NAMORO COM PRTB
“Não me identifico mais com o atual pensamento partidário”
“O Pivetta vive momentos de assédio por alguns partidos, ele tem as portas abertas no PDT”.
Este ainda é o sonho do deputado estadual do Partido democrático Trabalhista (PDT), e líder da sigla em todo estado de Mato Grosso, Allan Kardec Pinto Acosta Benitez, o professor Allan.
Segundo o deputado estadual, o vice-governador Otaviano Pivetta, tem “sangue brizolista” e estaria ensaiando voltar ao partido para ser candidato em uma nova dobradinha com o governador Democrata (DEM), Mauro Mendes Ferreira.
Mas.., Otaviano Pivetta, sem partido, descartou a possibilidade de retornar à antiga legenda. Ele afirmou que não se identifica mais com as pautas que a sigla tem defendido no Estado.
Em entrevista à TV Pantanal, nesta segunda-feira (22), fez algumas críticas, disse que o PDT mudou a sua linha de pensamento, e que não se identifica mais com a sigla.
“Sempre fui convicto brizolista. Mas deixei o PDT, há pouco tempo, porque vejo que o partido fala muito pouco sobre as ideias do fundador, que falava com maestria e autoridade sobre mudar o país por meio da educação”.
“Vejo o PDT, hoje, preocupado com outras pautas e não me identifico mais com o atual pensamento partidário. Essa possibilidade está descartada”.
Após 15 anos de partido
Otaviano Pivetta deixou a legenda em outubro do ano passado, e fez um pedido de desfiliação após ele declarar apoio à então candidatura da tenente-coronel Rúbia Fernanda do Partido Patriota ao Senado da República que tinha o apoio do presidente da República Jair Messias Bolsonaro.
Diante da declaração de apoio, a executiva nacional ameaçou expulsá-lo. Porém, o vice-governador decidiu deixar a sigla para evitar uma crise interna no PDT. O apoio à bolsonarista, na época, não agradou aos líderes do partido.
O clima não agradável junto ao PDT, fez com que hipotecasse seu apoio à candidata do Patriota por conta do Senador Carlos Henrique Baqueta Fávaro (PSD), considerado seu inimigo número 1, desde as Eleições de 2016, quando Fávaro ainda era vice-governador na gestão Pedro Taques e decidiu apoiar o prefeito Luiz Binotti (PSD), que acabou derrotando Pivetta na sua tentativa de reeleição.
Segundo o vice-governador, a possibilidade de sair candidato nas Eleições de 2022, seja em uma chapa liderada por Mauro Mendes ou em uma disputa ao Senado, será tomada apenas em janeiro. Caso tenha essa vontade, pretende procurar um partido com o qual se identifique.
“O partido é necessário para concorrer em uma eleição. Para trabalhar e para viver, não precisa. Eu só vou definir se irei participar de alguma eleição em janeiro do ano que vem. Consequentemente, verei qual partido posso me encaixar ou escolher”.
Pivetta no PRTB
O Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), em Mato Grosso, busca lançar candidatura própria ao Governo do Estado em 2022. E o primeiro nome convidado pela sigla é a o do vice-governador Otaviano Pivetta.
O convite foi feito oficialmente pelas lideranças da legenda ao Estado e estava sendo articulado pelo deputado estadual Sílvio Fávero (PSL), que morreu em março por complicações da Covid-19.
Mesmo após a fatalidade, o partido tem mantido contato com Otaviano Pivetta que, segundo informações de bastidores, tem sido simpático a ideia de migrar para a legenda.
O namoro entre Pivetta e o PRTB, partido do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, começou com o ex-parlamentar, sendo construído a partir de Lucas do Rio Verde, cidade de Otaviano Pivetta.
O vice-governador se diz muito atraído pelo partido, principalmente pelo fato de o PRTB ter decidido não usar o chamado Fundo Partidário. Já a legenda entende que Pivetta se aproxima dos seus ideais e cita o seu legado como gestor em Lucas, onde a cidade cresceu como uma das promissoras em desenvolvimento.
Apesar do convite, Otaviano Pivetta tem dito que ainda estaria muito cedo para definir o seu futuro político e que também aguarda a sinalização do governador Mauro Mendes (DEM), seu amigo pessoal.
No Estado de Mato Grosso, o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) decidiu compor o grupo denominado “Direita MT”, que também conta com o Podemos, PSL, PSC e Patriota.
O grupo visa unificar os bolsonaristas no Estado para a construção de um palanque com candidaturas próprias ao Governo do Estado e ao Senado da Republica. Atualmente o vice-presidente da legenda é o advogado Carlos Hayashida, ex-assessor de Sílvio Fávero.
