TESTANDO A POPULARIDADE DOS CANDIDATOS
Legendas tentam desde já testar a popularidade de possíveis postulantes e consolidar alianças
Com as articulações para as eleições de 2026 já em curso, os partidos mato-grossenses terão que tomar uma decisão sobre quem lançará como candidato ao cargo de Senador e de Governador do Estado. Até então, pelo menos 4 nomes estão no páreo para a disputa: a deputada estadual Janaína Riva (MDB), os Senadores Wellington Fagundes (PL) e Jayme Campos do União Brasil (UB), o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) são os favoritos na disputa pelo Governo do Mato Grosso nas eleições de 2026. Entretanto, apenas um deve ser escolhido.
Os alinhamentos que devem reger as eleições de 2026 no Estado de Mato Grosso já estão em andamento, com movimentações entre os principais nomes que devem disputar o Senado e o Governo do Estado. Mesmo que candidaturas só possam ser realizadas a partir de julho do ano que vem, as legendas tentam desde já testar a popularidade de possíveis postulantes e consolidar alianças.
Internamente, os partidos já têm contratado pesquisas para calcular a intenção de voto dos eleitores em diferentes cenários. Como a legislação só obriga o registro desse tipo de levantamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando ele for realizado no ano do pleito, os dados coletados agora não estão formalizados junto à Justiça Eleitoral. No entanto, já servem como medida para orientar reuniões e negociações, especialmente com siglas aliadas. Nas redes sociais, o movimento é ainda mais visível. com potenciais candidatos ampliando a presença digital e investindo em novas estratégias de comunicação para atrair o eleitor.

Embora as disputas para cargos majoritários, como governador e presidente, despertem mais expectativa, boa parte das legendas está focada agora no desempenho para a eleição de deputados federais e estaduais.
A principal preocupação é garantir o cumprimento da cláusula de barreira: em 2026, a norma passará a exigir que partidos elejam ao menos 13 deputados federais em nove Estados ou alcancem 2,5% dos votos válidos distribuídos igualmente entre as unidades da Federação para acessar recursos do Fundo Partidário e ter direito à propaganda gratuita.
Sem uma liderança com densidade eleitoral para a disputa ao Governo do Estado de Mato Grosso, a movimentação do grupo de oposição expõe o cenário desolador a que os partidos de esquerda chegaram por aqui. Para outros do mesmo “campo progressista”, a consciência desse contexto pode servir de insumo para uma reação.
Apoio declarado do “HOMEM DE FERRO” repercutiu mal
Entre os nomes que circulam com força nos bastidores estão políticos experientes e até mesmo empresários do Agronegócio. No principal grupo, o cacique numero 1 do União Brasil (UB), o governador Mauro Mendes Ferreira, declarou apoio ao seu atual vice no comando do Executivo Estadual, do partido Republicanos, Otaviano Olavo Pivetta, como candidato ao Governo de Mato Grosso na próxima eleição.
O “Homem de Ferro“, Mauro Mendes, conforme informações de bastidores, tem um acordo com Otaviano Pivetta para apoiá-lo como seu sucessor no Palácio Paiaguás. Ambos devem ter seus nomes nas urnas nas eleições de 2026, já que Mauro Mendes deve disputar uma vaga no Senado Federal. Para isso, ele precisará renunciar ao mandato seis meses antes das eleições. A renúncia beneficiaria Pivetta, que passaria a comandar o governo e poderia fazer campanha já como governador do Estado.
Entretanto, o apoio de Mendes a Pivetta repercutiu mal, visto que eles não são do mesmo partido. O deputado estadual , também do União Brasil (UB), classificou o apoio público de Mauro Mendes como “totalmente irregular” e “contraditório”.
Nos bastidores, e corredores palacianos, o nome do Senador Jayme Campos, do União Brasil (UB), também circula como possível pré-candidato ao governo estadual. O próprio Senador declarou estar à disposição da legenda para disputar o cargo. No entanto, ainda não há consenso dentro do partido. Parte da sigla defende o apoio ao nome indicado por Mauro Mendes, enquanto outra ala entende que a escolha deve ser feita pelo Diretório Estadual.
União Brasil espera Jayme para definir candidatura ao governo
Recentemente, durante a abertura do Encontro Mato-grossense do Programa Nacional de Alimentação Escolar, a deputada federal pelo União Brasil (UB), Gisela Simona, declarou que o partido está aguardando a decisão do Senador Jayme Campos (UB) sobre uma possível candidatura ao Governo do Estado em 2026.
“Estamos aguardando a posição do senador Jayme Campos para que o partido possa oficializar o nome dele como candidato ao Governo. Se ele confirmar que vem, com certeza o União Brasil vai apoiar. Ele é uma das nossas maiores lideranças e precisa ser valorizado internamente”.
A parlamentar unista disse que a sigla já iniciou as primeiras articulações com vistas às eleições de 2026, inclusive com uma reunião entre os parlamentares do União Brasil (UB), e do Partido Progressistas (PP), que agora formam a Federação União Progressista.
“Nós conseguimos realizar uma primeira reunião com os mandatários, justamente para começar a pensar nas chapas. O mais importante neste momento é entender quem vem para qual cargo. Já tivemos um encontro com o deputado Paulo Araújo, do PP, junto com os deputados estaduais do União Brasil. E vamos fazer uma nova reunião em breve para discutir nomes que possam compor nossas chapas para estadual e federal”.
Gisela Simona também afirmou que há expectativa de que o governador Mauro Mendes (UB) dispute o Senado.
“Ele disse que até o dia 5, ao meio-dia, vai tomar a decisão. Mas o grupo está muito confiante de que ele será o nosso candidato a senador”.
Sobre a possível desistência dentro do partido do Senador Jayme Campos na disputa pela cadeira numero 1 do Estado de Mato Grosso, a unista Gisela Simona disse que depende agora da resposta do Senador.
“Não existe nenhum embate. O que estamos aguardando é a decisão dele, que é uma liderança consolidada, para que possamos organizar o partido em torno disso. Precisamos dessa definição para sentarmos e alinharmos as estratégias”, concluiu.
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
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