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MUDANÇA DE SECRETARIADO SERÁ CONDUZIDA COM PRUDÊNCIA

Pivetta defende estabilidade administrativa e cautela em eventual reformulação do secretariado estadual

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Diante da possibilidade de o governador Mauro Mendes (UB) deixar o comando do Palácio Paiaguás em abril para disputar uma vaga ao Senado, o vice-governador Otaviano Olavo Pivetta, do partido Republicanos, afirmou que qualquer mudança no secretariado estadual será conduzida com prudência, diálogo e alinhamento político.

As declarações foram dadas em meio às especulações sobre o cenário eleitoral de 2026 e às movimentações internas do governo de Mato Grosso.

Apontado como o nome preferido de Mauro Mendes para a sucessão ao Governo do Estado, Pivetta reconhece que o debate eleitoral já se intensifica nos bastidores, mas pondera que ainda não há definições formais. Segundo ele, enquanto não houver decisões concretas sobre a saída do governador e sobre candidaturas, a administração segue funcionando normalmente, sem necessidade de alterações imediatas na estrutura do Executivo.

Questionado sobre a situação de secretários que já se colocaram como pré-candidatos a cargos eletivos, especialmente à Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT), o vice-governador minimizou a urgência de substituições. Pivetta destacou que a condição de pré-candidatura não impõe afastamentos automáticos e ressaltou a sintonia com Mauro Mendes, construída ao longo de mais de uma década de atuação conjunta na vida pública estadual.

Se é pré-candidato, ainda não é candidato. Estou muito tranquilo. Meu entrosamento com esse governo é total. Eu e o Mauro temos uma parceria de 15 anos de trabalho juntos, o que facilita muito. Vamos aguardar, afirmou o vice-governador, reforçando que acompanha o cenário político, mas sem precipitação ou decisões antecipadas.

As declarações ocorrem em um contexto de pressão crescente sobre o Executivo Estadual, especialmente após o envio à Assembleia Legislativa do Projeto de Lei da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores públicos. O governo propôs índice de 4,26%, equivalente à inflação medida pelo IPCA, enquanto sindicatos reivindicam a recomposição de perdas acumuladas que, segundo as entidades, chegam a 19,52%, o que tem alimentado a possibilidade de mobilizações e até paralisações.

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Ao tratar da relação com o funcionalismo público, Otaviano Pivetta afirmou que o respeito aos servidores é uma premissa de sua trajetória administrativa. Ele lembrou a experiência como prefeito e ressaltou que os trabalhadores do Estado são fundamentais para o funcionamento da máquina pública. Segundo o vice-governador, independentemente do desfecho político, a prioridade seguirá sendo a continuidade administrativa e o diálogo institucional.

Eu trabalhei 12 anos em uma das melhores cidades do Brasil, e os servidores foram meus parceiros durante todo esse período. Respeitar quem trabalha para o Estado é fundamental, e isso continuará sendo feito. Os servidores públicos são peças essenciais para qualquer governo. ”, declarou.

Enquanto o cenário eleitoral segue em construção e a eventual saída de Mauro Mendes ainda depende de decisões formais, Pivetta reforçou que o foco do governo permanece na estabilidade, na execução das políticas públicas e na manutenção da harmonia dentro da base governista.

O desfecho das articulações políticas e das negociações com os servidores deve definir os próximos passos da administração estadual nos meses seguintes.

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Política

PF analisa suposto descumprimento de cautelares por investigados na “Operação Heritage” em evento político

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Quando um processo judicial é aberto, nem sempre é possível esperar o julgamento final para proteger direitos ou evitar danos preliminares. É nesse contexto que entram as medidas cautelares, instrumentos jurídicos preventivos que asseguram que a decisão final tenha efeito prático e que bens, pessoas ou provas não sejam comprometidos enquanto o mérito não é julgado.

Ainda tem dúvidas sobre o que são medidas cautelares e quando podem ser aplicadas? As medidas cautelares são decisões temporárias tomadas pelo juiz ao longo de um processo, visando proteger direitos, provas ou garantir que a futura decisão judicial possa ser cumprida.

