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MULHER NA POLÍTICA

“Gisela Simona”; “Colocar o nome como pré-candidata a prefeita é um ato de coragem”

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A servidora licenciada do Procon-MT é a única mulher a assumir pré-candidatura a prefeita de Cuiabá nas eleições municipais de 2020, Gisela Simona (Pros), disse na noite desta segunda-feira (24) considerar um ato de coragem colocar o nome como pré-candidata à prefeita de Cuiabá durante live com a jornalista e terapeuta de família Kall Marçal sobre o tema “A mulher na política“.

Gisela observou que a história atesta a luta da mulher para participar do processo eleitoral e que hoje pode até parecer simples o ato de tirar o título de eleitor e votar, porém nem sempre foi assim.

Antes a gente nem podia emitir opinião na política. Porém, mesmo depois de conseguir no papel o direito ao voto, as mulheres iam às urnas apenas para confirmar a vontade da família, o desejo dos pais ou do marido“.

A pré-candidata à prefeita de Cuiabá lembrou a Lei 12.034, de 2009, que estabelece cota de 30% de um dos gêneros na política.

Mas, na prática, ainda há algumas polêmicas em relação a este assunto“, lamentou Gisela, afirmando que quem é contra a cota não conhece a história da mulher na política ou não quer aceitar.

Citando pesquisa realizada pelo Senado da República, Gisela Simona ressaltou que 85% das mulheres responderam ter interesse em participar de processos eleitorais contra 75% dos homens.

Hoje temos um número muito maior de mulheres pensando em participar de um processo eleitoral, mas no final há menos mulheres sendo protagonistas. Elas acabam recuando do projeto“, lamentou a pré-candidata.

Segundo a pesquisa, 41% das mulheres disseram que não se envolvem na política por falta de apoio dos partidos. As mulheres também recuam pelo não comprometimento feito pelos políticos durante a campanha e por causa da concorrência com os homens, que ainda é muito complicada por conta da cultura machista que existe no Brasil como um todo.

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Por fim, as mulheres desistem do processo eleitoral por falta de apoio à família, de acordo com a pesquisa.

Por isso que eu digo que se colocar à disposição para uma pré-candidatura à prefeita é um ato de coragem. Nós analisamos nossa vida, conversamos com nossa família e estudamos muito o cenário para colocar o nome à disposição da população, ainda que, na prática, o que se vê é o ingresso na política sendo motivado por interesses pessoais, contextualizou.

Para a pré-candidata, ter uma mulher na posição de comando inspira, motiva outras a participarem da vida política.

Então, à medida que a mulher vê chances de vitória ela se coloca mais à disposição da população“, pontuou.

Gisela defendeu que o eleitor faça um voto consciente, analisando o currículo das pessoas, o passado delas, a história de vida.

A internet hoje nos favorece porque você coloca o nome da pessoa na busca e aparece rapidamente tudo o que ela já vez, e isso é importante para votarmos em quem de fato tem credibilidade. Estamos próximos de um processo eleitoral e é importante o eleitor e a eleitora pensarem mais nessa representação feminina na política, completou a servidora pública.

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Política

Mudança de vice expõe fissuras no PL e reabre controvérsias sobre passado político de Alencar Farina

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O Senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, alterou a composição de sua chapa majoritária para a disputa pelo Palácio Paiaguás. Marcelo Maluf (Novo), anteriormente anunciado como candidato a vice-governador, foi retirado da composição e substituído pelo médico Alencar Farina, também filiado ao Partido Liberal (PL). A mudança ocorreu na reta final das articulações políticas e foi formalizada perante a Justiça Eleitoral por meio de ata, sem que, segundo as informações apresentadas, tivesse havido uma negociação prévia com o Novo.

De acordo com o Partido Liberal, os convencionais aprovaram, por unanimidade, o nome de Alencar Farina para ocupar a vaga de vice na chapa encabeçada por Fagundes. A decisão modificou uma composição que vinha sendo construída com a participação de diferentes forças políticas e retirou do Novo o espaço que havia sido destinado ao partido na formação da chapa majoritária. Com a alteração, o PL passou a concentrar as duas principais posições da candidatura ao Governo de Mato Grosso.

