DEMARCAÇÃO DE TERRAS INDÍGENAS
Riva e lideranças do Agro pedem freio às demarcações que atingem o Estado de Mato Grosso
Três terras indígenas no Estado de Mato Grosso receberam a homologação da demarcação administrativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Terra Indígena Estação Parecis, em Diamantino, a Terra Indígena Manoki, em Brasnorte, e a Terra Indígena Uirapuru, localizada nos municípios de Campos de Júlio, Nova Lacerda e Conquista D’Oeste.
Os Decretos foram publicados no Diário Oficial da União (DOU), nesta terça-feira (18), que garantem a posse permanente dos povos indígenas Parecis, Irantxe-Manoki e Paresí, respectivamente, em áreas que somam mais de 250 mil hectares.
A homologação das três terras indígenas foi realizada com base na Lei do Estatuto do Índio, que estabelece que a demarcação de terras indígenas deve ser confirmada pelo presidente da República, garantindo a posse permanente das comunidades sobre os territórios.

Deputados e lideres políticos contra homologação das Terras Indígenas
Na manhã desta quinta-feira (20), no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, a deputada estadual Janaina Riva (MDB) cumpriu agenda, para tratar das novas demarcações de terras indígenas realizadas esta semana pelo governo federal. O encontro ocorreu no gabinete do ministro Gilmar Mendes e reuniu uma comitiva de Mato Grosso mobilizada após a ampliação da Terra Indígena Manoki, em Brasnorte, cujo decreto atinge mais de 250 mil hectares consolidados há décadas e provocou forte reação política e econômica no Estado de Mato Grosso.
A parlamentar esteve acompanhada do Prefeito da Cidade de Brasnorte, Édelo Ferrari, do deputado Eduardo Botelho, do presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Leonardo Bortolin, do presidente da Famato, Vilmondes Tomain, e do presidente da Aprosoja, Lucas Beber. A agenda foi articulada após a publicação do decreto federal que redefiniu limites territoriais e gerou apreensão entre produtores rurais e gestores municipais da região.
Após a reunião, a parlamentar estadual Janaina Riva destacou a gravidade dos impactos da medida.
“Nós estivemos aqui pra combater as novas demarcações de territórios indígenas em Mato Grosso, que geram uma insegurança jurídica imensa, dano econômico pros municípios, pro nosso estado, pro produtor que está no dia a dia lutando, produzindo, carregando esse estado nas costas”, afirmou.
Ela ressaltou que a reunião com o ministro Gilmar Mendes foi produtiva e que a comitiva saiu comprometida em atuar de forma conjunta. Segundo a deputada, o presidente da Assembleia Legislativa Mato-grossense, deputado estadual Max Russi (PSB), pediu que ela representasse a Casa de Leis no diálogo institucional.
“Nós vamos juntos agora reunir as entidades para lutar por isso. O presidente Max Russi pediu que representássemos a Assembleia Legislativa nessa agenda e todos os deputados no interesse de defender o nosso estado, de defender o agro mato-grossense que merece respeito, merece segurança jurídica e é isso que nós vamos buscar”, disse.
O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, reforçou o alinhamento das entidades com o movimento político.
“Vamos aqui na defesa do agro de Mato Grosso juntamente com o apoio desses líderes: Janaína, Botelho, Léo Bortolin, nosso amigo Lucas, da Aprosoja. Eu só tenho a agradecer o apoio e a vontade de defender o produtor de Mato Grosso”, declarou.
A comitiva deve agora articular, em conjunto com as entidades do setor produtivo, novas medidas jurídicas e institucionais para contestar o decreto federal e buscar a suspensão da ampliação territorial. A deputada afirma que a mobilização continuará. Para ela, a defesa dos produtores de Brasnorte e a estabilidade econômica dos municípios atingidos são prioridades.
“O agro mato-grossense merece respeito e segurança jurídica. É isso que estamos buscando aqui”, afirmou.
