O XADREZ POLÍTICO DENTRO DO UNIÃO BRASIL
Mauro Mendes lança pré-campanha ao Senado sob discurso de rigor institucional e tensionamento interno
Em ato com contornos de Convenção Partidária, ex-governador Mauro Mendes Ferreira, projeta pauta nacional contra fragilidade jurídica, projeta Virgínia Mendes à Câmara Federal e centraliza decisões da Federação Partidária nos colegiados legítimos.
O cenário político estadual registrou uma movimentação estratégica decisiva com o lançamento oficial da pré-campanha do ex-governador Mauro Mendes (UB) ao Senado Federal, configurando um marco na reorganização das forças partidárias majoritárias. O evento representou não apenas o início formal de sua jornada rumo ao Congresso Nacional, mas também a apresentação simultânea da ex-primeira-dama, Virgínia Mendes (UB), como pré-candidata à Câmara dos Deputados para o pleito vindouro.
A consolidação desta dupla candidatura centraliza o protagonismo do União Brasil, sob a liderança do próprio ex-governador, que acumula a condição de cacique primordial da legenda e busca expandir sua influência programática. Ao seu lado, a presença de Virgínia Mendes como postulante ao cargo de deputada federal adiciona densidade eleitoral à chapa, unificando o capital político acumulado pelo grupo nos últimos anos de atuação pública contínua.
O ato político ocorreu na noite desta terça-feira (23), momento em que as articulações para as convenções formais entram em estágio de maturação avançada e demandam definições públicas claras por parte dos líderes partidários. A escolha da data reflete o dinamismo do calendário eleitoral, antecipando os debates estruturantes que nortearão as plataformas de campanha antes da abertura oficial do período legal de registros de candidaturas.
A mobilização de lideranças convergiu para um ambiente que emulou a atmosfera das grandes Convenções Partidárias, congregando uma expressiva base de sustentação política que incluiu deputados governistas, prefeitos, lideranças municipais capilares, aliados históricos e servidores públicos. O prestígio demonstrado pelo comparecimento massivo dessas autoridades evidenciou a manutenção do controle político da máquina partidária e a fidelidade dos quadros operacionais e eletivos da base aliada.
A solenidade estruturou-se por meio de uma detalhada retrospectiva histórica que resgatou as realizações dos mais de sete anos de gestão do ex-chefe do Executivo, servindo como uma robusta prestação de contas e plataforma de justificação técnica. Entre os marcos administrativos reverenciados, destacaram-se a entrega do Hospital Central, o andamento das obras estruturantes na rodovia BR-163, a concepção do Parque Novo Mato Grosso e a substancial recuperação da higidez fiscal do Estado.
O fundamento programático da futura candidatura ao Senado foi explicitado por meio de duras críticas direcionadas à suposta frouxidão das legislações nacionais vigentes, tema eleito pelo pré-candidato como o eixo central de sua atuação parlamentar. Em pronunciamento incisivo, o ex-governador Mauro Mendes defendeu a urgência de uma revisão profunda no arcabouço normativo que rege o serviço público brasileiro e a segurança pública, argumentando que a ausência de regras eficientes e claras confunde o jogo institucional e prejudica a prestação de serviços à sociedade.
Diante das interpelações jornalísticas a respeito de menções midiáticas recentes envolvendo seu nome ao do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, o líder partidário reagiu de forma veemente para neutralizar eventuais desgastes à sua imagem pública. O pré-candidato rechaçou categoricamente as insinuações, classificando-as como uma evidente mentira articulada e imputando o surgimento de tais boatos a manobras subterrâneas de adversários políticos interessados em desestabilizar sua ascensão eleitoral.
O contexto partidário local, todavia, expõe um complexo entrave na Federação União Progressistas para a definição do nome que disputará o Palácio Paiaguás, dividindo as intenções entre as correntes que apoiam o atual vice-governador Otaviano Pivetta e o grupo do senador Jayme Campos (UB). O equilíbrio interno pendeu desfavoravelmente para Jayme Campos após a recente eleição para o comando do diretório partidário, cuja composição majoritária consolidou-se em franca simpatia à indicação de Pivetta para a disputa governamental.

Buscando preservar a estabilidade da aliança, Mauro Mendes demonstrou pragmaticamente que não pretende alimentar o imbróglio com Jayme Campos por meio de polêmicas na imprensa, preferindo canalizar o dissenso para as instâncias legítimas de deliberação. O dirigente manifestou o propósito de submeter a escolha definitiva ao sufrágio dos 50 membros do partido que detêm direito a voto, garantindo que o processo seja respaldado pela soberania partidária regulamentar.
