PROTAGONISMO FEMININO
Gisela Simona sugere a Osmar Froner que aprenda a respeitar as diferenças
Em 2024 acontecem as eleições municipais. Na medida em que o pleito eleitoral se aproxima, a temática da violência política de gênero se torna mais evidente. De acordo com a Justiça Global, esse é o dos fatores que resultam na pouca participação feminina na política nacional.
Mas afinal, o que é violência política? Agressão física, psicológica, econômica, simbólica ou sexual contra a mulher, com a finalidade de impedir ou restringir seu acesso e exercício de funções públicas. Esse é conceito básico deste tipo específico de violência, tipificado na Lei 14.192 de agosto de 2022.
A norma estabelece mecanismos de prevenção, repressão e combate à violência política durante as eleições e no exercício de direitos políticos e de funções públicas para mulheres. De acordo com a Lei, violência política é toda ação, conduta ou omissão que impeça, crie obstáculos ou restrinja os direitos políticos das mulheres. A norma também altera o Código Eleitoral, proibindo a propaganda partidária que deprecie ou discrimine a mulher em razão do gênero, cor, raça ou etnia.

Prefeito tem que aprender respeitar as diferenças
A deputada federal e presidente do Diretório do União Brasil, em Cuiabá, Gisela Simona reiterou nesta última segunda-feira (17), sua defesa contra perseguições que vêm ocorrendo contra mulheres na ambiência política, em especial, contra aquelas que têm coragem de questionar prefeitos, secretários ou vereadores. Ao apontar sua luta como mulher e como parlamentar, para que não seja normalizada a violência política de gênero dentro de Mato Grosso.
A declaração da deputada federal vem em resposta ao prefeito do seu partido, Osmar Froner, da cidade de Chapada dos Guimarães, localizada cerca de 68 km distante da Capital, que neste último sábado, (15), se utilizou de uma nota, para repudiar atuação de Gisela Simona, por ter recebido em seu gabinete a ex-vereadora Fabiana Nascimento (PSDB), que protocolou pedido de providências referente a injustiça da sua cassação, no final do mês passado, no município.
“Recebi o documento e manifestei o meu apoio no sentido de que precisamos combater a violência política dentro de Mato Grosso. Porque, infelizmente, a Fabiana não é a primeira mulher na política que sofre esse tipo de violência“.
Em seu perfil no Instagram, a deputada igualmente aponta que a própria nota assinada por Osmar Froner, já representa um episódio de violência política de gênero. Ao apontar o machismo de alguns políticos que não aceitam divergência de ideias.
“Estou sendo tratada de forma machista por manifestar minha opinião, como se eu fosse obrigada a concordar com tudo e com todos. Enquanto eu estiver na posição que estou como uma mulher que está na política vencendo barreiras, vencendo preconceitos. Uma mulher que faz parte de uma bancada negra na Câmara dos Deputados, que faz parte de uma bancada feminina, continuarei me manifestando a favor de atos que não concordo“.
Para Gisela Simona, enquanto agentes políticos, ela entende que os vereadores de Chapada dos Guimarães exerceram a prerrogativa que possuem, em um Estado Democrático de Direito, ao decidirem pela cassação da vereadora. Assim, ela respeita mas não precisa, necessariamente, concordar.
“Sei que como agentes políticos, temos legitimidade e prerrogativa para fazer o voto que nós entendemos correto. E os vereadores de Chapada exerceram essa prerrogativa. Foram lá e votaram pela cassação da vereadora Fabiana. Eu respeito, mas posso não concordar. Pois como mulher, como cidadã, como parlamentar, dentro de um país democrático, eu tenho este direito“.
A deputada federal ainda recomendou ao prefeito Osmar Froner respeito às diferenças. Ao sugerir que, ao invés de assinar nota de repúdio contra ela, por realizar a defesa de outra mulher, mostrando sororidade, que se una à luta do União Brasil que nestas eleições abriu guerra, em Mato Grosso, contra políticos corruptos. Assim, quer cassar políticos que desviam dinheiro público, que desviam dinheiro da Saúde, que usam recursos para outra finalidade daquela para qual a verba foi enviada. Ao, igualmente, convidar a população de Chapada dos Guimarães se unir à esta luta e se manifestar nas urnas por uma sociedade com mais equidade e menos machismo.
