Política
Pleno do Tribunal de Justiça nega recurso de Fabris e mantém ele fora da próxima legislatura
Sub judice é uma expressão em latim que significa “em julgamento“. Em Direito, indica que um caso ou processo em particular está sendo julgado ou está aguardando por uma decisão do juiz ou corte. Alguns juristas utilizam o termo como sinônimo de “o caso atual” ou “o caso em discussão“.
Nesta eleição de 7 de outubro, o deputado estadual do Partido Social Democrático (PSD), e vice-presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), e candidato a reeleição, Gilmar Donizete Fabris, ingressou um recurso ordinário junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que fosse concedido efeito suspensivo a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que negou seu registro de candidatura para que ele viesse concorrer nas eleições de 7 de outubro.
No julgamento do mérito, é requerido o provimento do recurso para o registro de candidatura ser reconhecido em caráter definitivo, reformando a decisão da Justiça Eleitoral de Mato Grosso.
Mesmo assim, o deputado estadual Gilmar Fabris foi candidato à reeleição, e recebeu os votados de seus eleitores.
Na mesma situação esta o suplente de deputado estadual do Partido Solidariedade (SD), Ueiner Neves de Freitas, o “Jajah Neves” que por 7 x 0 o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) negou o registro de sua candidatura que tentou uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Com o indeferimento, Ueiner Neves de Freitas, o “Jajah Neves” foi o primeiro candidato barrado pela “Lei da Ficha Limpa” nesta eleição de 2018 no Estado. A Lei veda candidaturas de políticos condenados por decisão colegiada.
Ueiner Neves de Freitas, o “Jajah Neves”, havia sido condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral no dia 22 de agosto, em uma ação de investigação Judicial Eleitoral que corria desde 2016. 
“Jajah Neves” foi acusado de fraude, abuso do poder político e uso indevido de veículo de comunicação na campanha que elegeu seu irmão Ademar Neves vereador em Várzea Grande, em 2016. Com a decisão, ele foi declarado inelegível por um período de oito anos.
Os candidatos barrados pela Justiça tiveram uma votação expressiva e que estão com a candidatura indeferida aguardam resultados de recursos e, se deferidos, podem mudar a configuração da Assembleia Legislativa. O candidato a reeleição Gilmar Fabris do PSD conseguiu junto aos seus eleitores 22.913 votos e Ueiner Neves de Freitas, o “Jajah Neves” do Partido Solidariedade 14.915 votos.
Conforme a Procuradoria Eleitoral, Gilmar Fabris teve a candidatura barrada com base na “Lei da Ficha Limpa“ que pediu a impugnação, Fabris foi condenado em “decisão proferida por órgão colegiado, à pena de seis anos e oito meses de reclusão pela prática de crime contra a Administração Pública, mais especificamente peculato em continuidade delitiva 22 vezes”. O parlamentar estadual chegou a ficar preso e foi libertado pouco dias antes das eleições.
Mudança de cadeira
Com a decisão favorável da Justiça, os 22.913 votos de Fabris são suficientes para elegê-lo diretamente se o seu recurso for deferido, e o parlamentar estadual assumiria o lugar de Alan Kardec do Partido Democrático Trabalhista (PDT), que na Coligação foi o deputado que entrou com a menor votação. Seus votos também podem alterar o quociente eleitoral e mudar alguma posição entre candidatos com menos votos.
Os 14.915 de “Jajah Neves”, poderá também fazer mudar o quociente eleitoral, já que o número é menor do que os 18.721 votos de Ulisses Moraes do partido Democrata Cristão (DC), o último deputado a entrar na coligação.
Justiça diz não
E nesta sexta-feira (11), uma decepção para o parlamentar estadual Gilmar Donizete Fabris, o Tribunal de Justiça acabou negando o recurso do deputado Gilmar, para que a Justiça pudesse rever a condenação por corrupção que pesava contra o parlamentar estadual. Foi cassada também pelos desembargadores, a liminar que suspendia a condenação contra o parlamentar durante o período eleitoral.
Com a condenação do Pleno, em segunda instância, abre espaço ao pedido do Ministério Público Estadual (MPE) que quer uma sentença de seis anos e oito meses de prisão para o parlamentar e que ela seja cumprida provisoriamente. Já a defesa do parlamentar assegura que a pena estaria prescrita.
O desembargador José Zuquim Nogueira concedeu uma liminar, em setembro, para suspender a condenação e permitiu que o deputado disputasse a eleição 2018. Esta liminar foi cassada pelos desembargadores, nesta sexta-feira.
Com esta decisão, Gilmar Fabris igualmente passa a se encaixar na “Lei da Ficha Limpa” e, assim, o registro de sua candidatura pela reeleição fica indeferida e seus votos anulados.
O recurso conhecido como “embargos de declaração” foi negado também por unanimidade pelo Tribunal de Justiça, confirmando a condenação, nesta quinta-feira (11). Sua candidatura foi negada também pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a pedido da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE).
Gilmar Fabris que conquistou 22.913 votos nesta eleição de 7 de outubro, ficará impedido de assumir o cargo de deputado estadual na próxima legislatura, mesmo que ele recorra ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A condenação foi por conta dos crimes ocorridos entre 1995 e 1996, quando Fabris ainda era presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Na época, o ex-deputado José Geraldo Riva era o primeiro secretário.
