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Clube Mulher Potência é a maior rede de empreendedorismo feminino de Mato Grosso

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Autora: Kátia Arruda*

Além de gigante na produção de alimentos (commodities), Mato Grosso é atualmente um estado pioneiro no empreendedorismo feminino com a criação do Clube Mulher Potência. Tenho orgulho da nossa trajetória. Após quase um ano do lançamento, em novembro de 2022, o clube já reúne cerca de 70 mulheres da capital e do interior.

Quero falar um pouco dessas mulheres, que atuam em diversos segmentos, cada uma com seu jeito, sua idade, trajetória, mas, que buscam este espaço seguro para colocar suas dificuldades e desafios, além de apoiar umas às outras na construção de um futuro de sucesso para si mesmas e para as suas famílias.

Portanto, o Clube Mulher Potência oferece acolhimento, amizade, estimula o empoderamento e a sororidade! Ouvi essa frase outro dia e me tocou profundamente:

Ao lado de uma grande mulher há sempre outras grandes mulheres.

O clube é destinado a mulheres empresárias, empreendedoras ou aquelas que estão iniciando projetos no empreendedorismo, leva conhecimento e, principalmente, promove uma rede de apoio, networking, conexões, parcerias, negócios, vendas e um clube de vantagens/descontos.

Realizamos encontros entre as associadas em dois formatos: presencial e on-line. No encontro on-line, temos momentos de mentoria e palestras com temas voltados a negócios, marketing digital, planejamento, finanças, dentre outros assuntos importantes. As aulas ficam gravadas para assistir depois, caso não possa participar ao vivo. Já nos encontros presenciais, o objetivo é fazer networking, parcerias e vendas.

Com o projeto, nossa ideia principal é transmitir a importância de mulheres se unirem e se apoiarem para que possam crescer juntas. O cenário brasileiro está muito favorável, já que o número de mulheres empreendedoras chegou a uma marca histórica: 10,3 milhões mulheres, em 2022, eram donas do próprio negócio, o que equivale a 34,4% do total de negócios do país (pesquisa Sebrae/IBGE).

O estudo revelou ainda que as mulheres empreendedoras que geram empregos subiram 30% de 2021 para 2022, um salto de cerca de 300 mil. Mas, no universo total, 9 em cada 10 continuam tocando seus negócios sozinhas. Em Mato Grosso, dos 324 mil pequenos negócios registrados, 54% são microempreendedores individuais (MEI); 39%, pequenas empresas (EP); e 9% microempresas (ME). Grande parte conduzidos por mulheres.

Para que o sonho de se firmar como empresária se realize, é fundamental investir em si mesma, sair da caixa, perder o medo, agigantar-se, ou seja, tornar-se grande. Costumo brincar que “somos mulheres potência” porque cada uma de nós é grandiosa e tem dentro de si um poder de impulsionamento incrível para novos projetos. Muitas tocam tudo sozinhas (família e trabalho) e ainda são amorosas e excelentes líderes.

Estar no Clube nos proporciona esse ambiente favorável para deixar de lado a conhecida “síndrome de impostora”, que é uma voz que nós mulheres ouvimos o tempo todo e que nos diz que não somos boa o bastante ou que não vamos conseguir. Coletivamente, vamos nos apoiando para ser quem somos. Eu mesma demorei muito tempo para conseguir me assumir como empreendedora. Talvez você esteja passando por isso, duvidando de si mesma e procrastinando algo que quer muito fazer.

No meu caso, a coragem foi forjada a partir de algumas adversidades, entre elas, tive problemas de saúde e, paralelamente, passei por uma demissão do meu antigo emprego em que não consegui recolocação no mercado de trabalho. Já estando com mais de 50 anos, me confrontei com o desafio: o que fazer daqui para frente?

É incrível olhar para trás e acompanhar o meu processo. O que naquela época parecia o fim da linha se tornou um bonito recomeço. Voltei a estudar. Desengavetei sonhos, projetos e passei a me nutrir de esperança. Isso é muito real, eu comecei a enxergar luz no fim do túnel e tive todo o apoio da família para colocar em prática o meu propósito de vida, que é justamente ajudar outras mulheres.

Não sei que sonhos você tem, mas quero deixar o convite para fazer parte do Clube Mulher Potência, a maior rede de empreendedorismo feminino de Mato Grosso. Raul Seixas dizia que “sonho que se sonha só é só um sonho, mas o sonho que se sonha junto é realidade”. Esperamos você!

*Kátia Arruda, palestrante, escritora e mentora de mulheres, Administradora, Mestre em Gestão de Pessoas, especialista em Comportamento Humano nas Organizações e Especialista em Direito Administrativo e Gestão da Qualidade.

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Artigos

Quando a dor da mulher ainda é tratada como exagero

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Autora: Giovana Fortunato*

É normal sentir dor.
Toda mulher passa por isso.
Depois que você tiver filhos, melhora.
Você precisa aprender a conviver.