Também fazendo questão de lembrar ao Prefeito de Chapada, que apontou que a deputada sequer vai ao município, que no dia 29 de maio caiu nos cofres da Prefeitura de Chapada dos Guimarães, recursos oriundo de uma emenda sua, de R$ 200 mil, que destinou para a área de saúde.
“Também é preciso registrar prefeito Osmar Froner, quando diz que eu sequer vou a Chapada, que o senhor falta com a verdade. Além de ir, tenho muitos amigos e muitos eleitores na cidade de Chapada dos Guimarães. Como também é necessário registrar que nesse dia 29 de maio caiu nos cofres da prefeitura, recurso oriundo de uma emenda parlamentar que eu destinei, no valor de 200 mil, para a área de saúde. E me parece que disto o senhor não está lembrado. Mas eu sei, pois eu fiz, então tenho total direito de poder lembrar, inclusive, em respeito à população chapadense. E ainda comunicar a toda a população que eu sou uma parceira de Chapada e que continuarei lutando por tudo que acredito, pois foram as minhas convicções que me trouxeram até aqui onde hoje estou dentro da política“.
Entenda
A nota de repúdio assinada pelo Prefeito da Cidade de Chapada dos Guimarães, Osmar Froner, se pautou em vídeo, nas redes sociais, do pedido de providências feito pela ex-vereadora Fabiana Nascimento, à deputada federal Gisela Simona, na última sexta-feira (14). Por considerar que as mulheres precisam se unir contra um sistema machista que vem retirando mandatos democraticamente assegurados nas urnas, o que configura violência política de gênero.
Esta é a segunda vez que a ex-parlamentar é cassada após denúncia do ex-secretário Gilberto Mello, do PL, ao acusá-la de ter advogado em três processos contra o município, o que é vedado pela Lei Orgânica Municipal e pelo regimento da OAB-MT. Mesmo que o Ministério Público Estadual e a própria Ordem dos Advogados do Brasil – Secção de Mato Grosso, tenham se manifestado a seu favor, afirmando que não havia nada que desabonasse sua conduta, uma vez que a parlamentar não advogou contra o município.
Política
Delações de executivos da Aegea implicam deputado federal em “Esquema de Propinas Multimilionárias”
O cenário político e corporativo brasileiro enfrenta um novo e complexo abalo institucional com a revelação de graves acusações de corrupção que conectam o setor de infraestrutura ao Parlamento. Ex-executivos da Aegea, considerada a maior empresa privada de saneamento básico do território nacional, acusaram formalmente o deputado federal mato-grossense, Juarez Costa (Republicanos) de receber vantagens indevidas estimadas em R$ 30 milhões, além de um veículo de luxo da marca BMW. O vultoso suborno teria sido repassado ao político com o objetivo claro de facilitar de forma ilícita os negócios e os contratos da concessionária de serviços públicos de água e esgoto no município mato-grossense de Sinop.
As graves denúncias que envolvem o congressista ganharam publicidade por meio de uma detalhada reportagem investigativa assinada pelo jornalista Eduardo Militão, veiculada originalmente no portal de notícias Metrópoles. A divulgação do caso trouxe à tona os bastidores de um suposto esquema de favorecimento financeiro que operava na interface entre o poder público municipal e a iniciativa privada. O impacto da publicação jornalística repercutiu imediatamente nos principais centros políticos do país, uma vez que o conteúdo exposto detalha transações clandestinas que fragilizam a lisura de concorrências públicas e a própria governança de grandes corporações nacionais.
As supostas ilegalidades teriam ocorrido de forma continuada ao longo de um período de sete anos, compreendido especificamente entre as gestões de 2009 e 2016, época em que Juarez Costa comandava o Poder Executivo como Prefeito de Sinop. Os repasses financeiros ilícitos e as negociações escusas estendiam-se na mesma medida em que a empresa expandia sua atuação regulatória na promissora região norte do Estado de Mato Grosso. Os prazos delineados pelos investigadores apontam para uma prática sistêmica e duradoura, indicando que o mecanismo de corrupção institucionalizada mantinha-se estável e imune aos controles internos da administração municipal durante os dois mandatos consecutivos do então chefe do Executivo local.