Política
Júlio Campos rebate discurso de Abilio sobre “velha política” e questiona uso da máquina pública em eleição
O deputado estadual Júlio Campos (União) reagiu às declarações do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), sobre o suposto enfraquecimento da chamada “velha política” em Mato Grosso. O parlamentar contestou a avaliação do gestor municipal, defendeu sua trajetória de cinco décadas na vida pública e levantou questionamentos sobre a utilização da estrutura administrativa da capital durante o processo eleitoral, especialmente em relação à eleição de Samantha do Abilio (PL), esposa do prefeito.
A controvérsia ganhou destaque no cenário político mato-grossense após o encerramento do processo eleitoral e evidenciou divergências entre lideranças de diferentes grupos políticos. Enquanto Abilio Brunini associou o resultado das urnas ao avanço de uma nova forma de fazer política, Júlio Campos rebateu essa interpretação e afirmou que o discurso de renovação precisa ser acompanhado de práticas coerentes com os princípios de transparência, responsabilidade administrativa e respeito aos compromissos partidários.
No debate público, a expressão “Velha Política” costuma designar práticas tradicionais de articulação do poder, frequentemente associadas ao personalismo, ao clientelismo e à distribuição de benefícios em troca de apoio político. Entre os comportamentos criticados estão as negociações pouco transparentes, a troca de favores, a distribuição de cargos e a destinação de recursos públicos condicionada a interesses eleitorais. Essas práticas, contudo, precisam ser analisadas à luz de fatos concretos, documentos e eventuais decisões dos órgãos competentes.
Historicamente, o termo também é empregado para criticar a concentração de influência em grupos familiares e lideranças que permanecem por longos períodos no poder. Nesse contexto, a expressão “Nova Política” ganhou espaço em campanhas eleitorais de candidatos que prometem romper com estruturas tradicionais, ampliar a transparência e reduzir privilégios. A distinção entre os dois conceitos, entretanto, não depende apenas do discurso dos representantes, mas também de suas condutas e da maneira como exercem os mandatos e administram os recursos públicos.
Ao responder às críticas do prefeito, Júlio Campos destacou sua trajetória política e afirmou que, ao longo de aproximadamente 50 anos de vida pública, seu grupo não teria sido alvo de investigações policiais relacionadas a crimes contra a administração pública.
A declaração foi utilizada pelo deputado para contestar as avaliações sobre os métodos tradicionais de atuação política e defender a reputação construída por sua família ao longo de diferentes períodos da história de Mato Grosso.
“Nunca tivemos, em 50 anos de vida, Polícia Federal na nossa porta, Ministério Público querendo fazer processo por roubo, corrupção, desvio”, afirmou o parlamentar.
A fala reforçou o tom de confronto entre as duas lideranças e levou a discussão para o campo da reputação política, em que declarações públicas precisam ser consideradas dentro de seu contexto e diferenciadas de eventuais conclusões judiciais.
Na sequência, Júlio Campos direcionou suas críticas à atuação de Abilio Brunini durante o período eleitoral. O deputado acusou o prefeito de utilizar a estrutura administrativa municipal para favorecer a eleição de sua esposa, Samantha do Abilio. A afirmação representa uma acusação política do parlamentar e, para que seja tratada como irregularidade comprovada, depende da apresentação de elementos verificáveis e da análise das autoridades competentes.
“Repudio as palavras do prefeito Abilio Brunini, que usou e abusou da máquina pública, da máquina pública para reeleger a sua esposa, traindo os seus companheiros de partido”, declarou Júlio Campos.
Com a manifestação, o deputado questionou a coerência entre o discurso de renovação defendido pelo prefeito e as práticas que, segundo sua avaliação, teriam sido adotadas durante a disputa eleitoral. A acusação, porém, não equivale, por si só, à comprovação de qualquer infração.
O episódio também reacende a discussão sobre os limites entre a atuação legítima de agentes públicos e o uso indevido de estruturas governamentais em benefício eleitoral. A legislação brasileira estabelece regras para assegurar a igualdade de oportunidades entre candidatos e impedir o emprego da administração pública para favorecer candidaturas. A identificação de eventual abuso exige, entretanto, a análise das circunstâncias, das provas disponíveis e das normas aplicáveis ao caso concreto.
Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o embate poderá alimentar novas manifestações políticas e cobranças relacionadas à transparência e à conduta de gestores públicos. Até que sejam apresentados esclarecimentos ou elementos adicionais, as declarações de Júlio Campos devem ser compreendidas como posicionamentos atribuídos ao parlamentar, sem antecipar conclusões sobre possíveis responsabilidades. A repercussão também coloca em evidência a importância da fiscalização institucional e do acesso da população a informações verificáveis.
Mais do que uma divergência entre duas lideranças, o confronto expõe uma disputa sobre o significado da renovação política em Mato Grosso. De um lado, está o discurso de superação das práticas tradicionais; de outro, a contestação de que essa mudança esteja efetivamente refletida nas condutas dos representantes eleitos.
O desfecho dessa controvérsia dependerá não apenas das respostas públicas dos envolvidos, mas também da consistência dos fatos apresentados e da capacidade das instituições de assegurar transparência, legalidade e respeito ao interesse coletivo.
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