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INTENSA DISPUTA POLÍTICA

Orçamento de R$ 40,7 bi em Mato Grosso vira campo de conflito entre ALMT e Governo

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A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), vive um embate acirrado com o Governo do Estado sobre a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, na reta final de tramitação antes do recesso, em que parlamentares e o Governo do Estado negociam vetos derrubados, emendas impositivas e cláusulas que podem influenciar diretamente a execução das políticas públicas e a atuação do Executivo Estadual ao longo do ano eleitoral, em Cuiabá.

O Projeto de Lei Orçamentária, que prevê cerca de R$ 40,79 bilhões em receitas e despesas para 2026, foi aprovado em primeira discussão pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), mas a votação final foi adiada devido a ajustes sugeridos por deputados estaduais que buscam garantir maior participação na alocação de recursos e comprometer o Governo do Estado com a execução de Emendas Parlamentares.

No centro da disputa está a regra das emendas impositivas: a proposta inicial do Poder Executivo foi alterada pela Casa de Leis, que estabeleceu a obrigatoriedade de pagar, até junho do próximo ano, ao menos 50% dessas emendas, percentual considerado inferior ao padrão federal, e garantiu o adiantamento de recursos para eventos culturais e esportivos já previstos no calendário oficial.

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A restauração do duodécimo do Legislativo, equivalente a 4% da receita tributária e transferências constitucionais, também se tornou foco de articulação política entre os deputados estaduais, reforçando a importância institucional da Casa de Leis no processo orçamentário.

Nos bastidores e corredores palacianos, ventilam-se ameaças de pedidos de vista e articulações que podem adiar a votação final para 2026, o que obrigaria o governo estadual a iniciar o ano com o orçamento contingenciado, calculado em doze avos da lei anterior, limitando despesas discricionárias e investimentos planejados.

O governador Mauro Mendes teria intensificado negociações com aliados e membros da base para selar acordos que assegurem a aprovação da LOA ainda este mês, inclusive em relação à porcentagem permitida de remanejamento de verbas, que tem sido um ponto de divergência entre Executivo e Legislativo.

A reunião também serviu, conforme apurado pela reportagem, para o governador fazer um apelo aos deputados estaduais pela aprovação do índice de 20% de remanejamento no orçamento. Resumidamente, esse remanejamento permite que o Governo do Estado tenha liberdade para movimentar recursos além do estipulado em Lei.

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O deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), Max Russi exigiu o empenho de todas as Emendas Parlamentares ainda não pagas para colocar o projeto em pauta: Sem empenho das Emendas Parlamentares, sem tramitação da LOA“.

De acordo com projeções oficiais publicadas no texto orçamentário, a receita total estimada de Mato Grosso para 2026 representa um aumento superior a 10% em relação ao ano anterior, com receitas correntes superiores a R$ 36,5 bilhões e destaque para o ICMS como principal fonte de arrecadação, cenário que realça a relevância das disputas políticas em torno da definição final do orçamento estadual.

O embate sobre emendas não é novo. Ao longo do ano, alguns parlamentares, principalmente a recém-opositora Janaina Riva (MDB), reclamaram da demora do Governo do Estado em pagar as Emendas Parlamentares. A deputada emedebista chegou a acionar a Justiça para obrigar o governador Mauro Mendes pagar suas emendas.

O problema é que 2026 é ano de eleição e os deputados precisam mostrar serviço para pedir voto. O adiamento pode acabar prejudicando os parlamentares durante a campanha eleitoral.

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Política

Justiça mantém convocação de ex-secretário para depor na CPI Saúde

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O Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT) confirmou a decisão colegiada de negar o pedido de Habeas Corpus (HC) preventivo impetrado pela defesa de Gilberto Figueiredo, ex-secretário de Estado de Saúde. Com o posicionamento judicial mantido, fica reafirmada a obrigatoriedade de comparecimento do ex-gestor para prestar depoimento perante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, instaurada no âmbito do Poder Legislativo Estadual.

A deliberação formalizou-se nesta sexta-feira (21), data em que o desembargador Marcos Machado notificou o órgão julgador acerca do teor do despacho. O cronograma estabelece que a oitiva ocorrerá na próxima quarta-feira (26), a partir das 14h, oportunidade na qual Gilberto Figueiredo responderá aos questionamentos formulados pelos parlamentares integrantes da comissão investigativa.

O escopo da convocação abrange o dever do ex-gestor de prestar esclarecimentos detalhados sobre os contratos administrativos celebrados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) no período compreendido entre os anos de 2019 e 2025. A investigação parlamentar busca examinar com profundidade a regularidade das repactuações, contratações diretas e a aplicação de recursos públicos no setor no decorrer dessas gestões.

A iniciativa de recorrer à instância judicial partiu da defesa técnica do ex-secretário, que ingressou com o remédio constitucional visando desobrigar o seu cliente de depor. O argumento central apoiava-se no risco de que o depoimento presencial causasse prejuízos de ordem pública ou político-institucional ao assistido, considerando o contexto de apuração em que se encontra.

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Sustentou-se na petição que a oitiva de um investigado que figura como postulante a cargo eletivo, realizada simultaneamente ao calendário eleitoral, ostentava potencial para extrapolar a mera organização de agenda. Segundo a tese defensiva, o ato poderia interferir diretamente na disputa política e na percepção do eleitorado sobre a candidatura de Figueiredo ao cargo de deputado estadual.

Em sua análise do mérito, contudo, o desembargador Marcos Machado rejeitou as alegações, consignando a ausência de elementos jurídicos que justificassem a concessão da ordem preventiva. A tese de restrição ou constrangimento ilegal foi descartada tanto na decisão monocrática inicial quanto na subsequente confirmação pelo colegiado da Corte de Justiça.

Em seu voto, o magistrado ressaltou que as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) possuem assento e prerrogativas na Constituição Federal e Estadual, detendo competência para apurar fatos determinados por prazo certo. Afastou-se, ademais, a alegação de uso político das prerrogativas investigatórias, sob o fundamento de que os trabalhos dos deputados estaduais transcorrem dentro do estrito cumprimento do dever legal.

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O magistrado fez constar expressamente na fundamentação que a atuação da CPI fundamenta-se na legalidade e no interesse público de fiscalizar contratos específicos, ressaltando:

Quanto à alegada caracterização de ‘lawfare eleitoral’, verifica-se que a atuação da CPI da Saúde tem previsão constitucional, os contratos investigados e os períodos das supostas ilicitudes são determinados e os parlamentares têm conduzido regularmente os trabalhos, sem qualquer registro de inobservância das garantias constitucionais”.

Reforçou-se no julgado que os direitos e privilégios constitucionais de Gilberto Figueiredo foram devidamente salvaguardados na própria notificação de convocação.

O desembargador registrou a inexistência de registros de excessos por parte da comissão:

Além disso, não há indicativo de abuso de poder pelos integrantes da comissão durante as sessões realizadas, conforme amplamente divulgado na imprensa local e informações prestadas em habeas corpus análogos”.

Com a manutenção do ato normativo-administrativo pelo Tribunal de Justiça, a CPI da Saúde prossegue com o cronograma de instrução, que envolve a análise minuciosa de acervos documentais, contratos de prestação de serviços e depoimentos de testemunhas e investigados. Espera-se que a oitiva do ex-secretário traga esclarecimentos decisivos sobre as escolhas administrativas adotadas pela pasta nos exercícios examinados.

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