Artigo
PASTORAL DA ECOLOGIA INTEGRAL DESENVOLVE COMPOSTAGEM
Autor: Juacy da Silva* –
“O Papa Francisco defendeu ao longo de seu magistério que a Ecologia Integral é uma responsabilidade cristã essencial, não opcional, exigindo uma “conversão ecológica” que uma o cuidado ambiental à justiça social. Na encíclica Laudato si’, destaca que “tudo está interligado”, unindo a crise ecológica ao sofrimento dos pobres, exigindo um estilo de vida menos consumista e mais fraterno”.
Este é um dos fundamentos, base da atuação, das lutas e da caminhada da Pastoral da Ecologia Integral, uma forma de agir concreto, de uma evangelização que faz tanto a OPÇÃO PREFERENCIAL PELOS POBRES e também, uma desafia intransigente das obras da criação, do meio ambiente, enfim, da Ecologia Integral, crendo, como dizia nosso saudoso Papa Francisco que “o grito, o gemido da terra é também o grito e o gemido dos pobres e excluídos“, comprometendo-nos com o planeta e com a humanidade, na busca de um mundo melhor, uma terra sem males, onde a justiça social, a paz e a solidariedade sejam os fundamentos de uma cultura da paz e do bem viver.
A Pastoral da Ecologia Integral, da Paroquia Nossa Sra. do Pantanal, em Várzea Grande, tem desenvolvido alguns projetos interessantes relacionados com a Ecologia Integral, primeiro na área da Reciclagem, que esta “andando” super bem, um exemplo para outras paroquias e comunidades.
Agora a mesma PEI esta desenvolvendo COMPOSTAGEM, também uma experiência super interessante e mais um exemplo do que podemos realizar, além de outras experiências que estão sendo desenvolvidas em diversas outras paroquias e comunidades eclesiais.
Por isso acreditamos que essas equipes locais, aplicando o MÉTODO DA IGREJA: VER, JULGAR e, P R I N C I P A L M E N T E O AGIR, colocando a mão na massa, motivando a formação de equipes, participação coletiva, podemos realizar muitos projetos e ações sociotransformadores, incluindo arborização, recuperação de nascentes, educação ambiental, reciclagem em geral, reciclagem de óleo de cozinha, hortas domésticas, comunitárias, escolares, plantas medicinais e agroecologia (produção orgânica), limpeza de nossos quintais, transformando-os em quintas ecológicos ou quintais produtivos, participando de conselhos municipais, estaduais de meio ambiente e de bacias hidrográficos e tantas outras ações sociotransformadoras.
Além de nossas ações, como cidadãos, cidadãs e contribuintes, também devemos atuar na mobilização profética, sugerindo, colaborando e pressionando os poderes públicos, principalmente as prefeituras para definirem e implementarem políticas públicas voltadas para todas essas áreas, contando, então com nossa participação.
Tudo isso é feito ou deve ser feito, não apenas em nível individual, mas fundamentalmente de forma coletiva, no contexto da economia circular e da economia solidária/cooperativismo e da economia criativa.
Ah, esta paróquia tem algumas comunidades eclesiais localizadas na área rural, assentamentos de reforma agrária, onde, com certeza, poderão ser realizados projetos de agroecologia, em bases de economia solidaria, melhorando a qualidade da produção, principalmente horticultura, olericultura, pequenas criações, agroindustrialização, reduzindo fundamentalmente o nível de exploração que os agricultores familiares estão sujeitos `a ação nefasta dos atravessadores que pagam importância reduzida aos produtos no meio rural e se apropriam de um lucro escorchante, mantendo os agricultores familiares na pobreza e exclusão.
Finalizando, gostaríamos de incluir o chamado e as exortações do Papa Leão XIV, quando nos afirma e enfatiza que “a ecologia integral exige uma conversão ecológica profunda, unindo o cuidado com a criação à justiça social e à proteção dos mais pobres. Ele insta os cristãos a superarem discursos, adotando ações concretas e uma espiritualidade pascal para combater o consumismo, o desperdício e a degradação ambiental“. Conforme relatado pelo site Vaticano News, em 19 Novembro de 2025, na Audiência Geral: A Ecologia integral nasce da conversão integral que nos exige o Evangelho.
Segue um pequeno vídeo enviado pela Camila Webler, da PASCOM e também agente da PEI da Pastoral da Ecologia Integral da Paróquia Nossa Sra. do Pantanal, em Várzea Grande.
Veja o vídeo
INSISTIR SEMPRE, DESISTIR JAMAIS! JUNTOS, COMO PASTORAL, SOMOS MAIS FORTES E VENCEREMOS TODOS OS DESAFIOS SOCIOAMBIENTAIS, UM GRANDE ABRAÇO.
*Juacy da Silva professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro Oeste
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Artigos
BIOCOMBUSTÍVEIS – O Antídoto Brasileiro frente à Crise Energética Global
Autor: Cidinho Santos* –
A história mostra que grandes crises energéticas costumam abrir caminhos para mudanças estruturais. Foi assim na década de 1970, quando o Brasil, pressionado pelo choque do petróleo, criou o Pró-Álcool e deu início a uma das cadeias produtivas mais eficientes do mundo. Agora, diante das incertezas no tabuleiro geopolítico e de uma nova escalada global dos combustíveis fósseis, o Brasil se encontra em uma posição singular, com a oportunidade de ampliar, avançar e consolidar uma maior participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional.