A base factual e jurídica que sustenta as pesadas acusações contra o parlamentar está materializada em minuciosos acordos de colaboração premiada firmados por cinco antigos dirigentes de alto escalão da Aegea com o Ministério Público. As referidas delações premiadas foram submetidas ao crivo do Poder Judiciário e acabaram chanceladas e homologadas em definitivo no ano de 2025 pelo ministro Raul Araújo, integrante do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A participação de magistrados da Suprema Corte confere robustez jurídica aos relatos dos colaboradores, transformando os depoimentos em peças fundamentais de um inquérito que tramita sob rigoroso sigilo e obedece aos ritos processuais penais vigentes no país.
A motivação primordial que impulsionou o pagamento das vultosas propinas residia na busca incessante da Aegea por vantagens comerciais e pela garantia de hegemonia em contratos públicos de saneamento. Os ex-executivos da companhia admitiram que a distribuição de propinas funcionava como uma ferramenta estratégica de expansão corporativa agressiva, destinada a neutralizar a concorrência e a assegurar aditivos contratuais benéficos aos interesses privados.
O suborno era encarado pelos operadores do esquema como um custo operacional necessário para viabilizar a entrada e a permanência da concessionária em mercados municipais estratégicos, garantindo receitas previsíveis e de longo prazo mediante a corrupção de agentes políticos.
O modus operandi estruturado para a execução das fraudes baseava-se em um amplo consórcio de corrupção que extrapolou as fronteiras mato-grossenses, conforme confissões que apontam para o pagamento global de R$ 63 milhões em propinas. Esse esquema ramificado, ativo entre 2010 e 2018, envolveu diretamente vinte municípios distribuídos por seis estados da federação, demonstrando o caráter interestadual da engrenagem criminosa.
As transferências financeiras eram dissimuladas por meio de contratos fictícios e prestação de serviços simulados, técnicas contábeis sofisticadas projetadas especificamente para ludibriar órgãos de fiscalização e dar aparência de legalidade aos recursos de origem nitidamente espúria.
A relevância institucional deste caso ganha contornos dramáticos devido ao peso econômico da Aegea, uma gigante do setor privado que atende milhões de usuários e opera em centenas de cidades brasileiras. A relevância da denúncia amplia-se diante do contexto de forte expansão do mercado de saneamento básico no Brasil, impulsionado por recentes modificações no marco regulatório nacional que estimularam a privatização dos serviços essenciais. Suspeitas de fraudes em uma corporação desse porte geram severas desconfianças no mercado financeiro e comprometem a credibilidade dos modelos de concessão pública, levantando dúvidas sobre a real eficiência da participação privada em áreas sensíveis do desenvolvimento social.
A complexidade econômica da conjuntura agrava-se com a participação societária da Itaúsa, holding controladora do Itaú Unibanco, que realizou aportes bilionários na Aegea no exato período em que os crimes eram relatados. A referida holding injetou inicialmente R$ 1,3 bilhão na empresa de saneamento no ano de 2021, adicionando posteriormente um aporte complementar de R$ 1,2 bilhão, o que lhe confere hoje cerca de 13% do capital social da companhia.

Conquanto a menção à Itaúsa não configure indício de cumplicidade da holding nos atos ilícitos descritos pelos delatores, a presença de um investidor desse equilíbrio ilustra a magnitude financeira da holding e eleva o caso a uma crise de governança de repercussão internacional.
Os desdobramentos desta investigação provocaram reações imediatas nos bastidores políticos de Mato Grosso, onde Juarez Costa mantém uma sólida base eleitoral e exerce atualmente o mandato eletivo na Câmara dos Deputados, em Brasília. A ausência de manifestações imediatas por parte do parlamentar, que preferiu manter-se em silêncio quando instado a pronunciar-se pela equipe do Metrópoles, alimentou as especulações sobre seu futuro político e jurídico.
Analistas apontam que o avanço das apurações judiciais e uma eventual abertura de processo ético-parlamentar podem culminar em severas sanções políticas, incluindo o risco iminente de perda de mandato e de inelegibilidade.
O escândalo recoloca no centro do debate republicano a urgência de mecanismos permanentes de transparência e de controle social rígido sobre os contratos de concessão de serviços de utilidade pública. Quando a prestação de serviços fundamentais à saúde e à dignidade humana torna-se dependente de vultosas parcerias com conglomerados econômicos privados, a fiscalização estatal não pode apresentar falhas nem tolerar interferências políticas espúrias.
O desfecho das investigações em curso será determinante para demonstrar a capacidade das instituições brasileiras em punir crimes de colarinho branco, assegurando que o interesse público prevaleça de forma absoluta sobre ambições financeiras particulares e coalizões criminosas.
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