Política
Janaína Riva: esgotou o prazo de 100 dias
A deputada estadual Janaina Riva (PSD) disse que a partir de agora que se esgotou o prazo de 100 dias pedido pelo governo do estadual para tomar conhecimento da real situação do Estado, os parlamentares vão começar a cobrar as transformações prometidas em campanha pelo governador Pedro Taques (PDT).
"Os deputados foram parceiros nesses 100 dias que o governo pediu para tomar pé da situação, mas à partir de agora começam as cobranças, não só da oposição, mas dos deputados de situação como um todo que querem saber a realidade, afinal de contas foram 100 dias para se botar a par. Qual a realidade orçamentária do estado e as condições que nós teremos? O que os deputados vão ter de emenda parlamentar, onde vamos conseguir melhorias para a saúde e através do que vamos conseguir isso? Queremos ver as ações daquilo que foi prometido, agora não tem mais desculpa, aliás tem aí um caixa bem gordo. Foram feitas economias, o estado ficou praticamente estagnado e precisamos saber agora o que vai ser feito com esse dinheiro", disse.
Na avaliação da parlamentar foi um prazo mais que suficiente para o governo ter um parâmetro de gestão e começar a agir. "É isso que nós estamos esperando agora. Mais atitude dos secretários, porque tem muito deputado descontente com o atendimento de várias Secretarias, descontentes com o comportamento de vários secretários, com a dificuldade de falar ao telefone, de ser recebido. Nós já temos um demonstrativo do que vai ser esse governo, nesses 100 dias já deu pra perceber que vai ser um governo muito parecido com perfil do governador, jurídico, impositivo. Na minha opinião não é um perfil político. O governo deveria ouvir mais os deputados estaduais, ouvir mais a Assembleia e ouvir mais o clamor da população", declarou.
Segundo Janaina, existem setores que ela considera prioritário, como por exemplo a saúde e as estradas. "O que a gente questiona é o que ainda não está acontecendo e precisa acontecer de forma emergencial. As estradas que eu tenho falado durante todas as sessões é uma questão emergencial. Se você não tem estrada não têm educação, não tem saúde, não tem acesso a nada. Nós estamos falando de um Mato Grosso que é muito mais que Cuiabá e Várzea Grande, é um estado complexo com 141 municípios e com uma dificuldade tremenda que é a nossa logística", disparou.
Para a deputada, dizer que não sabia da situação que se encontrava o estado não é desculpa para não haver ações. "É uma responsabilidade que assume quem é candidato ao governo do estado, ter que saber aquilo que vai assumir se ganhar. O que a gente espera é que agora venham as ações. O discurso ele é muito bom, mas não enche barriga, não traz educação, não melhora a saúde. A gente ainda vê pessoas morrendo no Pronto Socorro de Cuiabá, uma saúde vergonhosa em Várzea Grande que são os nossos municípios referência, imagina no interior. As pessoas esperam essa melhoria, principalmente as pessoas que votaram no Pedro Taques e que tinham a perspectiva de que um dia após ele ganhar a eleição muita coisa aconteceria no estado. Ele pediu 100 dias, os cem dias acabaram e agora elas esperam acontecer aquilo que e ansiavam desde o primeiro dia", finalizou.
Política
Justiça Eleitoral ratifica devolução de recursos pela “Chapa Brunini”
O cenário jurídico-político de Cuiabá enfrenta um momento de definição institucional após o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE/MT) confirmar a necessidade de restituição de valores ao Tesouro Nacional pelo atual prefeito, Abilio Brunini (PL). Em decisão colegiada, a Corte manteve a aprovação das contas de campanha de 2024 com ressalvas, mas não eximiu a chapa da responsabilidade sobre inconsistências financeiras. O montante de R$ 465,9 mil, oriundo do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), permanece como objeto de devolução compulsória após o esgotamento de recursos na esfera regional.
A decisão foi oficialmente publicada nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, consolidando o entendimento técnico-jurídico que perdura desde o pleito municipal anterior. A manutenção da sentença ocorre em um período de intensa vigilância sobre a transparência dos gastos públicos, reforçando o papel fiscalizador da Justiça Eleitoral sobre o uso de recursos partidários. O acórdão reflete a postura rigorosa do Tribunal diante de prestações de contas que, embora não inviabilizem o mandato, apresentam falhas estruturais na comprovação de despesas vultosas durante o processo eleitoral cuiabano.
