BAIXO NÚMERO DO ELEITORADO FEMININO
Mulheres são a maioria no exercício da política apenas nos papéis de eleitoras e de mesárias voluntárias
As mulheres foram minoria da população durante a maior parte da história brasileira. Eram tratadas como cidadãs de segunda classe e, sistematicamente, seguiram sendo excluídas dos postos de decisão e dos cargos sociais de maior prestígio. Na frota de Pedro Álvares Cabral, que chegou ao Brasil em 22 de abril de 1500, havia cerca de 1,5 mil tripulantes e nenhuma mulher. A maioria da imigração portuguesa e europeia para o Brasil era composta por homens e calcula-se que dos mais de quatro milhões de africanos escravizados entre 1550 e 1855 que entraram nos portos brasileiros, a maioria era composta por jovens do sexo masculino. A desigualdade de gênero era ampla, geral e irrestrita.
Mas as relações sociais entre homens e mulheres passaram por grandes transformações nos anos da Independência do Brasil. A primeira mudança foi quantitativa, mas com potencial de gerar profundas implicações no longo prazo, pois as mulheres deixaram a condição de sexo minoritário durante anos e passaram a ser maioria da população a partir da segunda metade do Século XX.
Na política, a Lei das Eleições determina que partidos reservem pelo menos 30% e no máximo 70% das candidaturas para cada sexo. A Lei dos Partidos Políticos também determina o mesmo percentual para custeio de suas campanhas. Apesar disso, existe o desafio de fiscalizar a conduta das agremiações, para evitar fraudes como as candidaturas laranjas, em que não há a efetiva participação feminina no processo eleitoral.
A voz feminina dentro da política muitas vezes é deixada de lado ou vista como desnecessária. O preconceito sofrido por elas dentro de uma Tribuna varia da tentativa de coibição de fala a chamamentos. A luta por direitos das mulheres ganha espaço no Brasil e temas como aborto, maternidade, carreira e assédio têm ocupado amplo espaço de discussão na sociedade.
Apesar de ter havido uma aparente melhoria na representatividade feminina no Legislativo Nacional, a proporção de mulheres se mostra bem abaixo do encontrado na população brasileira.
É importante que as mulheres possam reconhecer o seu processo e “importância” no cenário político, especialmente local. Somente elas podem entender as suas demandas e contribuir para a melhoria na qualidade de vida feminina em âmbito Municipal, Estadual e Federal.

Mulheres são a maioria no exercício da política
No Estado de Mato Grosso, conforme levantamento com base nos dados referentes às Eleições Gerais de 2022, as mulheres são a maioria no exercício da política, mas essa atuação se dá apenas nos papéis de eleitoras e de mesárias voluntárias. Do total de 2,49 milhões de pessoas aptas ao voto em Mato Grosso, 51% são mulheres e 49% são homens, ou seja, o eleitorado possui 51,5 mil mais mulheres do que homens. Já entre os mesários e mesárias a diferença é maior. São 21.860 mulheres frente a 8.686 homens, ou seja, 72% frente a 28% do total de 30.547 pessoas voluntárias.
Também são elas que majoritariamente comparecem às urnas e exercem o direito ao voto. A taxa de abstenção é menor entre as mulheres, 22% contra 25% entre os homens. Com base nos dados referentes às Eleições Gerais de 2022, a participação efetiva no dia da votação entre o público feminino foi de 985.096 contra 907.028 entre o eleitorado masculino.
O cenário muda quando o assunto é representatividade feminina entre pessoas candidatas e eleitas em Mato Grosso. Com base em 2022, do total de candidaturas, 34% (177) eram mulheres e 66% (347) eram homens. Naquele pleito, apenas uma mulher se candidatou ao cargo de governadora, já quatro homens participaram da disputa. Para o Senado Federal, nenhuma mulher se candidatou, enquanto entre os homens foram sete candidatos.
Em Mato Grosso, se candidataram à vaga de deputado ou deputada federal 105 homens e 58 mulheres. Já para deputado ou deputada estadual foram 216 candidaturas masculinas, contra 113 femininas. A desproporção também é grande nos cargos para a Câmara Federal. A disparidade refletiu-se no resultado das eleições. Em 2022, duas mulheres foram eleitas deputadas federais e uma deputada estadual.