Ele teria assinado 22 cheques emitidos pela Casa de Leis para a Madeireira Paranorte Parasul Ltda. No total, 123 cheques teriam sido utilizados no esquema, desviando R$ 1,5 milhão. O caso foi investigado na “Operação Arca de Noé“.
Política
Invasão cibernética na Saúde alimenta embate político em Mato Grosso
Um sofisticado incidente cibernético violou a infraestrutura tecnológica da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), deflagrando uma crise institucional que mobiliza o Poder Executivo e a Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT). O episódio, classificado tecnicamente como uma “invasão hacker”, desestabilizou a percepção de segurança dos sistemas governamentais e gerou imediata repercussão no cenário político local. O evento expõe a vulnerabilidade digital da administração pública frente a ameaças externas cada vez mais ousadas e coordenadas.
Os alvos diretos e indiretos dessa ação criminosa envolvem a própria Secretaria de Saúde, responsável pelo gerenciamento de dados assistenciais, e a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), que atua como órgão fiscalizador. O presidente do Parlamento Estadual, deputado Max Russi (Podemos), assumiu o protagonismo institucional ao externar profunda preocupação com o ocorrido, enquanto a equipe técnica da pasta de Saúde e os investigadores da Polícia Civil desdobram-se para mitigar os danos colaterais e identificar os autores do ataque.
As consequências imediatas do ataque cibernético resultaram no impacto restrito a um volume inferior a 1 Terabyte (TB) de informações do acervo digital da pasta, o qual acabou sendo integralmente recuperado por meio de sistemas de contingência e redundância. No entanto, o desdobramento mais crítico manifestou-se no plano político, manifestado pelo temor de que o apagão de dados pudesse inviabilizar o fornecimento de documentos essenciais para os trabalhos de fiscalização parlamentar em andamento na capital do estado.
O epicentro do incidente localiza-se nos servidores centrais da Secretaria de Saúde, situados no Centro Político Administrativo de Cuiabá, irradiando seus efeitos institucionais diretamente para o Palácio Paschoal Moreira Cabral, sede do Poder Legislativo Mato-grossense.

A proximidade geográfica e administrativa dessas instituições amplificou o eco do debate sobre a eficiência da infraestrutura tecnológica pública estadual, transformando a capital mineira-mútua do Agronegócio em um palco de intensas cobranças governamentais.
A identificação original do ataque digital ocorreu em meados de março de 2026, porém o ápice do tensionamento institucional consolidou-se nesta quarta-feira, 3 de junho, durante uma sessão coletiva de imprensa convocada pelo presidente da Casa de Leis. O momento cronológico do anúncio revelou-se extremamente sensível, por coincidir exatamente com a fase de instalação e estruturação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a gestão da Saúde Pública no Estado.
A motivação presumida por trás da ação criminosa assume contornos ambíguos, dividindo-se entre a tentativa de extorsão financeira, prontamente rechaçada pelo Executivo, que negou qualquer pagamento de resgate, e a suspeita de sabotagem política. Parlamentares mais incisivos levantaram a hipótese de que a invasão visava ocultar passivos administrativos, embora a liderança do Legislativo tenda a encarar o episódio como uma nefasta coincidência oportunista que se aproveitou de fragilidades estruturais do sistema.
As justificativas técnicas apresentadas pela Secretaria de Saúde fundamentam-se na robustez de seus protocolos de segurança da informação, os quais permitiram o restabelecimento célere das atividades institucionais sem prejuízo ao atendimento da população. Por sua vez, a justificativa para a reação veemente do Parlamento baseia-se no dever constitucional de fiscalização, sustentando que qualquer instabilidade em bancos de dados governamentais representa uma ameaça direta à transparência e à estabilidade social.
O método operacional utilizado pelos criminosos consistiu na quebra de barreiras digitais de criptografia para acessar a rede interna da secretaria, seguido de uma suposta exigência financeira ilegal que acabou ignorada pelas autoridades. Do lado institucional, o método de resposta envolveu o acionamento imediato da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos e Cibernéticos (DRCI) para subsidiar a investigação criminal, além do anúncio de auditorias nos sistemas redundantes do Estado.

Os desdobramentos futuros desse imbróglio apontam para uma inevitável reformulação nas políticas de investimentos em segurança cibernética de Mato Grosso, com pressões para o fortalecimento da Empresa Pública de Tecnologia da Informação (MTI). Além disso, a Mesa Diretora do Legislativo garantiu que a comissão investigativa requisitará auditorias independentes para assegurar que nenhum dado relevante tenha sido permanentemente suprimido ou mascarado durante o período em que o sistema esteve vulnerável.
As perspectivas de encerramento do caso dependem agora do avanço do inquérito policial e da capacidade de o Estado demonstrar que seus mecanismos de salvaguarda digital são invioláveis contra futuras incursões. O presidente da Assembleia Legislativa assegurou que as investigações da CPI não sofrerão paralisações ou entraves técnicos, visto que os mecanismos de armazenamento externo garantirão o fluxo contínuo de provas, blindando o processo político contra interferências do crime virtual.
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