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As mulheres que carregam vaga-lumes no estômago iluminam a História

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Autora: Paula Caleffi*

Todas as mulheres carregam vaga-lumes no estomago, segundo um antigo ditado galego. Em algumas, estes vaga-lumes estão adormecidos, mas podem acordar a qualquer momento, em outras, por vezes cansados da luta, deitam-se para repousar. E há aquelas movidas por uma inquietação que não se apaga, por uma luz interior que insiste em brilhar mesmo quando o mundo lhes pede discrição. Não se acomodam diante das injustiças, desafiam convenções e transformam a realidade.

Os vaga-lumes simbolizam a coragem de iluminar caminhos em meio à escuridão. Na história das mulheres, essa luz frequentemente nasce da necessidade de resistir. Durante séculos, elas foram privadas da educação, da participação política, da autonomia sobre o próprio corpo e sobre o próprio destino.

A História costuma destacar generais, presidentes e grandes conquistadores. Entretanto, junto a cada transformação social existem mulheres que desafiaram o medo. Algumas tiveram seus nomes registrados nos livros. Outras permaneceram anônimas, mas foram igualmente decisivas.

Eram mães que protegeram seus filhos em tempos de guerra, professoras que ensinaram quando educar era um ato de resistência, cientistas que precisaram assinar pesquisas com nomes masculinos, escritoras que romperam o silêncio, enfermeiras e médicas que apostaram pela vida em meio a guerras e epidemias, e ativistas que enfrentaram regimes autoritários, muitas vezes lado a lado com os homens nas trincheiras, para defender direitos.

Essas mulheres tinham algo em comum: recusavam-se a aceitar que o impossível fosse definitivo. Seus vaga-lumes não eram feitos de ingenuidade, mas de convicção. Sabiam que toda mudança começa como uma pequena centelha, quase invisível, até que sua luz encontre outras capazes de multiplicá-la.

Na literatura, encontramos inúmeras personagens movidas por essa mesma chama. São heroínas imperfeitas, que sentem medo, fracassam e duvidam de si mesmas, mas continuam caminhando. Elas nos lembram que coragem não significa ausência de medo, e sim a decisão de seguir apesar dele, desvelando uma verdade profundamente humana.

Também na vida cotidiana existem mulheres com vaga-lumes no estômago. São empreendedoras que recomeçam depois de uma derrota, pesquisadoras que dedicam anos à busca de respostas, voluntárias que acolhem desconhecidos, artistas que transformam dor em beleza, mulheres que insistem em dançar mesmo obrigadas a usar véus. Infelizmente nem todas aparecerão nas manchetes.

A sociedade precisa da sensibilidade destas mulheres, da sua inteligência e da sua coragem de imaginar futuros diferentes, pois quem carrega vaga-lumes no estômago continua lembrando que a esperança não é um sentimento passivo. Ela exige ação, compromisso e perseverança. Cada mulher que decide romper barreiras acende um novo vaga-lume, tornando o caminho menos escuro para quem virá depois.

A História não é movida apenas pelos grandes acontecimentos. Ela também avança pelas pequenas luzes que se recusam a se apagar. E são as mulheres com seus vaga-lumes no estômago que, geração após geração, continuam iluminando essa aventura terrestre.

*Paula Caleffi é doutora em História da América e autora de “Sob o Céu dos Andes”, romance que narra a história de uma mulher comum envolvida em um universo brutal nos territórios entre o Peru e o Equador

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Artigos

TEMPO DA CRIAÇÃO – ÁGUA VIVA E A CRISE HÍDRICA MUNDIAL

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Autor: Juacy da Silva*

As causas profundas dos conflitos e da exploração da criação têm origem numa crise ética e cultural, que inclui a perda do sentido dos limites, a vontade de domínio, a busca do lucro imediato e a incapacidade de reconhecer a dignidade, concedida por Deus a cada pessoa humana“.

Papa Leão XIV, Mensagem alusiva ao Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, Vaticano 15 Agosto 2026.

Na próxima terça feira, 01 de Setembro será o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, cujo tema ecumênico é “Água Viva”, inspirado na visão do profeta Ezequiel (Ezequiel 47:9, 12) sobre o rio que brota do Templo e traz cura aos ecossistemas e biomas em todo o planeta que estão sendo destruídos impiedosamente, pela ganância e apenas busca de lucro e uso irracional dos recursos naturais.