Frases como essas ainda fazem parte da história de muitas mulheres que chegam ao consultório depois de anos convivendo com uma dor que nunca deveria ter sido normalizada. Algumas passaram a adolescência acreditando que desmaiar durante a menstruação fazia parte do ciclo. Outras aprenderam a organizar a vida em torno da dor: faltam ao trabalho, deixam de estudar, evitam relações sexuais, cancelam compromissos e, pouco a pouco, adaptam a rotina a um sofrimento que ninguém conseguiu explicar.

O mais preocupante é que, muitas vezes, antes de receberem um diagnóstico, essas mulheres ouviram que eram “sensíveis demais”, que tinham baixa tolerância à dor ou que o problema poderia ser emocional.

A medicina avançou muito. Mas ainda precisamos avançar na forma como ouvimos as mulheres.

A dor é subjetiva, não aparece em um exame de sangue como um número que possa ser facilmente medido e varia de uma pessoa para outra. Isso, no entanto, não a torna menos real. Quando uma mulher relata uma dor recorrente, intensa e capaz de interferir em sua rotina, esse relato precisa ser investigado.

A endometriose é talvez um dos exemplos mais evidentes das consequências dessa normalização. A doença afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo e pode provocar cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais e urinárias e dificuldades para engravidar. Ainda assim, o caminho até o diagnóstico pode levar anos.

Existe uma diferença importante entre o desconforto que pode acompanhar a menstruação e uma dor incapacitante. Menstruar não deveria significar perder dias de vida.

Se todos os meses uma adolescente precisa faltar à escola porque não consegue sair da cama, isso merece atenção. Se uma mulher depende repetidamente de medicamentos para conseguir trabalhar durante o período menstrual, precisamos investigar. Se há dor durante a relação sexual, ao evacuar ou urinar, especialmente quando esses sintomas se relacionam ao ciclo menstrual, não deveríamos simplesmente dizer que é normal.

Normalizar a dor tem consequências.

Quando o diagnóstico demora, não é apenas uma doença que permanece sem o acompanhamento adequado. Há uma mulher tentando continuar sua vida enquanto convive com sintomas que podem comprometer seu bem-estar, seus relacionamentos, sua sexualidade, sua produtividade e, em alguns casos, seus planos de maternidade.

No caso da endometriose, esse último aspecto merece atenção especial. A doença pode estar associada à infertilidade e, dependendo de sua localização e extensão, pode comprometer estruturas importantes para a reprodução. Isso não significa que toda mulher com endometriose terá dificuldade para engravidar. Significa que o diagnóstico e o acompanhamento adequados permitem avaliar cada caso individualmente e discutir, no momento oportuno, inclusive questões relacionadas à preservação da fertilidade.

Também precisamos abandonar a ideia de que uma mulher só precisa investigar a endometriose quando decide ser mãe. A saúde feminina não pode ser medida exclusivamente pela capacidade reprodutiva. Uma adolescente com cólicas incapacitantes merece atenção independentemente de pensar ou não em maternidade. Uma mulher com dor durante as relações sexuais merece tratamento mesmo que não queira engravidar. Qualidade de vida também é desfecho de saúde.

Há outro ponto fundamental nessa discussão: ouvir uma paciente não significa concluir antecipadamente que toda dor pélvica é endometriose. Existem diferentes condições ginecológicas e não ginecológicas que podem provocar sintomas semelhantes. Escutar significa reconhecer que existe uma queixa legítima, fazer uma boa história clínica, examinar quando indicado e investigar as possíveis causas.

É justamente aí que precisamos substituir a banalização pela atenção.

Nos últimos anos, ampliamos muito nosso conhecimento sobre endometriose, aprimoramos os exames de imagem e avançamos na possibilidade de diagnóstico sem que toda paciente precise necessariamente passar por cirurgia. Mas nenhum avanço tecnológico será suficiente se a primeira barreira continuar sendo convencer alguém de que a dor existe.

Precisamos ensinar meninas desde cedo que conhecer o próprio ciclo menstrual também é uma forma de cuidar da saúde. Precisamos orientar mães e famílias para que não reproduzam automaticamente a ideia de que sofrer faz parte de ser mulher. E nós, profissionais de saúde, precisamos estar preparados para reconhecer sinais de alerta e, sobretudo, ouvir sem preconceitos.

Durante muito tempo, suportar a dor em silêncio foi quase tratado como uma característica feminina. Não deveria ser.

A mulher que procura atendimento não precisa provar que está sofrendo o suficiente para merecer investigação. Ela precisa ser ouvida.

E talvez uma das mudanças mais importantes na saúde da mulher comece justamente aí: parar de perguntar se ela está exagerando e começar a perguntar por que está doendo.*

*Dra. Giovana Fortunato é ginecologista, especialista em endometriose e infertilidade, e professora da UFMT.

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