Search
Close this search box.

Artigo

A fé em horário nobre

Publicados

em

Autor: Eduardo Cardoso* –

Imagine um bispo com vestes de gala, diante de um quadro-negro, disputando a atenção dos americanos com Frank Sinatra. A cena parece improvável, mas ajuda a explicar quem foi Fulton Sheen, um dos grandes comunicadores católicos do século XX, beatificado neste 24 de setembro, etapa que antecede a canonização.

Nos anos 1950, seu programa Life Is Worth Living (“A vida vale a pena ser vivida”) alcançou uma audiência estimada em 30 milhões de espectadores por semana. Estreou em três emissoras e, menos de dois meses depois, já estava em quinze.

Recebia cerca de 8.500 cartas semanais. O bispo disputava o horário nobre com Sinatra e com o humorista Milton Berle, e o programa do cantor acabou deixando aquela faixa de programação. Em 1952, Fulton Sheen foi capa da revista Time.

O reconhecimento ultrapassou o meio católico. Em 1953, recebeu um Emmy por sua atuação na televisão, numa premiação que reunia grandes nomes da indústria do entretenimento americano. Ao agradecer, atribuiu parte do mérito aos “roteiristas” de seu programa: os evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João.

Sua força ultrapassava as telas. Em Nova York, milhares de pessoas lotavam a Catedral de São Patrício e acompanhavam suas pregações também do lado de fora. A concentração chegou a exigir bloqueios de trânsito na Quinta Avenida e nos arredores, alcançando a região de Times Square.

A aparente espontaneidade tinha muito preparo, concentração e oração. Nada ali era simplesmente improvisado. Um episódio de 28 minutos podia exigir até 35 horas de preparação. Para alcançar também os não católicos, recorria a Freud, Marx ou Shakespeare e relacionava suas reflexões ao Evangelho.

Combinava humor, filosofia e questões do cotidiano para apresentar a mensagem cristã. Falava de consciência, sofrimento, amor, família e casamento, alcançando pessoas que talvez nunca entrassem numa igreja.

Num país marcado, naquele período, por forte resistência ao catolicismo em determinados setores da sociedade, Fulton Sheen ajudou a desfazer preconceitos. Também teve influência na conversão ao catolicismo de personalidades como a ex-dirigente comunista Bella Dodd e o empresário Henry Ford II.

Às vésperas da beatificação, o papa Leão XIV pediu que seu exemplo inspire novas maneiras de anunciar o Evangelho com alegria e entusiasmo. É um convite que alcança também todos nós que trabalhamos com comunicação.

No Brasil, essa missão ganhou muitas vozes: monsenhor Jonas Abib, com a Canção Nova; os redentoristas, com a Rádio e a TV Aparecida; canais como Rede Vida, TV Século 21 e Rede Evangelizar; iniciativas como Signis Brasil, Pascom e Paulinas; além de comunicadores como frei Gilson, padre Marcelo Rossi e padre Paulo Ricardo, da Arquidiocese de Cuiabá.

Fulton Sheen soube entrar nas casas com inteligência e bom humor. Nesta overdose de informação, cabe a nós fazer com que nossas palavras também ajudem quem está do outro lado da tela.

A Igreja ajudou a formar a civilização ocidental, e essa contribuição continua quando a presença cristã na comunicação incentiva a honestidade, a fidelidade, a responsabilidade pelos filhos, o cuidado com os mais frágeis e o compromisso com a verdade. São princípios que também podem favorecer a convivência entre pessoas de diferentes crenças.

Ecoando São Josemaria Escrivá: que a nossa vida não seja estéril. Sigamos deixando rastro.

*Eduardo Cardoso é jornalista em Cuiabá.

Leia Também:  Isenção do IR até R$ 5 mil: milhões de aposentados e pensionistas do INSS serão beneficiados
Propaganda

Artigos

André

Publicados

em

Autor: Francisney Liberato* –

Ele apenas aceitou e O seguiu.

O nome André, que do grego, Andreas, significa “viril ou varonil”, foi um dos doze discípulos de Jesus, (Mateus 10:2 e Lucas 6:14). Irmão de Simão Pedro, ele era de Betsaida (João 1:44), do norte do mar da Galileia, e trabalhava como pescador, igual ao seu irmão (Mateus 4:18). Pedro e André moravam juntos na cidade de Cafarnaum (Marcos 1:29).

O livro “Manual de arqueologia bíblica Thomas Nelson”, de Randall Price e H. Wayne House, fala sobre essa cidade:

“A cidade de Betsaida (lit. “casa da pesca”) é mencionada várias vezes nos Evangelhos. De fato, a área entre Betsaida e Cafarnaum é onde acontecia a maioria das atividades de Jesus na Galileia. Aqui no relato de João, diz-se que Betsaida era a cidade natal de Filipe, André e Pedro (embora seja possível que Pedro tenha se mudado para Cafarnaum em algum momento)”.

É provável que, desde a infância, Pedro e André tivessem amizade com outros dois pescadores, também irmãos e nascidos em Cafarnaum, Tiago e João, filhos de Zebedeu.

André viu João Batista apresentar Jesus como o “Cordeiro de Deus” que tira o pecado, (João 1:38-41):

“Então Jesus olhou para trás, viu que eles o seguiam e perguntou: — O que é que vocês estão procurando? Eles perguntaram: — Rabi, onde é que o senhor mora? (“Rabi” quer dizer “mestre”). — Venham ver! — disse Jesus. Então eles foram, viram onde Jesus estava morando e ficaram com ele o resto daquele dia. Isso aconteceu mais ou menos às quatro horas da tarde. André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois homens que tinham ouvido João falar a respeito de Jesus e por isso o haviam seguido. A primeira coisa que André fez foi procurar o seu irmão Simão e dizer a ele: — Achamos o Messias. (Messias quer dizer Cristo)”.