Entre 01 de Setembro e 04 de Outubro, desde 1989, quando teve origem o Tempo da Criação, todos os anos um tema é escolhido para embasar as reflexões/orações e também as ações com o objetivo de restaurar a integridade das obras da criação.

O Tempo da Criação são 34 dias até 04 de Outubro, quando estaremos celebrando os 800 anos do falecimento de São Francisco de Assis, Patrono/Padroeiro da Ecologia Integral e da Causa Animal, em uma dimensão ecumênica e também inter-religiosa que incluem ORAÇÃO e também AÇÃO.

Costumo dizer, apesar de chocar algumas pessoas, mas amparado por preceitos bíblicos de que ORAÇÃO SEM AÇÃO É PURA ALIENAÇÃO, `a vista do que consta do texto sagrado ao dizer.

Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma, como consta da Carta de Tiago 2:17

O tema do Tempo da Criação deste ano (2026) é “Água Viva” que além de seus referenciais bíblicos, também nos remete para questões concretas da realidade mundial e de praticamente todos os países, incluindo o Brasil.

A crise hídrica mundial e brasileira está inserida na crise climática, onde o aquecimento global tem provocado sérias consequências como o derretimento das calotas polares, das grandes geleira, a elevação do nível dos mares e oceanos e o aquecimento de suas águas, a destruição das nascentes, decorrentes do desmatamento e queimadas como tem ocorrido em todos os biomas brasileiros, a presença de eventos climáticos extremos como secas prolongadas e tempestades imensas e alagamentos em diversas partes do planeta, destruição da biodiversidade animal e vegetal, enfim, o aumento da poluição do ar, das águas e dos solos.

Desastres como as grandes enchentes que acontecem todos os anos, como no Rio Grande do Sul ou em diversos países asiáticos, queimadas imensas na Euorpa, nos EUA, Canada, Brasil e diversos outros países estão sendo cada vez mais frequentes e devastadores, diante da omissão de governantes, empresários, lideranças em geral e também por parte da população, inclusive a juventude, sobre a qual as consequências serão mais impactantes dentro de algumas décadas.

Diante disso, estou “rascunhando” uma reflexão, para transforma-la em artigo, tentando “interpretar” as DGAE (Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil) para o período de 2026 a 2032, Doc. 114 da CNBB (aprovado na última Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em Abril passado em Aparecida), `a luz de uma FÉ ENCARNADA, com destaque para as ações pastorais, inseridas no contexto das ações sociotransformadoras e também iluminadas pelas resoluções do concilio Vaticano II.

Com certeza, tendo em vista a presença da Igreja Católicas e demais Igrejas Cristãs e tantas outras religiões no Brasil, se houver um compromisso concreto para mudar os rumos desta destruição planetária, com certeza, por pior que seja a realidade, a situação, animados por uma fé engajada, poderemos despertar a consciência da população em geral e também dos governantes e empresários para estabelecermos uma convivência mais harmônica e humana entre as sociedades e a natureza, no contexto das Obras da Criação.

Oxalá nossos sacerdotes, religiosos, religiosas, todos os fiéis, enfim, a população em geral, possam participar dessas celebrações, de uma maneira mais engajada e contextualizada na realidade de cada território em que as Igrejas cristãs e demais religiões estejam presentes no Brasil, diante de tanta pobreza, exclusão, destruição ambiental, violência e manipulação política.

Talvez, assim, um dia conseguiremos ter realmente uma Igreja Sinodal e também profética e Samaritana, onde a fé encarnada seja algo concreto, da mesma forma que políticas públicas voltadas para um melhor cuidado com o meio ambiente, em uma demonstração de uma ampla conversão ecológica individual e comunitária (coletiva), cumprindo integralmente, por exemplo, o texto constitucional no Artigo 225 da Constituição Federal que estabelece de maneira bem clara que:

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações“.

Concluindo, transcrevo duas exortações do Papa FranciscoA terra, nossa Casa Comum, parece transformar-se cada vez mais num imenso deposito de lixo” (Encíclica Laudato Si, 2015: 21) e “A humanidade é chamada a tomar consciência de mudanças de estilos de vida, de produção e consumo responsáveis e sustentáveis, para combater esse aquecimento global ou, pelo menos, as causas humanas que o produzem ou acentuam“. (Encíclica Laudato Si, 2015: 23).

Este é o contexto em que devemos celebrar o Tempo da Criação 2026 e outros mais.

*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, ativista social, Articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro Oeste.

E-mail [email protected]
WhatsApp 65 9 9272 0052
Instagram @profjuacy

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