Por fim, os rumos definitivos das candidaturas aos cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual serão chancelados nas convenções oficiais programadas para o intervalo legal entre 20 de julho e 5 de agosto. Ao rechaçar peremptoriamente a sugestão de realização de uma pré-convenção, sob o argumento técnico de que tal instrumento carece de previsão legal e estatutária, o ex-governador minimizou a ausência de Jayme Campos no evento e encerrou a controvérsia, reiterando que a decisão final caberá unicamente ao colegiado partidário.
Política
Galvan denuncia “suposto” esquema de devolução de Emendas Parlamentares e cobra fiscalização
O debate sobre a destinação e a execução das Emendas Parlamentares voltou ao centro das discussões políticas em Mato Grosso após declarações do pré-candidato ao Senado Federal Antônio Galvan, do Avante. Segundo ele, o modelo atual de distribuição desses recursos tem gerado distorções que comprometem a aplicação do dinheiro público e enfraquecem investimentos considerados essenciais para a população.
A denúncia foi apresentada por Galvan durante manifestações públicas realizadas em 2026, período em que os gastos federais com emendas parlamentares ultrapassaram a marca de R$ 1,5 bilhão. De acordo com os dados mencionados pelo pré-candidato, o volume de recursos liberados neste ano já representa o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.
As declarações concentram-se principalmente em municípios do interior de Mato Grosso, onde, segundo o político, prefeitos e ex-prefeitos relataram situações envolvendo a liberação de recursos oriundos de Emendas Parlamentares. O assunto ganhou repercussão por envolver diretamente a gestão municipal e a aplicação de verbas destinadas a obras e serviços públicos.
Conforme relatado por Galvan, alguns gestores municipais estariam sendo pressionados a devolver parte dos valores recebidos por meio das emendas. A prática foi classificada por ele como “Lei do Retorno”, expressão utilizada para descrever uma suposta exigência de repasse de recursos a terceiros como condição para a liberação das verbas destinadas aos municípios.
Segundo o pré-candidato, os percentuais que seriam exigidos variariam entre 30% e 50% dos valores encaminhados pelas emendas parlamentares. Ainda de acordo com seu relato, haveria prefeitos que optaram por não receber determinados recursos justamente por não concordarem com as supostas condições impostas para a sua liberação.
Galvan afirmou que essa dinâmica acabaria gerando interpretações equivocadas perante a população. Conforme explicou, parlamentares poderiam divulgar que determinado gestor recusou recursos públicos, quando, na versão apresentada pelos prefeitos ouvidos por ele, a rejeição teria ocorrido em razão da exigência de devolução de parte dos valores originalmente destinados ao município.
Além das denúncias relacionadas aos repasses, o pré-candidato criticou o modelo de distribuição das Emendas Parlamentares. Para ele, a sistemática atual favoreceria práticas irregulares, reduziria a eficiência da aplicação dos recursos públicos e contribuiria para a execução de obras com qualidade inferior à prevista nos projetos financiados.
Outro ponto levantado por Galvan envolve a utilização de contratações em municípios do interior como estratégia de fortalecimento político-eleitoral. Sem citar nomes, ele afirmou que agentes políticos estariam ampliando suas bases de apoio por meio de estruturas financiadas com recursos públicos, especialmente em períodos que antecedem disputas eleitorais.
As declarações também incluíram questionamentos sobre a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização e pelo controle dos gastos públicos. O pré-candidato defendeu maior acompanhamento das transferências realizadas por meio das Emendas Parlamentares e cobrou medidas que garantam transparência na destinação e na execução dos recursos federais.

Apesar da gravidade das acusações, Galvan não revelou a identidade dos parlamentares que, segundo ele, estariam envolvidos nas supostas irregularidades. O tema, entretanto, não é inédito no cenário político mato-grossense. Em março deste ano, o então Governador do Estado de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, também mencionou a existência da chamada “Lei do Retorno”, sem apresentar nomes.
Na ocasião, os senadores Jayme Campos do União Brasil (UB), e Wellington Fagundes do Partido Liberal (PL), defenderam que eventuais irregularidades fossem formalmente denunciadas às autoridades competentes para investigação e apuração dos fatos.
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