FALTA DE CONDIÇÕES DE TRABALHO
“Não faltam médicos e sim condições de trabalho”
“O nosso grande problema é a contratação de profissionais. O Governo está pagando mais caro, elevamos o preço, o salário, o plantão médico. Subimos e está em R$ 1.800 por 12 horas de trabalho de um médico, assim como subimos de outros profissionais que compõem as UTIs, para atender a população, que é o mínimo que a gente pode fazer”, explicou o Governador Mauro Mendes Ferreira durante entrevista ao apresentador José Luiz Datena, na Rádio Bandeirantes.
Segundo chefe do Executivo Estadual, o Estado de Mato Grosso está tendo grandes dificuldades em contratar profissionais de Saúde para atuar no enfrentamento à “Covid-19“, apesar de todos os esforços de chamamento.
O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (SINDIMED/MT) rebateu a informação do Governo do Estado que não há médicos para contratar, mas faltam condições de trabalho. Ainda mais na linha de frente contra o “Coronavírus“.
O assunto foi discutido na noite desta quinta-feira (09) em uma Plenária Virtual promovida pelo SINDIMED que abordou “A Precarização do Trabalho Dos Profissionais da Saúde em Tempos de Pandemia“ conduzida pela Presidente Sindimed-MT, Evelyn Hack Bidigaray, e pelo assessor jurídico advogado Bruno Álvares da Vaucher e Álvares Associados.
Participaram do evento: Presidente da SOMAPE – Mohamed Kassen Omais, representante da Associação Médica de MT – Anderson Andreu Cunha, a presidente do CRM – Hildenete Monteiro Fortes e a Médica Especialista em Pediatra e em Saúde da Família e Comunidade – Eliana Maria Siqueira Carvalho.
Foi debatido que o governo e a prefeitura querem que os médicos participem de processos seletivos e coloquem suas vidas em risco na linha de frente da “Pandemia do Coronavírus“ sem condições de trabalho. Enquanto forem oferecidas EPIs de má qualidade, contratos de trabalho que coloquem a vida do médico em risco e a remuneração seja baixa, sem garantias para uma aposentadoria justa, sem materiais e medicamentos para atender a população, vai mesmo faltar médicos.
“Hoje temos inscritos no CRMMT 11.472 médicos ativos, sendo 6.855 médicos no estado, 3.083 em Cuiabá, 138 em VG e ainda 3.634 no interior. Não faltam médicos, faltam condições de trabalho dignas para a classe médica“, defendeu a presidente do CRM, Dra. Hildenete Monteiro.
Segundo a Dra. Eliana Maria Siqueira Carvalho, ex-presidente do SINDIMED, faz 18 anos que o governo não realiza concurso para contratar médicos.
“Sabemos que a precarização já vem desde 2008 com as OSSs com Pedro Henry e Silval que trouxeram a terceirização da saúde pública. Hoje em dia além de ser terceirizado, o médico virou uma empresa se ‘quarterizou’ tem que ser uma pessoa jurídica para ser contratado. Você coloca sua vida em risco e ainda o medico no Brasil é culpado de tudo. Enquanto no exterior são heróis“, disse ela.
Dr. Anderson Andreu Cunha da Associação Médica disse que o médico está cada vez mais massacrado e ao invés de ser reconhecido nesse momento de pandemia por estar arriscando sua vida na linha de frente é acusado de ser covarde e mercenário.
“Não faltam médicos, falta fazer um concurso público. O processo seletivo é uma maneira de postergar o concurso“, afirmou Anderson.
Vários médicos mostraram sua indignação durante a plenária através do chat. Ao final ficou definido que será criada uma agenda das entidades médicas do estado no intuito de se abrir um diálogo para a realização do concurso público para que ao invés de processos seletivos, o médico possa assumir o cargo com condições de trabalho e qualidade de vida, já que como seres humanos eles estão tão sujeitos ao coronavírus quanto a população. E um médico a menos faz muita diferença no atendimento de pessoas.
Política
A complexidade e os impasses na formação de chapas do MDB em Mato Grosso
As articulações políticas que antecedem o período eleitoral costumam revelar a complexidade das negociações partidárias no cenário mato-grossense. Em um contexto de intensas disputas por espaço e representatividade profissional, os bastidores dos partidos transformam-se em arenas decisivas para a definição das candidaturas que disputarão o voto popular nas urnas.
Essas negociações eleitorais ocorrem predominantemente na sede estadual do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em Mato Grosso, bem como em reuniões estratégicas conduzidas por lideranças regionais. O ambiente interno da agremiação tornou-se o centro das atenções à medida que os prazos regimentais e as convenções se aproximavam.
As movimentações mais recentes intensificaram-se ao longo dos últimos meses de definições partidárias, período em que as siglas precisaram consolidar suas nominatas oficiais. O calendário eleitoral impôs um ritmo acelerado para a construção de consensos e para a viabilização das chapas proporcionais no estado.
A ex-prefeita da cidade de Sinop, Rosana Martinelli, figura central nesse processo, buscava consolidar sua candidatura à Câmara dos Deputados. Contudo, a decisão estratégica da Diretoria Partidária de não lançar candidatos ao cargo de deputado federal acabou por inviabilizar suas pretensões eleitorais para a disputa deste ano.
A reviravolta na trajetória política da ex-gestora ocorreu porque o MDB estadual enfrentou severas dificuldades na formação de um grupo competitivo para a disputa proporcional. Diante das desistências de nomes estratégicos e da ausência de consenso interno, a sigla optou por priorizar outras frentes de atuação regional.
A condução das negociações deu-se por meio de reuniões diretas lideradas pela presidente estadual do partido, a deputada estadual Janaina Riva. Segundo avaliações do próprio grupo político, a coordenação do processo demandou habilidade para gerenciar divergências e conciliar os interesses individuais e coletivos das lideranças envolvidas.
Diversos fatores conjunturais motivaram o desfecho desfavorável às pretensões de Rosana Martinelli, incluindo a desistência de potenciais pré-candidatos que priorizaram projetos pessoais. Além disso, a inviabilização de outras candidaturas regionais, como a da vice-prefeita Coronel Vânia à Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT), evidenciou a fragilidade da base aliada.
Diante do cenário de frustração das candidaturas regionais, a ex-prefeita de Sinop adotou uma postura pragmática ao declarar a ausência de mágoas e ao reconhecer a complexidade do amadurecimento político institucional. A líder reafirmou a disposição de colaborar ativamente com projetos de aliados estratégicos na esfera estadual.
Os desdobramentos operacionais dessa reorganização partidária refletem-se no apoio declarado de Rosana Martinelli à pré-candidatura do governador Otaviano Pivetta ao Governo do Estado. Simultaneamente, a ex-gestora confirmou sustentação à postulação de Janaina Riva ao Senado Federal, demonstrando alinhamento com a estrutura governista.
Por fim, o futuro político da ex-prefeita permanece em aberto, dependendo de futuras deliberações pessoais e do quadro de coligações que se desenhará nos próximos ciclos. A trajetória recente evidencia que as alianças partidárias dependem da constante repactuação de interesses em um cenário dinâmico e em permanente transformação.
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