O empresario Marcelo Maluf havia sido apresentado anteriormente como indicação do Novo para a vice de Fagundes, em uma composição que buscava ampliar a sustentação partidária do projeto eleitoral. A substituição ocorreu depois de semanas de negociações destinadas a consolidar o palanque do senador. A mudança, contudo, acrescentou uma nova variável ao cenário político, justamente em um momento no qual os partidos envolvidos precisavam harmonizar interesses e definir os espaços que cada legenda ocuparia na campanha.

Além da alteração formal na chapa, a escolha de Farina provocou reações dentro do próprio PL. Setores da militância identificados com a direita e com o bolsonarismo passaram a questionar a indicação em razão da trajetória política anterior do médico. O episódio reacendeu, entre esses grupos, a acusação de que Fagundes teria adotado uma postura considerada incompatível com a orientação ideológica defendida por parte da legenda.

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A principal controvérsia está relacionada ao histórico político de Alencar Farina e às alianças que marcaram sua trajetória antes da filiação ao PL. O médico acumulou participações em disputas eleitorais ao lado de integrantes de partidos de esquerda em Mato Grosso. Esse passado passou a ser utilizado por críticos da escolha para questionar a coerência política da composição anunciada por Fagundes.

Em 2004, Farina concorreu ao cargo de vice-prefeito de Cuiabá na chapa encabeçada por Alexandre César, do Partido dos Trabalhadores (PT). Naquele pleito, a aliança reunia PT, PL e PCdoB, evidenciando uma configuração partidária diferente da polarização que posteriormente passou a marcar o ambiente político nacional. A participação na chapa petista tornou-se, anos depois, um dos principais elementos utilizados para relembrar a trajetória política do atual indicado à vice.

A relação de Farina com o PT também se estendeu às eleições seguintes. Em 2008, o médico disputou uma vaga na Câmara Municipal de Cuiabá pelo Partido dos Trabalhadores. Quatro anos depois, em 2012, seu nome chegou a ser lançado por integrantes da legenda para uma eventual candidatura à Prefeitura de Várzea Grande. O histórico reforçou as críticas dos setores que defendem uma identidade ideológica mais rígida para o PL.

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A trajetória política de Farina, entretanto, também se cruza diretamente com a de Wellington Fagundes. Segundo o relato apresentado, a aproximação entre os dois remonta a 2003, quando o médico deixou o PMDB e ingressou no PT com o aval de José Alencar. Naquele período, Fagundes teria participado do processo que aproximou Farina da nova legenda, estabelecendo uma relação política que, mais de duas décadas depois, volta ao centro das discussões eleitorais.

O reencontro político entre Fagundes e Farina ocorre, portanto, em um contexto completamente diferente daquele em que ambos iniciaram suas trajetórias de aproximação. A escolha do médico para a vice-governadoria resgatou episódios do passado e expôs divergências entre setores do PL, sobretudo entre aqueles que rejeitam qualquer aproximação política com o PT. O movimento também pode exigir do candidato ao Governo uma estratégia capaz de preservar a unidade interna e, simultaneamente, manter coeso o conjunto de partidos reunidos em seu palanque.

A alteração da chapa, por fim, coloca Wellington Fagundes diante de um dos primeiros grandes desafios de sua campanha: administrar as consequências políticas da escolha de seu companheiro de disputa.

Ao substituir um nome indicado pelo Novo por um integrante do próprio PL, o senador modificou o equilíbrio inicialmente projetado para a aliança e abriu uma nova frente de debate dentro de sua própria legenda.

A partir de agora, a capacidade de conciliar diferentes grupos políticos, explicar os critérios da decisão e preservar a unidade do palanque será determinante para a consolidação da candidatura ao Palácio Paiaguás.

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