Com relação aos cargos municipais, foram eleitas 14 prefeitas, 25 vice-prefeitas e 228 vereadoras nas últimas eleições de 2020. Em Cuiabá, três mulheres ocuparam vagas na Casa de Leis. Se considerarmos desde a criação da Câmara de Cuiabá, em 1º de janeiro de 1727, já contando com as três mulheres atuais, apenas 12 vereadoras ocuparam assento como parlamentares.
A desembargadora Maria Aparecida Ribeiro, presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE/MT) destaca:
“Nesta eleição, as legendas devem divulgar em sua página na internet o valor total do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e os critérios para distribuição a candidatas e candidatos. Além disso, entre os destaques temáticos, o texto aprovado pelo TSE e que rege esta eleição de 2024 aborda elementos caracterizadores de fraude à lei e à cota de gênero. Vamos aplicar com rigor as normas e tomar providências que visem o combate à violência política de gênero”,.
Partidos político
Atualmente, o Estado de Mato Grosso possui 344,7 mil pessoas filiadas a partidos políticos. Neste universo, a participação feminina também é menor: 45% de mulheres frente a 55% de homens. São 34,4 mil homens a mais do que mulheres filiadas a algum partido político.
A vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Mato Grosso (TRE/MT), e corregedora regional eleitoral, desembargadora Serly Marcondes Alves, ressalta que um dos motivos para esse cenário pode ser a jornada desigual do trabalho não remunerado.
“São dados que precisariam de uma investigação mais aprofundada, mas nós sabemos que a nossa sociedade é organizada a partir de uma estrutura em que as mulheres são ensinadas para o cuidado, seja com a casa, o marido ou os filhos. É um trabalho não remunerado, cuja maior parte recai, na maioria das vezes, para nós, mulheres. Para as que trabalham fora de casa, ainda tem essa dupla jornada, às vezes até tripla, então, é algo que influencia em toda sua carreira e, como podemos ver, na atuação política também”, avaliou a corregedora.
Política
Disputa pelo Paiaguás antecipa polarização e eleva o “Tom Político” entre os “Poderes”
A corrida sucessória pelo Palácio Paiaguás atingiu um novo patamar de tensionamento político nesta quinta-feira (25), quando o governador do Estado de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), e o senador Wellington Fagundes (PL) protagonizaram um embate público de alta voltagem. O estopim do conflito reside no Projeto de Lei, de autoria do Poder Executivo Estadual, que pleiteia a contratação de um empréstimo bancário vultoso no valor de R$ 1,5 bilhão. Essa matéria financeira, que tramita nos bastidores governamentais e na Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT), transformou-se no principal catalisador de uma crise institucional que expõe as fraturas e as ambições partidárias voltadas ao pleito majoritário futuro.
O cenário desse confronto direto e ostensivo foi a capital do Estado, Cuiabá, onde as articulações políticas e as declarações oficiais repercutiram de forma imediata nos círculos do poder e nas plataformas digitais de comunicação. A escalada discursiva ocorreu logo após o parlamentar federal utilizar suas redes sociais para criticar a gestão fiscal da máquina pública mato-grossense, gerando uma reação contundente e imediata por parte do chefe do Executivo. A centralidade geográfica da disputa acentua a relevância do debate, uma vez que as decisões tomadas na capital geram impactos socioeconômicos profundos em todos os municípios da federação mato-grossense.
O embate deflagrou-se por meio de uma dinâmica mista, que combinou o uso estratégico de ferramentas tecnológicas modernas com entrevistas coletivas tradicionais concedidas à imprensa regional. Wellington Fagundes optou por gravar e publicar um vídeo detalhado em seus canais digitais, direcionando a mensagem diretamente ao eleitorado e questionando a retidão fiscal da proposta governamental.
Em contrapartida, a tréplica de Otaviano Pivetta formalizou-se diante dos jornalistas que cobrem o cotidiano político local, oportunidade em que o governador utilizou termos severos para desqualificar a atuação legislativa e a trajetória pública de seu opositor.