Elas servem como um tipo de proteção antecipada, evitando que algo importante seja perdido ou prejudicado antes que o caso seja julgado definitivamente. Um exemplo de aplicação da medida cautelar é quando há necessidade de impedir que uma pessoa venda seus bens e fique sem pagar uma dívida, ou que destrua provas importantes.

Foi quebrada medida cautelar?

A Polícia Federal (PF) deu início à análise técnica de registros audiovisuais para averiguar o eventual descumprimento de restrições judiciais por parte do ex-governador Mauro Mendes (UB) e do deputado federal Fábio Garcia (UB). Ambos são investigados na Operação Heritage, apuração que debruça-se sobre um suposto esquema de desvio de R$ 308 milhões relacionado a acordos firmados entre o governo estadual e a empresa de telefonia Oi S.A.

O episódio sob investigação ocorreu durante o ato público de lançamento da candidatura do deputado estadual Dilmar Dal Bosco (UB), realizado no município de Sinop. Na ocasião, Mendes e Garcia dividiram o mesmo palanque político, momento em que o parlamentar dirigiu saudações públicas ao ex-governador e trocou breves palavras com ele na presença dos demais participantes.

As medidas cautelares em vigor foram determinadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao autorizar operações de busca e apreensão e a quebra de sigilo fiscal. A decisão judicial impôs expressamente a proibição de contato entre os investigados, a retenção de passaportes e o impedimento de ausentar-se do país sem autorização prévia.

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Em sua fundamentação, o magistrado ressaltou que tais restrições visam assegurar um controle estatal eficiente, reduzindo os riscos de evasão e de interferência no processo pedagógico-processual. Segundo a decisão, essas medidas representam uma constrição menos gravosa à liberdade de locomoção do que a decretação de uma prisão preventiva, ressalvadas apenas as comunicações estritamente familiares.

A análise do material audiovisual tornou-se prioritária para os investigadores, uma vez que as gravações mostram o deputado citando nominalmente o ex-governador no palco. Em um dos vídeos anexados aos autos, Fábio Garcia declara abertamente cumprimentar todas as autoridades presentes em nome de Mauro Mendes, evidenciando a proximidade física durante o evento.

Em resposta às acusações, a defesa e os interlocutores de ambos os políticos sustentam que a permanência em um mesmo ambiente público não configura violação das regras judiciais, desde que não ocorra comunicação direta sobre os fatos investigados. O ex-governador Mauro Mendes, ao ser questionado sobre o incidente, reiterou a interlocutores que a presença conjunta no espaço não infringiria a ordem da Suprema Corte.

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No âmbito jurídico, juristas e especialistas em direito penal apontam que as restrições impostas têm como finalidade primórdia evitar o alinhamento de depoimentos e a ocultação de provas. A maioria dos peritos consultados avalia que a aproximação e o diálogo em público podem ser interpretados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como quebra de cautelar, abrindo margem para o endurecimento das sanções.

O risco processual para os investigados reside no fato de que o descumprimento reiterado de determinações judiciais pode ensejar a decretação de medidas mais severas. Caso o Supremo Tribunal Federal (STF) entenda que houve afronta deliberada à ordem do ministro relator, o Código de Processo Penal prevê a possibilidade de substituição das cautelares por prisão preventiva.

Diante do desdobramento das imagens, o ex-governador Pedro Taques (PSB), adversário político e um dos denunciantes do chamado “escândalo da Oi” perante a Procuradoria-Geral da República, protocolou um pedido formal de prisão contra Mendes e Garcia. A representação fundamenta-se na alegação de violação direta das condições impostas para a concessão da liberdade provisória.

O caso segue agora sob avaliação do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF), que deverão emitir relatórios conclusivos sobre o conteúdo dos vídeos. Caberá ao ministro Flávio Dino decidir se os atos praticados no palanque em Sinop caracterizam descumprimento formal da decisão ou se a alegação de contato acidental será acolhida.

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