UM AMBIENTE SÓ DE INTERESSES
Pinheiro prepara denúncia de suposto “Balcão de Negócios” na Secretaria de Saúde
O Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), anunciou nesta sexta-feira (25) que está preparando uma denúncia que inclui documentos e evidências para sustentar a alegação de que a Secretaria de Saúde do município, atualmente sob a responsabilidade do Gabinete de Intervenção do Estado, transformou-se em um ambiente onde interesses de vereadores e deputados são atendidos em detrimento da qualidade dos serviços públicos.
“Eu vou denunciar isso, estou preparando a denúncia de tudo isso porque eu estou do lado do povo, estou do lado da população cuiabana. Eles estão promovendo o desmonte da saúde na capital“.
Segundo Pinheiro, a intervenção estadual trouxe para a capital mato-grossense uma situação semelhante à Operação Espelho, que investiga a existência de um possível cartel de empresas envolvidas em contratos de licitação na área da Saúde. O prefeito expressou sua preocupação com a ampliação dessa situação em Cuiabá, descrevendo-a como um “balcão de negócios” que promove o empreguismo para atender aos interesses de parlamentares.
A denúncia, conforme anunciado por Emanuel Pinheiro, será protocolada em diversas instâncias, incluindo o Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT), no gabinete do desembargador Orlando de Almeida Perri, responsável pelo processo de intervenção. Além disso, será encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE), Ministério Público Estadual (MPE), Câmara Municipal de Cuiabá e Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT).
Pinheiro critica a insensibilidade e o que ele chamou de ‘falta de vocação’ da equipe da Intervenção.
“A insensibilidade, a desumanização, a falta de união, o balcão de negócios. Trouxeram a Operação Espelho para Cuiabá, isso é a maior angústia minha, ampliaram a Operação Espelho dentro de Cuiabá“.
O prefeito cuiabano ressaltou que a qualidade dos serviços de Saúde em Cuiabá tem sido alvo de críticas constantes da população devido à precariedade das instalações e à falta de medicamentos. Ele atribui parte dessa sobrecarga à inoperância dos Hospitais Regionais, que são de responsabilidade do governo estadual, especialmente nos municípios do interior, forçando os pacientes a buscarem tratamento na capital.
Além disso, Emanuel Pinheiro mencionou que o Hospital Estadual Santa Casa, em Cuiabá, não está operando de forma adequada, o que, segundo ele, agrava ainda mais a situação da Saúde na cidade.
O prefeito concluiu afirmando que a situação atual da Saúde Pública de Cuiabá e do estado como um todo é crítica, caracterizando-a como um verdadeiro caos.
Política
Racha na chapa majoritária do PL de Mato Grosso exalta o pragmatismo das alianças e gera impasse político
“A política ama a traição e odeia o traidor”.
A frase atribuída a Lionel Brizola é absolutamente verdadeira, mas pouco compreendida.⠀
Na política, dinâmica e cercada de interesses, não somente no sentido negativo, é impossível que não exista expectativas frustradas, parcerias desfeitas e claro, traições.⠀
Logo, quem está na política será traído e irá trair. Uns com menos pudor e outros com mais. Mas trocar pessoas e acordos como mercadorias faz parte do negócio.⠀
Mas tão importante quanto saber disso é entender que quanto menos você parecer traidor, mesmo que traia, melhor será sua vida na política.⠀
O empresário Marcelo Maluf do Partido Novo, já no começo de sua trajetória política sentiu o gosto amargo da traição, quando foi comunicado que não seria mais vice na chapa do Senador pelo Partido Liberal (PL), com o cabeça de chapa Wellington Fagundes.

A consolidação das chapas eleitorais no cenário político de Mato Grosso sofreu uma reviravolta expressiva com o anúncio da substituição do nome indicado ao cargo de vice-governador na coligação encabeçada pelo Partido Liberal. A alteração abrupta retirou o empresário Marcelo Maluf da composição majoritária, deflagrando um severo desentendimento público no núcleo partidário e evidenciando a frieza pragmática que costuma reger as negociações de bastidor na busca pelo poder.
Os protagonistas desse imbróglio interno são o empresário Marcelo Maluf, figura até então chancelada para compor o projeto, e o senador Wellington Fagundes, liderança do PL e pré-candidato ao Governo do Estado. A reorganização culminou na ascensão do médico Alencar Farina, também filiado ao PL, nome que passa a ocupar o posto anteriormente prometido e articulado junto à base aliada.
A crise tomou contornos públicos nesta sexta-feira, ocasião em que Maluf foi formalmente notificado de seu afastamento da chapa majoritária e manifestou-se por meio de uma nota oficial. A tempestade política eclodiu em momento decisivo do calendário eleitoral, período no qual as candidaturas já se encontravam em fase avançada de estruturação e planejamento estratégico de campanha.
O episódio desenrola-se no epicentro da política mato-grossense, estado no qual o Partido Liberal busca consolidar sua hegemonia e expandir o alcance de sua base aliada junto ao eleitorado regional. O impacto da decisão ecoou instantaneamente nas instâncias partidárias da capital, Cuiabá, e dos demais municípios estratégicos, alterando a interlocução com empresários e setores produtivos da região.
A desarticulação ocorreu mediante uma comunicação direta feita pelo próprio senador Wellington Fagundes a Marcelo Maluf, informando-o sobre a escolha de um novo nome para a vaga. Em resposta imediata, o empresário tornou pública uma contundente nota, na qual repudiou formalmente a conduta dos dirigentes e expôs os bastidores do rompimento à imprensa e à sociedade.
A reviravolta decorre das rearrumações táticas e da busca por alinhamento tático no âmbito da diretoria estadual do Partido Liberal. Enquanto a cúpula buscou redesenhar a chapa para atender a conveniências políticas imediatas, a manobra acabou por desconsiderar acordos prévios que haviam sido formalizados internamente durante os trâmites partidários.
Em suas declarações, Marcelo Maluf fundamentou seu descontentamento ressaltando que o convite inicial não representou um mero diálogo informal, mas sim uma construção política devidamente homologada na Convenção Partidária. O empresário destacou que já havia mobilizado apoiadores, estruturado diretrizes e iniciado a montagem das equipes de atuação ao lado da chapa de Fagundes.
O tom do protesto subiu de intensidade quando Maluf classificou a alteração repentina como uma manifestação de falta de respeito pessoal e político por parte do senador e do PL estadual. Em forte apelo ético, o empresário sustentou que lideranças incapazes de honrar compromissos assumidos internamente carecem de credibilidade para pleitear a confiança de mais de três milhões de mato-grossenses.
Diante da irreversibilidade do cenário, o empresário sinalizou sua recusa em naturalizar práticas políticas marcadas por quebras de palavra e pela volatilidade das parcerias. Afirmando estar de consciência tranquila por haver cumprido integralmente todas as exigências pactuadas, Maluf enfatizou que caberá aos articuladores da mudança responder perante a opinião pública pelas decisões adotadas.
O desfecho do conflito insere um componente de incerteza e desgaste reputacional na pré-campanha de Wellington Fagundes, que agora precisará reestruturar seu discurso de unidade e integrar Alencar Farina à chapa.
O episódio reforça a máxima atribuída a Lionel Brizola de que “a política ama a traição, mas odeia o traidor“, deixando para o eleitorado o julgamento sobre a maturidade ética dos projetos colocados em disputa.
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