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DOBRADINHA IMPOSSIVÉL

“O MDB não vai aproximar de ideais ou de siglas alinhadas à direita”

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Carlos Gomes Bezerra, hoje, com 83 anos, e após 30 anos no comando da agremiação, de saída da Presidência Estadual do MDB, ele encerrou a carreira política consolidada, já foi Governador do Estado de Mato Grosso, Prefeito de Rondonópolis e exerceu mandatos como deputado estadual e federal. Contudo, ainda ficará nos bastidores dando apoio nas articulações para as eleições de 2026.

O cacique emedebista aposentado, recentemente afirmou que o seu partido, o MDB, tem trocado “figurinhas” com o Partido Liberal (PL), abrindo a possibilidade de uma aliança entre as agremiações para as Eleições de 2026. E conforme o emedebista, não há nada de estranho a possível união com o partido que é da extrema-direita, sendo que o MDB sempre se alinhou com o centro-esquerda. Isso porque “o que importa é respeitar os interesses regionais”.

Já nos alinhamos em vários lugares do Brasil, inclusive em São Paulo, na capital, que eles nos apoiaram. E temos alianças em outros estados brasileiros. Acho que, aqui, tem que ver o que importa é o interesse de Mato Grosso e a composição possível. Isso é para o ano que vem. Estamos bem, estamos trocando apenas figurinhas”.

Carlos Bezerra ainda declarou que o MDB já possui chapa de candidatos a deputados estaduais e federais. Hoje o MDB prioriza principalmente a deputada estadual Janaina Riva, que substitui Carlos Bezerra na Presidência do MDB em Mato Grosso E conforme o emedebista, Janaina Riva é uma forte candidata, tanto para o Senado quanto para o Governo do Estado.

O MDB ainda terá que estudar quem será lançado para a candidatura ao Governo do Estado.

Ela pode ser candidata a governadora. Pode ser candidata ao Senado. O nome dela hoje bate em qualquer um, dois a um”.

Os contrários de uma aliança com PL

A deputada estadual Janaina Riva (MDB) rebateu as críticas de que seria incoerente uma aliança entre seu partido e o Partido Liberal (PL) para as eleições de 2026.

No passado, em sua origem, o MDB foi o partido de oposição ao regime militar no Brasil, sendo adversário da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido do governo.

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Já o Partido Liberal (PL), hoje, tem diversos membros, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, que são apoiadores dos atos que o regime militar cometeu durante a ditadura.

Em Mato Grosso, um dos pontos de aproximação entre o MDB e o PL é o fato da parlamentar ter adotado uma linha de direita na sua atuação, além disso membros dos partidos são parentes.

Em outro caso, Janaina Riva tem como sogro Wellington Fagundes (PL), pré-candidato ao Governo de Mato Grosso nas proximais eleições de 2026.

A parlamentar também vem afastando qualquer chance de aproximação com a Federação União Progressista, liderada pelo governador Mauro Mendes. Ex-aliada da gestão estadual por cinco anos, a emedebista se consolidou na oposição desde o início de 2024.

A parlamentar estadual emedebista disse que a aproximação entre os partidos não é novidade.

Eu entendo também que, talvez ideologicamente, sejam partidos muito diferentes, mas a composição no Estado de Mato Grosso é uma composição muito factível de acontecer, na minha opinião. Não só com o MDB, mas com os demais partidos porque nós já andamos todos coligados em um passado não tão distante. Então, nós já caminhamos todos juntos, eu não vejo nenhuma dificuldade de isso acontecer novamente”.

Presidente do Diretório do MDB em Cuiabá, o advogado Francisco Faiad já disse que vai se empenhar para que o partido não se aproxime de ideais ou de siglas alinhadas à direita.

Minha posição dentro do partido é conhecida, mas eu vou reafirmar minha posição dentro do partido de não concordar com a guinada à direita. Eu sou dessa época que o MDB lutava contra a Arena, lutava contra a direita. Eu continuo com a mesma posição, não mudei. É uma posição que alguns dirigentes de Mato Grosso estão tomando. Eu digo que nacionalmente não é essa a posição do MDB, até porque nós temos hoje vários ministros dentro do governo Lula e eu tenho certeza que o MDB, principalmente do Nordeste, não vai concordar com essa posição”.

A nova presidente do Diretório Estadual do MDB, pontuou, porém, que este assunto não será tratado pelo Diretório Municipal.

Isso é uma pauta que a estadual vai ter que conduzir. Obviamente que o Faiad tem direito a dar opinião, especialmente se tratando aqui de Cuiabá. Mas isso vai para análise de todo o Diretório e o Diretório vai tomar a decisão”.

Aliança improvável

O deputado federal José Medeiros (PL) afirmou nesta semana que considera improvável uma aliança entre seu partido e o MDB nas eleições de 2026 em Mato Grosso. Para ele, a ligação da sigla com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) torna difícil que esse cenário seja aceito pelo eleitorado.

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Atualmente, o MDB ocupa três ministérios na gestão petista: Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), Renan Filho (Transportes) e Jader Filho (Cidades).

Apesar disso, o partido já compôs alianças eleitorais com o PL em outras regiões. Em São Paulo, nas eleições municipais de 2024, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) indicou o vice de Ricardo Nunes (MDB). Já no Distrito Federal, é esperado que o governador Ibaneis Rocha (MDB) dispute o Senado em chapa com Michelle Bolsonaro (PL).

O nome da deputada estadual Janaina Riva (MDB) chegou a ser citado em especulações sobre uma possível composição com o deputado federal José Medeiros. No entanto, o parlamentar liberal afirmou que não existe qualquer conversa nesse sentido.

E segundo o deputado liberal, até o momento a única hipótese concreta de aliança envolvendo o PL em Mato Grosso seria uma dobradinha entre ele e o governador Mauro Mendes (UB) em uma disputa para o Senado.

Além de Janaina Riva e José Medeiros, a disputa por uma cadeira no Senado em 2026 pode incluir nomes de peso, como o Governador do Estado, Mauro Mendes (UB), o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Carlos Fávaro (PSD), o ex-presidente da Aprosoja Brasil, Antônio Galvan (DC) e o ex-governador José Pedro Taques, ainda sem partido.

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Política

Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”

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A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.

O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.

A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.

O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.

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A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.

A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.

A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.

Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.

Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.

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A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.

A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.

O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.

A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.

A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.

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