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Cibele Bastos Guaringue: – É possível manter uma rotina saudável nas férias?

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         É possível manter uma rotina saudável nas férias?

Por: Cibele Bastos Guaringue

Com a chegada do período das férias escolares, as crianças e os adolescentes querem mesmo é ficar longe de tudo que lembre a escola. Querem acordar tarde, se alimentar apenas no horário que sentirem fome e escolher aquilo que querem fazer. Até aí tudo bem! Pois após um ano de dedicação aos estudos, tendo que acordar cedo, realizando muitas atividades, exercícios, pesquisas e provas, as férias chegam para desacelerar um pouco essa rotina e para proporcionar momentos diferentes, como assistir a um bom filme, passear no parque, conhecer novos lugares e novas pessoas, contemplar as belezas da natureza e estar mais próximo de familiares e amigos.

No entanto, uma grande parte das crianças e adolescentes não aproveita o período de folga dessa maneira e passa as férias trancada em um quarto jogando no celular, computador ou videogame ou assistindo à televisão. Estamos diante de uma geração que ao invés de aproveitar as inúmeras possibilidades oferecidas, se fecha na individualidade que os eletrônicos proporcionam. Mas como intervir frente a essas questões?

Uma dica é a família sentar com a criança ou com o adolescente e juntos montarem um cronograma com atividades interessantes para serem realizadas durante esses dias. Ações que despertem o interesse, que trabalhem com o corpo, que estimulem o desenvolvimento motor, cognitivo e a interação com outras crianças ou adolescentes da mesma faixa etária. São inúmeras as opções: jogos de tabuleiro, gincanas, culinária, cinema, bingo, caminhadas, passeios de bicicleta, em zoológicos, piqueniques no parque, entre outras. Os jogos eletrônicos podem também fazer parte da lista, mas num período de no máximo duas horas por dia.

Outro aspecto importante a ser considerado é a distância que as crianças e adolescentes mantêm do universo da leitura e da escrita. Questão que muito preocupa os educadores ao término do ano letivo, sobretudo com relação aos pequenos que se encontram no processo de alfabetização. Por que não oferecer à criança aquilo que ela gosta de ler, levá-la a uma biblioteca ou livraria- cafeteria para que escolha um livro que desperte o interesse? Alternar momentos de leitura entre os membros da família, dramatizar a história apresentada, construir um livro com ideias ‘malucas‘, registrar no computador o que mais gostou da obra que leu e compartilhar com os amigos. Também é importante que os pais escolham livros para ler, pois as crianças aprendem muito com os exemplos.

Com uma dose de boa vontade e um pouquinho de criatividade é possível fazer dos dias de férias momentos inesquecíveis de lazer, descontração e conexões. Certamente as crianças e os adolescentes voltarão para a escola no próximo ano descansados e muito mais interessados em aprender.

Cibele Bastos Guaringue é coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental Anos Iniciais do Colégio Marista Pio XII, em Ponta Grossa (PR).

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Ultrassonografia dos nervos periféricos: um exame que vai muito além da hanseníase

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Autora: Adriana Costa*

Quando pensamos em ultrassonografia, é comum associarmos o exame à gestação, ao abdômen ou às articulações. No entanto, a evolução da tecnologia ampliou significativamente as possibilidades desse método diagnóstico. Um dos exemplos é a ultrassonografia dos nervos periféricos, um exame ainda pouco conhecido pela população, mas que tem desempenhado um papel cada vez mais importante na investigação de doenças que afetam o sistema nervoso.

Durante muitos anos, esse exame ficou bastante associado ao diagnóstico da hanseníase, doença que pode comprometer os nervos periféricos e causar perda de sensibilidade e deformidades quando não identificada precocemente. De fato, a ultrassonografia é uma ferramenta valiosa para essa finalidade, especialmente em estados como Mato Grosso, onde a hanseníase ainda representa um importante desafio para a saúde pública.

Entretanto, limitar esse exame apenas à investigação da hanseníase significa desconhecer todo o seu potencial. Hoje, a ultrassonografia dos nervos periféricos é capaz de auxiliar no diagnóstico de diversas condições que provocam sintomas muito frequentes na população, como dores persistentes, formigamentos, dormência, perda de força muscular e dificuldade para movimentar braços, mãos, pernas ou pés.

Por meio da visualização direta dos nervos em tempo real, o exame permite identificar alterações estruturais que muitas vezes não podem ser percebidas apenas pela avaliação clínica. É possível diagnosticar compressões nervosas, como a síndrome do túnel do carpo, lesões decorrentes de traumas, inflamações, tumores benignos dos nervos, sequelas de acidentes e alterações relacionadas a doenças metabólicas e autoimunes, como o diabetes.

Uma das maiores vantagens desse método é a possibilidade de localizar exatamente o ponto onde o nervo está comprometido e compreender a causa da alteração. Essa informação oferece mais segurança ao médico na definição do tratamento, seja ele clínico, cirúrgico ou de reabilitação.

Além disso, trata-se de um exame confortável para o paciente. A ultrassonografia dos nervos periféricos é indolor, não utiliza radiação ionizante, permite comparar o nervo afetado com o lado oposto do corpo e pode ser realizada de forma dinâmica, acompanhando os movimentos durante a avaliação. Essas características agregam informações importantes que complementam o exame físico e, quando necessário, a eletroneuromiografia.

Outro aspecto relevante é a rapidez com que os resultados podem contribuir para o diagnóstico. Quanto mais cedo a causa de um comprometimento neurológico é identificada, maiores são as chances de iniciar um tratamento adequado, reduzindo o risco de sequelas permanentes e melhorando a qualidade de vida do paciente.

A medicina tem avançado na busca por diagnósticos cada vez mais precisos e menos invasivos, e a ultrassonografia dos nervos periféricos é um excelente exemplo dessa evolução. Mais do que um exame voltado à hanseníase, ela se tornou uma importante aliada na investigação de diferentes doenças neurológicas, permitindo respostas mais rápidas e tratamentos mais direcionados.

Por isso, diante de sintomas como dormência, formigamentos, dores persistentes ou perda de força, é fundamental buscar avaliação médica. Em muitos casos, a ultrassonografia dos nervos periféricos pode ser o exame que faltava para esclarecer a origem do problema e indicar o caminho mais adequado para a recuperação.

*Dra. Adriana Costa é médica radiologista no IDAPI, em Cuiabá-MT.

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