Recarga de extintores de incêndio, com investimentos na ordem de 300 mil.

Sob a nossa gestão, a UFMT alcançou marcos notáveis entre os anos de 2021 a 2023, destinando recursos sem precedentes para iniciativas voltadas aos trabalhadores da universidade. Esses esforços não só evidenciam um comprometimento com a inclusão e a acessibilidade, mas também com a valorização e o bem-estar dos servidores. Ainda que haja espaço para melhorias e expansões nessas áreas, os avanços realizados até o momento são testemunhos do que é possível alcançar, mesmo diante de restrições orçamentárias.

A UFMT serve, portanto, como um exemplo de como as instituições de ensino superior podem e devem priorizar a gestão de pessoas, especialmente em aspectos tão vitais quanto a inclusão e a acessibilidade, garantindo um ambiente de trabalho e de aprendizado mais acolhedor e eficiente para todos.

É possível fazer mais? Sim, adiante é possível avançar muito mais.

*Evandro Soares é reitor da UFMT.

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Na era da IA, o diferencial será humano

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Autora: Silmara Casadei*

Transformações tecnológicas sempre alteraram a forma como trabalhamos. A diferença é que, desta vez, estamos diante de sistemas capazes de produzir textos, imagens, análises e respostas em poucos segundos. Isso provoca uma sensação inédita de concorrência com algo que se aproxima de processos antes considerados exclusivamente humanos.

A discussão sobre inteligência artificial costuma girar em torno das profissões que desaparecerão e das novas exigências do mercado de trabalho. Embora esse debate seja importante, ele deixa em segundo plano quais capacidades humanas precisarão ser fortalecidas desde a infância para que as próximas gerações possam viver de forma autônoma em um mundo cada vez mais mediado por sistemas inteligentes.

Curiosamente, à medida que as máquinas se tornam mais eficientes, características antes consideradas subjetivas passam a ganhar valor estratégico. Pensamento crítico, criatividade, flexibilidade cognitiva, capacidade de colaboração e inteligência socioemocional deixaram de ser apenas habilidades desejáveis e tornaram-se competências essenciais.

Isso ajuda a explicar um dado interessante: embora sejam os principais usuários dessas ferramentas, 66% dos jovens afirmam não confiar totalmente nas respostas geradas pela inteligência artificial (Ipsos, 2026). Mesmo entre aqueles que cresceram cercados pela tecnologia, permanece a percepção de que informação não é sinônimo de discernimento.

Discernimento não nasce do acúmulo de respostas prontas, porque ele se desenvolve por meio da experiência, da reflexão, do contato com diferentes perspectivas e da capacidade de duvidar antes de chegar a conclusões. Trata-se de um processo que envolve maturação intelectual e emocional, algo que não pode ser terceirizado a uma ferramenta.

Por essa razão, preparar crianças para o futuro não significa expô-las cada vez mais cedo às telas ou treiná-las para competir com algoritmos. Significa ajudá-las a desenvolver aquilo que os algoritmos não conseguem reproduzir. A criatividade, por exemplo, não surge apenas da produção de ideias. Ela depende de repertório, imaginação, experimentação e contato com situações reais.

Sob a perspectiva do desenvolvimento emocional, existe ainda outro desafio. Crianças que crescem recebendo respostas instantâneas podem ter menos oportunidades de exercitar a espera e a elaboração do pensamento. A educação do futuro tem menos relação com o domínio das tecnologias e mais com a preservação de experiências humanas que favorecem a autonomia. Quanto mais avançados forem esses sistemas, mais necessário será formar pessoas capazes de construir critérios próprios diante de respostas vazias tão acessíveis.

Nenhuma sociedade se sustenta apenas por velocidade ou acesso à informação. Ela depende também da responsabilidade em projetar futuros possíveis. São essas dimensões que conferem sentido ao conhecimento e que tornam a educação ainda mais decisiva em tempos de transformação tecnológica

*Silmara Casadei é doutora em Educação, psicanalista e autora de O Pequeno Mundo Criativo.

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