A motivação central subjacente a esse severo desentendimento institucional ancora-se na divergência ideológica e técnica acerca da conveniência e da oportunidade da contratação do crédito bilionário. Enquanto a administração estadual defende que o endividamento planejado constitui uma ferramenta saudável e necessária para a execução de investimentos estruturantes, a oposição parlamentar argumenta que a medida compromete o futuro financeiro do erário.
Adicionalmente, o pano de fundo que impulsiona o conflito é a indisfarçável disputa pela liderança do Executivo nas próximas eleições, o que transforma qualquer debate administrativo em uma arena de pré-campanha.
O método utilizado pelo senador mato-grossense para desestabilizar a proposta governamental consistiu na contestação pública e detalhada dos juros e das contrapartidas fiscais inerentes à operação de crédito pretendida pelo Estado. Fagundes utilizou argumentos baseados na necessidade de transparência, questionando publicamente o destino de recursos anteriormente vinculados a programas habitacionais e exigindo explicações formais. Esse questionamento sistemático buscou minar a credibilidade da peça orçamentária governamental, apresentando o endividamento como um fardo financeiro desnecessário que seria integralmente transferido aos contribuintes mato-grossenses.
A reação do governador Otaviano Pivetta estruturou-se por meio de um ataque verbal contundente, no qual classificou o senador Wellington Fagundes como uma figura política “desprezível” e sem experiência administrativa prática. O gestor estadual argumentou que a capacidade de endividamento de Mato Grosso é um reflexo direto da “excelente saúde financeira” conquistada pela atual gestão, legitimando a busca por novos recursos como uma estratégia empresarial benéfica.
Pivetta enfatizou que governar exige a criação constante de alternativas viáveis e a realização de bons negócios para a sociedade, habilidades que, segundo ele, o seu adversário desconhece por completo.
A intensificação do conflito estendeu-se também ao campo da articulação partidária, momento em que o governador ironizou publicamente o suposto isolamento político que o senador pelo Partido Liberal (PL), enfrenta dentro de sua própria legenda.
Otaviano Pivetta destacou o apoio expressivo que vem recebendo de diversos prefeitos filiados ao partido de seu oponente, sugerindo que novas adesões à sua base governista devem ocorrer nos próximos dias. Ao indagar os presentes sobre as razões que tornam o parlamentar uma figura rejeitada internamente, o Chefe do Executivo buscou fragilizar a sustentação política de Fagundes e demonstrar força institucional.
Os desdobramentos imediatos dessa crise evidenciam uma profunda divisão na base política do estado, afetando diretamente a tramitação de projetos prioritários na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL/MT). Analistas políticos locais apontam que a agressividade dos discursos sinaliza o fim de qualquer possibilidade de neutralidade ou composição pacífica entre os dois grupos majoritários.
A população e as lideranças municipais agora assistem a uma polarização antecipada que tende a paralisar votações importantes, à medida que os deputados estaduais são compelidos a escolher um lado nessa disputa de “PODER”.
As consequências a longo prazo para a sociedade mato-grossense envolvem o risco de atrasos na execução de obras públicas essenciais e uma potencial instabilidade jurídica no que tange aos contratos de financiamento. Caso a oposição consiga obstruir a aprovação do empréstimo de R$ 1,5 bilhão, o cronograma de investimentos em Infraestrutura e Logística poderá sofrer desaceleração severa.
Por outro lado, a consolidação desse endividamento sob um clima de forte contestação política imporá à atual administração a obrigação de demonstrar, com máxima transparência, o retorno social de cada centavo investido.
A quantidade expressiva de recursos financeiros envolvida nessa controvérsia que soma a expressiva cifra de R$ 1,5 bilhão confere à disputa uma relevância macroeconômica que ultrapassa as fronteiras da política partidária. Esse montante representa uma parcela significativa do orçamento anual de investimentos do Estado, o que justifica o rigor técnico e a vigilância da sociedade civil organizada sobre o desfecho do caso.
A vigilância mútua entre os poderes do Executivo e Legislativo, embora eivada de discursos inflamados, definirá os rumos do desenvolvimento econômico e da responsabilidade fiscal de Mato Grosso para os próximos anos.
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