Abilio Brunini, eleito pelo Partido Liberal (PL), figura como o protagonista central desta lide jurídica ao lado de sua vice-prefeita, Vânia Rosa (MDB). O gestor municipal, que fundamentou sua trajetória política na fiscalização e na retidão administrativa, vê-se agora na contingência de sanar irregularidades apontadas pelo órgão técnico do Tribunal. A inclusão da vice-prefeita no processo decorre da natureza solidária da chapa majoritária, em que ambos respondem pela higidez financeira dos recursos que viabilizaram a vitória nas urnas e a subsequente diplomação.
O imbróglio jurídico teve como palco principal a 55ª Zona Eleitoral e, posteriormente, o Plenário do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE/MT), em Cuiabá. O processo transitou por diversas etapas de análise, saindo da primeira instância onde as falhas foram originalmente detectadas para o colegiado de segunda instância. Este espaço institucional é onde se decidem as questões de mérito relativas à legalidade dos gastos eleitorais no estado, servindo como a última barreira de validação para que os recursos públicos destinados à democracia sejam aplicados estritamente dentro dos parâmetros legais vigentes.

A motivação precípua para a condenação reside na falta de rastreabilidade e na fragilidade documental de gastos realizados com empresas de comunicação e marketing. O parecer técnico apontou que a campanha falhou ao tentar individualizar pagamentos que envolviam múltiplas fontes de recursos, dificultando o controle estatal sobre o destino final das verbas.
Além disso, irregularidades no repasse a partidos coligados, como o Democracia Cristã (DC) e o PRTB, foram determinantes para que a Justiça interpretasse a existência de uma mácula na prestação de contas apresentada.
O processo de revisão dos valores foi complexo, passando de uma cobrança inicial astronômica de R$ 2,8 milhões para o patamar atual de aproximadamente R$ 465,9 mil. No ano anterior, a defesa logrou êxito parcial ao comprovar a regularidade de uma parcela significativa dos gastos, o que reduziu drasticamente o passivo junto ao Tesouro. Entretanto, a parcela remanescente não encontrou lastro em notas fiscais ou contratos que satisfizessem o rigor exigido pela auditoria eleitoral, resultando na manutenção do débito que agora a defesa tenta, sob balde, contestar via embargos.
A defesa técnica de Abilio Brunini sustentou, ao longo de todo o rito processual, que não houve dolo ou má-fé, mas sim uma divergência de interpretação sobre a validade de certos documentos fiscais. Os advogados alegaram que o tribunal ignorou provas anexadas aos autos e que a regularidade das contas seria total se as notas apresentadas fossem devidamente processadas. Reafirmaram, em nota, que a transparência foi a marca da campanha e que os recursos foram aplicados na atividade política, sem qualquer desvio de finalidade que justificasse a sanção pecuniária imposta.
A condenação baseou-se na premissa de que o ônus da prova recai integralmente sobre o prestador de contas, conforme destacado no corpo da decisão judicial.
O magistrado relator enfatizou que é: “imperativo reiterar o dever do candidato de garantir a lisura, transparência e confiabilidade“.
Para o Tribunal, a dificuldade de rastrear o caminho do dinheiro público configura uma falha que compromete a fé pública do processo. Assim, a decisão atua pedagogicamente para que futuros pleitos não repitam a desorganização administrativa na gestão de recursos do Fundo Eleitoral.

O desfecho desta etapa ocorreu através da rejeição unânime dos últimos embargos de declaração apresentados pela defesa no mês de março. A unanimidade dos votos dos membros do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE/MT) imprime uma chancela de robustez à decisão, indicando que não houve divergência doutrinária entre os juízes sobre a obrigação da devolução.
Com a rejeição, as vias de contestação no âmbito regional se exaurem, restando à defesa apenas a possibilidade de recursos extraordinários junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em Brasília, caso vislumbrem violações constitucionais ou legais.
As consequências imediatas para a administração municipal são de ordem jurídica e reputacional, embora não impliquem, neste momento, a perda do mandato. O valor de R$ 465,9 mil deverá ser recolhido aos cofres da União, sob pena de inscrição em dívida ativa e outras sanções administrativas. O episódio serve como um lembrete da complexidade que envolve o Financiamento Público de Campanhas no Brasil, onde a precisão contábil é tão determinante para a estabilidade política quanto a vontade expressa pelos eleitores no dia da votação.
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