AINDA DE OLHO EM 2022
Pinheiro começa a percorrer o interior de olho em 2022
“A classe política se uniu com o governador para me derrotar, não me derrotaram porque eu estava com o povo. Tinha uma gestão bem avaliada e ligado com o povão”.
Emanuel Pinheiro, ainda no MDB, não esconde e dá sinais de que pode sim, disputar a eleição de 2022, que vai definir o sucessor do governador Mauro Mendes (DEM). Pinheiro tem a concepção de que a classe política se uniu com o governador, nesta ultima eleição, para derrotá-lo nas urnas, e que a sua reeleição se deve ao fato de “estar com o povo”.
O emedebista se mostrou descontente, mais uma vez, com a Executiva Estadual do MDB, comandados pelo presidente regional da sigla em Mato Grosso, deputado federal Carlos Gomes Bezerra por ter feito tratativas para as Eleições de 2022 sem a sua presença Os emedebistas se reuniram e definiram que uma possível candidatura de Emanuel Pinheiro ao Executivo Estadual está descartada.
Segundo a cúpula do MDB, querem eles eleger de 5 a 7 deputados estaduais e no mínimo 3 federais. Atualmente, o partido conta com 3 estaduais na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), e 2 deputados federais em Brasília.
E a fim de viabilizar o seu nome para a disputa eleitoral do próximo ano, o Prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB) começa a percorrer o interior do Estado em busca de apoio político.
O emedebista ainda não admite que irá encarar a disputa rumo ao comando do Palácio Paiaguás, mas afirma que está em busca de construir um novo modelo de gestão para Mato Grosso.
De acordo com Nenel Pinheiro, a discussão no momento não é entorno da cabeça de chapa, mas sim de projetos para o Estado.
“O nosso projeto é de construir um novo modelo de gestão, humilde, democrático, com diálogo, de respeito ao servidor, que fortaleça o setor produtivo, sem arrogância. Independente do cabeça, de quem será o líder, a partir do final de semana que vem eu começo ir no interior. Todo sábado estarei no interior fazendo essa discussão, fomentando que independente de nome, vamos discutir esse novo modelo de gestão para ser apresentado em 2022“.
A intenção do chefe do Executivo Municipal é criar uma alternativa para o pleito do ano que vem, propondo um projeto de oposição a do atual governador Mauro Mendes (DEM), que deve buscar a reeleição em 2022.
Rival direto do Democrata, o governador Mauro Mendes, o prefeito Emanuel Pinheiro deverá enfrentar dificuldades no MDB, que integra a base aliada do governador. Os deputados estaduais da agremiação, inclusive, defendem ferrenhamente a continuidade da aliança com Mendes.
Diante disso, o prefeito cuiabano busca espaço junto ao deputado federal Carlos Bezerra, presidente regional da sigla. O cacique também é defensor da atual administração estadual, mas tem se desentendido com o governador Mauro Mendes Ferreira.
Nesta semana, inclusive, o cacique do MDB, Carlos Bezerra, teve uma discussão pública com Mendes por conta de cargos. O MDB pleiteia maior espaço no Palácio Paiaguás e tem encontrado dificuldades.

Carlos Bezerra, é considerado um experiente nas negociações eleitorais, deixou claro que a sigla partidária é fiel ao governo de Mauro Mendes, e vem valorizando o “passe” do MDB, de olho no palanque de 2022.
Carlos Bezerra: “O seu chefe da Casa Civil me deu a palavra”.
Mauro Mendes: “Por causa de um carguinho lá em Confresa você quer romper com a gente? Para, Bezerra; você já foi governador”.
Emanuel se utiliza dessa “brecha” para tentar emplacar o que chama de “sentimento Emanuel Pinheiro” para o pleito do ano que vem. – (Com Diário de Cuiabá)
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
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