Política
Paulo Cunha: “Gilmar Mendes, um bufão com ar de “poseur””
“Não há como ter pena dele: colhe rigorosamente o que plantou. Não há o que esperar dele: chegou a um ponto em que não tem condições, sequer, de ter um acesso, mesmo pequeno, de humildade. Morrerá de beiço em riste”.
Neste começo de ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes foi verdadeiramente detonado, bombardeado no site Congresso em Foco pelo colunista Paulo José Cunha chamando-o de palhaço de corte, arrogante e “bufão com ar de “poseur” e que o ministro virou motivo de risada nacional“.
Um “poseur” (ou “poser”) é alguém que “representa para efeito, ou se comporta de forma efetível”, que “afeta uma atitude, um caráter ou uma maneira particular de impressionar os outros” ou que pretende pertencer a um grupo particular. Um “poseur” pode ser uma “pessoa que finge ser o que ele ou ela não é” ou uma “pessoa insincerada“; eles podem ter um talento para o drama ou se comportam como se estivessem no palco no cotidiano.
Paulo José Cunha escreveu. “Basta observar seu ar de presumida erudição, de presunçoso domínio da verdade, de enfatuada arrogância intelectual e de pretensioso exclusivismo da razão para entender do que se está falando“.
Segundo Paulo, o ministro “já apareceu como concorrente do Actívia”, um iogurte que ajuda a “soltar” o intestino. Já foi pintado como um vidente capaz de “livrar” o consulente de qualquer amarração. Foi apontado por um passarinho solto como saída para um colega preso na gaiola. E até como um ótimo ingrediente para deixar o arroz “bem soltinho”… Seus telefones e e-mails têm sido distribuídos por aí com a recomendação de que seja procurado em caso de necessidade nesses dias de exageros etílicos“.
Veja:
Gilmar Mendes é um bufão. Mas tem um ar de “poseur”, que qualquer dicionário francês-português define como “presumido; presunçoso; enfatuado; pretensioso”. Basta observar seu ar de presumida erudição, de presunçoso domínio da verdade, de enfatuada arrogância intelectual e de pretensioso exclusivismo da razão para entender do que se está falando.
Uma das principais características dos que precisam ocultar despreparo ou intenções inconfessáveis em gestos e palavras é a arrogância. Os bem preparados, os equilibrados, os que detêm a prerrogativa da razão não são arrogantes, pelo contrário: são humildes e serenos.
A arrogância é um biombo a esconder a incompetência. Ou esconder outra coisa. Cientes e ciosos de sua altivez intelectual, os sábios não se arrogam a exclusividade da razão nem, muito menos, uma suposta onisciência. Estão sempre dispostos a aprender. Gilmar Mendes, considerando-se apenas a imagem que projeta em suas aparições públicas, está bem mais próximo do bufão do que do sábio. Embora aparente deter o conhecimento universal. Não conheço (corrijam-me aí) ato de humildade intelectual, de ter mudado de opinião convencido pelos colegas de que seguia caminho errado. Mudar de opinião é sinal de sabedoria.
Mas ele, mesmo quando procura descer do pedestal da arrogância, como na declaração infeliz do rabo que abana o cachorro, estrepa-se na incapacidade de saber dosar a ironia em apoio aos seus argumentos. A pretensão de estadista na forma não encontra sintonia no conteúdo. A solenidade da pose não corresponde à “verdade” que procura ostentar.
Só ele tem razão
Acresce a isso a pretensão de detentor do monopólio da verdade (sejam quais forem as intenções que o movam), em decisões extremamente controversas como as que vem tomando unilateralmente em relação à soltura escandalosa de presos levados à cadeia por colegas magistrados que, sem pose nem alarde, buscam tão-somente a verdade e a justiça.
Gilmar, não. Do “alto” de seu pretenso cabedal jurídico, arroga-se o exclusivismo da razão ao abrir prisões e mandar de volta pra casa presos de notória trajetória nos descaminhos da lisura no trato da coisa pública. Age como se a corte a que pertence tivesse de se sujeitar aos seus humores. Considera os pares como simples coadjuvantes do espetáculo, não se tratasse ele tão-somente de ator de uma ópera que não comporta superstars, já que todos os 11 integrantes do elenco desempenham rigorosamente os mesmos papéis, em grau de importância.
O resultado dessa combinação de arrogância, pretensão de monopólio da verdade e protagonismo em decisões que afrontam o senso comum está nas ruas, nas conversas de botequim, nas redes sociais, nos comentários dos articulistas, na prosa miúda das feiras. Gilmar Mendes virou motivo de risadaria nacional. Já apareceu como concorrente do Actívia, um iogurte que ajuda a “soltar” o intestino. Já foi pintado como um vidente capaz de “livrar” o consulente de qualquer amarração. Foi apontado por um passarinho solto como saída para um colega preso na gaiola. E até como um ótimo ingrediente para deixar o arroz “bem soltinho”… Seus telefones e e-mails têm sido distribuídos por aí com a recomendação de que seja procurado em caso de necessidade nesses dias de exageros etílicos.
O respeito simbólico
Isso tudo parece brincadeira. Pois não é. Toda vez que uma figura pública é convertida em alvo de chacota e escárnio significa que perdeu o respeito simbólico que se exige de quem deveria ter como primeira responsabilidade a obrigação de responder prioritariamente ao interesse público.
Quando usei a expressão “respeito simbólico” quis me referir à necessidade de o homem público não apenas exercer suas funções dentro dos limites de suas prerrogativas, mas em atenção direta ao momento social, político e econômico e de acordo com as expectativas da sociedade.
