FIM DE UM IMPASSE INSTITUCIONAL
Diálogo político “DESTRAVA” R$ 41 milhões e “Fundo de Educação” em Várzea Grande
A aprovação de um pacote de projetos financeiros e a criação do Fundo Municipal de Educação (FME) sinalizam o fim de um severo impasse institucional que ameaçava paralisar os serviços públicos essenciais e travar os investimentos estruturais na Cidade Industrial. O pacote legislativo, que envolve a liberação de verbas e novas diretrizes de governança orçamentária, foi chancelado pelo parlamento após intensa articulação política.
A Prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), protagonizou o embate ao lado do presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB). Enquanto a chefe do Poder Executivo pressionava publicamente pela votação das matérias urgentes, o líder do Legislativo defendia a manutenção de um teto rígido de remanejamento como prerrogativa fiscalizatória da Casa de Leis.
A resolução do conflito e a consequente votação nominal ocorreram nesta semana, estabelecendo um marco decisivo para a administração pública local no corrente ano de 2025. A iminência de prazos federais fatais acelerou o processo de votação na ordem do dia, impedindo que o município perdesse repasses financeiros da União.

As deliberações e os debates políticos se concentraram no plenário da Câmara Municipal de Várzea Grande, em Mato Grosso. O espaço legislativo tornou-se o epicentro de uma disputa de narrativas entre o Executivo e os parlamentares, atraindo a atenção da comunidade local para o destino das contas públicas municipais.
O consenso foi alcançado por meio de uma complexa negociação jurídica e política, na qual o Poder Executivo aceitou desistir formalmente de uma ação de mandado de segurança que tramitava contra o Poder Legislativo. Essa concessão mútua desfez a resistência partidária e garantiu expressivos 17 votos favoráveis em plenário, viabilizando a aprovação célere do Projeto de Lei nº 191/2025.
A urgência das aprovações justificava-se pelo risco iminente de prejuízo macroeconômico, visto que a cidade perderia em definitivo R$ 14,5 milhões em verbas federais caso o Fundo de Educação não estivesse devidamente regularizado até o dia 7 de julho. O travamento imposto pelo antigo limite de 5% para remanejamentos, segundo a gestão, gerava uma paralisia asfixiante em serviços básicos cotidianos.
O Fundo Municipal de Educação foi instituído especificamente para permitir que a municipalidade capte, movimente e gerencie recursos financeiros federais e próprios com níveis muito superiores de autonomia e transparência. A nova estrutura legal visa garantir que os investimentos educacionais cheguem diretamente às escolas sem os entraves burocráticos do orçamento geral.
O montante global autorizado pelo parlamento soma mais de R$ 41 milhões, dos quais R$ 33,3 milhões serão integralmente destinados à Secretaria Municipal de Viação e Obras para pavimentação, tapa-buracos e construção de pontes. Os R$ 7,8 milhões restantes foram direcionados à Secretaria de Educação e Cultura, incluindo a destinação de R$ 1,5 milhão para a reforma da histórica Igreja Nossa Senhora da Guia.
Em pronunciamento oficial, a Prefeita da Cidade Industrial, Flávia Moretti apelou veementemente ao presidente da Câmara de Várzea Grande para que olhasse pelas demandas prementes da população várzea-grandense. Por sua vez, o vereador Wanderley Cerqueira fundamentou sua posição inicial lembrando que, no ano anterior, o Executivo dispôs de 25% de margem, cerca de R$ 500 milhões, sem que houvesse a devida contrapartida na Infraestrutura Urbana ou no Saneamento.
Com a pacificação temporária das relações institucionais e a validação jurídica das novas leis, a prefeitura várzea-grandense inicia agora a abertura das contas bancárias específicas e a regularização documental perante os ministérios em Brasília. O desfecho administrativo assegura a continuidade das frentes de trabalho asfáltico e assegura a estabilidade fiscal do município para os próximos meses.
Política
Galvan denuncia “suposto” esquema de devolução de Emendas Parlamentares e cobra fiscalização
O debate sobre a destinação e a execução das Emendas Parlamentares voltou ao centro das discussões políticas em Mato Grosso após declarações do pré-candidato ao Senado Federal Antônio Galvan, do Avante. Segundo ele, o modelo atual de distribuição desses recursos tem gerado distorções que comprometem a aplicação do dinheiro público e enfraquecem investimentos considerados essenciais para a população.
A denúncia foi apresentada por Galvan durante manifestações públicas realizadas em 2026, período em que os gastos federais com emendas parlamentares ultrapassaram a marca de R$ 1,5 bilhão. De acordo com os dados mencionados pelo pré-candidato, o volume de recursos liberados neste ano já representa o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.
As declarações concentram-se principalmente em municípios do interior de Mato Grosso, onde, segundo o político, prefeitos e ex-prefeitos relataram situações envolvendo a liberação de recursos oriundos de Emendas Parlamentares. O assunto ganhou repercussão por envolver diretamente a gestão municipal e a aplicação de verbas destinadas a obras e serviços públicos.
Conforme relatado por Galvan, alguns gestores municipais estariam sendo pressionados a devolver parte dos valores recebidos por meio das emendas. A prática foi classificada por ele como “Lei do Retorno”, expressão utilizada para descrever uma suposta exigência de repasse de recursos a terceiros como condição para a liberação das verbas destinadas aos municípios.
Segundo o pré-candidato, os percentuais que seriam exigidos variariam entre 30% e 50% dos valores encaminhados pelas emendas parlamentares. Ainda de acordo com seu relato, haveria prefeitos que optaram por não receber determinados recursos justamente por não concordarem com as supostas condições impostas para a sua liberação.
Galvan afirmou que essa dinâmica acabaria gerando interpretações equivocadas perante a população. Conforme explicou, parlamentares poderiam divulgar que determinado gestor recusou recursos públicos, quando, na versão apresentada pelos prefeitos ouvidos por ele, a rejeição teria ocorrido em razão da exigência de devolução de parte dos valores originalmente destinados ao município.
Além das denúncias relacionadas aos repasses, o pré-candidato criticou o modelo de distribuição das Emendas Parlamentares. Para ele, a sistemática atual favoreceria práticas irregulares, reduziria a eficiência da aplicação dos recursos públicos e contribuiria para a execução de obras com qualidade inferior à prevista nos projetos financiados.
Outro ponto levantado por Galvan envolve a utilização de contratações em municípios do interior como estratégia de fortalecimento político-eleitoral. Sem citar nomes, ele afirmou que agentes políticos estariam ampliando suas bases de apoio por meio de estruturas financiadas com recursos públicos, especialmente em períodos que antecedem disputas eleitorais.
As declarações também incluíram questionamentos sobre a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização e pelo controle dos gastos públicos. O pré-candidato defendeu maior acompanhamento das transferências realizadas por meio das Emendas Parlamentares e cobrou medidas que garantam transparência na destinação e na execução dos recursos federais.

Apesar da gravidade das acusações, Galvan não revelou a identidade dos parlamentares que, segundo ele, estariam envolvidos nas supostas irregularidades. O tema, entretanto, não é inédito no cenário político mato-grossense. Em março deste ano, o então Governador do Estado de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, também mencionou a existência da chamada “Lei do Retorno”, sem apresentar nomes.
Na ocasião, os senadores Jayme Campos do União Brasil (UB), e Wellington Fagundes do Partido Liberal (PL), defenderam que eventuais irregularidades fossem formalmente denunciadas às autoridades competentes para investigação e apuração dos fatos.
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