André e João tornaram-se os primeiros discípulos de Cristo não oficialmente, devido à influência de João Batista.

Ele havia aceitado Jesus como o Messias, e sua felicidade era tão grande que naquele momento exerceu o seu mister, antes mesmo de ser chamado oficialmente para ser um dos doze discípulos, pois saiu para contar a notícia para o seu irmão.

No livro “O desejado de todas as nações”, de Ellen G. White, assim explica:

“Houvesse João e André possuído o incrédulo espírito dos sacerdotes e principais, e não se teriam encontrado como discípulos aos pés de Jesus. Teriam dEle se aproximado como críticos, para Lhe julgar as palavras. Muitos cerram assim a porta às mais preciosas oportunidades. Assim não fizeram esses primeiros discípulos. Haviam atendido ao chamado do Espírito Santo na pregação de João Batista. Então reconheceram a voz do Mestre celestial. As palavras de Jesus foram para eles cheias de novidade, verdade e beleza. Divina luz foi projetada sobre o ensino das Escrituras do Antigo Testamento. Os complexos temas da verdade apareceram sob nova luz”.

Esse discípulo teve a sensibilidade para reconhecer o Messias. E nós, temos essa mesma sensibilidade para reconhecer, aceitar e seguir os ensinamentos e o modo de vida de Cristo? Como você vê Jesus na sua vida? O que Ele significa para você? O que você tem feito para levar a mensagem de forma natural e objetiva para outros que ainda não o aceitaram?

Ele fazia parte do grupo de discípulos que tinha mais intimidade com Jesus. André foi seguidor de João Batista.

Seu maior prazer era levar as pessoas para Jesus: levou o seu irmão Pedro (João 1:41), levou o rapaz com o lanche (João 6:8-10) e levou os gregos na Páscoa (João 12:21). Os “Andrés” não converteram milhares de pessoas em um sermão, como o seu irmão, porém, levou os “Pedros” para fazer essa missão.

Esse discípulo acompanhou Jesus até a cidade de Caná, onde presenciaram seu milagre em um casamento. Assim como o seu irmão, André também era um dos discípulos que dedicava tempo integral para seguir o Messias.

Meses depois, com grupo maior de seguidores, ele foi selecionado como apóstolo de Jesus, (Lucas 6:13):

“Quando amanheceu, chamou os seus discípulos e escolheu doze deles. E deu o nome de apóstolos a estes doze”.

Tempos depois, eles partiram para missão, a qual Jesus ordenou, em duplas (Mateus 10:5-7):

“Jesus enviou esses doze homens, dando-lhes a seguinte ordem: — Não vão aos lugares onde vivem os não judeus, nem entrem nas cidades dos samaritanos. Pelo contrário, procurem as ovelhas perdidas do povo de Israel. Vão e anunciem isto: ‘O Reino do Céu está perto”.

André, também, estava entre os discípulos a qual Jesus apresentou os sinais da Sua vinda no monte das Oliveiras (João 12:20-22).

Após a ressurreição ele se uniu aos demais discípulos em Jerusalém, (Atos 1:13-14):

“Quando chegaram à cidade, eles foram até a sala onde estavam hospedados, a qual ficava no andar de cima da casa. Os apóstolos eram estes: Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o nacionalista, e Judas, filho de Tiago. Eles sempre se reuniam todos juntos para orar com as mulheres, a mãe de Jesus e os irmãos dele”.

Algumas características de André: força física, hombridade, ousado, decidido, ponderado, tinha paixão pela verdade, agradável, fácil de se relacionar, ele não desejava holofote, e ele pregava de forma pessoal e individual.

Após isso, nada se sabe com certeza sobre o mistério do apóstolo André, contudo, ele viu e presenciou muitos milagres e ensinamentos do Mestre e a sua missão foi concreta desde o primeiro contato com a mensagem, crendo e anunciando o Mestre.

Há poucos relatos bíblicos sobre André. Ele viveu na sombra do seu irmão Pedro, que era conhecido. Ele possuía a atitude certa para exercer um ministério nos bastidores, uma vez que não procurava ser o centro das atenções. Ele ministrava o evangelho de forma individual e não para multidões, como o seu irmão.

Ele nunca escreveu uma epístola. Não é mencionado no livro de Atos nem em qualquer uma das epístolas.

Isso é importante para entendermos que todo ministério é importante para obra de Deus. Não importa se o seu cargo dentro de uma comunidade religiosa é relevante ou não. O melhor é estar disposto a segui-Lo.

Que possamos aceitar esta missão, como o coração de André que O aceitou livre de receios e aberto para a esperança que existe em Cristo Jesus, O livro “Conselhos sobre mordomia” conclui assim:

“A Mateus em sua abastança, como a André e Pedro em sua pobreza, a mesma prova foi apresentada; a mesma consagração foi feita por cada um. No momento do êxito, quando as redes estavam cheias de peixe, e mais fortes eram os impulsos do viver anterior, Jesus pediu aos discípulos junto ao mar que abandonassem tudo pela obra do evangelho. Assim toda alma é provada quanto a seu mais forte desejo — se bens temporais, se a companhia de Cristo”.

*Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Escritor. Palestrante e Professor há mais de 25 anos. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Graduado em Administração, Ciências Contábeis (CRC-MT), Direito (OAB-MT) e Economia. Membro da Academia Mundial de Letras.

Leia Também:  A jornada da Saúde Mental no Diagnóstico do Câncer
Continue lendo

MAIS LIDAS DA SEMANA