O mundo vive um cenário de instabilidade energética. Enquanto os tambores de guerra ecoam no Oriente Médio e as tensões escalam em regiões vitais para o suprimento de energia, o preço do barril de petróleo voltou a assombrar as economias globais, superando os US$ 100, impulsionado pelo risco de interrupções no fornecimento global. Isso impacta diretamente o custo do diesel, do transporte, dos fertilizantes e, consequentemente, de toda a cadeia produtiva.
No Brasil, esse efeito já é sentido no campo. O diesel mais caro pressiona o frete, encarece a produção, diminui a margem e reduz a competitividade. Mas, ao contrário de muitos países, temos uma vantagem estratégica clara, que ameniza estes impactos e pode ganhar muito mais protagonismo, passando a ser um verdadeiro triunfo contra a volatilidade do mercado internacional: os biocombustíveis.
Esse não é um ativo trivial. É, hoje, um diferencial competitivo e um escudo econômico.
O Brasil construiu, ao longo de décadas, com visão e persistência, a indústria de biocombustíveis mais sofisticada do mundo. Dispomos de matéria prima abundante, integração da cadeia produtiva, alta tecnologia de processamento e capacidade de escala como poucos países, sendo ambientalmente mais responsáveis, despontando ainda na vanguarda da descarbonização.
O etanol e o biodiesel, por exemplo, deixaram de ser apostas para se tornarem pilares da matriz energética nacional, com misturas obrigatórias entre as mais significativas do planeta. Além disso, a maior parte da frota nacional está preparada para utilizar diferentes combinações de combustíveis, o que dá flexibilidade ao sistema. Contudo, precisamos avançar muito mais para não sermos vítimas da subutilização do nosso potencial.
Mato Grosso é um exemplo claro disso. O estado é líder na produção de grãos e maior produtor de etanol de milho do País. Para se ter uma ideia, na produção total de etanol, saímos de 2,44 bilhões de litros na safra 19/20 – com equilíbrio de produção de etanol de cana de açúcar e de milho e devemos alcançar na safra 26/27, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) cerca de 8,44 bilhões de litros, sendo 86% desse montante oriundo da produção de etanol de milho, o que representa um aumento exponencial de 500% somente deste produto, no período. Nesse ínterim, o estado também praticamente dobrou sua produção de biodiesel, alcançando um recorde de 2,30 bilhões de litros em 2025, consolidando-se como segundo maior produtor do Brasil. Ou seja, temos matéria-prima, escala e tecnologia para ampliar ainda mais nossa participação na matriz energética nacional. O que falta, portanto, não é capacidade produtiva, mas decisão política.
Nesse contexto, a necessidade da ampliação agora da mistura de biodiesel ao diesel para 20% – o chamado B20 e do etanol na gasolina para 35% (E35), deixa de ser apenas uma agenda setorial e passa a ser uma decisão estratégica de Estado. Elevar a mistura de biocombustíveis aos combustíveis fósseis é uma medida concreta, de impacto imediato. Isso reduz a dependência de combustíveis fósseis importados, protege a economia das oscilações internacionais e ainda fortalece a cadeia produtiva nacional, gerando emprego e renda, atraindo investimentos e promovendo o desenvolvimento regional.
Diante de um cenário internacional marcado por incertezas, o Brasil não pode hesitar. Ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética não é apenas desejável — é necessário. Sem contar que neste momento, por exemplo, o preço do óleo diesel A S10 importado está em R$ 6,40/litro, valor mais alto que o biodiesel, comercializado a R$ 5,15/litro, segundo dados oficiais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o que reafirma mais um benefício direto, com redução do valor final para o consumidor. Ou seja, precisamos fazer escolhas que fortaleçam a produção interna, reduzam as nossas vulnerabilidades, protejam o consumidor e reafirmem a autonomia do país em um mundo cada vez mais volátil.
Se há uma lição a ser tirada da atual crise energética global é que: depender excessivamente de fontes externas e concentradas de energia é um risco estratégico.
Nosso país é um gigante energético que ainda não despertou completamente para o seu próprio potencial. Temos todas as condições de estabelecer alternativas reais ao petróleo, com competitividade de mercado e produção 100% nacional. O que falta é transformar isso em política de Estado, com previsibilidade e regulamentação, que garantam segurança aos investimentos para ampliação da capacidade produtiva com confiança e estabilidade.
O futuro da energia está sendo disputado agora. E, graças à sua trajetória, o Brasil já saiu na frente nesta competição. Temos o remédio nas mãos. Temos biocombustíveis. É hora de usar essa vantagem estratégica para proteger nossa economia e mostrar que o futuro, além de verde, é produzido em solo brasileiro!
*Cidinho Santos é ex-senador por MT, empresário do agronegócio e CEO do Grupo MC Empreendimentos e Participações
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