Política
Nova Mesa Diretora é eleita por unanimidade na Câmara de Cuiabá para o Biênio 2027/2028
A Câmara Municipal de Cuiabá definiu, nesta terça-feira, sua nova composição de comando para o Biênio 2027/2028. O vereador Ilde Taques (Podemos) foi eleito presidente da Casa de Leis com os 27 votos dos parlamentares presentes, alcançando unanimidade em um processo eleitoral marcado pela ausência de disputa e pela consolidação de um amplo bloco de apoio político.
A eleição respondeu à principal questão do processo legislativo: quem comandará o Poder Legislativo Municipal nos próximos dois anos. Além da escolha de Ilde Taques para a Presidência, a nova Mesa Diretora será composta por Eduardo Magalhães como primeiro vice-presidente, Maria Avallone como segunda vice-presidente, Adevair Cabral como primeiro-secretário e Michelly Alencar como segunda-secretária.
O pleito ocorreu no plenário da Câmara Municipal de Cuiabá, sede oficial do Parlamento da Capital Mato-grossense. O resultado reafirma a força das articulações políticas construídas ao longo dos últimos meses e estabelece uma nova configuração administrativa para conduzir os trabalhos legislativos até o encerramento do Biênio.
A votação foi realizada sem concorrência, uma vez que apenas a chapa liderada por Ilde Taques foi registrada dentro do prazo regimental. Dessa forma, o parlamentar chegou à eleição em condições favoráveis, reunindo previamente a maioria necessária para assegurar a vitória e evitar o surgimento de candidaturas adversárias.
A definição do novo presidente ocorreu após um período de intensas negociações políticas envolvendo diferentes grupos representados na Câmara Municipal. Nos meses anteriores à eleição, lideranças parlamentares realizaram diversas articulações com o objetivo de formar blocos e consolidar apoios em torno dos nomes colocados para a disputa da Mesa Diretora.

A unanimidade alcançada por Ilde Taques foi resultado direto da convergência construída entre os vereadores. Nenhum parlamentar se manifestou contrariamente à candidatura vencedora, demonstrando um cenário de consenso político pouco comum em eleições internas do Legislativo e evidenciando a capacidade de articulação do grupo que sustentou sua candidatura.
O processo sucessório também foi influenciado pela impossibilidade de recondução da então presidente Paula Calil (PL). A permanência da parlamentar no cargo dependia de alterações no Regimento Interno da Câmara de Cuiabá, medida que não avançou. Com isso, o cenário político passou a favorecer a construção de uma nova alternativa para a Presidência da Casa de Leis.
Paralelamente, o grupo político ligado ao prefeito cuiabano Abilio Brunini (PL) avaliou diferentes estratégias para a eleição. Na segunda-feira (5), o chefe do Executivo Municipal reuniu vereadores alinhados à sua base e optou por liberar os aliados para que decidissem individualmente seus votos.
A decisão ocorreu após a constatação de que não havia apoio suficiente para viabilizar uma candidatura competitiva contra Ilde Taques.
Antes da sessão decisiva, Ilde Taques já anunciava o apoio de pelo menos 15 vereadores entre os 27 integrantes do Parlamento Municipal. Durante as articulações realizadas nos meses anteriores, a adesão da vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade), que deixou de apoiar Dilemário Alencar (UB), contribuiu significativamente para fortalecer o bloco político que sustentou a candidatura vencedora.
O reconhecimento da vitória tornou-se público ainda na véspera da eleição, quando o prefeito Abilio Brunini declarou que a escolha de Ilde Taques era praticamente inevitável.
“O Ilde é o próximo presidente da Câmara Municipal. Isso não tem dúvida, isso é certo”, afirmou.
Após a definição do resultado, o prefeito ressaltou que manterá o diálogo institucional com o novo presidente, reforçando a importância da harmonia entre os Poderes Executivo e Legislativo para a condução das pautas de interesse da população cuiabana.
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