O povão diz que estar solto ou estar preso depende da qualidade do advogado, e não da letra crua da lei. Textos legais, nas mãos de um magistrado hábil, podem ser interpretados assim ou assado. E se prestarem a isso ou aquilo, ao sabor de seu talante. Ocorre que a plebe rude, a patuleia (como antigamente se nomeava pejorativamente essa abstração chamada povo), mesmo sem muita noção do conteúdo das leis, intuitivamente percebe quando as coisas estão erradas. E responde com a arma mais ferina e definitiva a seu dispor: o humor. Do “alto” de sua arrogância, Gilmar vem desabando e esbarrando aos trambolhões nessa queda desastrada nos níveis de confiança que um magistrado de sua importância deveria ter da sociedade a que serve. O povão não age como os sisudos militantes políticos acampados à frente do STF ou sacudindo bandeiras e gritando palavras de ordem na porta do Congresso. O povão apenas usa o escárnio, o escracho e a gozação – armas baratas nas quais exibe o melhor da criatividade nacional – para demolir a aura de intocabilidade a que Gilmar se arvora.
Ele colhe o que plantou
E não se condene o povão que dá gaitadas, se esbalda e até exagera na dose do escárnio a Gilmar. Nada mais faz do que exercer um direito líquido e certo (Dr. Gilmar, nem adianta procurar: esse direito não está escrito em código algum) de demolir a arrogância a golpes de gargalhadas.
E não há que ter condescendência. É descer-lhe a ripa dia e noite, “enquanto houver dia e enquanto houver noite”. A imagem pública de Gilmar foi esmigalhada pelo riso. E não há como apiedar-se dele, pois colhe rigorosamente o que plantou. Igualmente, não há como esperar dele um acesso, mesmo pequeno, de humildade. Morrerá teso, enfatuado, entupido de sua “verdade”. E de beiço em riste. (Com Congresso em Foco).
Política
Câmara de Várzea Grande articula CPI para investigar sucateamento e irregularidades no Transporte Coletivo
O sistema de transporte coletivo de Várzea Grande enfrenta uma iminente investigação legislativa após a consolidação do número necessário de assinaturas para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal da Cidade Industrial. A iniciativa parlamentar visa apurar denúncias formais de descumprimento contratual e precarização dos serviços oferecidos à população.
A União Transporte, principal concessionária operadora do serviço no município, figura como o alvo central das investigações. A empresa, de propriedade do empresário Rômulo Botelho, irmão do deputado estadual José Eduardo Botelho (MDB), atua sob a gestão da Associação dos Transportadores Urbanos (MTU), entidade que congrega as cinco concessionárias do setor na Região Metropolitana.
A instauração do procedimento fiscalizatório ocorrerá formalmente na próxima terça-feira, dia 27 de maio, durante a Sessão Ordinária no Plenário da Casa de Leis. Nesta data, o requerimento será lido publicamente, ato que precede o sorteio técnico para a definição dos vereadores que assumirão as funções estratégicas de presidente e relator do bloco de inquérito.

O estopim para a mobilização do Poder Legislativo fundamenta-se em um robusto histórico de falhas operacionais graves, caracterizado pela circulação de uma frota visivelmente inferior à meta estipulada no contrato de concessão vigente.
Somam-se a isso relatórios técnicos que apontam para a obsolescência dos veículos, severas deficiências nos mecanismos de acessibilidade universal e descumprimento crônico dos itinerários estabelecidos.
A decisão de criar a comissão parlamentar foi chancelada por um grupo suprapartidário composto por dez vereadores: Adilsinho, Bruno Rios, Caio Cordeiro, Carlinhos Figueiredo, Charles da Educação, Cleyton Nassarden, Jânio Calistro, Joaquim Antunes, Lucas Chapéu do Sol e Rosy Prado.
A convergência desses parlamentares reflete o desgaste político e social gerado pela insatisfação generalizada da comunidade com a infraestrutura urbana local.
Os parlamentares recorreram à prerrogativa constitucional da CPI devido à insuficiência das medidas administrativas anteriores e à necessidade de detalhar o fluxo financeiro e operacional da concessão. A suspeita de favorecimento e a falta de transparência na fiscalização dos contratos anteriores motivaram os representantes a buscar instrumentos jurídicos de maior poder coercitivo e de auditoria profunda.
O cenário de degradação atinge de forma direta e severa a Cidade Industrial, o maior polo socioeconômico de Várzea Grande, e espalha-se pelas periferias conectadas à capital. Os usuários do sistema enfrentam rotineiramente veículos obsoletos desprovidos de climatização sob temperaturas extremas, infiltrações estruturais durante o período chuvoso e abrigos públicos depredados e desprotegidos contra as intempéries climáticas.

O agravamento da crise estrutural decorre, segundo analistas e lideranças comunitárias, do distanciamento geográfico e gerencial de parte dos grupos empresariais que controlam o setor, uma vez que diversas dessas organizações possuem matrizes fora do Estado de Mato Grosso.
Essa configuração societária dificulta o alinhamento das metas operacionais com as demandas reais e cotidianas da população várzea-grandense.
Os desdobramentos atuais conectam-se a fiscalizações prévias realizadas pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) e pelo Ministério Público Estadual (MPE). O órgão ministerial, inclusive, interveio recentemente por meio de uma mesa técnica, estabelecendo um cronograma emergencial de obrigações estruturais para permitir a continuidade temporária e condicionada da prestação dos serviços pela empresa concessionária.
A expectativa da sociedade civil e dos movimentos sociais concentra-se na democratização das decisões regulatórias, com a exigência de audiências públicas frequentes e auditoria cidadã nos custos tarifários. Até que os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) produzam efeitos práticos na gestão municipal, a rotina dos trabalhadores locais permanecerá sob o estigma dos atrasos crônicos, do desconforto térmico e do improviso logístico.
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